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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Confundir o Real Madrid com a Equipa Nacional Portuguesa - Imperdoável

Na minha viagem de volta para Londres estava a ler uma cópia do jornal Britânico The Independent quando me deparo com um artigo sobre o recentemente aberto Museu CR7 do Cristiano Ronaldo criado pela família do próprio. A jornalista em questão, Alice Jones apresenta a criação do museu como mais uma das atitudes vaidosas do jogador. Até que percebo que tenha abordado o artigo dessa maneira dado o historial pessoal do jogador, e afinal, essa abordagem torna-se mais interessante para os leitores do Independent e de outros jornais Ingleses que costumam comentar sobre o jogador dessa maneira. Pouco-me importa como caracterizam a personalidade de Cristiano Ronaldo, mas o que me interessa dessa notícia é saber que esta poderá ser uma boa forma de atrair mais turismo para o Funchal, fomentando a economia local. Como o museu já recebeu mais de 10,000 visitantes no seu primeiro mês de existência, essa é uma possibilidade.

 

Agora, fiquei foi perplexa quando li que a dita jornalista indicou que no museu, estava uma figura de cera do jogador vestido no kit do Real Madrid. Real Madrid?! Desde quando é que a t-shirt e calções vermelhos com barras verdes e o escudo de Portugal estampado no lado esquerdo, representa o kit to Real Madrid? A não ser que exista uma segunda figura de cera nesse museu, mas esse não parece ser o caso. E ela não parou aí - disse ainda que o nome CR7 vem do seu número de camisola enquanto jogou no Manchester United e o seu número actual no Real Madrid. Então e o seu número 7 da Seleção Nacional Portuguesa, que existe antes de qualquer um desses dois clubes? Não conta? Esse número 7 estampado na camisola do kit ao lado do qual Ms. Jones decidiu tirar uma foto que colocou na sua página do Twitter? Deve ser irrelevante concerteza. Aguardo que o The Independent coloque uma errata relativamente ao erro do kit na sua próxima edição.

 

Figura em cera no museu CR7

Um escândalo digno dos tabloids de jornal mais populares do Reino Unido

Quando à duas semanas o meu colega me disse que o flatmate dele, que trabalha para a News International, lhe mandou uma mensagem a informar que o jornal News of the World teria a sua última edição no domingo seguinte, eu não queria acreditar. O News of the World que já existe desde 1843 era o jornal escrito em Inglês mais vendido do mundo. Sem dúvida que de qualidade muito duvidosa dado o seu carácter de notícias populares, escândalos, cusquisses sobre celebridades, assim com um nível um bocadinho mais abaixo do Correio da Manhã (para quem não conhece já fica com uma melhor ideia). Mas não deixava de ser um jornal muito vendido e lido por milhares de pessoas. Acabar assim sem mais nem menos?

 

Claro que agora já todos sabemos a razão de fecho do jornal dado que várias linhas telefónicas tinham sido postas em escuta secreta pelo jornal para que os jornalistas conseguissem saber sobre toda a privacidade de celebridades, vítimas de crimes, etc. que poderia gerar informação para bons títulos de jornal, atraentes para a sua venda lucrativa. 

 

Parece inacreditável que um jornal tenha feito algo deste género, mas para que o podesse fazer também tinha que ter o poder para o fazer. E quem é que tem acesso a essas escutas? A polícia, os políticos,... Ainda não há efectivos culpados, mas o que é um facto é que para que tal tenha sido possível, muita gente tem que ter estado envolvida. O jornal foi fechado levando centenas de pessoas para o desemprego, a Chefe Executiva do grupo Rebecca Brooks demitiu-se, a chefe do grupo Dow Jones nos EUA membro também da News Corporation, também se demitiu, o ex. chefe de comunicação do Primeiro Ministro Britânico David Cameron, também já se tinha demitido mais cedo no ano quando as primeiras alegações de escutas telefónicas do News of the World o envolveram, o que levou a suspeitas de que o Primeiro Ministro podia estar ocorrente da situação. Entretanto representantes do grupo de segurança MI5 também já se dizem estar envolvidos no assunto, diz-se que o News of the World terá pago a esses representantes do MI5 e outros membros da polícia para permitirem o acesso às escutas telefónicas. Um dos primeiros ex-jornalistas do News of the World que denunciou as escutas do jornal entretanto foi encontrado ontem morto em casa. A Rebecca Brooks já confirmou hoje que sabia da existência de detectives privados para descobrirem certas notícias mas ainda afirma que não sabia das escutas secretas. O chefão da News Corporation entretanto foi hoje atacado com espuma de barbear enquanto se encontrava em interrogatório,...

 

Violação de privacidade, crime, vítimas, escândalo, polícia e media corruptos, poder, dinheiro, influência,... é uma história que parece ter sido tirada de um filme mas que retrata uma realidade dos dias de hoje.

 

Obviamente é o assunto do momento e fala-se de pouco mais do que sobre estes acontecimentos no Reino Unido e um pouco por todo o mundo, mas a única coisa que consigo ver como positiva no meio disto tudo, é que, apesar de talvez ter demorado um pouco de tempo a que isto,  tudo fosse descoberto, o facto é que foi. Apesar de todo o poder que o Murdoch e a sua corporação de média gingatesca tenham, estão a ser questionados, membros de influência da polícia estão a ser questionados, até o Primeiro Ministro está a ser colocado em dúvida e a população Britânica agora não ficará satisfeita até que alguém seja tomado como responsável ou responsáveis pelos eventos ocorridos e que alguém pague por isso. Estou curiosa para ver o desenrolar dos acontecimentos, mas para já, penso que a justiça neste país irá efectivamente ser feita mais cedo ou mais tarde. E quando se vive num país onde há justiça aplicável até aos mais altos níveis de poder é sinal que se está num país com integridade.