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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Era um Flat White com leite de aveia de faz favor

Viver em Londres está a fazer-me ficar mal habituada com as minhas exigências de café. Já há uns 4 ou 5 anos que deixei de beber leite de vaca. Isto porque a certa altura o leite estáva-me a deixar ficar muito cheia, comecei a reduzir, e ao voltar a beber já não gostáva do sabor. Fiquei-me por leites alternativos para o café e os cereais. Nos primeiros anos bebia leite de soja, depois começei a ver mais frequentemente leite de amêndoa à venda nos cafés, e eu pedia essa alternativa quando sabia que a ofereciam. Mas assim, de repente no último ano, houve uma espécie de boom de diversidade de leites alternativos à venda e agora até já nem encontro soja em muitos locais, e alguns cafés vendem só ou leite de aveia, ou de coco por exemplo. O meu favorito de momento é mesmo o de aveia, e consigo encontrá-lo em oferta na grande maioria dos cafés. Mas isso também é porque a maioria dos cafés onde vou ficam no Este ou centro de Londres. Isto não se aplica em todas as zonas de Londres. Mas quer haja leite de aveia ou não, é raro hoje em dia ir a um café em Londres onde não ofereçam alguma alternativa. Mas estamos em Londres...

 

No outro dia, quando fui a uma vila Britânica junto ao mar, estava-me mesmo a apetecer um Flat White. Pelo sim, pelo não, decidi pedir um Cappuccino que nem todos os sítios sabem fazer um bom Flat White. Também nem me atrevi a pedir com leite de aveia porque não sabia qual seria a variedade de oferta de leites alternativos dos cafés da localidade, por isso pedi com leite de soja - "ah, isso leite de soja não temos". OK, sinceramente não me surpreendi assim muito com essa resposta. Decidi continuar e perguntei no café seguinte por onde passei - "Aqui só fazemos cappuccino com leite normal". OK. Não é que o outro seja anormal, mas continuei. No terceiro café, a conversa já foi diferente:

- "Leite de soja? Acho que temos sim. Deixe ver..." (procura no frigorífico e não encontra) - "Oh Tina!" (grita lá para dentro da loja) - "Nós não tínhamos leite de soja?"

(A Tina chega à zona de serviço)

- "Temos leite de soja sim." (procura no frigorífico. Mete a mão lá mesmo ao fundo) - "Bem sabia que tínhamos um. Só estava aqui escondido. Nós temos sempre um guardado para o ocasional cliente que pede."

A embalagem já estava aberta, e preferi não perguntar à quanto tempo estava aberta, mas não sabia mal, por isso tudo bem. Havia era o factor adicional que ali não faziam cappuccinos. Só serviam cafés longos tipo Americano. E estava, hmmm, OK...

 

Ao escrever isto, até me parece um pouco ridículo eu estar com tanta 'esquisitisse'. É só um café! Mas o problema é que Londres está a fazer-me ficar mal habituada.

 

Se satisfiz a vontade de café que tinha? Hmm, nem por isso. Adoro a variedade de oferta que Londres tem, mas sem dúvida que me faz uma consumidora mais exigente onde quer que vou, e fico desapontada quando não consigo receber a mesma variedade noutros locais. 

 

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Hábitos Ingleses - ao lavar a louça

Um dos hábitos com que não me consigo habituar é quando ao lavar a louça, deixam ficar a espuma toda sem passar por água antes de secar.

 

Tipo - não! O meu namorado que é Inglês, também gosta muito de fazer isso, o que me irrita extremamente. Se a louça não é passada por água, inevitavelmente vai ficar com vestígios de detergente, e essa louça vai novamente entrar em contacto com comida que vamos ingerir. Como eles próprios gostam de dizer - "it's not rocket science!" - não custa asssim tanto passar a louça por água antes de limpar, custa?

 

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To Kindle or not to Kindle

Parece impressionante, mas é que toda a gente tem um Kindle ou um iPad hoje em dia (pronto, ligeiro exagero aqui, mas percebem a ideia). Ok que o iPad tem outras funcionalidades (muitas) que o kindle não tem. É basicamente um mini computador por isso até que se percebe perfeitamente todo o interesse gerado à volta do mesmo. Agora um Kindle ou outro desses tabletes leitores de livros que há para aí? Sim, claro que também percebo perfeitamente a funcionalidade e bem que não me dá jeito nenhum acartar o meu livro gigantesco de um lado para o outro.

Talvez até me renda a comprar um tablete qualquer dia destes por ser mais prático de levar no metro no dia-a-dia. Em vez de ter um jornal, cuja página bate na perna do vizinho, ou levar um chumbo de um livro na mala, poderei antes levar um Kindle onde me cabem vários jornais sem chatear os vizinhos com a paginação e poder usar a mala pequena para o trabalho já que lá dentro cabe uma grande biblioteca sob a forma de Kindle. Mas seria só mesmo para as leituras nos transportes no dia-a-dia que iria usar um Kindle.

Eu gosto de folhear as páginas do jornal ou do livro, eu gosto de sentir o cheiro dos livros, de ver a minha colecção de tudo o que já li ou tenho para ler exposta na estante para me relembrar das histórias. Mas ao que parece, muitas pessoas já não pensam nada assim. Dizem que vão deixar de comprar livros já que fica muito mais barato fazer o download e é muito mais práctico. Dizem que não sentem qualquer falta dos livros, que adoram estas novas tecnologias e que não vão desperdiçar mais dinheiro em material de leitura que não seja retirado da Internet.

Fala-se que em poucos anos já não haverão livrarias. Vão dar lugar a lojas Apple e afins com as suas tecnologias. Será? Será que os hábitos dos consumidores vão mudar assim tanto que a geração que está agora na sua infância já não vai dar qualquer valor ao livro impresso? Bem, só sei que por mim a indústria dos e-books não vai ganhar muito, mas custa-me imaginar que as pessoas tenham razão e que um dia ainda vá ver um mundo sem livros. Bem, e dito isto eu não estou a escrever um livro, estou a escrever um blog, o que há alguns anos atrás seria impensável. Não sei, talvez seja só a minha mentalidade tradicionalista a vir ao de cima, mas mesmo que os hábitos mudem muito, eu continuarei concerteza a comprar e ler livros e jornais impressos sempre que poder.