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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

O mistério da maternidade

Neste momento estou sentada num avião e ao meu lado estão uma mãe e filha com cerca de 3 anos. Estamos num voo para Boston por isso, quando me apercebi que a minha companheira de voo seria uma criança de 3 anos ate fiquei com receio das próximas 6h e meia que tinha pela frente. No entanto, a cada birra que a filha faz, a mãe até agora, tem conseguido acalmá-la. Devo dizer que, numa escala de mal comportamento, até que a criança, tem-se demonstrado relativamente bem comportada, tipo a nível 4 numa escala de 10, mas não deixa de querer sempre mais qualquer coisa - ou tem fome, ou quer ajuda para encontrar o desenho-animado no iPad, ou quer mudar de lugar, ou deita o copo cheio de água cair para o chão,…

 

Enquanto isso, o pai e a filha mais velha com cerca de 9 ou 10 anos e, portanto, muito mais calma e bem comportada, estão sentados nos lugares imediatamente à frente. Claro que a mãe é que fica com a filhota mais nova e menos bem comportada. Não sei bem porque é assim, mas parece ser uma situação geral quando vejo famílias viajar. Será que os próprios pais estão a dizer com isso que não sabem como lidar com crianças mais excitadas no voo? Ou será que são as mães que não conseguem deixar a criança mais pequena e pensar que essa é a criança que precisa mais delas?

 

Tenho que admitir que devido aos acontecimentos ao meu lado durante a viagem até agora (estamos a cerca de meio do voo), que já passei por várias fases de sentimentos – primeiro estava chateada por ter uma criança ao lado que a mãe não parava de dizer para estar quieta. Depois senti-me satisfeita por estar na minha situação actual – sem crianças, numa viagem de trabalho para Boston, que ate já não me importei nada de ter que estar a trabalhar durante parte do voo, visto que preferia muito mais esta situação, do que a situação em que esta mãe está. Mas a minha terceira fase de sentimento foi de pena desta mãe. Pena quando a filha da frente, de repente decide inclinar as costas da cadeira enquanto a mãe ainda estava com um copo de café cheio, que o fez cair ao chão, e ela ficar com as calcas todas sujas de café quente. O marido só lhe deu um guardanapito com que se limpar, e quando a mãe confrontou a filha com a situação, a filha respondeu “how is that my fault?”, como se não fosse nada com ela. Eu também não tinha nada com que a pudesse ajudar para limpar o café das calças, o que me fez sentir mal, principalmente quando vi o ar com que aquela mãe ficou, que nem era bem de tristeza, mas mais de vazio e cansaço.

 

Sinceramente, por exemplos como estes, parece-me incrivelmente difícil ser mãe! Não consigo bem imaginar como seria ter que passar por isto o tempo todo? Constantemente a dizer para a criança parar, constantemente a ser vítima dos desvaneios das crianças,... Deve ser preciso ser uma super mulher que está acima de tudo isto e que consegue ter imensa paciência para conseguir viver de uma forma saudável, porque senão como é que fazem? Ao mesmo tempo que escrevo esta pergunta, verifico o quanto parva esta questão é. As mulheres têm sido mães desde o início da nossa civilização, e continuam a repetir e a ter mais do que um filho, por isso, a experiência não pode ser má. Mas parece ser má.

 

É  impossível saber ao certo como a criança vai nascer. Umas são muito calminhas, outras crianças são uns terrores. E o facto de serem um anjinho ou um terror não tem muito ou nada a haver com a educação ao início, mas simplesmente com a personalidade da criança. Ao passar dos primeiros anos, claro que a educação irá influenciar muito, mas mesmo assim, há sempre uma certa inquietação nas crianças que só pára com o passar dos anos. Mas são muitos anos até a criança ser uma adulta e ter uma relação de adultos com os pais. E até lá, como se faz? Vive-se anos e anos da vida a mandar outro ser humano comportar-se. Esta situação da maternidade continua a ser um mistério para mim, que não consigo bem perceber. E não quero dizer com isso que nunca vou querer ter filhos, porque nunca digo nunca, e não sei o que o dia de amanhã me reserva. Por vezes o interesse da maternidade pode mudar muito com mudanças pessoais, como sei que aconteceu com mulheres amigas que diziam não ter interesse em ser mães, e entretanto já vão na segunda gravidez. No entanto, se me perguntassem hoje se preferia continuar com a vida que tenho e poder fazer aquilo que quero, ter controlo sobre o meu horário, sobre os meus hobbies, sobre as minhas viagens, sobre as minhas noitadas, os meus longos passeios, ou ficar grávida amanhã…, eu sei bem aquilo que ía escolher.

 

E já que a viagem foi a Boston, fica uma foto das docas

boston-docks.JPG

Seaport, Boston 

 

Nota: Post escrito durante o voo para Boston, mas publicado só na volta

2 comentários

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    Tuga em Londres 20.08.2018

    Seria egoísta, se eu tivesse uma criança e a deixasse nos cuidados de outra pessoa frequentemente para eu me ir divertir. Como não tenho, como é que tal razão para não ter filhos é egoísta? A grande maioria da população quer e vai ter filhos. Não é que tivéssemos com um problema de pouca população, e que a minha decisão de talvez não vir a ter filhos fosse influenciar mais alguém para além de eu mesma (e aqui apenas falo por mim, sem haver influência do interesse de um possível pai, por isso tal não está em questão). Acho maravilhoso quem tem uma relação como a que falou com os filhos e espero que se algum dia os vier a ter também partilhe de uma relação e sentimentos semelhantes. Neste momento não tenho por isso quiz publicar o post exactamente para perceber as opiniões de outras pessoas, e se sou uma ave rara ou se outras pessoas se debatem com a mesma questão
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