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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

As últimas do Brexit - a saga continua

Os últimos votos no parlamento Britânico relativamente ao Brexit indicaram que os deputados não querem aceitar o acordo negociado pela Primeira Ministra mas também não querem sair sem um acordo.

 

Estamos a pouco mais de uma semana para a data em que temos de activar o processo de saída da união europeia, mas o parlamento votou a favor de prolongar essa data. No entanto, a Ministra insiste que quer que o governo aceite o acordo estabelecido por ela por isso vai lançar um terceiro voto ao seu acordo e até lá, vai tentar novamente convencer os seus deputados que essa é a melhor opção. A União Europeia, entretanto, está furiosa com a decisão de Theresa May, porque não lhe vai dar o tempo suficiente para fazer uma boa decisão relativa à permissão da extensão. Donald Tusk, Presidente do Concelho da Europa está disposto a oferecer ao Reino Unido uma longa extensão da sua saída da União Europeia para dar tempo aio Reino Unido para estabelecer unanimidade no país e repensar a sua posição relativamente à União Europeia, mas não estava preparado para que a Theresa May tentasse ganhar o voto do seu acordo uma terceira vez! 

 

Se Theresa May conseguir que os deputados acordem desta vez no seu acordo proposto, vai então pedir uma extensão do prazo de saída da saída da União Europeia para 30 de Junho apenas para preparar o actual acordo melhor antes da saída. Mas se os deputados não acordarem ou se o governo europeu não oferecer a extensão requerida, ainda estamos com a possibilidade de encarar uma saída a 29 de março sem qq acordo, ou então colocasse a opção do Reino Unido extender a data de saída da UE para uma data indefinida.

 

A União Europeia está a aconselhar que façamos outro referendo no Reino Unido relativamente à nossa presença na União Europeia. Na sexta-feira alguns dos deputados tentaram fazer com que votassem contra a total possibilidade de haver um segundo referendo mas felizmente o 'speaker' do parlamento evitou que isso acontecesse. Digo-vos, adorava que houvesse novo referendo relativo ao Brexit. E desta vez eu poderia votar! Assim como muitos mais Europeus que entretanto, como eu, também tiraram a cidadania Britânica. Mas a minha esperança que isso aconteça ainda é muito, muito pequena. A quantidade de tempo, dinheiro público e recursos em geral que têm sido gastos no Reino Unido nos últimos três anos para prepararem a saída do país da União Europeia tem sido imenso, e nem que seja pelo simples facto de orgulho do Partido Conservador, parece-me que nunca que eles vão dar o braço a torcer e deixar o povo votar novamente quando já investiram tanto no Brexit. Caso o voto desta vez fosse para permanência, o que eu acredito que fosse, este partido e Governo nunca seria esquecido na História do Reino Unido por todas as más razões. 

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Imagem retirada do site theconversation.com

A data do Brexit está a chegar, e agora?

Absolute shambles! É a expressão a ser utilizada mais frequentemente pelos Britânicos em referência ao estado actual do Brexit. 

 

O referendo decorreu em Junho de 2016. Quase 3 anos mais tarde e, a 2 semanas da data final em que supostamente teriamos que começar o processo de saída da UE, ainda não foi alcançado qualquer acordo com a União Europeia sobre a nova relação entre o Reino Unido e a UE após Brexit. Em Janeiro, o acordo negociado pela Primeira Ministra foi altamente rejeitado pelo Parlamento, principalmente pelo facto de que o acordo näo ía garantir a paz entre Irlanda e a Irlanda do Norte por trazer barreiras entre os dois países. Entretanto a Primeira Ministra alcançou mais algumas mudanças no acordo com a UE e este acordo foi novamente a votos ontem. Como não podia deixar de ser, a proposta do seu acordo foi altamente rejeitada. 

 

Portanto, não temos acordo, mas a data de saída da UE está marcada para dia 29 de Março. Ora, isso levanta a pergunta - saímos da UE mesmo sem acordo? Isso levou a outro voto no Parlamento hoje, e a maioria dos deputados votaram a favor de não sairmos sem acordo. Surprendeu-me que esse voto não tenha tido uma margem maior do que a que teve, mas assim foi. 

 

Agora amanhã vai haver um outro voto no Parlamento relativamente a pedir a extensão da data para a saída da UE. Basicamente os votos terão que ser de acordo a pedir uma extensão, porque senão, com 2 semanas à frente, sem querer sair sem acordo, mas sem haver acordo nenhum possível para além daquele que a Primeira Ministra negociou, o que mais se poderá fazer? 

 

Shambles, é o que vos digo, a situação deste país está ridícula.

 

 

Life in the UK - O teste está marcado

O meu plano era estudar para o teste do Life in the UK até me sentir preparada e depois marcar o teste. Já li o livro todo, tirei as minhas notas, mas dos 11 testes de prática que fiz até agora só passei 4. Ou seja, isto não está a resultar. Portanto decidi marcar o teste a sério para ver se, com uma data fixa eu consigo dedicar-me mais à coisa. Sem data marcada, estava a estudar de vez em quando, e cada vez que voltava a fazer um teste já me tinha esquecido de muitas das datas, reis, batalhas e outras coisas que tinha aprendido antes, por isso acho que só mesmo fazendo mais pressão vai ajudar. Agora está marcado para o final do mês portanto tenho mais dois fins-de-semana para me dedicar à coisa. A ver se consigo melhorar. 

 

 

Dia de eleições

Hoje é o grande dia das eleições para decidir o próximo governo. Quando a actual Primeira Ministra Theresa May, convocou este dia em meados de Abril, todo o país estava certo de que o seu partido dos Conservadores iria ganhar a larga maioria, principalmente porque o líder do partido Trabalhista tinha uma imagem muito negativa. 

 

Foi interessante ver o desenrolar destas últimas semanas porque a situaçāo mudou um pouco e, actualmente, apesar de ainda ser provavel que os Conservadores ganhem as eleições, as sondagens demonstram que o Partido Trabalhista está a ter muitos mais adeptos e o seu líder Jeremy Corbyn cada vez é melhor visto pela populaçāo. 

 

Gostava muito de poder votar, mas sinceramente, mesmo que votasse acho que o meu voto nãiria contar assim tanto porque, ao contrário do que acontece em Portugal, onde o número de deputados eleito é propocional ao número de votos para o partido. No Reino Unido os deputados são eleitos, um por constituiçāo, sendo que é a maioria dos votos da constituiçāo que conta em vez da maioria dos votos de todo o país. Penso que em Londres a maioria dos votos nāo seja para o Partido Conservador, mas o mesmo nāo posso dizer das constituições em muitas outras partes do país. 

 

A ver vamos os resultados ao final do dia. Estou curiosa pelos resultados. 

 

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E começa o início do fim: Theresa May assina o Artigo 50

Quando o David Cameron decidiu sair da posição de Primeiro Ministro depois do voto do Brexit ter vencido, e foram apresentados os novos candidatos ao cargo, eu sinceramente pensei que Theresa May iria encontrar forma de evitar Brexit. Estava enganada. Hoje, ela assinou os documentos que oficializaram o interesse do Reino Unido de deixar de fazer parte da União Europeia. Até agora, tudo o que se ouvio falar foram rumores do que poderia eventualmente acontecer - os Europeus vão precisar de Visas para ficar no país? Vai deixar de haver livre circulação de mercadoria? As empresas Europeias vão decidir mudar de sede para a União Europeia? Os produtos vão ficar mais caros? Os preços das casas vão cair? Todas e muitas mais perguntas e sugestões do que pode acontecer, são apenas teorias. O facto, é que só a partir de hoje é que as negociações vão começar, e são esperadas decorrer ao longo de dois anos até à sua decisão definitiva entrar em vigor. A partir de agora, é que tudo o que sair das reuniões com a Europa vai ter mais fundamento e poderá eventualmente acontecer. Estou nervosa, estou triste, estou zangada. Ainda mal posso acreditar que o público Britânico votou desta maneira e sinceramente acredito que, hoje em dia, depois de ter havido toda esta especulação e informação sobre os efeitos negativos do Brexit, que muitos votariam de forma diferente. Mas é tarde demais. Vamos ficar atentos aos próximos meses, e ver o que vai acontecer. 

 

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 Fonte da imagem: BBC

Com residência permanente no Reino Unido

Não fazia ideia do que me esperava para ir buscar aos correios, e mal seria o meu espanto quando vi que era um envelope do Home Office. Tinha enviado a minha aplicação para residência permanente apenas à um mês atrás e sabia que iria demorar cerca de 3-4 meses até receber uma resposta por isso fiquei um pouco nervosa quando vi um envelope deles. Será que já tinham encontrado quaisquer impedimentos para a minha aplicação? Mas não - lá dentro encontrei todos os documentos que tinha enviado, acompanhados de um cartão que certifica o meu direito a residência permanente no país. Fiquei contente e aliviada de imediato. Não sei se foi tão rápido porque efectivamente alocaram mais pessoal para tratar da quantidade elevada de aplicações ou se simplesmente ajudou no processo o facto de ter enviado tudo muito organizado na minha aplicação, mas o que importa é que já está. 

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De qualquer forma, para quem tenha interesse em também submeter a sua aplicação para residência permanente aconselho o seguinte:

  • Enviar documentos que provem que vivem cá durante 6 anos (se fôr o caso) em vez do mínimo requerido de 5 anos, porque ao provarem os 6 anos, estão automaticamente aprovados para pedirem a cidadania, só pelo sim, pelo não.
  • Se tiverem quaisquer condições especiais que precisem de explicar, adicionem uma carta que coloquem no topo dos documentos da aplicação, que explique de imediato a vossa situação especial, e relacionando essa situação a quaiquer número de secções do formulário que sejam relevantes para o que precisam de explicar.
  • Adicionem um post-it ou uma página em branco entre cada papelada que está anexada para compravar diferentes secções do formulário, escrevendo nesse papel separador ao que é que os próximos documentos correspondem (por exemplo, documentos comprovativos de residência ou comprovativos de emprego).
  • Sempre que tiverem que continuar a preencher uma tabela numa folha aparte, criem essa folha numa página de Word para que tudo se apresente bem formatado e com uma apresentação semelhante à tabela respectiva do formulário. 

Simplesmente achei que quanto mais fácil eu tornasse a revisão dos documentos que estava a enviar, maior probabilidade teria de que não encontrassem empedimentos para me darem o cartão. Não sei se isso efectivamente ajudou na decisão e rapidez para o meu caso, mas o importante é que o cartão já cá canta.

Novo documento revela direito dos Europeus residirem cá pós-Brexit

Hoje a Primeira-Ministra Britânica, Theresa May, avançou com o primeiro documento oficial que indica os 12 princípios fundamentais que ela pretende colocar em prática para que Brexit tenha efeito. Entre esses princípios, está a indicação do que ela pretende que suceda com os Europeus que actualmente estão a viver no Reino Unido. Aguardei a manhã ansiosa para poder ler o que estava escrito nesse documento, mas afinal o que lá indicava, não era nada mais do que os princípios fundamentais do Brexit, que já anteriormente tinham sido anunciados pela Primeira-Ministra - de que o Reino Unido pretende assegurar o direito dos actuais residentes da UE se manterem no país e dos actuais Britânicos de viverem no estrangeiro, de permanecerem lá. Isso já sabíamos, mas o documento ainda não dá quaisquer garantias aos actuais residentes. 

 

No entanto, o Secretário do Brexit, David Davis, ao anunciar a informação do documento disse - "I will not be throwing people out of Britain." E no documento está escrito que o Governo Britânico reconhece a contribuição que os membros da UE têm feito para a economia e comunidades do país". Tudo isso é indicativo de que efectivamente não pretendem fazer uma evacuação em massa. Mas não há garantias, não há detalhes sobre possíveis critérios de selecção ou excepções à regra. A mesma situação de alguma incerteza mantém-se e cada vez mais ouço de amigos que já começaram o seu processo de aplicação ao cartão de residência permanente no Reino Unido.

 

Um facto interessante que ivi hoje e me surprendeu um pouco é que os Portugueses ocupam o 3º lugar no maior número de imigrantes provenientes de um país da UE a viver no Reino Unido (notem que o gráfico em baixo não apresenta a República da Irlanda. Se contasse, a República da Irlanda estaria no 2º lugar e Portugal em 4º). O número de Portugueses no Reino Unido é enorme em comparação com tantos outros países que têm uma população total muito maior que a Portuguesa. Mais de 200,000 Portugueses fizemos do Reino Unido como o nosso país de escolha. Pensava que o número de Franceses, por exemplo, estivesse muito à frente do número de Portugueses até porque ouço Franceses na rua muito frequentemente, enquanto que é menos frequente ouvir Português. Imagino que esse talvez seja um factor influenciado pelo facto de estar em Londres. Talvez os Portugueses estejam mais espalhados um pouco por todo o país enquanto que os Franceses se tendem a concentrar mais em Londres. Mas mais surpresa ainda fiquei com o número de Polacos que vivem no Reino Unido que é um volume consideravelmente superior a qualquer uma das outras nacionalidades, vivem cá tantos Polacos quanto Romenos, Portugueses, Italianos, Lituanos e Eslovacos juntos. De qualquer forma, sejamos muito ou poucos, o facto é que estes cidadãos da UE decidiram fazer do Reino Unido a sua casa, criando laços familiares e económicos no país, contribuindo significativamente para o desenvolver da sua economia, e quer venha Brexit quer não venha Brexit, agora o Reino Unido não pode simplesmente dizer adeus a todos os 2.9Milhões de Europeus que cá vivem. Ainda estamos para ver como a situação se vai desenrolar.

 

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Um processo de aplicação sem fim

Dediquei-me a preencher a papelada para a tal aplicação para residência permanente este fim-de-semana e basicamente foi isso que fiz este fim-de-semana. Demorei 4 horas à volta daquilo no sábado e 7 horas no domingo! Impressionante o tempo que tudo me demorou e, mesmo assim, ainda näo está tudo acabao. Agora ainda tenho que ir tirar fotos passe, comprar uma ordem postal para pagamento, imprimir as cartas que tive que escrever para explicar mais detalhes, tirar fotocópias de tudo e ainda tratar de outros detalhes antes de poder enviar tudo. Impressionante! Eles concerteza não precisavam de tanta coisa como comprovativo, mas o que querem é tornar o processo o mais complicado possível para que as pessoas desistam a meio ou não possam apresentar todos os papéis necessários. 

 

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Entre tudo, a maior parte do que fiz no sábado foi andar à procura de comprovativos de todas as minhas viagens fora do país nos últimos 6 anos. Fiquei a saber que existem sem dúvida países onde viajo mais frequentemente, e que ainda há muito país na Europa por onde não tenho passado recentemente ou nunca passei. Ora nos últimos 6 anos foram estas as viagens que fiz:

  • Fui 14 vezes a Portugal
  • Fui 3 vezes à Itália, Estados Unidos e Alemanha
  • Fui 2 vezes à Espanha, Austria, Grécia e França
  • Fui 1 vez à Croácia, Suécia, Holanda, Camboja, China e Canadá

Ao menos com estas horas todas de burocracia fiquei a saber algo interessante. 

 

Li nuns comentários que precisaram também de enviar o comprovativo de nascimento e eu não estava a contar enviar isso. Agora estou na dúvida se será preciso também. Tenho que ir voltar a ler novamente. 

Londres manifesta-se e os primeiros efeitos do referendo

Ontem eu, e mais uns milhares de pessoas fomos para Trafalgar Square manifestar contra o resultado do referendo Europeu - "Brexit No" - gritavam, com posters que indicavam "We  EU"; "Europe Forever" e outros tantos. As bandeiras Europeias encheram a praça, e o sentimento era de revolta e descontentamento pelos resultados. Quando a concentração dos manifestantes foi maior, as pessoas movimentaram-se aos milhares para a frente do Parlamento de forma a mostrar a sua indignação perante os políticos que governam o país. 

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Alguns dizem que não vale a pena ir a manifestações porque o governo já sabe que Londres está maioritariamente descontente com os resultados e que queríamos ficar na Europa, mas na minha opinião, se não houver barulho nas ruas, e consecutivas manifestações a apresentar descontentamento, os políticos poderão simplesmente deixar-se ir com os resultados da maioria dos votos por acreditar que as pessoas não se sentem tão contrariadas com o resultado. 

 

Para quem estiver interessado em juntar-se à próxima manifestação, vai haver uma outra marcha para o Parlamento em oposição do resultado, no sábado. 

 

Agora, para além dos resultados negativos que o referendo já trouxe para o país, tais como a queda do poder da Libra e instabilidade financeira, uma fator que nos afecta directamente e imediatamente aos Europeus e emigrantes de forma em geral que vivem no Reino Unido é o racismo que se tem apresentado brutalmente nas ruas. Tenho ouvido já imensas histórias e, sinceramente não tenho vontade nenhuma de sair de Londres para outras partes do país onde estas situações de racismo são ainda mais evidentes. 

 

Uma amiga minha que é Britânica, nascida aqui, de origem Asiática/oriental ante-ontem foi verbalmente atacada num autocarro em Londres por um homem que lhe gritou que os resultados já sairam e que ela devia ser deportada para de onde veio. 

 

Hoje apareceu no jornal a história de uma senhora Alemã que já está a viver em Chester, no norte de Inglaterra desde os anos 70, que ligou para uma estação de rádio a chorar a dizer que já não sai de casa à 3 dias com medo dos atos xonofóbicos na rua porque diz que já lhe deixaram um monte de fezes à porta de casa e gritaram que já era tempo de ela sair do país. 

 

Estamos numa situação horrível neste momento, em que a população pouco educada do reino Unido, que não são tão poucos assim, simplesmente acha que, o resultado do voto significa que a maioria do país apoia-os no descontentamento da quantidade de imigração existente no país e, como tal, sentem-se no direito de insultar os imigrantes ou todos que, de alguma forma, sejam diferentes do típico Britânico de pele branca. É terrível e, sinceramente não imaginei que chegassemos a estes termos. De qualquer forma, esse tipo de pessoas não representam de forma alguma os Britânicos que conheço e com quem convivo no dia-a-dia, por isso não quero apresentar isto como um estereótipo representativo do país. Há muitas pessoas cá que nunca tomariam esse tipo de atitudes, mas infelizmente, há também muitas pessoas que as tomam, e os seus atos, sendo tão ofensivos, sobresaem mais.  

 

Ainda estamos para saber o que vai exactamente acontecer com a situação política do país, mas a Angela Merkel já afirmou que, se o Reino Unido quizer continuar a ter acesso ao mercado livre Europeu, também vai ter que deixar que continue a existir livre abertura de movimentação de cidadãos Europeus para o Reino Unido. 

O fim de uma era - Reino Unido fecha as portas à UE

Mal posso acreditar. Chorei ao ler a notícia. O meu Whats App não pára com mensagens entre os meus grupos de amigos a prestar desgosto pela situação. A maior parte são Britânicos que vivem em Londres e, tal como indicado pela maioria dos votantes da zona de Londres, queriam que o Reino Unido ficasse na União Europeia. Alguns dos comentários são:

 

"Crazy. Just woke up, can't sleep. Sad, sad day."

 

"52% of my country men are complete idiots. I'm sorry..."

 

"Farage declaring Independence Day makes me sick in my stomach"

 

"I've been crying this morning. I feel ashamed of our country!!!"

 

"I think London should revolt and become a member of the EU on its own"

 

"I feel ashamed of being British"

 

"The realisation that my daughter will not know us being part of the EU and may know a world with Boris and Donald in power is dawning on me. Am I dreaming?"

 

O Primeiro-Ministro que, neste momento já anunciou que vai denunciar ao cargo disse que não vão haver mudanças imediatas para os Europeus a viver no Reino Unido. A grande maioria dos deputados, que estavam a favor do Sim vão fazer força para que o Reino Unido se mantenha na zona do mercado único que continuaria a permitir aos Europeus livre abertura de movimentos e trabalho no Reino Unido. Mas para já, são tudo estipulações, e ainda vamos ter que ver o que está para vir, as decisões a tomar e, como essas vão afectar todos aqueles que, como eu, são cidadãos Europeus, não Britânicos.

 

Uma coisa não tenho dúvida - o número de aplicações para o Passaporte Britânico vai aumentar significativamente, e a minha vai ser uma delas. Quem me dera que já a tivesse feito. Pergunto-me também se, esse volume de aplicações vai fazer com que seja ainda mais restritivo poder obtê-lo.  

 

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