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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

A primeira semana no escritório

Nesta semana que passou, fui pela primeira vez ao escritório da nova empresa. Apenas eu e mais dois colegas temos a 'permissão' para trabalhar do escritório por termos pedido especificamente que queriamos trabalhar de lá. Eu, e mais outra colega que começou ainda à menos tempo que eu,  queriamos ter a oportunidade de conhecer colegas e ter um espaço de trabalho mais comfortável. No entanto, ainda não a cheguei a conhecer porque ela foi alertada no esquema de 'track & trace' de que frequentou o mesmo pub que uma pessoa que foi encontrada com Covid, e portanto, tem que se isolar durante duas semanas. 

 

Conheci, no entanto, o outro colega que também pediu para trabalhar do escritório, e ele falou-me um pouco mais do que tem acontecido na empresa nos últimos meses, falou-me dos hábitos que eles tinham, o que ajudou a perceber melhor um pouco da cultura de empresa, etc. 

 

Gostei bastante de poder conhecer o meu primeiro colega em pessoa, e gostei também de ficar a conhecer o escritório. Fica localizado no lado sul de Londres, pelo que sempre que vou para lá, vou ter que atravessar uma das pontes de bicicleta, e portanto apreciar aquela paisagem das margens do rio Tamisa, que nunca me canso de ver. Também ainda nunca tinha estado a trabalhar naquela zona, pelo que ainda tenho muito que conhecer por lá, e tenho aproveitado a hora de almoço para andar à descoberta. 

 

Não pretendo ir ao escritório todos os dias, até porque estar num escritório vazio também não é ideal, mas pretendo continuar a ir pelo menos dois dias por semana. Sabe bem ter mais espaço de mesa, o segundo ecrã, e o ar-condicionado, que o meu apartamento fica quente demais durante a tarde quando o sol bate na janela. E além do mais, simplesmente gosto da mudança de cenário. 

 

Para a maioria dos outros colegas, parece que o escritório só vai mesmo abrir a partir de Janeiro, e nessa altura é que vamos começar a fazer rotação entre todos para se conseguir manter algumas mesas vazias de forma a haver distanciamento entre colegas. Mas até lá, vamos ser só os três num escritório de 40 pessoas. É um pouco estranho, mas é a nova situação que temos, por isso há que adaptar. 

 

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P. S. - Ah e eu tinha prometido que diria aqui se a minha nova técnica para encontrar tempo foi sucedida, e de facto foi. Pelo menos por este primeira vez consegui dedicar o tempo que queria ao meu projecto de escrita, pelo que agora há que continuar e já tenho o próximo período de tempo marcado na agenda também. 

Começar um novo emprego durante a pandemia

Recebi um e-mail do meu novo chefe no dia anterior a começar o novo emprego com um documento onde descrevia o meu 'onboarding'. Ao ler ao longo do documento comecei a ficar entusiasmada com o que me esperava - as coisas novas que ia aprender, as novas pessoas que ia conhecer, e pôr o meu cérebro a funcionar em modo de trabalho novamente. Mas até aí, aquela sensação de entusiasmo que geralmente marca os dias anteriores a começar um novo trabalho, era quase inexistente. Afinal, ia começar a trabalhar de casa, num ambiente virtual, através de reuniões de Zoom, mas rodeada pelo espaço habitual no meu próprio quarto. Como foi a experiência de começar um novo trabalho a partir de casa? Foi melhor do que pensei, mas sem dúvida que teria preferido começar num escritório. Ficam as principais diferenças:

 

O vestuário

Foi a primeira vez em que comecei um novo emprego em que não me deu vontade para ir às compras para fazer um update do guarda-roupa. Afinal, para quê? Ninguém vê o que tenho vestido para baixo da zona dos ombros. Também não preciso de ter aquela sensação de estar 'power dressed' para entrar no escritório pela primeira vez e começar a conhecer os novos colegas. Isso não quer dizer que eu fosse escolher ficar de calções do pijama no meu primeiro dia de trabalho que, mesmo que os meus colegas não vissem isso, eu sabia o que tinha vestido, por isso quis usar roupa em que me senti-se profissional. Talvez se já lá estivesse a trabalhar há imenso tempo, a roupa que usasse não fizesse qualquer diferença. Imagino que as pessoas quando começaram a trabalhar em casa durante o lockdown em empresas onde já estivessem confortáveis, tenham colocado o seu guarda-roupa profissional de parte, ou pelo menos a parte debaixo. Mas esse não é o meu caso. Por isso quis vestir-me adequadamente como se fosse para o escritório, e usei maquilhagem para conseguir disfarçar aquele ar de quem acabou de sair da cama. Esta sexta-feira que passou fizeram 8 dias desde que comecei o novo emprego, e pelo menos para já, tenho continuado com o mesmo hábito de me vestir mais ou menos como se fosse para o escritório - menos os sapatos e o soutien, que depois desde meses todos de 'liberdade' acho que já não sou capaz de passar o dia todo apertada. 

 

O escritório

Eu sempre soube que o meu apartamento não era muito grande, mas desde o lockdown, parece mais pequeno do que sempre, por não ter o espaço suficiente para se criar uma zona de 'escritório' separada, sem ter que influenciar negativamente a decoração do espaço. O meu Inglês já tinha ocupado a mesa de jantar, que se encontra no nosso open plan entre a cozinha e a sala de estar, como a sua secretária. Substituiu uma das nossas cadeiras bonitas em volta da mesa, por uma cadeira de escritório, e tem um segundo ecrã que coloca em cima da mesa todas as manhãs e tira ao final do dia para podermos utilizar como mesa de jantar. 

Eu tive que encomendar uma mesa de secretária pequena para colocar num canto do quarto, que se dobra à noite para não ocupar espaço, e tenho também uma cadeira de escritório. Durante o lockdown sentava-me maioritariamente nas cadeiras da mesa da varanda ou no sofá, mas nenhum dos casos é confortável para estar horas a fio sentada no mesmo local. Portanto, tivemos mesmo que ter as cadeiras de escritório apesar de não terem qualquer lógica estética para estarem cá em casa. Com esta situação agora também não sei quando nos vamos poder livrar daquelas cadeiras porque mesmo quando se voltar ao escritório, não será todos os dias. Portanto, ou tem que haver uma vacina para o Covid, ou temos que mudar para uma casa maior. Até lá, vamos ter que continuar a viver num espaço pequeno com dois semi-escritórios totalmente fora do contexto, e para mim que adoro um design de interiores minimalista, não é nada ideal.

 

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Os colegas

Entre reuniões de Zoom e conversas no Slack, tenho vindo a conhecer os colegas aos poucos e poucos e para já tem sido uma experiência agradável. Na minha primeira semana organizaram um Zoom Happy hour para os novos colegas, que fui eu e outra rapariga que também começou na mesma semana que eu, mas não deixou de ser um Zoom um pouco estranho, porque de repente está-se numa chamada com imensas pessoas e onde cada uma tem que falar de cada vez. Quando ninguém fala há aquele silêncio desconfortável. E sendo que a maioria dos colegas se encontra no horário do Pacífico na costa oeste dos EUA, apesar de ser 'happy hour', ninguém está a beber álcool por ser de manhã para eles. Não é bem como os 'welcome drinks' no pub habituais que se costuma ter com os colegas na sua primeira semana num novo emprego. 

 

O trabalho em si

Começou em força. Talvez até demais porque ainda não consegui terminar às 18h que é o meu horário de saída. Numa situação ideal adorava ter mais tempo para fazer uma boa análise da situação actual da empresa, preparar a estratégia e o plano para o resto do ano e só depois começar nas actividades do dia-a-dia, mas claro que isso não é possível porque já existem imensas coisas planeadas para acontecer, e tenho que tratar delas enquanto defino os novos projectos também, portanto há imenso que fazer, mas de forma geral estou a gostar da experiência. 

Nova ronda de cortes na empresa

Depois da empresa A em que trabalhava ter sido comprada pela empresa B, eu tive que cortar o emprego de duas pessoas na minha equipa. Entretanto, em finais do ano passado a empresa B foi comprada pela empresa C, e desta, foi a minha vez de ficar sem trabalho. 

 

A minha chefe informou-me da notícia em finais de Janeiro e o meu último dia oficial foi mesmo esta semana. Desde que fomos comprados, os auditores têm andado na empresa a ver onde podiam reduzir custos e 'optimizar eficiências' e decidiram centralizar a equipa de marketing para os Estados Unidos e, como tal, já não precisavam de uma Directora de Marketing na Europa, como tal, desapareceu o meu emprego. 

 

Esta é uma das grandes diferenças de como a lei do trabalho funciona no Reino Unido em comparação a Portugal. Em Portugal não seria permitido simplesmente fazer esta eliminação de cargos a empregados permanentes sem causa justa e com efeito quase imediato. No entanto, o facto de ser muito mais fácil de se recrutar e despedir pessoas e fazer reestruturações de departamento a toda a hora, também permite que existe muita maior flexibilidade para as pessoas mudarem de emprego, e não existe tanto aquele medo de não se conseguir outro trabalho permanente facilmente. Portanto, de forma geral, eu continuo a preferir a forma como a lei do trabalho mais flexível existe por cá, apesar de saber que isso me pode afectar de vez em quando. 

 

Quando recebi as notícias claro que não fiquei contente. Nunca sabe bem receber essas notícias. Mas surpreendentemente também não fiquei muito chateada e comecei antes a pensar nas oportunidades que a mudança de trabalho me podiam trazer. É daquelas situações em que não vale a pena chorar pelo leite derramado. Não há nada a fazer para trazer aquele emprego de volta, pelo que a melhor solução é mesmo ver as coisas pelo lado positivo:

  • a empresa está a pagar-me uma indemnização pela eliminação do cargo, pelo que efectivamente estão a pagar-me para procurar outro trabalho;
  • já lá estava à quase 5 anos pelo que era tempo de ter uma mudança para fazer novas coisas, aprender com novas pessoas e com uma indústria diferente, mas estava a precisar de um empurrão para sair da empresa;
  • com o tempo que tenho enquanto procuro novo emprego posso também aproveitar para dedicar a mim própria. Quantas vezes na vida temos uns meses de pausa? Não muito frequentemente. No meu caso, acho que tive no máximo 1 mês de pausa entre empregos desde que saí da faculdade. Por isso, desta vez não vou apressar-me. Quero encontrar algo que me deixe mesmo entusiasmada e quero também aproveitar para descansar e recarregar energias antes de começar algo novo.

 

Claro que não estou à espera que encontrar um novo emprego entusiasmante seja muito fácil, mas eu tenho um plano de acção:

  • Primeiro listei tudo aquilo que gostava e não gostava do meu emprego e empresa;
  • Depois listei o tipo de indústrias e empresas de que gosto muito; 
  • Comparei os resultados com as qualificações e experiência que tenho para conseguir identificar o tipo de empregos aos quais me quero candidatar e que tenho hipóteses de conseguir. O resultado foram empregos na área do marketing e parcerias para empresas de tecnologia ou agências/consultorias de marketing que ofereçam serviços a empresas de tecnologia ou empresas da área de design e arquitectura ou eventos ou empresas que façam apoio a startups de alguma forma. 
  • Uma vez identificadas essas áreas, refiz o meu CV focando os pontos mais importantes que achei que seria de relevância para o tipo de empresas e empregos a que me quero candidatar.
  • E depois foi começar a ir aos websites das empresas de que gosto, pesquisar na secção de carreiras se procuram pessoas com a minha experiência e cada vez que encontro algo que me interessa escrevo uma carta de apresentação totalmente personalizada para aquela empresa explicando as razões pelas quais eu sou a candidata ideal àquele trabalho em questão. 
  • Também tenho pesquisado através dos anúncios de emprego no LinkedIn e a próxima fase é colocar o meu CV nos vários sites de emprego que sejam relevantes às áreas que me interessam, para que as empresas certas possam encontrar o meu perfil. 
  • E tenho informado a todas as pessoas possível sobre a minha situação porque muitas empresas preferem recomendações internas, portanto faço questão de ir informando as pessoas que conheço, principalmente as que trabalham nas minhas áreas de interesse, porque não quero perder oportunidades apenas pela falta dos meus amigos e conhecidos não saberem que estou à procura de novo emprego. 

 

Claro que este processo de cuidado na selecção e aplicação a cada empresa também significa que cada uma demora imenso tempo a preparar, mas acho que vai valer a pena. Entretanto, tenho aproveitado o meu tempo para ir a todo o tipo de eventos e seminários a que nunca tenho tempo para ir e que me ajudam a conhecer algo novo. Desde que recebi a notícia do emprego já fui a 7 eventos sobre os mais variados temas, como por exemplo, fui a um de técnicas para fazer apresentações em público, outro sobre optimização de emails, outro sobre optimização de visualização de dados, etc etc. O que vale é que existem sempre inúmeros eventos sobre tudo e mais alguma coisa em Londres, e muitos deles são gratuitos portanto há que aproveitar. 

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Evento organizado pelo YCN e Founders Factory dedicado a startups

 

Depois vou dando notícias de como a pesquisa for correndo. 

Uma semana de trabalho daquelas

Esta quinta-feira que passou tive um evento em que temos andado a trabalhar nos últimos 2.5 meses. Na empresa fazemos este evento em várias cidades, mas na Europa, os eventos são quase todos noutras línguas, pelo que, como este era em Londres, os meus colegas da sede em Boston quiseram 'todos' cá vir presenciar o evento 'para ver como fazemos os eventos na Europa'. Ou seja, queriam vir à Europa mas tinham que ter uma desculpa para a sua visita. O problema é que, os meus colegas que efectivamente trabalham no Reino Unido também queriam vir ao evento, e de repente tenho 50 pessoas da empresa marcadas para vir ao evento, e tive que dizer a vários colegas de cá que também queriam vir, que já não tinha lugar para eles, visto que o espaço em si apenas tinha capacidade para 160 pessoas sentadas! Claro que disse aos colegas todos que tinham que ficar em pé, que os clientes é que tinham prioridade para se sentar, mas tudo isto fez a semana um bocado stressante. Esta era a primeira vez que eu ia apresentar um evento com tantas pessoas na audiência, e depois ainda tinha o stress de ter a equipa de marketing quase toda no evento, e uma quantidade dos principais executivos da empresa. Eu claro que queria pensar positivo que as coisas iam correr bem, mas é quase inevitável pensar também em todas as coisas que podem correr mal e, não só tinha uma grande quantidade de clientes e potenciais clientes presentes, mas também tinha quase tudo o que é chefe na empresa a presenciar o facto. 

 

No dia em si, não posso esconder que estava um bocado nervosa, apesar de dizer a mim própria cinquenta vezes que não havia razão nenhuma para o nervosismo e que ia correr tudo bem, mas infelizmente há emoções difíceis de controlar. No momento que entrei no palco consegui estar OK, eu tinha preparado o que ia dizer várias vezes e sabia tudo de cor, no entanto, a primeira coisa que me esqueci foi de me apresentar a mim própria e comecei logo a falar do evento  Lá consegui enfiar a parte em que expliquei quem sou um pouco mais à frente no meu discurso. Depois cheguei à parte em que disse uma piada que eu achei que era hilariante para uma audiência de profissionais de marketing, mas ninguém se riu!! Mais tarde também me lembrei que a audiência tinha mais designers, criativos e profissionais de marca do que propriamente profissionais de marketing e por isso podem não ter apanhado a piada tão bem, mas o momento em que eles não se riram é que me deixou mesmo nervosa. Porque depois já não queria dizer as outras piadas que tinha planeado, e só queria acabar o meu discurso o mais depressa possível para poder sair daquele palco. Senti as pernas a agitarem e a voz também ficou tremida, e quando isso acontece, estava mais a pensar no facto de todas aquelas pessoas se estarem a aperceber do meu nervosismo, do que propriamente do que tinha que dizer, e acabei por não dizer umas quantas coisas que queria. 

 

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A partir daí, de cada vez que voltei ao palco, talvez por estar lá pouco tempo e por estar a interagir mais com os apresentadores e com o público, deixei de ficar nervosa e até acabei por receber umas quantas gargalhadas do público. Se bem que acho que costuma ser mesmo assim quando estou em palco. Ao início estou nervosa e depois, consigo ficar mais natural e até que gosto da interacção com o público. 

 

Resultado, tive ali pelo palco apresentadores espectaculares representantes de marcas como Alibaba, IKEA, AllSaints, Air France, BBC e outros quantos, o público gostou muito, e os meus colegas disseram-me que não notaram qualquer nervosismo em mim (não sei se disseram isso para me fazer sentir bem ou se estavam a ser sinceros), mas de forma geral correu bem, e está feito, e finalmente posso respirar fundo e aproveitar este fim-de-semana para descansar e estar com os amigos para distrair desta semana que passou. Ufff!! Já está! 

 

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A incompetência de não falar uma língua

Na semana passada fui a um evento em Paris organizado pela minha empresa. O evento foi totalmente em Françês e, apesar de eu ter tido 3 anos de Françês na escola, estou mais que enferrujada e consigo falar muito pouco. De forma geral, a maioria das pessoas fala Inglês, mas principalmente em França, há sempre alguém que não se sinta comfortável com o Inglês, e neste evento não foi excepção. 

 

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O resultado, é que a meio do evento me estáva a sentir mesmo muito ignorante. Isso porque o facto de não poder falar ou perceber comfortavelmente o que estava a acontecer no palco, fazia com que a minha mente estivesse em branco. Eu sabia que os profissionais de marketing e branding que estavam no palco de empresas como a L'Óreal, Air France, SNCF, entre outros, estavam a falar sobre assuntos que me interessavam, mas como não conseguia perceber o que diziam, não podia fazer perguntas, falar sobre o discutido em palco durante as pausas para networking, ou simplesmente pensar no assunto. Ou seja, senti-me como se tivesse voltado muitos anos atrás, antes da minha experiência profissional, antes do meu curso, voltando talvez, tão atrás, como se estivesse de volta no início da Escola preparatória quando ainda não tinha qualquer ideia do que eram marcas e marketing. É como se toda a minha educação desaparecesse, pelo simples facto de não conseguir falar a língua. 

 

Fez-me pensar de como difícil deve ser para emigrantes que decidem mudar-se para um país onde ainda não dominam a língua. Se já foi difícil para mim só um dia não conseguir falar sobre uma área com que estou normalmente comfortável, como deverá ser para pessoas que se sentem incapacitadas de trabalhar naquilo que são profissionais devido à falta do conhecimento da língua? 

 

A minha conclusão da experiência leva-me a sugerir a futuros emigrantes que se dediquem a aprender a língua antes de tomarem a decisão de emigrar.

Mais um ano em Londres em revista

Ao aproximar-nos do final do ano, é inevitável querer fazer um balanço do ano que passou, do que gostámos, do que não gostámos, do que nos marcou, do que queremos melhorar para o ano seguinte,... Este foi o meu:

 

Trabalho: Comecei o ano com uma promoção. Foi das promoções mais entusiasmantes e mais assustadoras que já recebi. Não veio sem os seus problemas - houve uma pessoa que não gostou nada e me fez a vida negra durante uns tempos; comecei a trabalhar com outras novas pessoas com quem aprendi mais; ao ter mais responsabilidade aprendi que quando há problemas a culpa deve ser assumida por mim, quando há prezas, devem ser passadas para a equipa; aprendi mais sobre psicologia e como lidar com pessoas diferentes; aprendi que há limites para energisar os outros quando eles não querem ser energisados; aprendi a importância de me reunir com diferentes pessoas mesmo que seja uma perca de tempo, para dar visibilidade do que fazemos a pessoas mais sénior que eu. Em 2019 já sei que vão haver mais mudanças e ainda não sei se vou gostar delas ou se não, mas o importante é que quero manter a minha energia, dedicação e paixão por aquilo que faço. Se isso deixar de se concretizar eu sei que será tempo de mudar.

 

Amizades: Fiz muito poucas amizades novas este ano. Consigo contar uma ou duas, o que é uma grande diferença do que eu costumava fazer em anos anteriores. Acho que estou na fase em que gosto mais de passar tempo de qualidade com os amigos que tenho do que estar sempre a tentar aumentar o meu grupo de amizades que já é relativamente estável. Digo relativamente porque de repente este ano muitos amigos saíram ou planearam sair de Londres, o que me deixou triste. A ver como a vida se vai desenvolver no ramo de amizades para o próximo ano.

 

 
 
 
 
 
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Adorei passear pelo #Porto hoje. Vista do terraço #portocruz em #vilanovadegaia #gaia #tugaemferias #tuganoporto #feriasporto

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Viagens: Fiz duas grandes viagens este ano - para o Oeste da Austrália para ir a um casamento no início do ano, e às Ilhas Maurícias mais para o fim do ano. Aproveitei também para visitar o Porto por alturas da Páscoa que já lá não ia há muito, e adorei a visita. Depois tive várias pequenas viagens com o trabalho, mas sem dúvida que as mais marcantes foram estas três. Ainda não tenho planos de viagens para 2019 para além de várias visitas a Portugal.

 

Verão: O verão em Londres este ano foi estupendo. Um dos melhores verões em termos de temperatura desde que vivo em Londres, e isso reflectiu-se na alegria das pessoas no dia-a-dia. Alguns momentos vão fazer-me lembrar deste verão, principalmente o Queen's Yard Summer Party em Hackney Wick que foi um dia excelente passado com amigos num ambiente de festa ao ar-livre; o ambiente durante o Mundial de futebol de que falei aqui e aqui; os passeios de bicicleta, e os festivais de verão onde fui.

 

Novos locais que descobri: Os leitores do blog habituais já sabem que adoro descobrir novos locais, e felizmente, em Londres, novos locais é coisa que nunca falta. Estes foram aqueles que visitei pela primeira vez este ano e que gostei para lá querer voltar - Peckham Levels (efectivamente fui a uma festa num escritório nos andares do Peckham Levels, portanto apenas passei pelos bares a caminho da festa, mas gostei do que vi); os Nomadic Community Gardens em Brick Lane que descobri um dia em que estava a passear pela zona; Grow, um bar e café nas margens do canal em Hackney Wick que conta com inúmeros eventos de música ao vivo, nomeadamente jazz, bossa nova, reggae e outros estilos, que decorrem ao longo de todo o ano;  Coal Drop Yard, a nova zona comercial junto a Granary Square que, para mim, fez com que Kings Cross se tenha transformado num novo destino para compras, o que prefiro muito mais do que ir ao Centro de Londres por ser mais calma e agradável. Este ano também fui a 4 restaurantes adicionais do nosso A-Z dos Restaurantes que já ando a fazer com o namorado à dois anos em que tentamos visitar um restaurante diferente para cada letra do alfabeto. Ainda só estamos na letra H, porque há sempre alguma letra que é complicada. Por exemplo, para a letra H, queríamos ir comer comida Húngara, mas neste momento só há um restaurante Húngaro em Londres que fica em New Cross e demorou uns tempos para lá ir. Este ano fomos a restaurantes do Equador, França, Grécia, e Hungria. Se continuarmos com esta média de 4 restaurantes por ano, ainda nos vai faltar uns anitos até conseguirmos chegar à letra Z da nossa #voltaaosrestaurantes.

 

Amor: Em termos de amor a coisa anda bem. Tão bem, que este ano, o Inglês fez-me um daqueles momentos à filme, durante um pôr-do-sol quando estávamos nas Ilhas Maurícias, para me pedir em casamento. Resultado, vamos ter casório para 2019 e desde então tenho andado de um lado para o outro a tentar perceber os vários detalhes de organizar um casamento que são mais que muitos. Desde a burocracia, à organização e aos convidados, isto de organizar casamento não é assim tão simples quanto pensava. Mas também ainda estou no início dos preparativos e acho que ainda vou ter muito que falar sobre este assunto em 2019. 

 

Desejos de uma entrada em grande e óptimo ano de 2019 para todos os leitores do Tuga em Londres!

 

 

Entrega de CVs porta-a-porta - os prós e contras

Esta semana, estava eu no trabalho, quando uma rapariga entra pelo escritório a dentro à procura da zona da recepção, que não há. 

 

 Ela disse que já conhecia a nossa empresa há alguns anos e que vinha entregar o CV na esperança que houvesse alguma vaga de emprego em Account Management ou Marketing. Disse também que tinha já alguma experiência em Lisboa mas que pretendia mudar-se para Londres.

 

Um dos meus colegas apresentou-a logo à nossa recrutadora, que teve uma conversa inicial com ela e, mais tarde nesse mesmo dia, ela voltou para ter uma entrevista inicial com a Directora de Account Management. O facto é que, efectivamente, uma das nossas Account Managers despediu-se recentemente e iremos ter que substituí-la para o próximo ano. A vaga ainda não existe mas é possível que venha a existir para breve. Além disso, a rapariga Portuguesa disse que só estava em Londres durante dois dias e que tinha vindo propositadamente para entregar CVs às empresas onde estava interessada em trabalhar.  Por isso mesmo, e como ela tinha um bom CV, achámos por bem aproveitar que ela estáva por cá e fazer logo a entrevista em pessoa caso o lugar venha a estar mesmo disponível.

 

Devo dizer que é preciso ter uma certa dedicação e empenho para ir directamente à porta das empresas entregar o CV e isso foi apreciado também pelos meus colegas, daí o interesse em darem-lhe atenção e ouvir o que ela tinha para oferecer.

 

Agora vocês perguntam-se se eu aconselho quem esteja interessado em encontrar um emprego em Londres a tomar este tipo de iniciativa? Nem digo que sim, nem que não à partida. Nem sempre este tipo de iniciativa apresenta os resultados esperados, mas até que poderá ser muito positivo em situações como esta. Vamos então ver os prós e os contras.

 

Prós:

  • Uma pessoa que faz isso demonstra coragem, entusiasmo, dedicação e extroversão.
  • As características associadas a esta atitude são óptimas para quem pretenda encontrar um trabalho em vendas, account management ou semelhantes. O nosso Director de Vendas achou logo que ela seria óptima para vendas.
  • Encontrar um candidato directamente, é positivo para a empresa por pouparem tempo e evitam os custos de empresas de recrutamento.
  • Ao vierem entregar o CV a uma empresa específica, significa que estão realmente interessados nessa empresa, e as organizações gostam de se sentir especiais.

 

Contras:

  • É estranho ter alguém a bater à porta a vir dar o CV e esta atitude é considerada mal prática. Ir entregar o CV no escritório de uma empresa não é o mesmo que ir fazer a ronda dos pubs para um trabalho de empregado de bar.
  • Há empresas e pessoas que podem achar essa atitude demasiado desesperada e os recrutadores podem considerar que um profissional que tome essa iniciativa não consegue que ninguém o empregue o que é visto negativamente por empregadores.
  • Não sabem o que está a acontecer na empresa no dia/momento em que decidem lá ir entregar o CV, e ao chegarem lá por horas de uma grande reunião ou em época de crise com clientes, a vossa presença poderá incomodar e ser muito mal vista.

 

A ter em consideração:

  • A época do ano ou o dia da semana em que vão à empresa é a considerar. A rapariga que veio à nossa empresa, veio no meio da semana, o que, se não fosse a última semana antes do Natal, onde as coisas estão a acalmar, poderia ser difícil de encontrar alguém relevante que lhe tomasse nota do CV e que tivesse tempo para falar com ela. Sextas-feiras ou épocas antes das férias ou feriados, geralmente são melhores porque as pessoas tentam evitar muitas reuniões no último dia antes das folgas.
  • A dimensão da empresa. Se tentarem ir a uma empresa tipo a Google ou até uma de tamanho médio, mas grande o suficiente para ter grandes processos, o vosso CV possivelmente nunca chegará às mãos certas porque nesse tipo de empresas, ou o edifício tem muita segurança e não vos deixam entrar sem terem uma reunião previamente marcada, ou a recepcionista diz-vos que têm que fazer o mesmo processo que todos os outros candidatos fazem, e enviarem a vossa aplicação através de um formulário gigantesco no website da empresa, etc.
  • Devem sentir-me mesmo seguros de que têm as qualificações necessárias para o tipo de cargo a que se pretendem candidatar porque senão as empresas apenas vão achar que a vossa atitude é triste.
  • Se entregarem o CV pessoalmente mas não tiverem a certeza que a pessoa certa o tenha recebido, vale a pena enviarem o CV através do website ou email também, indicando na carta de apresentação que passaram por lá pessoalmente. Já escrevi um post detalhado sobre como escrever um bom CV.

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Em resumo, como quase ninguém toma esse tipo de atitude hoje em dia (de facto, eu era o única da empresa que conhecia alguém que já tinha ido dar o CV directamente a empresas – e ele também era Português, por isso não sei se é algo que apenas os Portugueses gostem de fazer), e o dia escolhido foi um bom dia, nós ficámos bem impressionados com a coragem e atitude da rapariga. Pensando nos prós e nos contras parece-me que desde que escolham as empresas muito bem, que as empresas sejam pequenas/médias e que tenham experiência muito relevante para as empresas escolhidas, até acho que as possíveis vantagens de tomar uma atitude semelhante podem ser mais significativas que as desvantagens.

GDPR - uma alegria para alguns e pesadelo para tantos outros

Se ainda não sabiam o que era o GDPR (General Data Protection Regulation), desde a última semana que já devem estar fartos de saber desta nova lei Europeia que pretende protejar a forma como as organizações guardam e lidam com os vossos dados pessoais, após terem recebido pelo menos uns 10 e-mails sobre o assunto. 

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Pois é, esta nova lei entra em vigor na sexta-feira dia 25, e parece que todas as empresas só se aperceberam agora de que tinham que se preparar para o assunto, porque de repente, estão todas a enviar e-mails de última hora a tentar manter os vossos endereços de e-mail subscritos na sua base de dados. E eu sou uma delas (não da parte de só me ter apercebido agora, que já andamos a tratar das preparações na empresa à meses, que o GDPR não afecta só a base de dados de marketing, mas relativamente à parte de ter também andado a enviar esse tipo de e-mails). 

 

Estive cuidadosamente a redigir os emails, para tentar que fossem o mais diferentes e atraentes possível. Para o primeiro fomos pelo tipo de e-mail que é curto, simples e directo, com um botão grande, e indicação do tipo de e-mails que podem continuar a esperar receber de nós. Cerca de 300 pessoas resubscreveram. Como o número foi tão baixo, no segundo e-mail que enviei, tentei uma outra alternativa e dei exemplos do tipo de emails que enviámos no passado, tais como o convite para uma festa num iate em Cannes Lions, eventos no Shard, e relatórios da indústria. Afinal, quem é que não quer ir a uma festa num iate em Cannes? Ou ir ver as vistas do Shard? Tudo bem que são eventos que decorreram no passado, e que possivelmente não vão voltar a acontecer, mas quem sabe até possamos vir a ter uns ainda mais interessantes, e se os contactos não resubscreverem, não vão ficar a saber o que é que vão estar a perder. O que acham? Resubscreviam se vos aparecesse um e-mail desse género? A mim, esse tipo de e-mail resultava concerteza. Mas parece que não resulta para a maioria. Cerca de 250 contactos resubscreveram.  

 

Portanto, tenho um dia para resubscrever o resto dos 17,500 contactos que tenho na base de dados. Fácil?  Pois é,  possivelmente depois do último e-mail de amanhã devo ficar com cerca de 4% da base de dados. 4%!!! Depois de anos a fazer a base de dados crescer aos poucos e poucos, de repente, assim sem mais nem menos, esse trabalho todo vai ao ar. E é isto mesmo que todas essas empresas que vos têm enviado e-mails estão a pensar também. É péssimo para as empresas, mas eu bem sei que para o indivíduo até que lhe vai saber bem de repente ficar com a sua caixa de correio limpa de newsletters que nunca lêem. Eu própria estou a aproveitar para não me resubscrever para a maioria. Enfim, lá se vai ter que lidar com o que nos restar. 

 

O custo de não cumprir com o GDPR é demasiado elevado para arriscar - 4% do proveito anual da empresa como multa. Pergunto-me, no entanto, se as muitas empresas Portuguesas que me mandam spam, mesmo spam a sério, a promover o tipo de coisas de que nunca demonstrei qualquer interesse em receber informação tais como máquinas para agricultura ou apartamentos no Cacém, se se vão preocupar com o GDPR ou não? Essas sim, deviam preocupar-se com o assunto porque são total invasão da minha caixa de correio e não me consigo livrar delas. Falei sobre esse tipo de emais aqui. Essas até me vai dar prazer queixar-me às entidades reguladoras do GDPR se me continuarem a enviar e-mails depois de sexta. 

Uma semana em Berlim

Esta semana passada estive por Berlim em trabalho. Tinha uma conferência na quinta e sexta, por isso aproveitei para ficar lá a semana toda e passar o tempo com a equipa do escritório de Berlim. Cheguei no Domingo ao final do dia, mas como estava um fim de tarde solarengo, não quiz deixar de aproveitar. Lembrava-me que Berlim é muito bom em termos dos muitos bares de praia no rio, por isso pesquisei por um que tivesse wifi para poder levar o portátil e preparar um pouco do trabalho que ía ter nessa semana. 

 

Fui parar ao Sage Beach em Kreuzberg - bons cocktails, com bom ambiente mas sem estar demasiado cheio de gente, confortável para lá estar sozinha a trabalhar durante um bocado. Gostei!

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Tinha pesquisado previamente por cafés/bares que ficassem abertos até tarde na zona, e um dos mais recomendados foi o Café Luzia, que ficava não muito longe do Sage. Então lá fui com o objectivo de jantar por lá, mas afinal, não tinham menus para jantar. Só fazem café e bolo durante o dia, e passa para bar durante a noite. Mas lá recomendaram-me o restaurante Santa Maria do outro lado da rua, e lá fui. Muito boa recomendação! Não só a comida era excelente, como a decoração era gira, e era também confortável para lá estar sozinha a jantar, com as suas mesas pequeninas e grandes janelas para dar para ver a vida passar pela rua. 

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Nos dias seguintes, só pude aproveitar Berlim um pouco ao final do dia, e na noite que tive livre tentei ir visitar uma galeria, que, como qualquer outro lado em Berlim, fica altamente longe do metro mais próximo. Nessa noite também foi a única noite que decidiu chover em força, por isso tive que correr no meio duma zona onde não havia qualquer abrigo, para conseguir chegar a esta galeria que queria ver, sem estar completamente encharcada. E quando finalmente chego lá - estava fechada! Uma hora mais cedo do que o que dizia no website e do que estava indicado na porta. Obrigadinha! 

 

A conferência em si foi interessante, e adoro o edifício escolhido - The Haus der Kulturen der Welt. A arquitectura deste edifício não passa indiferente a ninguém e, sendo localizada nas margens do Rio Spree, cria um ambiente muito agradável para quem por lá passa.

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Na noite de sexta-feira, houve um jantar organizado para algumas pessoas da conferência no edifício dedicado às exposições de carros do grupo Volkswagen, chamado DRIVE. Foi interessante, por estarmos a jantar rodeados de automóveis que não se vêm normalmente pelas ruas. Quem segue o Tuga em Londres no Instagram, terá visto o vídeo que tirei do interior nas Instagram Stories. . 

 

Tinha o meu avião marcado pelas 9:30h do dia seguinte, mas a cliente que estava comigo disse que lhe tinham recomendado um bar/discoteca muito bom a ir em Berlim. Resultado? Acabei por dormir pouco mais de 2 horas nessa noite, e ela dormiu menos ainda que o seu voo ainda era mais cedo que o meu, mas valeu a pena. 

 

Adoro Berlim! Se não fosse o facto das distâncias serem sempre tão grandes entre qualquer sítio onde se queira ir, e a cidade fosse mais simpática para andar, estaria indecisa se me deveria mudar para lá.

 

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Como despedir alguém

Esta semana que passou foi uma das mais difíceis que tive no trabalho até hoje. Tinha sido informada na sexta-feira anterior, que a nossa empresa ia ter que fazer cortes de pessoal - 80 pessoas para ser exacta, e no nosso escritório seriam cortadas 19 pessoas, entre elas 3 membros da minha equipa. Os cortes iam ser anunciados na quarta-feira que passou, por isso passei o fim-de-semana e os primeiros dois dias da semana a preparar-me para fazer o inevitável. Durante esses dias também tentei encontrar alternativas para manter dois dos membros da equipa, na empresa, ao encontrar-lhes outras posições dentro da nossa empresa mãe (a empresa que comprou a nossa, no ano passado). Para um deles não seria possível muda-lo para a outra posição que tinha em mente, por ser uma função significativamente diferente daquela que ele actualmente estava a fazer. Assim sendo, o seu posto teria que ser anunciado como estando em risco de terminação, para que ele depois pode-se candidatar-se à outra função. Para o outro, o posto que tinha em mente faria efectivamente a mesma função, mas iria fazer parte de outra equipa, e iria apoiar ambas as empresa, em vez de apoiar só a nossa. Consegui que a sua mudança para o novo posto fosse aprovada, e assim o seu emprego deixou de ficar em risco. 

 

Na quarta-feira, quanto mais se aproximava da hora em que o nosso patrão ia anunciar as más notícias a todos, mais eu ficava nervosa. Eu tinha preparado exactamente o que ia dizer, de acordo com o que me foi enviado a mim e aos outros gerentes de departamento, pelos Recursos Humanos, mas isso não me deixava acalmar. Estava prestes a virar do avesso a vida de algumas das pessoas com quem tinha trabalhado ao longo de mais de um ano, em ambos os casos, por isso não conseguia deixar de me sentir mal pelo que ia ter que fazer. 

 

A primeira reunião que tive nessa tarde, foi com as pessoas da minha equipa cujas funções não estavam em risco, incluíndo a do que eu tinha conseguido mudar para outra função semelhante de forma a não perder o emprego. Eu estava satisfeita por ter conseguido isso, mas ele não ficou nada satisfeito. Foi a pessoa que recebeu as notícias de pior forma e disse que nunca quereria ir trabalhar para a empresa mãe, que agora considerava como a grande, má, empresa corporativa que fez com que os amigos ficassem sem emprego, e que o mudou a ele de função sem o seu consentimento. Ele quase que gritava de tão zangado que estava, o que me surpreendeu totalmente. Parecia que não estava a ter qualquer consideração pelos colegas que tinham os seus cargos prestes a ser eliminados, ao começar a queixar-se que teve uma alteração de equipa, como se esse facto fosse pior que o de ter o cargo eliminado. 

 

As outras reuniões com cada um, a que tive que dar a notícia de que as suas funções iam ser eliminadas, correram melhor. Eles claro que não estavam nada contentes, mas foram mais profissionais do que o primeiro. 

 

De forma geral, não foi nada fácil ter estas conversas, nem passar pelos dias seguintes num escritório que estava reduzido a 60% das pessoas que tinha anteriormente. E como se isso não fosse suficiente, o departamento inteiro de Marketing foi reestruturado para unificar as duas empresas a nível de marketing, o que também feriu algumas pessoas com as mudanças a nível de linhas de gerência. Esse vai ser uma outra dificuldade com que vou ter também que lidar. 

 

Já tinha estado antes numa empresa que fez despedimentos, mas eu tinha sido uma das pessoas a sair, como tal, ainda não tinha passado por este nível de reestrutura e mudanças, e verifico que efectivamente não é um processo que esteja a ser fácil de ultrapassar. Espero pelo melhor para as próximas semanas, mas a ver vamos. Todas as pessoas lidam com situações como esta de formas diferentes, e nem sempre é fácil lidar com todos os tipos de personalidades. Se alguém tiver experiência em lidar com pessoas difíceis no trabalho, gostava de ouvir qualquer conselho que tenham para dar.