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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

A minha experiência do mês vegano, sem açúcar, café ou álcool

Uff, Janeiro foi um mês longo, mas já passou. OK, apesar de ser um mês restrito ao nível alimentar, devo confessar que não foi assim tão difícil quanto possa parecer. Estando em Londres, felizmente há imensas alternativas veganas em todo o lado, e hoje em dia também quase todos os bares e pubs servem cervejas ou cocktails sem álcool, pelo que nessa parte, até que não foi mau. O pior foi mesmo o fim-de-semana que passei em Lisboa e fui a um casamento. Estão bem a ver ir a um casamento com estas restrições todas? E depois, no dia a seguir ao casamento, fui passear por Lisboa e tive mesmo que me controlar para não me enfiar numa das inúmeras pastelarias com bolos de aspecto fenomenal!! É um crime ter tantas com tão bom aspecto! Ora é a Padaria Portuguesa ou a pastelaria Alcôa, ou a Pastelaria Aloma, e depois a Manteigaria,....  Esse passeio por Lisboa foi complicado!

 

Mas numa nota mais positiva, esta coisa de andar vegana durante um mês fez com que eu aprende-se imensas receitas novas e prova-se algumas comidas mesmo muito saborosas. Para os interessados, e para eu própria manter nota, aqui ficam as receitas que eu fiz durante este mês:

Thai Green Curry Vegetariano

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Sopa/estufado de lentilhas e cogumelos

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Grãos com tofu e courgette

(Esta receita foi inventada mas basicamente cozi quinoa com arroz servida com tofu, courgette e couve salteados)

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Sopa de grão com couve-roxa 

(a receita pedia couve branca mas eu alterei para roxa)

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Dahl de lentilhas

(Esta foi feita pelo marido, que não posso ser só eu a cozinhar)

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Beringelas no forno com espargos e noodles

(fiz as beringelas sem o mel que indica na receita)

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Batata-doce no forno com curry de ervilhas

(Mais uma feita pelo marido. Não sei qual é a receita mas estava boa apesar de levar Marmite)

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Sopa miso com courgettes

(Esta inventei mas foi parecida com essa receita no link)

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Cogumelos recheados 

(Fiz esta receita sem os queijos e foi uma das minhas favoritas do mês. Servi com quinoa e edamame beans)

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E foi assim o meu mês em alimentação. Desde o início de Fevereiro que tenho reinserido produtos animais na alimentação aos poucos e poucos porque fiquei mal-disposta no primeiro dia. Nota-se mesmo como o nosso sistema ao habituar-se a certa alimentação, rejeita mudanças abruptas. 

 

Quanto ao café, este ano só foi pior nos primeiros dois dias que me deu dôr de cabeça, mas depois passei o mês a beber chá descafeinado e 'Turmeric Lattes' que são boas alternativas. O que não gostei foi, no dia que voltei ao café, e ter bebido dois cafés, não ter conseguido dormir a noite toda. 

 

Mas de forma geral, o resultado do mês foi evidente no sistema digestivo e na pele que estava mais lisinha. Gosto de fazer estas mudanças alimentares e espero conseguir manter-me com o hábito de cozinhar comida vegana mais frequentemente do que fazia dantes. 

 

O Bolo de Rei versão Francesa

Com o meu grupo de amigos temos algumas tradições anuais e uma delas involve comer a 'Galette des Rois' o bolo que se come no Dia dos Reis (ou no nosso caso, no sábado seguinte) e, como não podia deixar de ser, é uma noite organizada por uma amiga Francesa. À semelhança do nosso Bolo Rei (ou como o nosso Bolo Rei costumava de ser, antes de vir a AZAE ou quem quer que tenha sido que se lembrou que a prenda no bolo é perigosa), tem um pequeno brinde escondido. Quem o encontrar fica reconhecido como o Rei ou Rainha da noite, simbolizado com uma coroa de papel que é apresentada sempre com o bolo, tem sorte e prosperidade para o resto do ano (diz a tradição), e vai ter que ser a próxima pessoa a organizar a celebração da 'Galette des Rois' no ano seguinte. 

 

Devo-vos dizer que apesar de ser um bolo consideravelmente mais fácil e rápido de fazer que o Bolo Rei Português (principalmente se comprarem a massa folhada), na minha opinião é também mais saboroso. Basicamente cobre-se uma base de tarte com a massa folhada. Mistura-se muito bem 100g de manteiga, 100g de açucar, 100g de amêndoa triturada e um ovo, coloca-se essa mistura por cima da massa folhada, e fecha-se o bolo com outra camada de massa folhada por cima e, voilá, passado 30minutos no forno, está feita. E aqui fica o resultado da 'Galette' de ontem à noite:

 

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Eu acabei por achar o brinde na minha fatia por isso fui Rainha por uma noite. Nada mau 

 

Pecan Pie à Tuga

Tal como tinha indicado à 2 posts atrás, optei por fazer uma "Pecan Pie" como uma das sobremesas para o almoço de Natal aqui de casa. As nozes Pecan são muito comuns nos Estados Unidos, e as receitas foram também adoptadas para a cozinha Britânica. Como podem imaginar, as receitas mais Americanas têm imenso doce - muuuito mesmo com leite condensado, açúcar e maple syrup (um xarope muito doce que se costuma servir sobre as panquecas feito de um extracto da árvore de carvalho). Eu estava a pensar fazer só com base de maple syrup ou de leite condensado. Como não consegui encontrar o maple syrup por cá, a decisão foi feita por mim. Depois cortei-lhe o açucar da receita, acrescentei mais nozes do que aquilo que era suposto, e ficou o resultado de uma tarte deliciosa, cheia de nozes, que foi a sobremesa que despertou mais a curiosidade de todos aqui no nosso Natal. 

 

Fica aqui a receita com as alterações que fiz para eu não me esquecer e se alguns dos leitores quiserem também experimentar:

 

 

Tarte de Nozes Pecanas à Tuga

 

Ingredientes:

  • 375g de massa quebrada (podem fazer de raiz se preferirem. Têm uma boa receita de massa quebrada aqui)
  • 3 ovos grandes batidos
  • 2 colheres de sopa de açucar mascavado
  • 1 lata de leite condensado
  • 100g de manteiga amolecida (usei Flora)
  • 150g de metades de nozes pecanas
  • 150g de nozes trituradas (idealmente teria utilizado nozes pecanas trituradas em vez da noz normal, mas farei para a próxima em Londres onde esse tipo de nozes existe à venda em abundância)
  • 150g de amêndoas trituradas 
Preparação:
  1. Aquecer o fogo a 200ºC
  2. Untar a forma de tartes com margarina e polvilhar com um pouco de farinha
  3. Colocar a massa quebrada sobre a forma untada. Deixar o excesso da massa sair das bordas da forma e picar a massa várias vezes com a ponta do garfo antes de colocar a forma com a massa por 10 minutos no frigorífico.
  4. Depois de tirar do frio, colocar uma folha de papel vegetal sobre a massa e, lá dentro colocar cerca de um pacote de feijões crus e levar ao forno durante 10 minutos (este processo efectua-se para que a base da massa fique bem com a forma da tarte e não crescer para dentro ou fazer bolhas). Depois de retirarem os feijões e o papel vegetal e levem ao forno por mais 10 minutos. Quando acaba, deixem arrefecer e cortem as bordas da massa que estão a mais com uma faca afiada.
  5. Durante o processo de pré-cozer a massa, vão preparando o recheio - numa tigela funda batam com a batedeira por 30 segundos a manteiga amolecida com o açucar e os ovos. Vão juntando o leite condensado à mistura e depois adicionem pouco a pouco as nozes e as amêndoas trituradas até ficar uma massa um pouco mais consistente. 
  6. Coloquem o recheio dentro da forma com a massa pré-cozida e levem ao forno por 10 minutos para que a massa fique com consistência suficiente para aguentar o efeito das nozes pecanas no topo. Coloquem as nozes por cima de toda a tarte e levem ao forno por mais 40 minutos. 
  7. Retirar do lume e deixar arrefecer durante 20 minutos antes de desenformar e decorar com um pouco de geleia de frutos vermelhos antes de servir.

 

Pecan pie à Tuga

Fish & Chips à Tuga

Reparei que o pessoal do Blog dos Blogs (pessoal do Sapo.pt, portanto) criou uma competição culinária em que pedem para que os bloguistas do Sapo dêm asas à imaginação e se metam na cozinha a inventar uns petiscos. No final da competição (dia 29 de Fevereiro) o dono ou dona da melhor receita leva para casa o livro de Gastronomia Portuguesa "Pápa Quilómetros" que foi escrito pelo chefe Jugoslavo Ljubomir Stanisic (aparentemente ele percebe umas quantas coisas sobre a nossa culinária).  

 

Estou longe de pensar ganhar porque já vi umas quantas receitas que para ali estão, e sem dúvida que há pessoal com muita perícia na cozinha, mas gostei da ideia até porque me fez pensar um bocadinho fora dos meus menús habituais. Achei também que nada melhor para o blog Tuga em Londres do que cozinhar algo que combina o que melhor tem a cozinha Portuguesa com o que de melhor tem a cozinha Britânica, e saí-me com um "Fish & Chips à Tuga". Em vez do bacalhau fresco panado servido com batatas fritas cobertas com vinagre e molhadas em maionese, achei que a versão Portuguesa conseguia ser muito mais agradável ao paladar, visualmente e bem mais saudável. O peixe escolhido continua a ser bacalhau, mas do nosso, conservado em sal, cozido e grelhado. E as batatas mantêm a sua forma mas são assadinhas no forno e com um toque de gosto tradicional a oregãos. 

 

Aqui fica a receita para duas pessoas:

 

Ingredientes:

- Duas postas altas de bacalhau

- 2 batatas

- 2 ovos

- 2 cebolas

- 3 dentes de alho

- Alface, rúcula e espinafres para salada 

- Ervas mistas secas 

- Salsa

- Oregãos secos q.b.

- Azeite q.b.

- Sal e pimenta 

 

Modo de Preparação:

- Cortam-se as batatas em palitos grossos e colocam-se em água com sal e pimenta enquanto o forno aquece. Assim que atingir 180º, colocam-se as batatas no forno com um fio de azeite e polvilhadas com oregãos secos.

Cozem-se os ovos e, à parte, deixa-se cozer as postas de bacalhau durante 10 minutos, passando-as de seguida para o forno até alourar.

Pica-se o alho, corta-se a cebola em rodelas, e levam-se a alourar com o fundo do tacho bem coberto de azeite até fazer refogado. 

À parte tempera-se a salada de alface, rúcula e espinafres com azeite, sal e salpica-se com ervas secas mistas para salada e salsa fresca picadinha. Se preferirem, podem substituir a salada fresca por espinafres cozidos.

Serve-se o prato com a posta de bacalhau coberta com a cebola do refogado e efeitado com um raminho de salsa. 

 

Fish & Chips à Portuguesa

 

Gostei desta minha criação e sem dúvida que voltarei a fazer este prato Anglo-Luso. 

 

Bom apetite!