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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

O que quero fazer quando a pandemia terminar

Já estou farta desta pandemia até aos olhos. Estamos todos, eu sei! Temos que ter paciência e aguentar este último esforço (esperemos que seja o último) nos próximos meses para conseguirmos ultrapassar a situação com o mínimo possível de afectados. 

 

Até lá podemos sonhar com o que vamos fazer quando a pandemia terminar. No outro dia perguntaram-me o que seria o top 3 das actividades que pretendo fazer quando puder, e não foi preciso parar para pensar no assunto:

  • abraçar amigos e família, muito forte e muitas vezes;
  • fazer uma grande festa com amigos daquelas que começam num dia e acabam na manhã seguinte. Vai incluir cumprimentar pessoas novas com dois beijos, conversar com muitas pessoas a menos de 1 metro de distância que a festa vai ter tantas pessoas que vai estar tudo um pouco apertado, rir muito e dançar o resto da noite;
  • viajar! Para longe e sem ter que usar máscara durante o percurso.

 

E acho que não sou a única que tem esse objectivo de ir a festas após a pandemia. No outro dia achei interessante ler este artigo sobre a predição do epidemiologista Dr Nicholas Christakis que, baseado no estudo dos efeitos sociais após pandemias anteriores, ele prevê que, novamente vai surgir uma euforia de actividade social, tal como houve nos anos 20, após a Febre Espanhola, com o surgir dos roaring 20s. E acredito perfeitamente que o desejo de socialização vai levar a um movimento semelhante. Desta vez não será ao som do Charleston, mas imagino que um tipo de música com batida igualmente rápida venha a ser predominante dessa futura era. Imagino até, que existem muitos músicos neste momento, que estejam a tentar criar o novo estilo musical que venha a ser representativo dessa fase. 

 

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Segundo o Dr. Christakis, tal efeito ainda vai demorar a chegar, visto que, antes disso, ainda se vão sentir os efeitos da depressão económica, e portanto, só por 2024, se venham a verificar os novos roaring 20s do século XXI. Desanimou-me um pouco a ideia de que tal venha a demorar ainda tanto tempo a acontecer, mas, caso a sua predição seja correcta, mais vale tarde do que nunca. 

 

Já pensaram também naquilo que querem fazer quando a pandemia terminar? Como esta pandemia afectou tanto tipo de actividade, vão com certeza existir muitos desejos diferentes. Até lá, há que ter paciência, e continuar a sonhar. 

Viajar numa pandemia - ir ou não passar o Natal a Portugal?

Imagino que a maioria dos emigrantes como eu tenham feito a mesma pergunta a si próprios este ano - Vou ou não vou passar o Natal a Portugal? 

 

E ao fazermos essa pergunta, ouvimos as vozes na nossa cabeça conversar sobre o assunto. A primeira voz diz-nos - O Natal é para passar em família, e depois de tanto esforço que fizemos durante o ano, merecemos ao menos poder partilhar este momento com os nossos mais próximos. Se devemos abrir uma excepção ao longo de todo o ano, é esta a excepção a fazer. Eu não tenho o vírus, os meus familiares não estão com o vírus portanto, ao estarmos juntos não haverá problema de infecção. A não ser que apanhe o vírus a caminho de Portugal no voo cheio que vou apanhar. Mas isso será pouco provável, portanto o risco é pequeno.

E continua a segunda voz - Afinal passámos o ano inteiro a fazer inúmeros esforços para não ver a família e os amigos de forma a que todos ficássemos seguros e ajudar a evitar espalhar o vírus. Então, o que nos dá o direito de estragar todo o bem feito durante o ano e juntarmo-nos todos para levar a outro surjo de casos e consecutivamente o inevitável surjo de mortes? 

 

Continuei com este debate ao longo dos últimos meses. Tinha comprado o voo para passar o Natal em Lisboa já em Agosto, com as expectativas de que a situação talvez tivesse melhor nessa altura, mas esta semana que passou tive que tomar a decisão definitiva, e a decisão foi passar um Natal diferente longe da família. Não foi fácil, mas sei que me vou sentir melhor por tê-la tomado. Além de que, se fosse a Portugal, acho que ia passar o tempo a tentar distanciar-me dos meus pais o que seria muito estranho, portanto preferi evitar toda essa situação, e simplesmente continuar o ano como tem sido até agora - um ano mais solitário e estacionário do que qualquer outro. 

 

Os meus pais compreenderam perfeitamente quando lhes dei a notícia e acho, que de certa forma até estavam à espera que eu tomasse essa decisão. Sinceramente acredito que este vai ser o primeiro e último ano que vamos ter que tomar uma decisão destas porque com a vacina já a ser administrada, 2021 vai ser o ano da grande recuperação, e pelo Natal do próximo ano, já nos vamos poder voltar a abraçar sem remorsos, por isso vou esperar. 

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E as melhores cidades do mundo em 2020 são...

Parece que foi num mundo totalmente diferente atrás quando escrevi este post com título "Qual é a melhor cidade para se viver no mundo em 2020". Estávamos a 24 de Fevereiro, e a ideia era adivinhar o resultado do ranking anual da TimeOut baseado nas respostas que os leitores deram no seu questionário. Os resultados foram lançados em Setembro (apesar de só os ter visto agora), mas pergunto-me qual é o significado destes resultados agora, baseados num questionário que foi lançado antes de tudo o que nos afectou durante este ano mudou a vida que conhecemos nas nossas cidades. Será que os resultados teriam sido os mesmos se o questionário tivesse sido feito hoje? Duvido! 

 

Quanto eu e tantos outros milhares de pessoas pelo mundo responderam ao questionário, estavamos baseados numa realidade muito diferente daquela que nos rodeia hoje. E possivelmente as respostas que dariamos hoje às mesmas questões de cultura, bares, sexo, amizade, restaurantes, dinheiro, etc, teriam sido altamente influenciadas pelo facto de termos tido a oportunidade de aproveitar algumas delas, dependendo das regulamentações locais. 

 

Se eu teria dado as mesmas respostas que dei sobre Londres? Concerteza que não. Como um amigo meu que voltou para Barcelona durante o lockdown disse-me no outro dia - "claro que tenho saudades de Londres, mas todos temos saudades de Londres, mesmo os que estão aí, porque Londres não é o que era." E ele tem razão. Houve tantos elementos de Londres que não pude aproveitar este ano. E não sei quando, e se vou voltar a poder aproveitar algum dia. Mas tal como digo de Londres, digo concerteza de muitas outras cidades, e provavelmente, vão ser as cidades que conseguiram lidar melhor com a pandemia e manter os números reduzidos que vão subir nos rankings do próximo ano. 

Os resultados do questionário deste ano: não querem dizer muito, mas afinal baseam-se na opinião que tinhamos desde o ano anterior. Se estiverem interessados podem vê-los aqui. 

Só por curiosidade, e visto que vos pedi os vossos palpites para os resultados destas três cidades - Londres, Lisboa e Porto ficaram em 4, 19 e 28 lugares respectivamente. Os leitores mais próximos dos resultados foram a Madalena e a Carmen com 15 pontos de diferença no total. Obrigada pelos vossos palpites. Acho que para o ano Londres vai descer consideravelmente de posição, e o mesmo irá acontecer com Nova York que ficou no primeiro lugar desta vez. 

 

Para o próximo questionário? O meu palpite vai para as cidades de países Nordicos como Oslo, que conseguiu lidar relativamente bem com a pandemica, ou talvez Sydney que também conseguiu manter casos reduzidos. 

 

Engraçado ou até assustador como no desenrolar de alguns meses, a nossa idade de qualidade de vida numa cidade, passa de categorias variadas como restaurantes, bares, amizades, cultura, para uma categoria apenas - qual a cidade que lidou melhor com a pandemia?

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