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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

O que quero fazer quando a pandemia terminar

Já estou farta desta pandemia até aos olhos. Estamos todos, eu sei! Temos que ter paciência e aguentar este último esforço (esperemos que seja o último) nos próximos meses para conseguirmos ultrapassar a situação com o mínimo possível de afectados. 

 

Até lá podemos sonhar com o que vamos fazer quando a pandemia terminar. No outro dia perguntaram-me o que seria o top 3 das actividades que pretendo fazer quando puder, e não foi preciso parar para pensar no assunto:

  • abraçar amigos e família, muito forte e muitas vezes;
  • fazer uma grande festa com amigos daquelas que começam num dia e acabam na manhã seguinte. Vai incluir cumprimentar pessoas novas com dois beijos, conversar com muitas pessoas a menos de 1 metro de distância que a festa vai ter tantas pessoas que vai estar tudo um pouco apertado, rir muito e dançar o resto da noite;
  • viajar! Para longe e sem ter que usar máscara durante o percurso.

 

E acho que não sou a única que tem esse objectivo de ir a festas após a pandemia. No outro dia achei interessante ler este artigo sobre a predição do epidemiologista Dr Nicholas Christakis que, baseado no estudo dos efeitos sociais após pandemias anteriores, ele prevê que, novamente vai surgir uma euforia de actividade social, tal como houve nos anos 20, após a Febre Espanhola, com o surgir dos roaring 20s. E acredito perfeitamente que o desejo de socialização vai levar a um movimento semelhante. Desta vez não será ao som do Charleston, mas imagino que um tipo de música com batida igualmente rápida venha a ser predominante dessa futura era. Imagino até, que existem muitos músicos neste momento, que estejam a tentar criar o novo estilo musical que venha a ser representativo dessa fase. 

 

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Segundo o Dr. Christakis, tal efeito ainda vai demorar a chegar, visto que, antes disso, ainda se vão sentir os efeitos da depressão económica, e portanto, só por 2024, se venham a verificar os novos roaring 20s do século XXI. Desanimou-me um pouco a ideia de que tal venha a demorar ainda tanto tempo a acontecer, mas, caso a sua predição seja correcta, mais vale tarde do que nunca. 

 

Já pensaram também naquilo que querem fazer quando a pandemia terminar? Como esta pandemia afectou tanto tipo de actividade, vão com certeza existir muitos desejos diferentes. Até lá, há que ter paciência, e continuar a sonhar. 

Lockdown Parte III

E entramos no terceiro lockdown. Isto já começa a ser tão habitual que já nem me admiro. Como Londres já estava no Tier 4, que era o que tinha restrições mais elevadas em que as lojas, bares e restaurantes estava já tudo fechado, não me faz muita diferença este novo lockdown, mas tem a grande desvantagem de que agora voltamos à situação em que estavamos em Março, em que não devemos sair à rua, a não ser por razões essenciais, e não nos podemos encontrar com amigos para socializar. No Tier 4 ao menos, passear com amigos era permitido. 

 

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Estou eu e estamos todos mais que fartos disto, mas sinceramente, com as vacinas que agora estão disponíveis, e contando com o facto de que o Reino Unido foi o país que já encomendou mais vacinas per capita, sinto-me mais positiva de que há uma luz ao fundo do túnel, e que a partir da primavera vamos estar numa situação melhor com muitas mais pessoas protegidas, uma redução consideravel dos casos, e consequentemente, uma maior abertura das nossas vidas sociais novamente. Mal posso esperar! Até lá, bem, tenho mais umas quantas séries com que me entreter, um puzzle para acabar, e aprender a fazer muitos cozinhados veganos durante este mês que estou a fazer o 'veganuary'. Se estiverem interessados em ver as minhas criações veganas, espreitem as Stories do @tugaemlondres no Instagram. 

2020 em revista

Bem sabemos como este ano foi tão diferente para todos, mas o fim do ano é uma boa altura para olhar para trás, e reflectir em tudo o que aconteceu ao longo do ano - e no meio de tanta coisa má, com certeza vão encontrar momentos bons também que vos vão fazer aperceber que o ano não foi totalmente para esquecer, se bem que esquecer-nos deste ano será difícil de qualquer forma. 

 

Aqui fica a reflexão de como vi este ano passar:

Comecei o ano no desemprego, ao ser informada dos cortes que iam fazer na empresa.  São coisas que acontecem, mas logo comecei a aproveitar o tempo livre para fazer o CV e começar a enviar currículos. Ao fim das primeiras semanas, já tinha as primeiras entrevistas marcadas para quando viesse da minha lua-de-mel. Lua-de-mel essa que nunca chegou a acontecer. Ao voltar de alguns dias de descanso alternativos em Littlehampton, começou o lockdown, e foram eliminadas todas as entrevistas que tinha alinhadas. 

 

Durante os meses seguintes, foi o que se sabe - entrevistas eram mentira, por isso aprendi a fazer pão, e os seguidores do @tugaemlondres no Instagram ainda se puderam entreter a ver muitas das minhas criações na altura; comecei a fazer ponto-cruz (ainda não terminei o projecto que comecei no lockdown 1); dei imensos passeios a pé e de bicicleta; dediquei-me a um grande novo projecto que sempre quis fazer, mas que não consegui terminar antes de começar o novo emprego pelo que ainda se encontra na lista de coisas a fazer quando voltar a ter tempo; dediquei-me à jardinagem; e fiz imensas vídeo-conferências com amigos, que até este ano, praticamente só fazia com o trabalho ou com a família. 

 

Durante aquela fase pior do lockdown 1 onde tudo estava parado, houve muita conversa de angústia e sensação de solidão, mas quando se anunciou que o lockdown estava prestes a terminar ao fim das 6-7 semanas, as pessoas já se tinham habituado tanto a essa nova forma de vida que, de repente, identificou-se que muitas não queriam sair do lockdown e notou-se uma nova onda de angústia e depressão devido à incerteza do que estava para acontecer. 

 

Entretanto com a morte de George Floyd surgiu um novo movimento das Black Lives Matter que criou um surgimento de manifestações ao longo do mundo contra todas as regras do Covid pelas pessoas se aperceberem que era urgente actuarem. Houveram muitos problemas associados com essas manifestações, a população ficou muito dividida entre o estar certo ou errado fazer estas manifestações no meio de uma pandemia, queimar-se estátuas e afins de personalidades históricas que contribuiram para o tráfego de escravos e afins. Muitos disseram que se estava a mutilar importantes momentos da história. Sinceramente, na minha opinião, esse movimento fez história e já se vêm muitas repercusões positivas desde que este movimento surgiu. 

 

Quando o lockdown terminou estávamos a entrar no verão, e as actividades sociais com outras pessoas começaram a ser permitidas novamente, primeiro com encontros no parque permitidos, e a partir de meados de Julho, os restaurantes e pubs voltaram também a abrir. Também comecei a ter mais respostas às minhas candidaturas a emprego a partir de inícios do verão, o que eventualmente deu em resultado positivo.

 

Ao fim dos primeiros 100 dias desde que o lockdown começou fiz um post com fotos em revista que foi uma boa representação de como passei esse tempo. Os casos do coronavirus estavam a diminuir significativamente e havia um certo optimismo pelo ar.

 

Comecei o meu novo emprego em meados de Julho, e ao fim de 5 meses de lá estar, ainda só conheci fisicamente 5 colegas. Tem sido sem dúvida estranho estar num emprego que faço praticamente todo online, sem conhecer os meus colegas em pessoa, mas fico a aguardar o momento em que eventualmente vou poder conhecê-los, espero que seja algures em 2021. 

 

Entre um emprego novo e uma pandemia, acabei por não viajar para lado nenhum este ano, aparte de uns poucos fins-de-semana prolongados passados na zona do campo de Inglaterra. Foram bem passados mas devo dizer que estou ansiosa para poder fazer uma viagem mais prolongada e mais distante algures em 2021 (talvez? se for possível?).

 

Como tomamos a decisão de comprar casa nova, essa decisão também pode influenciar a nossa possibilidade de virmos a tirar férias. Afinal, precisamos de juntar o máximo de dinheiro que conseguirmos para comprar uma propriedade que gostarmos, e gastar dinheiro em férias parece uma frivolidade nesta altura. Custa-me pensar que talvez ainda não seja para 2021 que vamos ter a oportunidade de fazer a nossa lua-de-mel, mas, vai depender do valor da casa que encontrarmos, da pandemia, de muitas coisas. Não quero desistir da ideia de ter uma lua-de-mel, mas quando a vamos poder fazer é outra história.

 

Durante todo o ano, o único local onde parecia que não havia lockdown era Broadway Market, em Hackney. Muitas pessoas, inclusive eu, estavam chocadas ao início ao ver o número de pessoas que se encontravam naquela rua durante todos os dias, mas sinceramente, ao fim de tanto tempo e de tanto lockdown, sabia-me bem passar por lá e ver o rebuliço nas ruas, e ter uma sensação de normalidade ao passar por lá. Como os muitos bares, cafés e restaurantes têm estado abertos para takeaway durante quase todo o ano, as pessoas gostam de passar por lá, para ir comprar o café durante a manhã, o Aperol Spritz durante o verão ou o Mulled Wine nas noites frias de inverno e ficar em pé no meio da rua a conversar com os amigos. E não foi por isso que a zona de Hackney tenha estado mais infectada que outras, porque não o esteve de todo. Em certa altura no verão, Hackney era até uma das zonas com menos infectados de Londres, o que reflecte como a socialização em espaços abertos é bem menos contagiosa do que em espaços fechados. Foi quando soube desses números que me comecei a sentir mais confortável de passar por lá para aproveitar aquela sensação de normalidade. 

 

Relativamente às regras que se têm estabelecido ao longo do ano, estas têm criado muita controvérsia entre amigos - há aqueles que respeitam as regras ao extremo, os outros que não querem saber, e aqueles que tomam decisões mais moderadas entre aquilo que acham que podem ou não fazer. Todas as pessoas são diferentes e todas têm razões para pensar de uma forma ou outra, mas o importante é que respeitem as decisões uns dos outros. 

 

Já passamos o lockdown 2 em Novembro, e duas semanas depois fomos colocados no Tier 4 que, basicamente, equivalente ao lockdown 3 (ou será que nunca chegamos a sair do lockdown 2 e aquelas duas semanas foram todas uma mentira para nos dar um bocadinho de energia apenas para continuarmos em lockdown durante mais uns meses?) 

 

Com o anúncio das novas vacinas, primeiro pela Pfizer e agora também pela Astrazeneca, há mais esperança de que o fim esteja próximo. Ainda não vai ser para já, e apesar de hoje terminar o ano de 2020 oficialmente, acho que a sensação que temos tido este ano ainda se vai prolongar pelos primeiros meses do ano. Tenho esperança que o próximo verão seja diferente do verão de 2020 e que sejam permitidas mais actividades sociais, que o teatro e os concertos voltem a ser permitidos,... eu tenho esperança nisso e quero pensar positivamente que tal vai acontecer. Até lá, é mais um esforço. Continuar a respeitar ao máximo possível as regras que temos, para que a sensação de liberdade social posso voltar o mais cedo possível. 

 

Feliz Ano Novo e que volte a haver liberdade social em 2021 são os meus desejos para o mundo. 

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Viajar numa pandemia - ir ou não passar o Natal a Portugal?

Imagino que a maioria dos emigrantes como eu tenham feito a mesma pergunta a si próprios este ano - Vou ou não vou passar o Natal a Portugal? 

 

E ao fazermos essa pergunta, ouvimos as vozes na nossa cabeça conversar sobre o assunto. A primeira voz diz-nos - O Natal é para passar em família, e depois de tanto esforço que fizemos durante o ano, merecemos ao menos poder partilhar este momento com os nossos mais próximos. Se devemos abrir uma excepção ao longo de todo o ano, é esta a excepção a fazer. Eu não tenho o vírus, os meus familiares não estão com o vírus portanto, ao estarmos juntos não haverá problema de infecção. A não ser que apanhe o vírus a caminho de Portugal no voo cheio que vou apanhar. Mas isso será pouco provável, portanto o risco é pequeno.

E continua a segunda voz - Afinal passámos o ano inteiro a fazer inúmeros esforços para não ver a família e os amigos de forma a que todos ficássemos seguros e ajudar a evitar espalhar o vírus. Então, o que nos dá o direito de estragar todo o bem feito durante o ano e juntarmo-nos todos para levar a outro surjo de casos e consecutivamente o inevitável surjo de mortes? 

 

Continuei com este debate ao longo dos últimos meses. Tinha comprado o voo para passar o Natal em Lisboa já em Agosto, com as expectativas de que a situação talvez tivesse melhor nessa altura, mas esta semana que passou tive que tomar a decisão definitiva, e a decisão foi passar um Natal diferente longe da família. Não foi fácil, mas sei que me vou sentir melhor por tê-la tomado. Além de que, se fosse a Portugal, acho que ia passar o tempo a tentar distanciar-me dos meus pais o que seria muito estranho, portanto preferi evitar toda essa situação, e simplesmente continuar o ano como tem sido até agora - um ano mais solitário e estacionário do que qualquer outro. 

 

Os meus pais compreenderam perfeitamente quando lhes dei a notícia e acho, que de certa forma até estavam à espera que eu tomasse essa decisão. Sinceramente acredito que este vai ser o primeiro e último ano que vamos ter que tomar uma decisão destas porque com a vacina já a ser administrada, 2021 vai ser o ano da grande recuperação, e pelo Natal do próximo ano, já nos vamos poder voltar a abraçar sem remorsos, por isso vou esperar. 

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Como o segundo lockdown difere do primeiro

O país pode estar novamente em lockdown, mas a sensação deste lockdown 2.0, é certamente diferente do primeiro. Enquanto que no lockdown em Abril as pessoas ficavam a maior parte do tempo em casa, reservavam a sua via social a chamadas em video conferência, e tinham receio de apanhar o virus muito facilmente, neste lockdown todos parecem um pouco mais relaxados, até as pessoas que seguiram todas as regras rigidamente durante o primeiro lockdown.

Estive a pensar nas razões que podem estar a afectar esta diferença e cheguei à seguinte conclusão:

 

As regras são mais relaxadas - durante o primeiro lockdown, o pedido foi para ficarmos em casa, pura e claramente, e só sairmos no máximo uma vez ao dia para fazer exercício e ocasionalmente para irmos às compras. Desta vez o Governo está a tentar manter os empregos que possa manter activos, pelo que não existe a mesma exigência de se estar sempre em casa, e como tal, mesmo as pessoas que podem trabalhar de casa, estão a aproveitar para sair sempre que quizerem. 

 

As pessoas estão mais habituadas à ideia de viver numa pandemia - em Abril, este virús ainda era muito recente, conheciamos pouco dele, e a ideia de que se apanhava tão facilmente por tocar qualquer coisa, ou estar próximo de outra pessoa, afectou mesmo o comportamento dos indivíduos - Algumas pessoas paravam no corredor do supermercado à espera que outras escolhessem um produto, porque não queriam ter que passar junto a elas (eu deparei-me comigo própria a fazer isso por querer respeitar ao máximo a regra de 2 metros);  outras limpavam profundamente todas as compras do supermercado (eu também fiz isso até recentemente, e de vez em quando ainda faço). Claro que também se via agrupamentos de pessoas no parque nos dias solarengos, mas mesmo assim verificava-se um certo respeito das regras de forma geral. Neste lockdown, parece que as pessoas simplesmente se habituaram a viver numa pandemia, e que portam não estão tão cuidadosas. Todos andam com as suas máscaras, uma em cada mala ou casaco, para não se esquecerem delas, e todos os que podem trabalhar de casa estão a fazê-lo, mas aparte disso,... vê-se muito pouco de lockdown por Londres. Este fim-de-semana que foi solarengo, os parques estavam cheios, todas as ruas com lojas agradáveis onde existam cafés e restaurantes abertos para takeaway, tinham filas de metros; certas zonas no centro de Londres estava ao rubro, e não se via muito essa sensação de que as pessoas estavam a fazer um esforço para se desviar umas das outras, como faziam por altura de Abril. Mas todos querem aproveitar o seu fim-de-semana, e com certeza de que não saem de casa a pensar que querem ir para um ambiente cheio de pessoas, mas como todas pensam da mesma forma, é esse o resultado.

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Victoria Park no meio do lockdown a 22/11

A ideia de uma vacina para breve - já foi anunciado que foi encontrada uma vacina que tem probabilidade de oferecer um certo nível de segurança contra a prevenção do virús, o que levou a um certo optimismo da população, e muitos parece que ajem como se essa vacina já estivesse a ser distribuída. 

 

Encontramo-nos na altura de festas do ano - estamos na altura do ano reconhecida pelas suas festas - geralmente o mês de Novembro enche-se de festas de prémios profissionais, começam as festas de Natal, começam os encontros de grupos de amigos no pub para variadas celebrações natalícias e pub roasts. E como as pessoas já perderam todas as festas e animação de verão, não estão dispostas a perder também toda a animação da época Natalícia.

Nota-se uma atitude diferente, e o que imagino que vá acontecer se o Governo estender o lockdown para além do dia 2 de Dezembro, será que muitas pessoas simplesmente discordem com a situação e quebrem as regras. E o problema de fazerem isso é que, uma vez que quebrem regras maiores como essa (neste momento só estamos autorizados a escontrar-nos com um amigo fora de casa), será mais fácil às pessoas continuarem a quebrar regras após o Natal. E o Governo sabe disso, elo que deve querer evitar que isso aconteça. O que eu penso que vai acontecer é que, o lockdown não vai ser estendido depois de dia 2, ou se tiver que ser estendido será somente em certas partes do país onde os casos estejam mais significativos, o que não é o caso de Londres. Mas imagino que passemos à regra de 6, como o número máximo de pessoas com quem nos possamos encontrar em espaços ao ar-livre, excepto durante a semana do Natal onde nos poderemos encontrar dentro de casa para a celebração do Natal. Imagino que para o Ano Novo apenas voltem a ser permitidos encontros ao ar-livre para evitar grandes festas em casa. Dessa forma, também se está a ajudar os negócios durante o mês do ano em que tradicionalmente têm mais lucro, o que lhe poderá ajudar a compensar os custos que têm tido durante os meses de lockdown. Com isto tudo, quando chegarmos a Janeiro, possivelmente os casos vão novamente aumentar, e entramos novamente em lockdown. Não é a mais positiva, mas é a minha previsão para os próximos dois meses. Concordam com esta previsão?

Lockdown Parte II

E lá foi anunciado novamente! Mais uma vez vamos ter que entrar em lockdown. Em Portugal vai ser a partir de quarta-feira, e no Reino Unido vai ser a partir de quinta-feira. Novamente todos os pubs, restaurantes, cabeleireiros e lojas não essenciais vão voltar a fechar durante pelo menos um mês aqui pelo Reino Unido até dia 2 de Dezembro. 

 

Outra vez....

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Durante a tarde quando estavamos à espera do anúncio, os meus grupos de WhatsApp não paravam de falar sobre o assunto, e especular o tipo de lockdown. Quando eventualmente foi anunciado, já ninguém quiz dizer nada. Pararam os comentários porque de repente todos tivemos a realização de que isto vai mesmo acontecer novamente e vai ser intenso novamente. E desta vez estamos no inverno o que torna as coisas ainda piores porque nem vamos ter a possibilidade de ir passear todos os dias para apanhar sol. 

 

Eu própria sinto-me a ir a baixo um pouco com o anúncio. Eu sabia que era mais ou menos esse o anúncio que iria ser feito mas acho que ainda tinha esperança que não fosse tão restricto assim. Já vimos os efeitos negativos que o primeiro lockdown trouxe a tantas pessoas e negócios, mas OK, lá teve que ser. Neste momento, apesar dos casos estarem a aumentar, as mortes são consideravelmente mais baixas. Faz sentido voltar à mesma situação em que estavamos em Março e voltar a colocar tanta pressão no país novamente? Não sei. Não sei o que pensar de momento. A minha mente está a mil e como tudo acabou de acontecer ainda estou a assimilar a informação e ainda me custa acreditar que isto vai mesmo acontecer novamente. 

 

Este ano já tem sido um ano de nada, um ano sem viagens, sem festas, sem grandes agrupamentos de amigos, um ano de muita calma e de certa monotonia. Mas ao menos estavamos numa fase em que nos podiamos encontrar com o amigo ocasional, ir a restaurantes, ir ao pub. Agora não podemos fazer nada disso novamente? Peço desculpa pela negatividade do post de hoje, mas custam-me estas notícias. E notícias essas oferecidas também na noite de Halloween. Muito oportunas para o tema da noite. 

 

Eu sei que vou ter que aceitar e ter que me habituar porque não há nada que possa fazer contra, mas hoje estou chateada. Tenho o direito de estar chateada com estas notícias, e é assim mesmo que vou ficar para já. Preciso deitar para fora este sentimento. Não concordo, não gosto, não quero, e tenho o direito de discordar.

As novas restrições Covid até às 22h

A partir do dia 24 de Setembro que o Governo Britânico lançou novas regras aplicáveis a todos os restaurantes, bares e pubs - têm que encerrar às 10h da noite. A razão? O número de casos Covid tem aumentado exponencialmente e com esta nova regra estão a tentar reduzir o número de horas de actividades sociais e reduzir o tempo em que as pessoas passam a consumir alcóol, porque quando o alcóol está presente, esquecem-se as regras de distanciamento mais facilmente. 

 

O resultado? As ruas e os transportes públicos estão cheios ao bater das 22h, principalmente às sextas e sábados à noite. Não sei o quanto é que ajuda a redução das horas de operação dos estabelecimentos em comparação com um metro ou autocarro cheio de gente à mesma hora. Ao menos podiam ter separado um pouco os horários, e por exemplo fechar os pubs pelas 22h, mas os restaurantes só fechavam pelas 22:30h, para distribuir as pessoas um pouco mais e escolher o estabelecimento em que se come como o último a fechar. Mas não, fecha tudo ao mesmo horário, logo vai tudo para casa ao mesmo tempo que é para se misturar tudo muito bem nos ambientes fechados dos transportes públicos. Que bela ideia Senhor Boris  

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Fonte: AFP via Getty Images

Agora a última regra foi lançada ontem - que permite definir diferentes zonas do país pelo seu estado de gravidade de casos como zonas de perigo médio, elevado ou muito elevado. As zonas de perigo médio representam a maioria do país, e as regras aí mantêm-se com o facto destes estabelecimentos mencionados fecharem às 22h e poder haver um máximo de 6 pessoas num grupo. 

 

Para zonas de perigo elevado, vão também deixar de permitir haver encontros de pessoas de casas diferentes em locais fechados mas continuam a ser permitidos encontros de 6 pessoas em jardins privados. 

 

Para zonas de perigo muito elevado, os grupos de 6 pessoas apenas vão ser permitidos em lugares exteriores públicos como parques, os pubs e bares são obrigados a fechar a não ser que sirvam refeições, mas nesse caso, só será permitido o consumo de alcóol com as refeições. 

 

Ao menos as nova regras sempre ajudam um pouco a manter a actividade nas zonas menos afectadas, enquanto que aquelas com maior perigo tentam tomar medidas mais restritas para tentar evitar a transmissão. Mas essas regras são suficientes? Deviamos todos ter que andar com máscara na rua? Deviamos todos entrar já em lockdown novamente? Não me parece que essas duas últimas medidas sejam efectivas o suficiente, baseada no que se viu noutros países que foram super restritos com exigência de máscara em todo o lado, e mesmo assim os casos também lá estão a aumentar significativamente como é o caso de Espanha.  Quanto a um lockdown? Isso afecta tantas mas tantas pessoas de tão variadas formas quer a nível profissional, económico ou de saúde mental, que também não me parece que seja a solução ideal. 

 

O melhor para já, quaisquer que sejam as regras, talvez seja mesmo tentarmos todos evitar esse contacto social próximo ao máximo possível para conseguirmos manter a sociedade que temos no momento e continuar a viver com este virus até se encontrar uma vacina ou uma forma de teste regular, eficiente e rápida para todos. Quanto tempo vai demorar ninguém sabe ao certo mas só espero que a situação não continue a piorar como se prevê. 

 

A primeira semana no escritório

Nesta semana que passou, fui pela primeira vez ao escritório da nova empresa. Apenas eu e mais dois colegas temos a 'permissão' para trabalhar do escritório por termos pedido especificamente que queriamos trabalhar de lá. Eu, e mais outra colega que começou ainda à menos tempo que eu,  queriamos ter a oportunidade de conhecer colegas e ter um espaço de trabalho mais comfortável. No entanto, ainda não a cheguei a conhecer porque ela foi alertada no esquema de 'track & trace' de que frequentou o mesmo pub que uma pessoa que foi encontrada com Covid, e portanto, tem que se isolar durante duas semanas. 

 

Conheci, no entanto, o outro colega que também pediu para trabalhar do escritório, e ele falou-me um pouco mais do que tem acontecido na empresa nos últimos meses, falou-me dos hábitos que eles tinham, o que ajudou a perceber melhor um pouco da cultura de empresa, etc. 

 

Gostei bastante de poder conhecer o meu primeiro colega em pessoa, e gostei também de ficar a conhecer o escritório. Fica localizado no lado sul de Londres, pelo que sempre que vou para lá, vou ter que atravessar uma das pontes de bicicleta, e portanto apreciar aquela paisagem das margens do rio Tamisa, que nunca me canso de ver. Também ainda nunca tinha estado a trabalhar naquela zona, pelo que ainda tenho muito que conhecer por lá, e tenho aproveitado a hora de almoço para andar à descoberta. 

 

Não pretendo ir ao escritório todos os dias, até porque estar num escritório vazio também não é ideal, mas pretendo continuar a ir pelo menos dois dias por semana. Sabe bem ter mais espaço de mesa, o segundo ecrã, e o ar-condicionado, que o meu apartamento fica quente demais durante a tarde quando o sol bate na janela. E além do mais, simplesmente gosto da mudança de cenário. 

 

Para a maioria dos outros colegas, parece que o escritório só vai mesmo abrir a partir de Janeiro, e nessa altura é que vamos começar a fazer rotação entre todos para se conseguir manter algumas mesas vazias de forma a haver distanciamento entre colegas. Mas até lá, vamos ser só os três num escritório de 40 pessoas. É um pouco estranho, mas é a nova situação que temos, por isso há que adaptar. 

 

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P. S. - Ah e eu tinha prometido que diria aqui se a minha nova técnica para encontrar tempo foi sucedida, e de facto foi. Pelo menos por este primeira vez consegui dedicar o tempo que queria ao meu projecto de escrita, pelo que agora há que continuar e já tenho o próximo período de tempo marcado na agenda também. 

Ir de férias em 2020

Hoje finalmente o Reino Unido adicionou Portugal à lista de países permitidos para onde se viajar sem ser necessário fazer quarentena na volta. Estava a achar estranho estar a demorar tanto tempo sendo que os casos no país só têm estado a diminuir durante as últimas semanas. Com certeza que esta decisão estava a ser muito mal recebida por muitas pessoas que estavam a contar viajar para Portugal e para outras tantas que talvez tenham ido de qualquer forma, e depois tiveram que ficar de quarentena durante duas semanas. Mas ao menos, agora já temos o acordo estabelecido. O que não sei é se já não será tarde demais para que quem quisesse lá ir passar férias ainda o possa fazer. 

 

O que esta situação toda da quarentena fez foi com que a maioria dos Britânicos que quiseram viajar este ano, fizeram-no para a Grécia. Sinceramente acho que já não dou conta de quantos conhecidos meus foram para lá. Quase todas as semanas ouço falar de alguma outra pessoa que foi passar férias à Grécia. Também não é muito surpreendente sendo que o número de países Europeus no sul da Europa com sol mais garantido estava quase tudo sem acordo aéreo com o Reino Unido. 

 

Mas independentemente do destino, o que esta situação toda me faz pensar é se vale mesmo a pena ir de férias para for este ano? Nós acabámos por decidir a ficar pelo Reino Unido e, por esta altura nem sei se vou conseguir fazer um fim-de-semana prolongado por Portugal visto que já tenho planos para os próximos fins-de-semana até ao final do verão. 

 

Eu já me sinto mais relaxada relativamente ao dia-a-dia actual de viver num mundo em que existe o constante perigo do vírus, mas mesmo assim, a situação actual não me faz nada querer viajar. Só a ideia de ter que estar de máscara durante um voo inteiro faz-me um bocado de aflição. Até viajar de comboio com máscara é uma chatice que, apesar de ter feito já algumas viagens de comboio, tenho optado por ir a locais próximos de Londres para não ter que estar muito tempo naquela viagem. 

 

Para já as nossas férias de verão basearam-se num fim-de-semana prolongado numa casa de campo em Hampshire com alguns amigos. Foi óptimo, soube mesmo bem, e conseguiu satisfazer muito daquilo que eu tinha falta durante o período do lockdown. Aparte disso, ainda temos mais uns dois fins-de-semana planeados em viajar por Inglaterra, e acho que nos vamos mesmo só dedicar a isso este ano. OK, também comecei agora um emprego novo por isso também não convém tirar muitas férias, mas mesmo que não fosse esse o caso, acho que também iamos querer ficar por cá. Ir para fora, cá dentro (tal como diria o anúncio do Turismo de Portugal, mas desta, estou a aplica-lo mesmo para o Reino Unido). 

 

Viajar para fora nesta situação actual também tem o risco de que, a qualquer momento, o governo Britânico pode decidir mudar as regras, e lá vão ter todas as pessoas que estão no dito país no momento, que ficar de quarentena na volta, que foi o que aconteceu com uns amigos que estavam de férias em Espanha quando o governo anunciou a necessidade de se fazer quarentena novamente ao voltarem de Espanha. 

 

A vantagem com esta situação de passar férias cá dentro, é que este ano a temperatura até que está boa por Inglaterra, por isso ao menos as milhares de pessoas que, como eu, também decidiram passar férias no país, até que se conseguem bronzear um bocadinho. E o Reino Unido também tem tantos locais tão interessantes para visitar, até acho que está a ser uma boa oportunidade para passear mais por cá do que o que normalmente faço.

 

Agora a parte mais chata de tanta gente ter a mesma ideia de ficar pelo Reino Unido é que, conseguir encontrar um alojamento bom a bom preço disponível, é quase impossível. Está tudo cheio, desde o parque de campismo ao hotel de 5 estrelas. Mas ao menos, também é uma boa forma para a indústria de turismo poder recuperar um pouco com os turistas nacionais. 

 

Estou curiosa - o que é que vocês têm feito em termos de férias - têm ido para fora ou preferido ficar mesmo pelo vosso país? 

 

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Houghton, Hampshire, Agosto 2020

Comer fora para ajudar a economia #EatOutToHelpOut

A partir de amanhã, e de segunda a quarta-feira, durante o mês de Agosto, o governo está a patrocionar o esquema 'Eat Out To Help Out', uma iniciativa para levar mais pessoas a comer em restaurantes ao proporcionar 50% de desconto na comida, até ao desconto total de £10 por pessoa. Desde que os restaurantes abriram, têm visto muitas menos pessoas passar pelas suas portas do que em tempos anteriores à pandemia, e isso está a ser preocupante para se conseguir manter a sobrevivência de muitos restaurantes. O esquema está disponível pelo Reino Unido e, para encontrar os restaurantes participantes mais próximos da vossa zona de residência, podem pesquisá-los a partir do site oficial do Governo

 

Este esquema, no entanto, tem encontrado muitas opiniões divergentes, e se estiverem interessados para ler as grandes discussões sobre o assunto, basta pesquisar por #EatOutToHelpOut no Twitter.

 

Porque é que as pessoas não estão contentes por receber 50% de desconto em restaurantes? Existem duas razões principais:

  • Ao encorajar as pessoas a ir comer em restaurantes, estão a encorajar à socialização e, consequentemente, á possibilidade de distribuição do Covid19.
  • Anunciaram este esquema na mesma semana em que anunciaram outro esquema em que estão a encorajar as pessoas a viver uma vida mais saudável para reduzir os níveis de obesidade, mas no esquema #EatOutToHelpOut, restaurantes de takeaway como o MacDonald's também estão no esquema, e como tal, surgem dois interesses contraditórios.

Quanto à primeira razão, devo dizer que já comi fora desde que os restaurantes abriram e, pelo menos nos locais onde fui, não me senti em risco de contrair o virús por outra pessoa que lá estivesse. Primeiro porque fui a locais muito espaçosos ou com terraço, mas principalmente porque os restaurantes tinham medidas de distanciamento, pelo que teria sido muito difícil essa transmição. Como tal, a não ser que os restaurantes em que decidam ir, não tenham quaisquer medidas de precaução estabelecidas, em princípio, não estarão a fomentar a contaminação. 

 

Quanto à segunda razão, já concordo mais com os comentários negativos porque, o Governo simplesmente não devia ter deixado qualquer estabelecimento tomar partido desta iniciativa. Acho que faz sentido proporcionar este esquema principalmente a restaurantes e cafés independentes que se encontrem mais em risco de sobrevivência do que propriamente a restaurantes de cadeia que têm imenso investimento e recursos para sobreviver, principalmente quando esses restaurantes vendem comida contrária a uma outra iniciativa que o Governo lança em simultâneo, como foi o caso. No entanto, também percebo que esses restaurantes de cadeia também enpregam muitas pessoas, e que o Governo está a tentar reduzir o número de negócios falhados e, consequentemente reduzir o número de desempregados. Se bem que o MacDonald's provavelmente não precisa de incentivos de desconto. 

 

De qualquer forma, devo dizer que fiquei muito satisfeita por ver a variedade de restaurantes e cafés que encontrei no esquema e sem dúvida que vou querer aproveitar o desconto para ir a restaurantes independentes da minha zona. 

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Fonte da foto: Maybe Tech