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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Manual de sobrevivência para a Tomatina

Tens medo das multidões? Ataques de pânico? Claustrofobia? Estás grávida? Tens o pé partido? Não podes com maus cheiros? Não gostas de te sujar? Odeias ketchup? 

Se respondeste que sim a alguma das questões acima então, NÃO deves ir à Tomatina de Buñol! Pois é, aquele festival não é para todos por isso se alguém que ler este post estiver a pensar ir à "La Tomatina" para o próximo ano ou outro seguinte, convém ir bem ciente do que lhe pode esperar por lá. O festival é enorme e junta milhares de pessoas num espaço pequeno das ruas da vila onde se realiza. Basicamente começa com camiões carregados de tomates que vão atirando os tomates para as ruas cheias de pessoas, as quais agarram nos tomates que ficaram inteiros e continuam a atirá-los uns aos outros em tipo "luta do tomate". Cheira mal e vão ficar muito sujos! Estão já ficam prevenidos para o que podem esperar.

Neste momento já devo ter perdido o interesse de todos aqueles leitores que acham isso tudo uma nojeira e não percebem porque raio é que alguém iria gostar de se submeter a tal porcaria. Portanto, para todos os restantes que ainda mantêm o interesse à leitura e não se sentem nada desanimados com a ideia - vão que é muuuito divertido!!

O festival é livre e gratuito para quem quizer participar e realiza-se pelas ruas centrais da vila Espanhola de Buñol, localizada na zona de Valência.

Dada a sua localização e teor convém planear a ida ao evento com alguma antecedência e o passo número um é decidir como chegam lá. O aeroporto mais próximo é o de Valência, mas em alternativa também poderão viajar para Barcelona (já que Valência não tem grande coisa para visitar), aproveitar para passear lá uns dias e depois apanhar o comboio ou autocarro para Valência no dia anterior ao evento. Notem que Barcelona fica a 4 horas de distância de autocarro de Valência, e o preço do bilhete de autocarro ronda os €55 pelo que convém pensar se compensa a viagem. Caso o façam é altamente aconselhável comprarem os bilhetes de autocarro com antecedência pela net através do site da companhia de transportes Alsa. Em alternativa, e caso viagem a partir de Portugal, podem até levar o carro e fica o problema do transporte resolvido durante todo o percurso.

 

 

O passo número dois será marcar a acomodação, o que convém ser com o maior tempo de antecedência possível. Digamos que entre 3 a 2 meses de antecedência será suficiente. Depois disso já será complicado encontrar alojamento, principalmente em Buñol que apenas tem algumas pensões e residenciais. Na maioria dos casos, os festivaleiros costumam escolher por ficar em Valência já que é uma cidade maior, junto à praia e com mais opções de coisas para fazer.

O passo três é pensarem no que vão levar com vocês para o festival. A dica é levarem o mínimo possível e, preferencialmente nada de valioso. Aconselho os homens irem vestidos com calções de banho e t-shirt velha e às mulheres para levarem um bikini debaixo de calções e t-shirt velhos também, ou os quais não tenham problemas de vir a deitar fora. Se forem com um grupo de amigos, algo engraçado que podem organizar é ir todos vestidos com as mesmas cores ou terem algo escrito nas vossas t-shirts, por exemplo. Quanto mais originais mais atraem as atenções e mais pessoas acabam por conhecer.

Desta vez, por exemplo, estava lá um grupo de Italianos vestidos de bébés que atrairam imenso a atenção dos grupos femininos já que queriam todas tirar fotos com eles.

Relativamente ao calçado a regra é levarem sapatos que não vos saltem facilmente dos pés. Ou seja, chinelos de enfiar o dedo são altamente desaconselhados. A maioria das pessoas estava de ténis, mas também se viam sapatos plásticos ou pelo menos os tipos de chinelos que fecham atrás para que não vos saltem dos pés por mais que escorreguem e que vos dêm encontrões. É também aconselhável que levem óculos aquáticos para proteger os olhos do ácido do tomate.

 

 

Se tiverem que voltar nesse dia para Valência de comboio ficam avisados que não são permitidos entrar no comboio sujos de tomate pelo que existem chuveiros junto à estação para se lavarem ou então podem optar por levar uma muda de roupa. Vão também precisar de levar aquelas coisas básicas como dinheiro, chaves e afins. Para essas coisas pequenas eu aconselho levarem uma daquelas bolsinhas de atar à cintura para que possam carregar sempre convosco esse tipo de coisas e talvez também uma câmara de fotografar descartável caso pretendam retratar o momento. Existiu quem levasse as suas câmaras digitais mas colocaram-nas envoltas num plástico transparente para que não se sujassem de tomate. Ficam as opções para o que preferirem fazer.

Relativamente a levar mudas de roupa e eventualmente outros objectos que necessitem podem deixá-los numa das "zonas de bengaleiros". Basicamente esses zonas não são nada mais, nada menos do que as casas dos próprios residentes da vila que aproveitam o festival para fazer um dinheiro extra e deixam que lá coloquem os vossos bens em troco de dinheiro. E aproveitam-se bem porque no local onde nós deixámos a nossa mochila cobraram-nos €5! A vantagem é que como a mochila era grande metemos tudo dentro da mesma e assim podemos dividir os custos. Se é seguro? Bem, eu fui a única que levei a bolsa à cintura. Todos os meus amigos deixaram os bens de valor tipo telemóveis dentro da mochila que colocámos no "bengaleiro" e ninguém roubou nada, por isso,... Sinceramente acho que eles fazem tanto dinheiro com aquele festival que não íam fazer a parvoíce de roubar uns telemóveis ou uns trocados e depois ser acusados de ladrões e os festivaleiros passarem a palavra a outros de que é perigoso lá ir. Pelo que parece-me que os residentes iriam ter mais a perder do que a ganhar caso fizessem um roubo desse género.

Caso fiquem alojados em Valência há que considerar o meio de transporte para chegar a Buñol no dia do festival. O comboio é sem dúvida a opção mais barata. Não podem comprar os bilhetes com antecedência pelo que devem ir muito cedo no próprio dia para a estação de forma a conseguirem os bilhetes e para evitarem grandes filas. A hora aconselhada para apanharem o comboio ronda entre as 7h e as 8h da manhã. A viagem durante pouco menos de 1 hora e a Tomatina começa mesmo às 11 horas da manhã.

Assim que chegarem a Buñol continuem a andar até ao centro da cidade onde irão encontrar a praça principal onde decorre a tomatina. Vão logo para lá porque se se atrasarem pelo caminho depois as ruas já estarão demasiado cheias de gente e não irão conseguir passar para chegar à praça.

Após o festival em si, que dura cerca de 2 horas a atirar tomates uns aos outros, podem tomar banho graças às mangueiradas ou baldes de água atirados pelos residentes dos prédios. Existem também alguns chuveiros espalhados pela vila onde poderão tomar um duche ao ar-livre. Podem optar por depois secar ao ar-livre enquanto dançam ao som de um dos muitos sistemas de som que continuam a animar a festa após a luta dos tomates ter terminado.

E tenham uma boa Tomatina

 

 

Do bikini para a camisola

É oficial - as minhas férias de verão chegarão ao fim.

Como tinha escrito, esta última semana, depois de uma belíssima semana em Portugal que foi óptima para relaxar, ver a família e amigos, estive em Barcelona e Valência.

Cheguei lá na sexta-feira por volta da hora de almoço e fiquei em casa desta amiga Espanhola que conheci em Londres à uns anos atrás. Nessa mesma noite, três outros amigos vieram de Londres para encontrarem-se conosco e passarmos a semana juntos.

Nessa primeira noite ainda tivemos a sorte de que era o último dia das festas da Grácia, que basicamente são as festas de um bairro popular de Barcelona, cujas ruas são enfeitadas com temas originais e a rua mais original ganha um prémio. Depois há muita música e dança pelas várias ruas o que faz com que todo o ambiente seja bastante agradável e muito animado.

 

 

Seguiram-se 3 outros dias de muitos passeios por Barcelona a partir dos quais descobri muito mais da cidade do que aquilo que já conhecia (só conhecia os pontos principais que tinha visitado em passagens curtas pela cidade de menos de 1 dia há 8 e 9 anos atrás). Sempre conheci pessoas que falavam do quanto gostavam da cidade de Barcelona e de facto, agora fiquei a perceber melhor o porquê de que estas pessoas me falavam tão bem sobre a cidade. É uma cidade cheia de carácter e onde se pode encontrar desde o bairro tradicional, ao bairro moderno, deste a montanha à praia, desde as muitas zonas de interesse cultural às zonas de bares e restaurantes. Esta cidade está mesmo replecta de inúmeras coisas para ver e fazer e, com certeza, os seus habitantes não se devem conseguir aborrecer facilmente. Também tem a vantagem de que o centro não é muito grande e é facilmente acessível em termos de preços das casas para se poder alugar casa por lá, o que faz com que seja possível andar facilmente por toda a zona principal da cidade e voltar também para casa a pé.

 

                                                                                      Parque Guell

 

                                                                                       Casa Battló

 

Aproveitei também para visitar a minha outra amiga Espanhola que também saiu de Londres este ano, na sua nova casa em Barcelona. Ela convidou-nos a todos para jantar e passámos uma óptima noite por lá a petiscar empanadas e tapas que ela tinha preparado.

Na terça-feira foi dia de nos dirigirmos para a cidade de Valência já que no dia seguinte iriamos para o festival da "La Tomatina" (já mencionado no post anterior). Por lá ficamos numa residencial onde, logo nessa noite conhecemos duas Americanas que também íam ao festival no dia seguinte. Conversa puxa conversa e elas acabaram por ir jantar nessa noite conosco e combinamos ir todos juntos para o festival no dia seguinte. Sendo que a Tomatina acontecia na vila de Buñol, a cerca de 1 hora de distância de Valência, e dada a grande quantidade de pessoas que percorriam a mesma viagem nesse dia, nós chegámos lá bem cedo por volta das 8:30h da manhã. Mal lá chegámos ficámos impressionados com a animação que já se via na rua em que já haviam inúmeros stands a vender cerveja, imensa música nas ruas e uma animação geral quase como se estivessemos de noite.

Vestidos com roupas que seriam para deitar fora após a Tomatina (dado o péssimo estado em que deveriam ficar) e tendo levado mochilas com o mínimo indispensável, tivemos que deixar os nossos sacos com uns residentes da vila que cobravam €5 para que lá deixassemos as coisas. Até doeu quando ouvi o preço, mas como nós não traziamos grande coisa, foi possível colocar as nossas mochilas dentro de uma maior que um de nós tinha e assim dividimos o custo entre todos o que já ficou mais em conta. Mas que isso de cobrar €5 para serviço de bengaleiro é uma roubalheira, ai isso é que é! Enfim, o facto é que os residentes sabem que nós temos que deixar as malas em algum sítio, e daí cobrarem estas quantidades estúpidas de dinheiro.

Depois de avançar um pouco para o centro da vila decidimos parar num café para tomar o pequeno-almoço e, achei piada quando um Inglês, também festivaleiro, passou ao pé de nós nesse momento, olhou para as nossas chávenas de café e disse: - "café??? Vocês deviam era estar a beber cerveja. A Tomatina não é a mesma coisa sem alcóol." Nós olhamos para ele e perguntamos-lhe se ele tinha noção de que eram 9 horas da manhã? Acho que ele não queria saber disso, mas enfim.

Quando a Tomatina começou já estavamos mais para o meio da vila mas, infelizmente não estavamos suficientemente à frente porque na zona em que nos encontrámos já muitos dos camiões passaram sem tomates porque já os tinham esgotado anteriormente. Isso foi mesmo pena, porque depois viemos a descobrir que na zona principal do festival as pessoas conseguiam até nadar no sumo de tomate que estava no chão, o que não foi bem o caso da zona em que estavamos. Mesmo assim nem estavamos muito ao fundo porque ainda haviam cerca de uns 300 metros de rua atrás de nós completamente a abarrotar de pessoas, mas simplesmente não havia tomates suficientes para todos. Mesmo assim, ainda apanhamos com 2 camiões que tinham tomates que foi o suficiente para nos sujarem e podermos andar a fazer "lutas de tomates" durante um bocado. Sem dúvida divertido, de qualquer forma.

Após o último camião ter passado era a hora do duche. Afinal os tomates estavam todos bem maduros para serem esmagados facilmente, o que significa que também cheiravam mal como tudo. Arghh, só de me lembrar do cheiro faz-me pensar que quero evitar qualquer tipo de molho de tomate durante os próximos tempos. Haviam algumas zonas com chuveiros mesmo, mas a grande maioria das pessoas tomou banho através das mangueiradas que eram dadas pelos residentes locais. Dos seus prédios, os residentes atiravam ou com baldes de água ou com mangueiradas cá para baixo e as pessoas mantinham-se em baixo da zona da água para se limparem. Tinha a sua certa piada e eu lá fui também à mangueirada para tirar os restos de tomate que me cobriam.

Após duche tomado, o que nos ajudava a secar eram as zonas de dança que haviam ao longo da vila. Com vários sistemas de som ao longo da cidade para os diferentes gostos musicais, grupos de pessoas começavam assim a pós-festa a dançar pela tarde a dentro, o que foi também uma parte bastante divertida do dia.

Na semana anterior, quando eu ainda estava em Portugal e, dizia aos meus amigos que iria para a Tomatina, eles diziam-me que eu não devia lá encontrar Portugueses nenhuns já que os Portugueses não vão muito a essas coisas. Eu discordei e bem tinha razão porque logo no início do dia tinha visto dois rapazes com a palavra "Portugal" escrito nas suas t-shirts. Ainda gritei "Portugal" quando os vi, mas eles já íam longe e não me ouviram. De qualquer forma eu estava decidida a tirar uma foto com Portugueses lá na Tomatina para provar aos meus amigos que de facto outros Portugueses iriam ao festival. Por isso mesmo, quando a minha amiga Ana esteve na conversa com um rapaz que, entretanto descobriu que era Português, claro que eu não podia perder a oportunidade de tirar uma foto com ele. De qualquer forma só tirar a foto não seria prova o suficiente de que era Português, como tal, escrevi-lhe "Portugal" em letras bem grandes nas costas (não, ele não se importou nada com isso), e assim já pude tirar a minha foto de prova que efectivamente tinha encontrado por lá um Português. Acabou por ser o único com que cheguei a falar, mas ele disse-me que ainda chegou a encontrou lá outros dois que tinham escrito nas suas t-shirts "Gripe A". O que nos remete novamente para o facto de que em Portugal se fala mesmo muito sobre esta gripe, que os rapazes até decidem escrever isso. Deviam querer que as pessoas não se aproximassem muito deles, só pode. Lol.

No dia seguinte, foi dia de voltarmos para Barcelona onde ainda passei lá a última noite e o último dia de praia na sexta-feira. Possivelmente o meu último dia de praia do ano principalmente tendo em conta que, no sábado, quando acordei em Londres, já tive que colocar uma camisola de manga comprida.

 

 

Num próximo post irei dar mais algumas dicas sobre a Tomatina para quem estiver interessado em lá ir num próximo ano, onde já devo poder colocar algumas fotos (como usei uma câmara descartável, ainda não tive possibilidade de digitalizá-las).

Uma praia Portuguesa, com certeza

Um Tuga na praia hoje: "Oh Maria, trouxeste a geladeira?! Devias ter-me dito com antecedência que assim eu podia ter trazido a grade de minis."

 

Telejornal de ontem: "A praia de Sesimbra está interdita a banhos devido a poluição após umas obras locais terem descarregado o esgoto para a água do mar" - ao menos fui lá no dia anterior ao acontecimento. Bem escapei de um dia de praia estragado.

 

Grupo de crianças na praia: Diz um - "Ahh, a toalha está toda cheia de areia!! Assim não me consigo deitar nela." Diz o outro - "Nao faz  mal. Dá cá que eu vou lavá-la ao mar." E foi!

 

Grupo de adolescentes na praia: Diz um - "Olha ali aquelas todas boas. O que eu lhes fazia, sei eu." Diz o outro - "Aiii, pois são. Aquilo é que vale a pena. Vai lá falar." Diz o primeiro - "Eu?? Vai tu." Diz o segundo - "Eu não! Vai tu. Tu é que as vistes primeiro". Diz um terceiro, bronzeado e com ar de engatatão - "Quem vai lá sou eu. Vão ficar caídinhas." Chega ao pé delas - "Olá, tudo bem?" Uma delas - "Tudo." Ele - "Ali os meus amigos acham-vos giras mas não tinham coragem de vos vir cá falar". Uma delas - "OK". Ele vira-se e vai-se embora. Então?? Não era suposto elas ficarem caídinhas? Dizes que os amigos é que não tinham coragem de lá ir mas também não dizes mais nada?? Loool. Típico!

 

Depois de alguns diazinhos de praia, visitas familiares, alguns passeios, passar uns tempos bons com os amigos,... as minhas férias em Portugal chegaram ao fim.

 

Próximo destino - BARCELONA! E depois de uns dias em Barcelona, na próxima semana vou uns quilómetros mais abaixo para experienciar a "La Tomatina".