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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Uma semana de trabalho daquelas

Esta quinta-feira que passou tive um evento em que temos andado a trabalhar nos últimos 2.5 meses. Na empresa fazemos este evento em várias cidades, mas na Europa, os eventos são quase todos noutras línguas, pelo que, como este era em Londres, os meus colegas da sede em Boston quiseram 'todos' cá vir presenciar o evento 'para ver como fazemos os eventos na Europa'. Ou seja, queriam vir à Europa mas tinham que ter uma desculpa para a sua visita. O problema é que, os meus colegas que efectivamente trabalham no Reino Unido também queriam vir ao evento, e de repente tenho 50 pessoas da empresa marcadas para vir ao evento, e tive que dizer a vários colegas de cá que também queriam vir, que já não tinha lugar para eles, visto que o espaço em si apenas tinha capacidade para 160 pessoas sentadas! Claro que disse aos colegas todos que tinham que ficar em pé, que os clientes é que tinham prioridade para se sentar, mas tudo isto fez a semana um bocado stressante. Esta era a primeira vez que eu ia apresentar um evento com tantas pessoas na audiência, e depois ainda tinha o stress de ter a equipa de marketing quase toda no evento, e uma quantidade dos principais executivos da empresa. Eu claro que queria pensar positivo que as coisas iam correr bem, mas é quase inevitável pensar também em todas as coisas que podem correr mal e, não só tinha uma grande quantidade de clientes e potenciais clientes presentes, mas também tinha quase tudo o que é chefe na empresa a presenciar o facto. 

 

No dia em si, não posso esconder que estava um bocado nervosa, apesar de dizer a mim própria cinquenta vezes que não havia razão nenhuma para o nervosismo e que ia correr tudo bem, mas infelizmente há emoções difíceis de controlar. No momento que entrei no palco consegui estar OK, eu tinha preparado o que ia dizer várias vezes e sabia tudo de cor, no entanto, a primeira coisa que me esqueci foi de me apresentar a mim própria e comecei logo a falar do evento  Lá consegui enfiar a parte em que expliquei quem sou um pouco mais à frente no meu discurso. Depois cheguei à parte em que disse uma piada que eu achei que era hilariante para uma audiência de profissionais de marketing, mas ninguém se riu!! Mais tarde também me lembrei que a audiência tinha mais designers, criativos e profissionais de marca do que propriamente profissionais de marketing e por isso podem não ter apanhado a piada tão bem, mas o momento em que eles não se riram é que me deixou mesmo nervosa. Porque depois já não queria dizer as outras piadas que tinha planeado, e só queria acabar o meu discurso o mais depressa possível para poder sair daquele palco. Senti as pernas a agitarem e a voz também ficou tremida, e quando isso acontece, estava mais a pensar no facto de todas aquelas pessoas se estarem a aperceber do meu nervosismo, do que propriamente do que tinha que dizer, e acabei por não dizer umas quantas coisas que queria. 

 

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A partir daí, de cada vez que voltei ao palco, talvez por estar lá pouco tempo e por estar a interagir mais com os apresentadores e com o público, deixei de ficar nervosa e até acabei por receber umas quantas gargalhadas do público. Se bem que acho que costuma ser mesmo assim quando estou em palco. Ao início estou nervosa e depois, consigo ficar mais natural e até que gosto da interacção com o público. 

 

Resultado, tive ali pelo palco apresentadores espectaculares representantes de marcas como Alibaba, IKEA, AllSaints, Air France, BBC e outros quantos, o público gostou muito, e os meus colegas disseram-me que não notaram qualquer nervosismo em mim (não sei se disseram isso para me fazer sentir bem ou se estavam a ser sinceros), mas de forma geral correu bem, e está feito, e finalmente posso respirar fundo e aproveitar este fim-de-semana para descansar e estar com os amigos para distrair desta semana que passou. Ufff!! Já está! 

 

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A incompetência de não falar uma língua

Na semana passada fui a um evento em Paris organizado pela minha empresa. O evento foi totalmente em Françês e, apesar de eu ter tido 3 anos de Françês na escola, estou mais que enferrujada e consigo falar muito pouco. De forma geral, a maioria das pessoas fala Inglês, mas principalmente em França, há sempre alguém que não se sinta comfortável com o Inglês, e neste evento não foi excepção. 

 

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O resultado, é que a meio do evento me estáva a sentir mesmo muito ignorante. Isso porque o facto de não poder falar ou perceber comfortavelmente o que estava a acontecer no palco, fazia com que a minha mente estivesse em branco. Eu sabia que os profissionais de marketing e branding que estavam no palco de empresas como a L'Óreal, Air France, SNCF, entre outros, estavam a falar sobre assuntos que me interessavam, mas como não conseguia perceber o que diziam, não podia fazer perguntas, falar sobre o discutido em palco durante as pausas para networking, ou simplesmente pensar no assunto. Ou seja, senti-me como se tivesse voltado muitos anos atrás, antes da minha experiência profissional, antes do meu curso, voltando talvez, tão atrás, como se estivesse de volta no início da Escola preparatória quando ainda não tinha qualquer ideia do que eram marcas e marketing. É como se toda a minha educação desaparecesse, pelo simples facto de não conseguir falar a língua. 

 

Fez-me pensar de como difícil deve ser para emigrantes que decidem mudar-se para um país onde ainda não dominam a língua. Se já foi difícil para mim só um dia não conseguir falar sobre uma área com que estou normalmente comfortável, como deverá ser para pessoas que se sentem incapacitadas de trabalhar naquilo que são profissionais devido à falta do conhecimento da língua? 

 

A minha conclusão da experiência leva-me a sugerir a futuros emigrantes que se dediquem a aprender a língua antes de tomarem a decisão de emigrar.

Mais um ano em Londres em revista

Ao aproximar-nos do final do ano, é inevitável querer fazer um balanço do ano que passou, do que gostámos, do que não gostámos, do que nos marcou, do que queremos melhorar para o ano seguinte,... Este foi o meu:

 

Trabalho: Comecei o ano com uma promoção. Foi das promoções mais entusiasmantes e mais assustadoras que já recebi. Não veio sem os seus problemas - houve uma pessoa que não gostou nada e me fez a vida negra durante uns tempos; comecei a trabalhar com outras novas pessoas com quem aprendi mais; ao ter mais responsabilidade aprendi que quando há problemas a culpa deve ser assumida por mim, quando há prezas, devem ser passadas para a equipa; aprendi mais sobre psicologia e como lidar com pessoas diferentes; aprendi que há limites para energisar os outros quando eles não querem ser energisados; aprendi a importância de me reunir com diferentes pessoas mesmo que seja uma perca de tempo, para dar visibilidade do que fazemos a pessoas mais sénior que eu. Em 2019 já sei que vão haver mais mudanças e ainda não sei se vou gostar delas ou se não, mas o importante é que quero manter a minha energia, dedicação e paixão por aquilo que faço. Se isso deixar de se concretizar eu sei que será tempo de mudar.

 

Amizades: Fiz muito poucas amizades novas este ano. Consigo contar uma ou duas, o que é uma grande diferença do que eu costumava fazer em anos anteriores. Acho que estou na fase em que gosto mais de passar tempo de qualidade com os amigos que tenho do que estar sempre a tentar aumentar o meu grupo de amizades que já é relativamente estável. Digo relativamente porque de repente este ano muitos amigos saíram ou planearam sair de Londres, o que me deixou triste. A ver como a vida se vai desenvolver no ramo de amizades para o próximo ano.

 

 
 
 
 
 
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Adorei passear pelo #Porto hoje. Vista do terraço #portocruz em #vilanovadegaia #gaia #tugaemferias #tuganoporto #feriasporto

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Viagens: Fiz duas grandes viagens este ano - para o Oeste da Austrália para ir a um casamento no início do ano, e às Ilhas Maurícias mais para o fim do ano. Aproveitei também para visitar o Porto por alturas da Páscoa que já lá não ia há muito, e adorei a visita. Depois tive várias pequenas viagens com o trabalho, mas sem dúvida que as mais marcantes foram estas três. Ainda não tenho planos de viagens para 2019 para além de várias visitas a Portugal.

 

Verão: O verão em Londres este ano foi estupendo. Um dos melhores verões em termos de temperatura desde que vivo em Londres, e isso reflectiu-se na alegria das pessoas no dia-a-dia. Alguns momentos vão fazer-me lembrar deste verão, principalmente o Queen's Yard Summer Party em Hackney Wick que foi um dia excelente passado com amigos num ambiente de festa ao ar-livre; o ambiente durante o Mundial de futebol de que falei aqui e aqui; os passeios de bicicleta, e os festivais de verão onde fui.

 

Novos locais que descobri: Os leitores do blog habituais já sabem que adoro descobrir novos locais, e felizmente, em Londres, novos locais é coisa que nunca falta. Estes foram aqueles que visitei pela primeira vez este ano e que gostei para lá querer voltar - Peckham Levels (efectivamente fui a uma festa num escritório nos andares do Peckham Levels, portanto apenas passei pelos bares a caminho da festa, mas gostei do que vi); os Nomadic Community Gardens em Brick Lane que descobri um dia em que estava a passear pela zona; Grow, um bar e café nas margens do canal em Hackney Wick que conta com inúmeros eventos de música ao vivo, nomeadamente jazz, bossa nova, reggae e outros estilos, que decorrem ao longo de todo o ano;  Coal Drop Yard, a nova zona comercial junto a Granary Square que, para mim, fez com que Kings Cross se tenha transformado num novo destino para compras, o que prefiro muito mais do que ir ao Centro de Londres por ser mais calma e agradável. Este ano também fui a 4 restaurantes adicionais do nosso A-Z dos Restaurantes que já ando a fazer com o namorado à dois anos em que tentamos visitar um restaurante diferente para cada letra do alfabeto. Ainda só estamos na letra H, porque há sempre alguma letra que é complicada. Por exemplo, para a letra H, queríamos ir comer comida Húngara, mas neste momento só há um restaurante Húngaro em Londres que fica em New Cross e demorou uns tempos para lá ir. Este ano fomos a restaurantes do Equador, França, Grécia, e Hungria. Se continuarmos com esta média de 4 restaurantes por ano, ainda nos vai faltar uns anitos até conseguirmos chegar à letra Z da nossa #voltaaosrestaurantes.

 

Amor: Em termos de amor a coisa anda bem. Tão bem, que este ano, o Inglês fez-me um daqueles momentos à filme, durante um pôr-do-sol quando estávamos nas Ilhas Maurícias, para me pedir em casamento. Resultado, vamos ter casório para 2019 e desde então tenho andado de um lado para o outro a tentar perceber os vários detalhes de organizar um casamento que são mais que muitos. Desde a burocracia, à organização e aos convidados, isto de organizar casamento não é assim tão simples quanto pensava. Mas também ainda estou no início dos preparativos e acho que ainda vou ter muito que falar sobre este assunto em 2019. 

 

Desejos de uma entrada em grande e óptimo ano de 2019 para todos os leitores do Tuga em Londres!

 

 

Entrega de CVs porta-a-porta - os prós e contras

Esta semana, estava eu no trabalho, quando uma rapariga entra pelo escritório a dentro à procura da zona da recepção, que não há. 

 

 Ela disse que já conhecia a nossa empresa há alguns anos e que vinha entregar o CV na esperança que houvesse alguma vaga de emprego em Account Management ou Marketing. Disse também que tinha já alguma experiência em Lisboa mas que pretendia mudar-se para Londres.

 

Um dos meus colegas apresentou-a logo à nossa recrutadora, que teve uma conversa inicial com ela e, mais tarde nesse mesmo dia, ela voltou para ter uma entrevista inicial com a Directora de Account Management. O facto é que, efectivamente, uma das nossas Account Managers despediu-se recentemente e iremos ter que substituí-la para o próximo ano. A vaga ainda não existe mas é possível que venha a existir para breve. Além disso, a rapariga Portuguesa disse que só estava em Londres durante dois dias e que tinha vindo propositadamente para entregar CVs às empresas onde estava interessada em trabalhar.  Por isso mesmo, e como ela tinha um bom CV, achámos por bem aproveitar que ela estáva por cá e fazer logo a entrevista em pessoa caso o lugar venha a estar mesmo disponível.

 

Devo dizer que é preciso ter uma certa dedicação e empenho para ir directamente à porta das empresas entregar o CV e isso foi apreciado também pelos meus colegas, daí o interesse em darem-lhe atenção e ouvir o que ela tinha para oferecer.

 

Agora vocês perguntam-se se eu aconselho quem esteja interessado em encontrar um emprego em Londres a tomar este tipo de iniciativa? Nem digo que sim, nem que não à partida. Nem sempre este tipo de iniciativa apresenta os resultados esperados, mas até que poderá ser muito positivo em situações como esta. Vamos então ver os prós e os contras.

 

Prós:

  • Uma pessoa que faz isso demonstra coragem, entusiasmo, dedicação e extroversão.
  • As características associadas a esta atitude são óptimas para quem pretenda encontrar um trabalho em vendas, account management ou semelhantes. O nosso Director de Vendas achou logo que ela seria óptima para vendas.
  • Encontrar um candidato directamente, é positivo para a empresa por pouparem tempo e evitam os custos de empresas de recrutamento.
  • Ao vierem entregar o CV a uma empresa específica, significa que estão realmente interessados nessa empresa, e as organizações gostam de se sentir especiais.

 

Contras:

  • É estranho ter alguém a bater à porta a vir dar o CV e esta atitude é considerada mal prática. Ir entregar o CV no escritório de uma empresa não é o mesmo que ir fazer a ronda dos pubs para um trabalho de empregado de bar.
  • Há empresas e pessoas que podem achar essa atitude demasiado desesperada e os recrutadores podem considerar que um profissional que tome essa iniciativa não consegue que ninguém o empregue o que é visto negativamente por empregadores.
  • Não sabem o que está a acontecer na empresa no dia/momento em que decidem lá ir entregar o CV, e ao chegarem lá por horas de uma grande reunião ou em época de crise com clientes, a vossa presença poderá incomodar e ser muito mal vista.

 

A ter em consideração:

  • A época do ano ou o dia da semana em que vão à empresa é a considerar. A rapariga que veio à nossa empresa, veio no meio da semana, o que, se não fosse a última semana antes do Natal, onde as coisas estão a acalmar, poderia ser difícil de encontrar alguém relevante que lhe tomasse nota do CV e que tivesse tempo para falar com ela. Sextas-feiras ou épocas antes das férias ou feriados, geralmente são melhores porque as pessoas tentam evitar muitas reuniões no último dia antes das folgas.
  • A dimensão da empresa. Se tentarem ir a uma empresa tipo a Google ou até uma de tamanho médio, mas grande o suficiente para ter grandes processos, o vosso CV possivelmente nunca chegará às mãos certas porque nesse tipo de empresas, ou o edifício tem muita segurança e não vos deixam entrar sem terem uma reunião previamente marcada, ou a recepcionista diz-vos que têm que fazer o mesmo processo que todos os outros candidatos fazem, e enviarem a vossa aplicação através de um formulário gigantesco no website da empresa, etc.
  • Devem sentir-me mesmo seguros de que têm as qualificações necessárias para o tipo de cargo a que se pretendem candidatar porque senão as empresas apenas vão achar que a vossa atitude é triste.
  • Se entregarem o CV pessoalmente mas não tiverem a certeza que a pessoa certa o tenha recebido, vale a pena enviarem o CV através do website ou email também, indicando na carta de apresentação que passaram por lá pessoalmente. Já escrevi um post detalhado sobre como escrever um bom CV.

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Em resumo, como quase ninguém toma esse tipo de atitude hoje em dia (de facto, eu era o única da empresa que conhecia alguém que já tinha ido dar o CV directamente a empresas – e ele também era Português, por isso não sei se é algo que apenas os Portugueses gostem de fazer), e o dia escolhido foi um bom dia, nós ficámos bem impressionados com a coragem e atitude da rapariga. Pensando nos prós e nos contras parece-me que desde que escolham as empresas muito bem, que as empresas sejam pequenas/médias e que tenham experiência muito relevante para as empresas escolhidas, até acho que as possíveis vantagens de tomar uma atitude semelhante podem ser mais significativas que as desvantagens.

GDPR - uma alegria para alguns e pesadelo para tantos outros

Se ainda não sabiam o que era o GDPR (General Data Protection Regulation), desde a última semana que já devem estar fartos de saber desta nova lei Europeia que pretende protejar a forma como as organizações guardam e lidam com os vossos dados pessoais, após terem recebido pelo menos uns 10 e-mails sobre o assunto. 

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Pois é, esta nova lei entra em vigor na sexta-feira dia 25, e parece que todas as empresas só se aperceberam agora de que tinham que se preparar para o assunto, porque de repente, estão todas a enviar e-mails de última hora a tentar manter os vossos endereços de e-mail subscritos na sua base de dados. E eu sou uma delas (não da parte de só me ter apercebido agora, que já andamos a tratar das preparações na empresa à meses, que o GDPR não afecta só a base de dados de marketing, mas relativamente à parte de ter também andado a enviar esse tipo de e-mails). 

 

Estive cuidadosamente a redigir os emails, para tentar que fossem o mais diferentes e atraentes possível. Para o primeiro fomos pelo tipo de e-mail que é curto, simples e directo, com um botão grande, e indicação do tipo de e-mails que podem continuar a esperar receber de nós. Cerca de 300 pessoas resubscreveram. Como o número foi tão baixo, no segundo e-mail que enviei, tentei uma outra alternativa e dei exemplos do tipo de emails que enviámos no passado, tais como o convite para uma festa num iate em Cannes Lions, eventos no Shard, e relatórios da indústria. Afinal, quem é que não quer ir a uma festa num iate em Cannes? Ou ir ver as vistas do Shard? Tudo bem que são eventos que decorreram no passado, e que possivelmente não vão voltar a acontecer, mas quem sabe até possamos vir a ter uns ainda mais interessantes, e se os contactos não resubscreverem, não vão ficar a saber o que é que vão estar a perder. O que acham? Resubscreviam se vos aparecesse um e-mail desse género? A mim, esse tipo de e-mail resultava concerteza. Mas parece que não resulta para a maioria. Cerca de 250 contactos resubscreveram.  

 

Portanto, tenho um dia para resubscrever o resto dos 17,500 contactos que tenho na base de dados. Fácil?  Pois é,  possivelmente depois do último e-mail de amanhã devo ficar com cerca de 4% da base de dados. 4%!!! Depois de anos a fazer a base de dados crescer aos poucos e poucos, de repente, assim sem mais nem menos, esse trabalho todo vai ao ar. E é isto mesmo que todas essas empresas que vos têm enviado e-mails estão a pensar também. É péssimo para as empresas, mas eu bem sei que para o indivíduo até que lhe vai saber bem de repente ficar com a sua caixa de correio limpa de newsletters que nunca lêem. Eu própria estou a aproveitar para não me resubscrever para a maioria. Enfim, lá se vai ter que lidar com o que nos restar. 

 

O custo de não cumprir com o GDPR é demasiado elevado para arriscar - 4% do proveito anual da empresa como multa. Pergunto-me, no entanto, se as muitas empresas Portuguesas que me mandam spam, mesmo spam a sério, a promover o tipo de coisas de que nunca demonstrei qualquer interesse em receber informação tais como máquinas para agricultura ou apartamentos no Cacém, se se vão preocupar com o GDPR ou não? Essas sim, deviam preocupar-se com o assunto porque são total invasão da minha caixa de correio e não me consigo livrar delas. Falei sobre esse tipo de emais aqui. Essas até me vai dar prazer queixar-me às entidades reguladoras do GDPR se me continuarem a enviar e-mails depois de sexta. 

Uma semana em Berlim

Esta semana passada estive por Berlim em trabalho. Tinha uma conferência na quinta e sexta, por isso aproveitei para ficar lá a semana toda e passar o tempo com a equipa do escritório de Berlim. Cheguei no Domingo ao final do dia, mas como estava um fim de tarde solarengo, não quiz deixar de aproveitar. Lembrava-me que Berlim é muito bom em termos dos muitos bares de praia no rio, por isso pesquisei por um que tivesse wifi para poder levar o portátil e preparar um pouco do trabalho que ía ter nessa semana. 

 

Fui parar ao Sage Beach em Kreuzberg - bons cocktails, com bom ambiente mas sem estar demasiado cheio de gente, confortável para lá estar sozinha a trabalhar durante um bocado. Gostei!

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Tinha pesquisado previamente por cafés/bares que ficassem abertos até tarde na zona, e um dos mais recomendados foi o Café Luzia, que ficava não muito longe do Sage. Então lá fui com o objectivo de jantar por lá, mas afinal, não tinham menus para jantar. Só fazem café e bolo durante o dia, e passa para bar durante a noite. Mas lá recomendaram-me o restaurante Santa Maria do outro lado da rua, e lá fui. Muito boa recomendação! Não só a comida era excelente, como a decoração era gira, e era também confortável para lá estar sozinha a jantar, com as suas mesas pequeninas e grandes janelas para dar para ver a vida passar pela rua. 

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Nos dias seguintes, só pude aproveitar Berlim um pouco ao final do dia, e na noite que tive livre tentei ir visitar uma galeria, que, como qualquer outro lado em Berlim, fica altamente longe do metro mais próximo. Nessa noite também foi a única noite que decidiu chover em força, por isso tive que correr no meio duma zona onde não havia qualquer abrigo, para conseguir chegar a esta galeria que queria ver, sem estar completamente encharcada. E quando finalmente chego lá - estava fechada! Uma hora mais cedo do que o que dizia no website e do que estava indicado na porta. Obrigadinha! 

 

A conferência em si foi interessante, e adoro o edifício escolhido - The Haus der Kulturen der Welt. A arquitectura deste edifício não passa indiferente a ninguém e, sendo localizada nas margens do Rio Spree, cria um ambiente muito agradável para quem por lá passa.

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Na noite de sexta-feira, houve um jantar organizado para algumas pessoas da conferência no edifício dedicado às exposições de carros do grupo Volkswagen, chamado DRIVE. Foi interessante, por estarmos a jantar rodeados de automóveis que não se vêm normalmente pelas ruas. Quem segue o Tuga em Londres no Instagram, terá visto o vídeo que tirei do interior nas Instagram Stories. . 

 

Tinha o meu avião marcado pelas 9:30h do dia seguinte, mas a cliente que estava comigo disse que lhe tinham recomendado um bar/discoteca muito bom a ir em Berlim. Resultado? Acabei por dormir pouco mais de 2 horas nessa noite, e ela dormiu menos ainda que o seu voo ainda era mais cedo que o meu, mas valeu a pena. 

 

Adoro Berlim! Se não fosse o facto das distâncias serem sempre tão grandes entre qualquer sítio onde se queira ir, e a cidade fosse mais simpática para andar, estaria indecisa se me deveria mudar para lá.

 

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Como despedir alguém

Esta semana que passou foi uma das mais difíceis que tive no trabalho até hoje. Tinha sido informada na sexta-feira anterior, que a nossa empresa ia ter que fazer cortes de pessoal - 80 pessoas para ser exacta, e no nosso escritório seriam cortadas 19 pessoas, entre elas 3 membros da minha equipa. Os cortes iam ser anunciados na quarta-feira que passou, por isso passei o fim-de-semana e os primeiros dois dias da semana a preparar-me para fazer o inevitável. Durante esses dias também tentei encontrar alternativas para manter dois dos membros da equipa, na empresa, ao encontrar-lhes outras posições dentro da nossa empresa mãe (a empresa que comprou a nossa, no ano passado). Para um deles não seria possível muda-lo para a outra posição que tinha em mente, por ser uma função significativamente diferente daquela que ele actualmente estava a fazer. Assim sendo, o seu posto teria que ser anunciado como estando em risco de terminação, para que ele depois pode-se candidatar-se à outra função. Para o outro, o posto que tinha em mente faria efectivamente a mesma função, mas iria fazer parte de outra equipa, e iria apoiar ambas as empresa, em vez de apoiar só a nossa. Consegui que a sua mudança para o novo posto fosse aprovada, e assim o seu emprego deixou de ficar em risco. 

 

Na quarta-feira, quanto mais se aproximava da hora em que o nosso patrão ia anunciar as más notícias a todos, mais eu ficava nervosa. Eu tinha preparado exactamente o que ia dizer, de acordo com o que me foi enviado a mim e aos outros gerentes de departamento, pelos Recursos Humanos, mas isso não me deixava acalmar. Estava prestes a virar do avesso a vida de algumas das pessoas com quem tinha trabalhado ao longo de mais de um ano, em ambos os casos, por isso não conseguia deixar de me sentir mal pelo que ia ter que fazer. 

 

A primeira reunião que tive nessa tarde, foi com as pessoas da minha equipa cujas funções não estavam em risco, incluíndo a do que eu tinha conseguido mudar para outra função semelhante de forma a não perder o emprego. Eu estava satisfeita por ter conseguido isso, mas ele não ficou nada satisfeito. Foi a pessoa que recebeu as notícias de pior forma e disse que nunca quereria ir trabalhar para a empresa mãe, que agora considerava como a grande, má, empresa corporativa que fez com que os amigos ficassem sem emprego, e que o mudou a ele de função sem o seu consentimento. Ele quase que gritava de tão zangado que estava, o que me surpreendeu totalmente. Parecia que não estava a ter qualquer consideração pelos colegas que tinham os seus cargos prestes a ser eliminados, ao começar a queixar-se que teve uma alteração de equipa, como se esse facto fosse pior que o de ter o cargo eliminado. 

 

As outras reuniões com cada um, a que tive que dar a notícia de que as suas funções iam ser eliminadas, correram melhor. Eles claro que não estavam nada contentes, mas foram mais profissionais do que o primeiro. 

 

De forma geral, não foi nada fácil ter estas conversas, nem passar pelos dias seguintes num escritório que estava reduzido a 60% das pessoas que tinha anteriormente. E como se isso não fosse suficiente, o departamento inteiro de Marketing foi reestruturado para unificar as duas empresas a nível de marketing, o que também feriu algumas pessoas com as mudanças a nível de linhas de gerência. Esse vai ser uma outra dificuldade com que vou ter também que lidar. 

 

Já tinha estado antes numa empresa que fez despedimentos, mas eu tinha sido uma das pessoas a sair, como tal, ainda não tinha passado por este nível de reestrutura e mudanças, e verifico que efectivamente não é um processo que esteja a ser fácil de ultrapassar. Espero pelo melhor para as próximas semanas, mas a ver vamos. Todas as pessoas lidam com situações como esta de formas diferentes, e nem sempre é fácil lidar com todos os tipos de personalidades. Se alguém tiver experiência em lidar com pessoas difíceis no trabalho, gostava de ouvir qualquer conselho que tenham para dar. 

O poder da mulher no trabalho, na vida, na política, na moda - um dia na Stylist Live

Ontem passei o dia no Stylist Live, um evento organizado pela revista Stylist que é oferecida ao público junto às estações de transportes principais de Londres todas as quartas-feiras. Para quem não conhece a revista, a Stylist tem sido um autêntico fenómeno de sucesso dentro das revistas femininas, porque ao contrário da maioria, não se concentra em bisbilhotices sobre as celebridades, mas sim apresenta jornalismo inteligente que trata de temas tais como o papel da mulher no ambiente de trabalho, entrevistas com mulheres que ofereçam inspiração para outras, viagens, eventos e moda. Todos os anos organiza um evento que conta com várias palestras, uma zona de passarelle de modelos, workshops, assim como uma zona de exibição onde há desde cabeleireiros e salões de unhas que embelezam as participantes gratuitamente, até várias marcas de moda, joalharia, comida, bebida, etc. que apresentam os seus produtos e oferecem imensas amostras. 

 

Digamos que passei lá todo o dia e não fiquei aborrecida. Gostei principalmente do que aprendi durante as palestras. A primeira que ouvi foi dada pela fundadora da marca de papelaria Kikki.K, Kristina Karlson, que focou no valor de manter um diário. Ela escreve 3 páginas no seu diário todas as manhãs, mas ao contrário da forma como geralmente pensamos sobre um diário, onde escrevemos para mais tarde recordar, no caso dela, ela escreve para deixar sair todos os seus pensamentos, mas nunca mais volta a ler as páginas que escreveu, e muitas vezes, até queima o que escreveu. A lógica dela é que, ao deitarmos para fora num papel tudo o que vai na nossa mente nesse dia, ajuda a reflectir no que nos tormenta e no que nos torna feliz, ajudando a contrabalançar as ideias e tomarmos acções para o dia que está pela frente. Ainda nunca tinha pensado bem nesse benefício que um diário pode trazer, mas acho que o que ela diz tem muita lógica. Sem dúvida, quando coloco as ideas no papel, ajuda-me a pensar mais sobre elas e a reflectir em possíveis soluções, caso uma solução seja necessária.  Acho que muitas pessoas conseguem alcançar o mesmo tipo de resultado quando fazem meditação. No meu caso, costumo fazer esse tipo de reflexões quando vou correr junto ao canal ou no parque. O ar da rua e silêncio matinal também costumam ajudar-me a reflectir sobre o dia, e sobre as coisas boas e as coisas que me atormentam de forma geral. Mas gostei da sugestão do diário também como uma boa alternativa para passar os pensamentos. 

 

Uma outra palestra que achei interessante foi a discussão entre os autores de dois recentes livros 'Everywomen: One woman's truth about speaking the truth' e 'How not to be a boy'. Respectivamente, estou-me a referir a Jess Phillips, que é uma MP do Partido Trabalhista que representa Birmingham e o actor/comediante Robert Webb. A Jess é conhecida pela sua luta pela presença de mais mulheres no Parlamento e o seu livro fala sobre as várias situações por que as mulheres passam ao longo da vida onde são humilhadas por homens ou forçadas a passar por situações que não querem passar, e o livro oferece ideias e sugestões que podem ajudar essas mulheres a aperceberem-se de que têm o direito e dever de dizer que não, ser mais fortes, acreditar mais em si mesmas, e lutar pelo que querem. O livro do Robert retrata a sua própria infância e as dificuldades por que passou ao crescer como um rapaz sensível que gostava de poesia e detestava desporto numa sociedade onde os rapazes deviam fazer exactamente o oposto daquilo que ele queria, e onde fala também da sua próxima relação com a mãe e da sua dificuldade em ultrapassar a morte dela quando ele tinha apenas 17 anos. A forma como apresentaram os livros foi extremamente atraente, e resultou em grandes filas com pessoas a esperarem para ter os seus novos livros assinados pelos autores. 

 

Outras palestras de interesse foram uma onde Jess Phillips, Catherine Mayer (a co-fundadora do Partido da Igualdade das Mulheres) e Nimco Ali (Activista pelos direitos sociais, geralmente relacionados com a igualdade das mulheres, raça e religião) falaram sobre a importância de cada uma de nós estar atenta à política nacional, a importância do voto, e porque é que não devemos ignorar o que se passa à nossa volta a nível político. Gostei também muito de uma outra onde a empreendedora Debbie Wosskow falou da sua história, lutas e sucessos relacionadas com o lançamento e venda de duas empresas e, do seu actual projecto Allbright, que é efectivamente uma organização que oferece treino  e apoio financeiro para mulheres que também querem lançar a sua própria empresa. Fica a informação sobre esta organização, caso esta venha a ser útil para algumas das leitoras do blog. 

 

De forma geral, foi um dia muito bem passado e voltei para casa cheia de entusiasmo e com novas ideias para aplicar no meu dia-a-dia. 

 

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Como complicar uma viagem de trabalho

Na semana passada fui a Berlim a uma conferência onde íamos ter um stand e fazer uma apresentação.

 

Cheguei a Berlim na quarta à noite, fui do aeroporto para o centro da cidade de comboio, lá sempre com a preocupação de sair na estação correcta. Quando estava já em Aleksander Platz, estava a mandar mensagem para os meus colegas que já lá estavam, acerca do horário para nos encontrarmos no dia seguinte. E é no momento em que escrevo sobre os preparativos e todas as coisas que tinha comigo para levar para a conferência, que olho para baixo e reparo que não tinha a minha bagagem comigo. Com a preocupação de sair na estação correcta, tinha deixado a mala no comboio!  Mal queria acreditar que tinha sido tão distraída ao ponto de me esquecer da mala. Voltei a correr para a plataforma mas claro que o comboio já lá não estava e, como eram cerca de 22h também não consegui encontrar staff nenhum pela estação. Fiquei com aquela sensação de incapacidade, sem saber o que fazer, mas ao mesmo tempo sem a possibilidade de fazer nada. Lá encontrei a zona de informações que tinha apenas alguns números de telefone indicados, mas as linhas apenas estariam abertas no dia seguinte. 

 

Ali estava eu, em Berlim, às 22h da noite, quando já estava tudo fechado, com mais nada para além do que tinha na minha mala de ombro. No hotel lá me deram uma escova e pasta de dentes, e na recepção havia forma de carregar o telemóvel, por isso ao menos isso. 

 

Pensei que no dia seguinte podia comprar roupa para usar na conferência, visto que estava vestida um pouco casualmente com calças de ganga, mas rapidamente apercebo-me de que era um feriado na Alemanha, e na Alemanha todas as lojas estão fechadas aos feriados. Perfeito! 

 

Como a conferência só começava pela parte da tarde, ainda fui ao centro de Perdidos e Achados numa estação no Este de Berlim. A pessoa que me atendeu não falava uma palavra de Inglês o que não ajudou nada, mas deu para perceber que tinha que ir online para indicar a perda da mala, e só no dia seguinte é que talvez eles tivessem alguma novidade acerca da mala. 

 

Até então ainda não tinha telefonado ao meu escritório a indicar que tinha perdido todas coisas que tínhamos preparado para trazer para o evento, com esperança de que ali fosse encontrar a mala. Mas lá tive que fazer o telefonema. Como o meu patrão vinha no dia seguinte, ele podia trazer mais material e, entretanto, tínhamos que nos aguentar com as poucas coisas que um outro colega que lá estava também tinha trazido. 

 

As coisas lá se resolveram entre eles os dois, e eu tive que ir para a conferência de calças de ganga, mas não tinha mesmo escolha. Apesar de só ter trazido roupa para 2 dias tinha lá dentro coisas com algum valor que não iam deixar de ser uma chatice de substituir. Ao fim de sexta-feira ainda não havia sinais da mala e eu tinha que voltar para Londres. Já estava conformada que não ia voltar a ver a mala. Entretanto, esta tarde, ao fim de 5 dias de ter deixado a mala naquele comboio, recebo um e-mail dos Perdidos e Achados a dizer que tinham encontrado uma mala. Respondi logo, mas ainda não sei se é a minha.

 

Enfim, resumo da história, fiquem sempre atentos às malas, principalmente se as colocarem num compartimento onde a mala não vai estar à vista. E sem dúvida que aconselho colocarem sempre uma etiqueta com o vosso nome e endereço de email ou telefone. Eu tinha só o nome e o email, e acho que foi através da informação nessa etiqueta que entraram em contacto comigo visto que o seu email não fazia referência ao facto de eu ter submetido um alerta de perca da mala. A ver vamos. Espero que me reencontre com a mala e sem dúvida que vou ter muito mais cuidado de futuro. 

 

Por um lado mais positivo, a temperatura em Berlim estava óptima e só me fez apetecer voltar lá em férias. 

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 Margem do Rio Spree no SpreeBogenPark

O poder do Instagram como plataforma para novas celebridades

Como trabalho para uma tecnologia de marketing que está altamente envolvida com as redes sociais, no outro dia organizei um evento para os nossos clientes e, como parte do evento, quis incluir uma discussão entre 'micro-influencers' no Instagram. Ou seja, pessoas que tenham bons feeds de Instagram com cerca de 8.000 a 80,000 seguidores. Tivemos 3 Instagrammers e, entre elas, rapidamente descobri que a mais popular das três, com mais de 63,000 seguidores, era Portuguesa. Chama-se Mia Soarez, e conta com o nome de perfil nas redes sociais de Silver Girl. Já começou à alguns anos a postar maioritariamente sobre moda, e tem também um perfil no YouTube e está a começar a fazer mais com o music.ly também. 

 

As outras duas Instagrammers eram a Andrea Cheong e a Shelley Morecroft. Todas elas têm um feed virado para a moda, viagens e estido de vida, mas cada um dos feeds tem a sua personalidade distinta. Achei muito interessante a discussão entre as três e as histórias que partilharam relativamente ao seu sucesso no Instagram. A Mia que, me pareceu ser a mais jovem de todas, basicamente passou grande parte da adolescência a postar no Instagram, enquanto que as outras duas começaram mais recentemente. Nos três casos, o que tinham em comum, é que postam frequentemente, são muito selectas na qualidade das fotos que colocam no Instagram, e querem que as suas personalidades estejam representadas nas fotos. Elas sabem que os seus seguidores, decidiram começar a segui-las porque gostam da consistência do seu feed, e elas próprias indicaram que os seus posts não perfomam tão bem se não tiverem sempre os mesmos cuidados. 

 

Uma das partes interessantes da discussão foi quando começaram a falar sobre como trabalham com marcas. Todas elas são contactadas regularmente por marcas que querem que elas publiquem fotos com os seus produtos, quer estes sejam acessórios, roupa ou hotéis, restaurantes, etc. Algumas das marcas pedem para que façam posts sem oferecer contrapartida; outras vezes oferecem-lhes os produtos gratuitamente, em troca de uma foto e referência nas suas redes sociais; outras vezes as marcas pagam-lhes para isso, e em alguns casos mais especiais, as marcas convidam-lhes para participar nas suas próprias campanhas de publicidade, como se de modelos se tratassem. O que achei positivo por parte das três é que, em todos os casos, dizem que só porque uma marca lhes possa oferecer produtos ou dinheiro para que coloquem fotos sobre os seus produtos, elas confirmam que só o fazem se efectivamente gostarem das marcas e acharem que estas marcas estão relacionadas com as personalidades que transmitem nas redes sociais. Elas sabem que se começarem a fazer posts que sejam pura publicidade sem ter qualquer interesse no produto em questão, os seus seguidores vão notar essa falsidade e vão deixar de estar interessados em seguir os seus perfis. 

 

As suas actividades com marcas também significam que têm o seu tempo-livre limitado e, por isso duas delas decidiram trabalhar para o seu Instagrama, blog e relações com marcas a tempo inteiro. É uma decisão arriscada, mas ao deixarem o seu trabalho normal, também significa que têm mais tempo para criar mais e melhores fotos com o intuito de crescer a sua rede de seguidores e, consequentemente, poderem cobrar mais caro às marcas que querem trabalhar com elas. 

 

Outros assuntos que também foram discutidos incluíram o próprio acto de tirar as fotografias. Sendo que elas são a 'modelo' em muitas das suas fotografias, como é que elas fazem para tirar a foto? Todas elas tinham alguém que lhes tira essas fotos ou utilizam um triped. Num caso é um amigo que tira as fotos, noutro caso era outra Instagrammer que lhe tirava fotos e, basicamente tiram fotos uma à outra para os seus respectivos feeds no Instagram. 

 

Gostei muito de ouvir a sua experiência e perceber melhor o tempo e dedicação que têm que dar a cada foto, mas o que é mais interessante é que, estes são exemplos de raparigas que há alguns anos atrás, só poderiam conseguir o mesmo nível de reconhecimento e trabalho, se tivessem certos requisitos que as agências de modelos considerassem bons para as poderem representar em frente a marcas. Hoje em dia, no entanto, qualquer pessoa pode ser modelo, trabalhar com campanhas de marcas e ter os seus momentos de fama, através das suas próprias redes sociais. Estas redes passaram o poder para as mãos do indivíduo em vez das agências e o seu sucesso nunca foi tão pessoal como o que é hoje em dia com as redes sociais. 

 

A Mia chegou a publicar uma foto no seu Instagram no dia em que foi ao nosso evento por isso aqui fica a mesma:

 

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