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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

A primeira semana no escritório

Nesta semana que passou, fui pela primeira vez ao escritório da nova empresa. Apenas eu e mais dois colegas temos a 'permissão' para trabalhar do escritório por termos pedido especificamente que queriamos trabalhar de lá. Eu, e mais outra colega que começou ainda à menos tempo que eu,  queriamos ter a oportunidade de conhecer colegas e ter um espaço de trabalho mais comfortável. No entanto, ainda não a cheguei a conhecer porque ela foi alertada no esquema de 'track & trace' de que frequentou o mesmo pub que uma pessoa que foi encontrada com Covid, e portanto, tem que se isolar durante duas semanas. 

 

Conheci, no entanto, o outro colega que também pediu para trabalhar do escritório, e ele falou-me um pouco mais do que tem acontecido na empresa nos últimos meses, falou-me dos hábitos que eles tinham, o que ajudou a perceber melhor um pouco da cultura de empresa, etc. 

 

Gostei bastante de poder conhecer o meu primeiro colega em pessoa, e gostei também de ficar a conhecer o escritório. Fica localizado no lado sul de Londres, pelo que sempre que vou para lá, vou ter que atravessar uma das pontes de bicicleta, e portanto apreciar aquela paisagem das margens do rio Tamisa, que nunca me canso de ver. Também ainda nunca tinha estado a trabalhar naquela zona, pelo que ainda tenho muito que conhecer por lá, e tenho aproveitado a hora de almoço para andar à descoberta. 

 

Não pretendo ir ao escritório todos os dias, até porque estar num escritório vazio também não é ideal, mas pretendo continuar a ir pelo menos dois dias por semana. Sabe bem ter mais espaço de mesa, o segundo ecrã, e o ar-condicionado, que o meu apartamento fica quente demais durante a tarde quando o sol bate na janela. E além do mais, simplesmente gosto da mudança de cenário. 

 

Para a maioria dos outros colegas, parece que o escritório só vai mesmo abrir a partir de Janeiro, e nessa altura é que vamos começar a fazer rotação entre todos para se conseguir manter algumas mesas vazias de forma a haver distanciamento entre colegas. Mas até lá, vamos ser só os três num escritório de 40 pessoas. É um pouco estranho, mas é a nova situação que temos, por isso há que adaptar. 

 

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P. S. - Ah e eu tinha prometido que diria aqui se a minha nova técnica para encontrar tempo foi sucedida, e de facto foi. Pelo menos por este primeira vez consegui dedicar o tempo que queria ao meu projecto de escrita, pelo que agora há que continuar e já tenho o próximo período de tempo marcado na agenda também. 

Como encontrar tempo quando não se tem tempo para fazer nada

Apesar da vida ainda não ter voltado ao seu normal como estava antes da pandemia, este fim-de-semana cheguei à conclusão de que voltei ao meu mau hábito de andar sempre sem tempo para fazer nada! 

 

Como tivemos um fim-de-semana prolongado, tinha planeado esta lista de coisas que queria fazer, e estava toda entusiasmada por finalmente me poder dedicar a elas, mas sabem quantas coisas da minha lista eu fiz? Duas, dentro de uma lista de doze actividades. Consegui fazer umas burocracias relacionadas com finanças, e consegui marcar o meu vôo para ir a Portugal no Natal, e só. Já não consegui fazer pão, nem consegui escrever um post no blog, nem consegui fazer mais umas burocracias que tenho na lista há imenso tempo. E porquê, quando tinha à minha frente um fim-de-semana prolongado de 3 dias? - Porque simplesmente já não estamos em lockdown, e eu já não estou sem emprego, e como tal, os dias passam-me novamente pelos dedos sem quase notar. 

 

E pensar eu que andava a fazer pão que nem uma expert todo o santo fim-de-semana durante 3-4 meses sólidos. Agora, já não o tenho conseguido fazer há mais de mês e meio. Aprender a fazer pão deu-me um certo prazer, mas actualmente, só a ideia de que tenho que dedicar 4-6 horas à coisa, tira-me logo toda a vontade de começar. Além do facto de que simplesmente já não tenho assim 4-6 horas disponíveis sem mais nada que fazer. Tenho continuado a alimentar a massa mãe de duas em duas semanas, para a conseguir manter activa, com o intuito de eventualmente cozer pão, mas sinceramente não sei quando vou poder voltar a fazê-lo. 

 

Depois também queria continuar o projecto principal que comecei durante o lockdown, que foi começar a escrever um livro, que já há muito queria fazer. Dediquei tantas horas a escrevê-lo durante o lockdown, já escrevi mais de 40,000 palavras (note-se que muitos livros dão-se por completos com cerca de 50,000 palavras), mas o problema é que ainda não estou nem a meio!  E, para ser sincera, ainda não lhe peguei desde que comecei o novo emprego. O facto é que passo o dia todo, todos os dias da semana, ao computador, e chega ao final do dia estou tão exausta, que a única coisa que me apetece fazer, caso esteja em casa, é recostar-me no sofá e não olhar para um ecrã de computador. 

 

Depois chega o fim-de-semana, mas nesses dias só quero espairecer, aproveitar para ir dar passeios, ver amigos, etc, por isso aos fins-de-semana também não tenho encontrado lugar para a escrita, nem para fazer pão, nem para fazer as burocracias todas que queria. 

 

Ao mesmo tempo, eu sei que se quero mesmo fazer algo, tenho que o priorizar. Afinal, porque é que não tenho tempo para fazer burocracias no fim-de-semana? Porque priorizo a minha vida social, que sempre foi muito importante para mim, e agora ainda é mais já que passei meses distante dos meus amigos. Acho que a solução vai ser mesmo ter que colocar na minha agenda certas horas dedicadas a certas tarefas, tal como coloco os encontros sociais. Se estiver na agenda que a certo dia e hora vou-me dedicar a escrever, não posso marcar encontros sociais para esse momento, certo? Tal como não deixaria de me encontrar com um amigo, também tenho que ser exigente e não deixar de fazer as outras coisas que são importantes para mim. Ainda não vai ser este próximo fim-de-semana que o tenho todo ocupado com amigos , mas acabei de marcar na minha agenda que vou dedicar uma das manhãs do fim-de-semana seguinte a escrever. Ao estar a comprometer-me na minha agenda e por aqui também, espero que assim me dê o sentido de responsabilidade para fazer as outras coisas que quero fazer. Vocês ficam testemunhas e depois tenho que vir cá confirmar se efectivamente dediquei esse tempo à escrita.

Só espero que esta minha nova técnica vá resultar.

100 dias de lockdown em fotos

Marcou esta semana os 100 dias de 'lockdown' no Reino Unido. Mal dá para acreditar que já estamos há tanto tempo nisto mas é um facto. Durante este tempo todo, a minha vida, como a da maioria da população Britânica e do mundo, tem sido passada em casa, mas fui captando alguns momentos ao longo deste período e aqui fica a história:

 

Aprendi a fazer pão, e felizmente agora os meus pães parecem muito mais com o da direita do que os da esquerda

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E fartei-me de fazer doces, porque nada como nos encher-mos de açucar quando estamos fechados em casa sem fazer nenhum 

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Ah, e claro que me entreti a experimentar novas receitas culinárias

(basicamente, mal saí da cozinha)

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Socializei entre jantaradas e bebidas através do Zoom

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E dancei por casa ao som dos muitos streams de música ao vivo

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Durante o dia passei muito tempo dedicada a vários projectos novos e outros antigos e claro, à procura de emprego, se bem que entre Março e Maio isso era quase impossível 

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Quando saía de casa passava o tempo em filas

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Ou ía passear de bicicleta pelas ruas e parques de Londres

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E muitos kilómetros eu percorri a pé pelos canais de Londres

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Londres parecia uma cidade fantasma com todas as lojas fechadas

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Comecei a encomendar comida e bebida online

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Gostei de ver a comunicação espalhada pela cidade com o intuito de nos animar e encorajar a ajudar uns aos outros

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Quando as condições começaram a ficar menos restritas passei algumas tardes solarentas pelos parques e a ter os primeiros encontros com amigos à distância

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Esta semana comecei a ver os primeiros sinais de preparação de abertura dos bares e restaurantes para este fim-de-semana

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A vida vai finalmente começar a aproximar-se um pouco mais da normalidade com a abertura dos bares, restaurantes, cabeleireiros e afins. Enquanto o virús por aqui andar, não vai ser igual como era antes, mas é um passo no caminho certo. 

O meu jardim da varanda

Nas Stories da @tugaemlondres no Instagram de hoje (dia 23 - só duram 24horas) aproveitei para apresentar o meu pequeno jardim da varanda que me tem dado alguma alegria. Todos os anos, por início da primavera, costumo ir compras novas plantas que necessitem de substituição no Columbia Road Market, também conhecido como o Mercado das Flores, localizado na zona entre Bethnal Green e Shoreditch. Adoro passear por aquele mercado cheio de flores, escolher as mais coloridas, e passar a tarde em plantações e organização dos potes para ficar com a varanda o mais verdejante e colorida possível. 

 

Não queria deixar de fazer o mesmo este ano, só que, claro que com o coronavirus, este ano não há mercado para ninguém. A minha sogra ofereceu-nos um Loureiro este ano através da Patch Plants, e eu sei que têm flores e plantas excelentes, mas, para as restantes flores que queria comprar, queria manter os custos reduzidos e a Patch não vende propriamente a preços que encontraria no mercado. Então, acabei por comprar umas no Sainsbury's, para dar côr à varanda, e limpei todas as outras plantas que tinham sobrevivido ao inverno. Espero que, sem as folhas secas, tenham espaço para novos ramos, e as flores cresçam com força. A ver vamos. Para já está simples, mas está bonito, e como agora tenho passado muitas tardes na varanda, sabe bem, ter um espaço à nossa volta que nos inspire e nos faça sorrir. 

 

Entretanto, também já descobri que um dos vendedores da Columbia Road, criou uma nova página de facebook para poder vender as flores e plantas online, portanto acho que ainda vou tentar comprar mais umas coloridas através dele. Para quem estiver interessado encontram-no no Facebook como Roman Road Plants

 

Nos anos anteriores

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Este ano

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Cada vez mais isolados e cada vez mais próximos

A cada semana que passa, novas medidas têm sido colocadas em prática para reforçar a necessidade de que as pessoas fiquem em casa, tal como fechar o acesso a parques e locais que geralmente atraem grande quantidade de pessoas. E com todo este tempo que estamos em casa, alguns sozinhos, outros acompanhados por familiares, amigos ou meros colegas de casa, tem-se tornado muito mais importante manter o contacto com aqueles que são importantes para nós mas com quem não nos podemos encontrar pessoalmente. 

Os grupos de WhatsApp nunca tiveram tão activos em  simultâneo, e como o isolamento afectou o trabalho de muitas pessoas, existe sempre alguém disponível para continuar a conversa nos grupos de WhatsApp, logo, basta deixar de olhar para o telefone durante uma hora, para ter cerca de 50 mensagens por ler. É a forma que encontramos para estar constantemente em contacto com os amigos e família de forma imediata, e que estamos a utilizar para partilhar tudo o que é gifs e memes engraçados relacionados com o coronavirus que nos mantêm entretidos.

 

E claro que queremos encontrar-nos com amigos apesar de não podermos estar com eles fisicamente, portanto, é aí que entram as plataformas de vídeo conferência como o Zoom, o Skype ou semelhante. Com essas plataformas, de forma geral já temos que ser mais organizados, e planear uma certa hora a que seja bom para todos se encontrarem disponíveis online para fazermos uma vídeo conferência. No meu caso, e ao que parece, o caso de muitas pessoas, temos organizado 'Bebidas no pub' todas as sextas e sábados à noite com alguns grupos de amigos diferentes e outros repetidos; e depois ainda organizamos mais uma ou outra chamada no zoom assim a meio da semana porque o fim-de-semana já está cheio de chamadas. Oram são 'bebidas no pub', ou 'beber o café', ou 'jantar juntos' ou até cozinhar juntos que vou experimentar pela primeira vez para a próxima semana; sabe bem encontrarmos estas razões para os encontros virtuais tais como se fossem encontros ao vivo.

 

E depois temos também aplicações como o House Party que serve como uma espécie de plataforma entre o whatsapp e o zoom, que permite tal como o whatsapp, ter uma iteração mais imediata com quem estiver activo na plataforma, mas também permite um nível de entretenimento maior com os jogos e outras brincadeiras que estão incluídos nesta plataforma.

 

O que é engraçado é que, entre estas chamadas todas, e contacto por mensagem, reparei que tenho tido mais comunicação com amigos e familiares nas últimas 2 semanas, do que teria no dia-a-dia normal. Algumas das pessoas com quem geralmente só falo de tantos em tantos meses, de repente, estou a falar com elas quase diariamente. Grupos de amigos com quem, geralmente é difícil encontrar uma data para nos encontrarmos em pessoa, agora é facílimo, e nem nunca tinha feito uma vídeo conferência com tantas pessoas da família ao mesmo tempo, quanto a que fiz no fim-de-semana passado. 

 

Diria que as desvantagens destas plataformas, especialmente as vídeo conferências é que, apesar de serem bons substitutos para um encontro em pessoa, durante a situação actual, não acho que, quando voltarmos à vida social que tínhamos dantes, continuarão a ser utilizados da mesma forma porque a interacção que se tem num 'pub virtual' é bastante diferente da iteração que se tem num pub real. Em vídeo conferência, cada um tem que falar de cada vez, porque senão ninguém se entende. Todos temos que estar na mesma conversa, o que não aconteceria numa situação de encontro pessoal, onde as pessoas começam conversas paralelas e a oportunidades para se estar juntos durante mais tempo são inúmeras. Enquanto que virtualmente, quando começa a parar a conversa, é geralmente sinal que é tempo de desligar, porque senão estamos todos apenas ali a olhar para um ecrã e isso é muito estranho. Logo, também o tempo que se está junto no ambiente virtual é mais reduzido do que num encontro na vida real. 

 

Mas devo dizer que apesar de todos os defeitos inevitáveis às conversas virtuais, sem dúvida que têm sido muito úteis e bem vindas durante estas semanas, e tenho estado a gostar da proximidade que elas me têm proporcionado, principalmente com as pessoas com quem não comunicava tão frequentemente antes disto tudo começar. 

 

Se quizerem partilhar a vossa opinião nos comentários, adorava também saber se estão a gostar das vossas experiências relativamente a toda esta comunicação virtual. 

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Ainda dou em padeira

Eu posso estar sem trabalho e fechada em casa, mas aborrecida é uma coisa que não tenho estado. Lá tive um dia em baixo na semana passada, mas tal como costumo fazer noutra situação, começo a entreter-me com projectos diferentes e isso faz-me distrair e concentrar noutra coisas, e consequentemente, sentir-me melhor. 

 

Tenho seguido algumas das ideais sobre as quais escrevi por aqui e uma delas é que, agora como tenho o 'fermento de sourdough' (se alguém souber o que se chama em Português a um Sourdough Starter agradecia. Será que 'fermento de sourdough' está correcto?), para manter a cultura viva tenho que activá-lo pelo menos uma vez por semana. Por isso estou-me a dedicar a fazer produtos de padaria com ele durante os próximos tempos. 

 

No fim-de-semana passado, tinha feito pão e este fim-de-semana dediquei-me a fazer pão novamente e também aprendi a fazer brioche, que adoro! Ficaram todos bem e, o pão até ficou melhor desta segunda vez do que da primeira. Quanto mais se faz, mais se aprende como melhorar, claro está. 

 

Mas devo dizer que esta coisa de estar a aprender estas receitas, também me fez aperceber que apesar de gostar muito de brioche, se calhar devia não gostar assim tanto porque aquilo leva carradas de manteiga que nunca mais acaba. Digamos que não é propriamente o alimento mais saudável  OK, eu já sabia que esse tipo de pão doce leva muita manteiga, mas tem-se sempre uma perspectiva diferente entre comer algo que foi comprado já feito, e comer algo que fomos nós a fazer e sabemos exactamente os ingredientes que levou. É por essas e por outras que não se pode parar com o exercício durante estes dias que estamos de quarentena. 

 

Mas manteigas à parte devo concordar que esta coisa de fazer pão até que é bastante agradável. É interessante seguir os passos e ver como a forma como se amassa afecta o sabor do pão. É também entusiasmante olhar para a massa depois de umas horas de levedura e verificar que realmente cresceu! Acho que como passo sempre a vida num corrupio nem nunca tinha pensado na possibilidade de fazer pão por o considerar uma perca de tempo. Porque é que haveria de fazer pão quando a 15 minutos a pé de casa tenho acesso a 6 padarias excelentes (e de certeza que me estou a esquecer de mais algumas)? Mas esta situação em que estamos faz-nos colocar tudo em perspectiva - desde a forma como passamos o nosso tempo como a possibilidade de apreciar outras coisas novas. Nada como tentar aproveitar para ver o lado positivo que esta situação também nos possa trazer nem que seja a oportunidade para descobrirmos novos hobbies. 

 

Para a semana estou a ponderar entre utilizar o fermento de sourdough para fazer pizza ou para fazer Raviolis. Deixei agora na minha Story no Instagram a pergunta para lá poderem dar a opinião, mas se quiserem digam-me também nos comentários. Eu faço aquele que tiver mais votos e depois coloco os resultados no Instagram. 

 

Entretanto fica aqui o resultado dos brioches e pão de hoje 

 

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Uma celebração de aniversário diferente

Como tinha escrito aqui antes, tinha inicialmente planeado celebrar o aniversário atrasado do meu Inglês com uma festa surpresa num pub aqui da zona. Face aos últimos acontecimentos, tivemos que cancelar o pub, mas não queria deixar de celebrar com os amigos de alguma forma, por isso fizemos antes uma surpresa virtual. 

 

Fiz um bolo de aniversário e, na hora combinada com os amigos mais próximos, eles ligaram-se a uma vídeo-conferência online (utilizamos o Zoom) e começaram todos a cantar os parabéns. Depois ainda oferecemos um cartão de aniversário em que eu tinha escrito as mensagens enviadas pelos vários amigos, e passámos o resto da noite em conversa virtual animada a jogar charadas e afins. Como música de background até tivemos DJs ao vivo a tocar quase toda a noite no YouTube através de um festival virtual lançado pelos Defected Records o que até ajudou a tornar o ambiente mais de festa. OK, claro que não é bem a mesma coisa, mas face às circunstâncias, não estivemos mesmo nada mal com esta festa alternativa. 

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O bolo de aniversário foi o Bolo Tiramisú e ficou delicioso! Fica a receita

10 dicas para aproveitar a solidão durante uma epidemia

Ontem acordei chateada, triste, zangada com tudo e com todos:

  • estou sem emprego na pior fase para se ter perdido o emprego em que nenhuma empresa vai entrevistar/contratar ninguém nesta época de incerteza onde todos estão a trabalhar de casa
  • todos os eventos a que eu me tinha registado foram cancelados
  • não me posso encontrar com os amigos
  • os ginásios estão a fechar

 

Basicamente, tudo aquilo que me dava alegria todos os dias e me motivava durante esta fase de procura de novo emprego deixou de existir. E ao acordar ontem e de repente ter a realização de que era segunda-feira, e que esta era a minha realidade actual, bati no fundo desanimada com a situação. Ao menos estava um dia de sol e decidi sair à tarde para dar um passeio e arejar a cabeça. 

 

Com a minha música nos ouvidos, o sol a bater na cara e as ruas semi-vazias de Londres como minhas companheiras (não se preocupem, mantive-me a mais de dois metros das pessoas por quem passava) comecei a pensar em como melhor passar por esta fase de forma a não entrar em constante negatividade e passo a partilhar. 

 

  1. Aceitar: Antes de poder colocar em práctica quaisquer actividades para passar o tempo nesta altura, há que aceitar a situação. Há que aceitar que não gostamos da situação, mas como não a podemos evitar, o melhor que temos a fazer para o nosso próprio bem e o bem dos outros é seguir as regras o mais possível e adaptar a nossa vida à actual situação.
  2. Mantermo-nos activos: com isto refiro-me ao exercício. Só porque os ginásios estão fechados, não quer dizer que não podemos fazer exercício ao ar-livre ou em casa. Pelo menos, para já, nada nos impede de ir exercitar ao ar-livre, e num dia de sol, sabe super bem correr num parque ou andar de bicicleta. Com umas amigas decidimos a partir de ontem exercitar juntas virtualmente. Ou seja, começamos ao mesmo tempo nas nossas respectivas zonas, e enviamos fotos antes e depois do exercício. Ontem à noite foi com uma aula de Yoga com a Adriene, e hoje de manhã foi uma corrida ao ar-livre. Ainda vou instigar fazerem comigo os exercícios da Madfit que gosto muito dos exercícios moderados e intensos dela. 
  3. Aprender algo novo: para quem não está a trabalhar ou que tenha o horário de trabalho reduzido, nada como utilizar o novo tempo disponível para aprender algo novo. Hoje em dia existem muitos cursos online, quer sejam cursos de longa duração, cursos curtos prácticos e técnicos que sejam úteis para a vossa profissão ou novos hobbies que podem desenvolver - desde aprender programação, ou a usar Photoshop, estudar arte, aprender uma nova língua, etc. Eu já comecei uma lista das coisas que quero aprender. Vou ter que prioritarizar porque também convém focar numa coisa de cada vez se efectivamente quizermos ter sucesso na aprendizagem.
  4. Ler novos livros: Uma livraria na zona de Hackney lançou uma ideia muito interessante que é também uma boa forma para podermos ajudar os pequenos comerciantes como esta livraria a sobreviver nesta fase - basta comunicar à livraria qual o último livro de que gostámos e eles enviam para casa um livro que acharem que vamos também gostar baseado nessa referência. Por favor tentem ajudar os vossos negócios locais nesta fase e comprem através deles em vez dos grandes retalhistas. Muitos dos pequenos negócios hoje em dia têm forma de comprar online. 
  5. Ouvir novos podcasts/ver novas TedTalks: quer estejamos com vontade de rir à gargalhada ou de ouvir opiniões sobre o que se está a passar no mundo, existe uma variedade enorme de podcasts e Ted Talks sobre todos e os mais diversos tópicos. Entre os meus podcasts favoritos gosto do Guardian 'Today in Focus' para assuntos actuais, gosto do podcast da 'Marketing Week' para estar a par do que se passa no mundo do marketing, e gosto do 'Guilty Feminist' para lazer/me fazer rir um pouco. Se alguém tiver recomendações de novos podcasts, adorava saber delas, principalmente de podcasts com sentido de humor que toquem em assuntos actuais aos quais nos podemos relacionar e que não sejam mais de 30minutos. 
  6. Aprender novos dotes de culinária: Já pedi a uma amiga para me dar o fermento que ajuda a iniciar a fazer pão Sourdough, para começar a fazer o meu próprio pão em casa também. Esse é apenas uma ideia, mas existem tantas receitas boas a que nos podemos dedicar a experimentar enquanto temos este tempo todo nas mãos fechados em casa. Este fim-de-semana passado, por exemplo, dedicamo-nos a fazer um Ramen e um bolo de amêndoa. Ficaram ambos deliciosos :-) 
  7. Escrever um diário: Pelo menos, para mim, ajuda-me imenso deitar para fora aquilo que tenho cá dentro, e ao escrever por exemplo este post, ajuda-me a organizar as minhas ideias sendo que estou a tentar partilhá-las convosco da forma mais simples possível. Espero que estas ideias venham a ajudar quem esteja a passar pela mesma fase de negatividade, e que me ajude a mim a ver o lado positivo desta situação. Nem todos têm interesse em escrever num blog, mas existem imensas razões pelas quais é beneficiante para as pessoas passarem para o papel aquilo que lhes vai na cabeça. 
  8. Organizar as gavetas: Afinal estamos a entrar na primavera, e com as temperaturas a subir, vamos começar a poder usar roupa mais fresca, portanto, a não ser que tenham muito espaço em casa para manter toda a roupa a jeito para o ano inteiro, esta é uma boa altura para organizarem as vossas gavetas, colocar as camisolas no baú, e tirar do baú as roupas mais frescas de meia estação. Ao fazerem isso, dêm-lhe uma de Marie Kondo, e livrem-se das roupas e acessórios que já não utilizam à muito tempo e que não vos trazem alegria. As lojas de caridade concerteza que vão apreciar receber as roupas que vocês já não usam mas que ainda estão boas. 
  9. Fazer administração da vida: Todos nós temos aquelas coisas para fazer que andamos a adiar à meses - organizar as fotografias em albúms no computador, procurar um novo fornecedor de energia que ofereça energias renovàveis, mudar para uma conta a prazo que vos ofereça melhor juros, etc. Se começarem a pensar no assunto, vão encontrar imensas coisas que devem tratar, e nada como umas horas em casa a pesquisar na net para encontrarem a melhor solução. 
  10. Socializar com os amigos virtualmente: OK, podemos não nos encontrarmos fisicamente, mas isso não é razão para não passarmos tempo com os amigos. Estou a combinar com umas amigas fazermos uma 'virtual wine night' - basicamente cada uma em casa com a sua garrafa de vinho ligadas a um Google hangout para nos vermos a todas e poder-mos conversar tal como se estivessemos no pub. Não sei bem como a coisa vai decorrer, mas nada como tentar. 

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Nada como uma corrida ao longo do Regent's Canal para acalmar a mente

1 dia na Malásia e lua-de-mel arruinada

Já estamos de volta em Londres, e de facto ainda deveríamos estar na nossa lua-de-mel até este fim-de-semana. E não, não tivemos nenhum problema com o coronavirus. Percorremos as 12 horas de avião até Kuala Lumpur apenas para concluir que o passaporte do meu Inglês apenas tinha 4.5 meses de validade restantes e que são necessários 6 meses para poder entrar no país. Caiu-nos tudo! 

 

Ao princípio ainda nos disseram que se conseguíssemos ter um cidadão da Malásia a vir servir de nosso credor, que nos deixavam entrar no país, mas depois de telefonar a todos os nossos possíveis contactos locais e eventualmente termos conseguido que alguém aceita-se, afinal disseram-nos que já não aceitavam o credor. Decidimos então que eu ia sair do aeroporto para poder ir à embaixada no dia seguinte tentar tratar do assunto com a produção de um documento de viagem de urgência. 

 

Durante todo o tempo em que tivemos a tentar resolver o assunto entre os agentes da imigração e os telefonemas que fizemos, conseguimos manter a calma e o sangue frio, mas foi quando cheguei ao quarto do nosso hotel e vi lá uma fatia de bolo com 'happy honeymoon' escrito que deixei de me conseguir conter. Foi uma sensação de vazio, de perda e de aperto tão grande, que não consigo bem explicar. Estava ali, no destino escolhido, para a nossa viagem de lua-de-mel de que estávamos ansiosos à espera à tanto tempo, e estava sozinha. 

 

Descobrimos no dia seguinte que o documento de urgência que a embaixada podia oferecer, também não ia permitir a entrada no país pela imigração da Malásia. Por isso não tivemos outra solução senão voltar para casa. 

 

A British Airways sentiu-se responsável por nos ter deixado viajar sem a validade no passaporte necessária por isso trouxeram-nos de volta nessa mesma noite. Se eles tivessem mesmo não nos ter deixado viajar, ainda teríamos tido tempo para pedir um passaporte de urgência e viajar uns 3 ou 4 dias mais tarde para ainda conseguir aproveitar a maioria da viagem planeada. Mas tendo perdido o tempo na viagem já não nos pareceu dar o tempo suficiente/força de vontade para passar por todo aquele stress de forma a voltar o mais depressa possível. 

 

OK, agora sabendo o que sabemos, claro que ficamos com aquela sensação de que deveríamos ter verificado tudo relativo ao passaporte antes, mas como não fazíamos ideia de que os 6 meses eram necessários, tal não nos passou pela cabeça. Tínhamos marcado a viagem através de uma agência que nos tinha pedido cópias dos passaportes para verificar (e foram palavras deles) que os passaportes estavam em ordem para podermos viajar, mas não nos disseram nada de que não estavam em ordem! E agora claro que estão a querer fugir à responsabilidade por trás de uns termos e condições legais para os quais tínhamos que clicar em 3 links antes de os poder ler, onde estava escrito que é da responsabilidade dos passageiros verificar a validade dos passaportes. Bem, nós verificamos. Estavam ambos válidos. Como é suposto sabermos a situação de que necessitam estar válidos por 6 meses se nunca ouvimos falar nisso antes? 

 

Enfim, foi o que aconteceu. Fiquei ainda a aproveitar um dia em Kuala Lumpur, fiz uma excursão que já tínhamos planeada e aproveitei um pouco da piscina do hotel antes de voltar para Londres. Ao chegarmos, de estarmos tão chateados/tristes com a situação, fomos passar o fim-de-semana a um hotel no sul de Inglaterra, só para ainda aproveitarmos um bocadinho do que supostamente seriam uns dias deliciosos de lua-de-mel. Foi agradável, e demos uns passeios no campo bonitos apesar do frio da Inglaterra, mas claro que ainda nos custa toda esta situação. Ainda queremos fazer uma lua-de-mel, mesmo que seja de pequena duração, mas agora também com este surto do coronavirus torna-se mais complicado saber para onde poderemos marcar viagem, sem que venha a vir cancelada porque não se sabe como a situação se vai desenvolver nos próximos tempos. 

 

Devo concordar que este início de 2020 não tem sido propriamente dos mais fáceis. Mas o que fazer? Não vale a pena chorar pelo leite derramado. Há que continuar em frente, tentar esquecer o que aconteceu, evitar pensar no que perdemos, e continuar com a vida em frente. Afinal, são apenas férias. Ninguém adoeceu, não houve problemas maiores e conseguimos estar uns dias juntos num hotel agradável de qualquer forma. OK, perder aqueles dias de lua-de-mel foi chato, sentimo-nos uns idiotas por não ter pensado no assunto, mas temos que engolir o sapo e continuar em frente.

Ficam umas fotos do meu 1 dia em Kuala Lumpur. 

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E do fim-de-semana pelo sul de Inglaterra, na zona de Littlehampton e Amberley que é cheia de casas rurais bonitas como as que estão em baixo.

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A minha experiência do mês vegano, sem açúcar, café ou álcool

Uff, Janeiro foi um mês longo, mas já passou. OK, apesar de ser um mês restrito ao nível alimentar, devo confessar que não foi assim tão difícil quanto possa parecer. Estando em Londres, felizmente há imensas alternativas veganas em todo o lado, e hoje em dia também quase todos os bares e pubs servem cervejas ou cocktails sem álcool, pelo que nessa parte, até que não foi mau. O pior foi mesmo o fim-de-semana que passei em Lisboa e fui a um casamento. Estão bem a ver ir a um casamento com estas restrições todas? E depois, no dia a seguir ao casamento, fui passear por Lisboa e tive mesmo que me controlar para não me enfiar numa das inúmeras pastelarias com bolos de aspecto fenomenal!! É um crime ter tantas com tão bom aspecto! Ora é a Padaria Portuguesa ou a pastelaria Alcôa, ou a Pastelaria Aloma, e depois a Manteigaria,....  Esse passeio por Lisboa foi complicado!

 

Mas numa nota mais positiva, esta coisa de andar vegana durante um mês fez com que eu aprende-se imensas receitas novas e prova-se algumas comidas mesmo muito saborosas. Para os interessados, e para eu própria manter nota, aqui ficam as receitas que eu fiz durante este mês:

Thai Green Curry Vegetariano

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Sopa/estufado de lentilhas e cogumelos

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Grãos com tofu e courgette

(Esta receita foi inventada mas basicamente cozi quinoa com arroz servida com tofu, courgette e couve salteados)

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Sopa de grão com couve-roxa 

(a receita pedia couve branca mas eu alterei para roxa)

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Dahl de lentilhas

(Esta foi feita pelo marido, que não posso ser só eu a cozinhar)

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Beringelas no forno com espargos e noodles

(fiz as beringelas sem o mel que indica na receita)

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Batata-doce no forno com curry de ervilhas

(Mais uma feita pelo marido. Não sei qual é a receita mas estava boa apesar de levar Marmite)

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Sopa miso com courgettes

(Esta inventei mas foi parecida com essa receita no link)

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Cogumelos recheados 

(Fiz esta receita sem os queijos e foi uma das minhas favoritas do mês. Servi com quinoa e edamame beans)

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E foi assim o meu mês em alimentação. Desde o início de Fevereiro que tenho reinserido produtos animais na alimentação aos poucos e poucos porque fiquei mal-disposta no primeiro dia. Nota-se mesmo como o nosso sistema ao habituar-se a certa alimentação, rejeita mudanças abruptas. 

 

Quanto ao café, este ano só foi pior nos primeiros dois dias que me deu dôr de cabeça, mas depois passei o mês a beber chá descafeinado e 'Turmeric Lattes' que são boas alternativas. O que não gostei foi, no dia que voltei ao café, e ter bebido dois cafés, não ter conseguido dormir a noite toda. 

 

Mas de forma geral, o resultado do mês foi evidente no sistema digestivo e na pele que estava mais lisinha. Gosto de fazer estas mudanças alimentares e espero conseguir manter-me com o hábito de cozinhar comida vegana mais frequentemente do que fazia dantes.