Neste sábado que passou fez 10 anos que me mudei permanentemente para Londres. Já cá tinha vivido durante 5 meses como estudante Erasmus no ano anterior, mas foi a 5 de Setembro de 2005 que, depois de uma primeira semana de treino em Munique para o meu primeiro emprego, me mudei permanentemente para Londres. Na altura não sabia que a estadia se ía prolongar tanto, mas também não tinha qualquer intenção de que fosse uma estadia curta. Como tenho dito ao longo destes 10 anos, cada vez que me perguntam se vou ficar - "para já é aqui que quero viver. No futuro logo se vê se pretendo viver noutro local."
Penso no passado muito pouco, mas, provavelmente devido à ocasião, este fim-de-semana, acabei por lembrar-me bastante dos diferentes acontecimentos que foram decorrendo ao longo destes 10 anos - os altos e baixos, os amigos que fiz, as viagens e passeios, os diferentes empregos que tive, os amores que não ficaram, as zonas de Londres por onde vivi, a forma como evolui e me transformei numa pessoa diferente daquela jovem tímida que vivia nos arredores de Lisboa à mais de 10 anos atrás.
AS CASAS
10 anos, 8 casas, 7 localizações
Vivi as minhas primeiras semanas em Tower Hill em casa de um amigo de Erasmus. Como o seu contrato estava a acabar, decidimos procurar casa juntos com mais uma Austriaca e vivi com eles na minha primeira residência permanente em Camberwell durante 1 ano até o senhorio vender o apartamento.
Mudei-me depois uns metros à frente, mais próximo da estação de Oval, para uma casa com 5 quartos onde vivi por cerca de ano e meio. Ali fizemos muitas e boas festas, até que as coisas começaram a correr mal com o tal amigo Austriaco de Erasmus e quiz procurar nova casa para morar.
Lá consegui encontrar quarto num apartamento em Clapham Common mas estava a viver com uma Inglesa com quem era extremamente difícil de viver e, apenas fiquei por lá 3 meses porque não queria estar a viver em condições tão desconfortáveis.
Conheci o meu flatmate Português, com quem vivo até hoje quando me mudei para o novo apartamento em Brixton. Vivemos ali cerca de 2 anos até que o senhorio vendeu.
Ao contrário do que eu queria e esperava ao fim de mais de 5 anos a viver no sul de Londres, encontrámos novo apartamento no Norte de Londres, em Stoke Newington. Foi uma das melhores mudanças que fiz porque essa mudança também trouxe um novo grupo de amigos que adoro.
Ao fim de ano e meio a senhoria decide vender o apartamento e lá temos que mudar outra vez. Essa procura foi muito difícil mas lá encontrámos um apartamento em Dalston à última da hora. Não gostámos do novo apartamento e só lá ficámos 3 meses.
Tivemos a oportunidade de ir morar para uma casa um pouco mais a sul onde duas amigas moravam e íam sair. Já passaram 2 anos e 2 meses e por lá continuo. Agora espero que só saia daqui quando fôr para comprar o meu apartamento. Já estou farta de tanta mudança.
Ao contrário do que pensei algumas vezes, o local onde vivo é mesmo importante para o meu bem-estar geral, por isso sou apologista de não entrarem em contratos de arrendamento de longo prazo sem uma claúsula de "escape" porque só mesmo quando lá se vive é que se sabe se se vão sentir bem.
O EMPREGO
10 anos, 8 empregos, 6 títulos
Comecei num "international graduates scheme" para uma grande empresa, mas o programa deles não incluía experiência em marketing. Não gostei e senti que não estava a fazer um bom trabalho. Saí.
Mudei para vendas porque tinham o trabalho anunciado como "field marketing". De marketing não tinha nada. Passei o inverno a andar kilómetros todos os dias a vender de porta em porta linhas telefónicas baratas para as lojas. Um dia não aguentei mais e despedi-me.
A meu envio incessante de CVs resultou numa entrevista para uma agência de marketing. O candidato que fizesse o melhor plano de marketing para um dos seus serviços, ficava com o emprego - consegui e tive o meu primeiro emprego como 'Marketing Assistant'.
Essa empresa foi comprada por um grupo de empresas e mudei-me para a sua empresa de construção como 'Marketing Executive'.
Passados 2 anos mudei para outra empresa do grupo de processamento de pagamentos, novamente como 'Marketing Executive'.
Passados mais 2 anos, chegou a fase da crise, essa empresa foi à falência e fiquei desempregada durante umas 2 semanas.
Encontrei novo emprego como 'Marketing Manager - EMEA & APAC' para uma empresa de tecnologia e por lá fiquei durante 4 anos, até ter a infelicidade de ter que lidar com uma chefe péssima.
Mudei então para outra empresa de tecnologia como 'Marketing Manager - EMEA' até ter sido despedida devido a cortes de custos.
Ao fim destes 10 anos sou agora 'Senior Marketing Manager - EMEA' para uma empresa de tecnologia que, ao fim dos primeiros 2 meses no novo emprego, estou a gostar bastante.
Nunca é fácil encontrar novo emprego, principalmente no início quando não se tem experiência e todos os anúncios pedem por ela. Demorei 8 meses a encontrar o emprego certo que me lançou na carreira de marketing que pretendia, mas o importante é que não desisti. Sabia o que queria, e tentei não perder muito tempo nos trabalhos "errados" por isso insisti, insisti, insisti, até dar.
Através da experiência ao longo destes anos algumas das lições importantes que aprendi foi para nunca desistir dos meus objectivos; a ser confiante mesmo quando tudo parece estar contra nós; a nunca julgar alguém pelo seu emprego; e a não tratar ninguém de forma diferente independentemente do cargo que ocupam do executivo ao empregado das limpezas.
OS AMIGOS
Vieram e foram ao longo dos anos. Uma das situações comuns entre pessoas que são novas numa cidade ou país é que tendem a fazer amizade com outras pessoas que também estão nessa cidade há pouco tempo. São essas as pessoas que procuram estabilizar-se e fazer novos amigos, mas também são eles que mais rapidamente vão mudar de opinião acerca da nova cidade e ou voltar para o país de origem ou procurar outra localidade. Assim foi com os meus amigos também. Do primeiro grupo de amigos próximo que fiz, a grande maioria já não vive em Londres. Cada vez que os mais próximos se vão embora ficava com aquela sensação de vazio. - "E agora, quem é que vou poder convidar para ir sair expontaneamente?" - Tive que recomeçar amizades de raiz várias vezes, mas com o passar dos anos, aquelas pessoas que são estrangeiras e que também ficam por cá, já passaram a fase da dúvida, e são mais prováveis a manterem-se por cá. Com os anos também se começam a criar amizades mais facilmente com outros que sejam ou originários de cá ou que já cá criaram raízes.
Ao fim das primeiras vezes que "perdi" amigos locais devido a mudanças, aprendi a não parar de tentar conhecer pessoas novas. Assim, fui criando uma rede de diferentes grupos de amigos e, hoje em dia, se alguns tomarem a decisão de irem, já não me vou sentir sozinha.
OS AMORES
Nunca desejei a vida convencional - estudar, trabalhar, casar, ter filhos - e a minha mudança para Londres fez exactamente com que não tivesse essa vida e que aproveitasse com uma variedade de experiências pelas quais, em Lisboa não teria sido possível passar. Mas no que se trata de amor, Londres torna-se um bocado vingativa, porque o facto de haver tantas pessoas nesta cidade, também faz com que todos sejam muito mais selectivos ou muito mais interessados em experimentar estar com diferentes personalidades para perceberem bem o que gostam e não gostam antes de optarem por aquela que é mesmo ideal.
Queixo-me mas não me posso queixar porque também caí na mesma armadilha de pensar assim. Quebrei corações assim como mo quebraram a mim. Alguns marcaram mais que outros mas o facto é que entre aqueles que me marcaram nos últimos 10 anos - 4 namorados (o Britânico de origem Cipriota e Polaca, o Inglês, o Irlandês e o outro Irlandês) e outros que nunca o chegaram a ser - por uma razão ou outra não foram a pessoa ideal.
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Olhando para estes 10 anos, considero que o balanço foi sem dúvida positivo. Posso ainda não ter o cargo, a casa e o namorado que imaginava que teria ao fim de 10 anos, mas tive muitas experiências e coisas boas que valeram muito a pena e compensaram eventuais pontos menos positivos.
Se vou ficar por cá mais 10 anos? O que penso que vai acontecer? - Não sei. - Passem aqui pelo blog em inícios de Setembro de 2025. Se eu ainda estiver por Londres, eu digo o que aconteceu por cá.
Ontem à noite fui ao meu primeiro evento do Yelp. Para quem não conhece, o Yelp é um site que permite aos seus utilizadores encontrar e dar a sua opinião sobre os mais variados estabelecimentos, principalmente bares, cafés, restaurantes e outros. Como sabem eu sou uma grande fã de conhecer novos sítios tais como cafés onde poder escrever os posts do Tuga em Londres , locais para um bom brunch, etc. Como tal, muitas vezes utilizo a Internet para encontrar estas pérolas, e muitas vezes o site da Yelp é que me tem ajudado. Como o utilizo tantas vezes para ler opiniões de diferentes pessoas, recentemente decidi fazer o download da aplicação e começar a dar a minha opinião também.
Ao estar inscrita como membro, começo a receber também convites para alguns dos muitos eventos organizados pelo Yelp. Como ainda escrevi sobre poucos locais ainda não adquiri o certificado de Yelp Elite, que é oferecido a todos os que escrevem frequentemente para o site, ajudando a comunidade. Esses membros têm várias vantagens tais como ser convidados para muitos mais eventos, tais como quando um novo bar ou restaurante abre e pretende que os membros do Yelp escrevam sobre o mesmo para ajudar a publicitar o estabelecimento. Estes membros elite são então convidados para ir experimentar a sua comida e bebida gratuitamente para depois poderem escrever sobre o mesmo. No entanto, mesmo assim ocasionalmente o Yelp organiza eventos abertos a todos os membros e ontem foi o caso disso.
O evento era intitulado "Mad Scientist Soiree" e contou com uma grande variedade de estabelecimentos a dar a provar muita comida e bebida. Isso incluíu ter uma classe para aprender a fazer sushi, provar gelado de rum, cocktails, outros gelados, snacks originais, cupcakes e outros bolos, tinham também um zona de jogos de casino, uma zona para tirar fotografia profissional e muito mais. A diversidade foi grande e o único requerimento para podermos ir ao evento, para além de termos que ser membros do site foi ter que ir mascarado de cientista maluco, alusivo ao nome do evento. Assim sendo só se via uma grande quantidade de pessoas vestidas com as suas batas brancas e óculinhos.
A noite foi muito gira, ainda trouxe uma quantidade de snacks para casa e foi tudo gratuito. Agora fiquei com vontade de rever estabelecimentos no site mais frequentemente para poder ir a mais eventos semelhantes. Além disso, sengundo amigos meus que já são membros à muito tempo, eles fizeram vários amigos em Londres através dos eventos Elite do Yelp porque encontram-se muitas vezes com as mesmas pessoas e começam assim a criar amizades.
Para quem estiver interessado pode também ver a lista de eventos que eles têm em Londres aqui. Se morarem em Portugal, também existe uma comunidade em Lisboa que faz eventos ocasionalmente. No Porto também já andam a fazer revisões mas parece-me que ainda nāo existem eventos.
Com a vinda de novos Portugueses para Londres muitos de vocês têm-me perguntado se sei de grupos de Portugueses que possam passar a frequentar ou associações, cafés, etc. Passo aqui a dizer o que costumo dizer em resposta a esses emails - se vocês vieram para Londres, não procurem fazer amigos apenas entre a comunidade Portuguesa e deixem alargar o vosso horizonte para pessoas de outros países também. Londres é perfeita para isso e só assim se conseguem integrar melhor, para além de ajudar na aprendizagem do Inglês e das expressões Britânicas que não se aprendem na escola. Claro que não deixa de ser importante conhecer também outros Portugueses e podem, por exemplo fazê-lo ao organizar os vossos próprios eventos tais como ver um jogo de futebol no Café Estrela, ir a um restaurante Tuga para matar saudades, tomar um café como deve de ser na Patisserie Lisboa ou o que quer que seja e, podem comunicar o evento que queiram organizar no grupo que criei no Facebook intitulado Eventos Tugas em Londres. Este grupo precisa da vossa colaboração e iniciative de organização para ser mais activo.
No entanto se quizerem seguir o meu conselho e começar a conhecer novas pessoas das mais variadas nacionalidades, podem juntar-se a sites tais como o Internations. Existem outros de que também já aqui falei no blog tais como o Meetup.com, mas gosto do conceito do Internations porque foi criado com mente em ajudar os expatriados a fazer contactos. Ou seja, isso significa que os seus eventos atraem muitas pessoas que também são novas na cidade e que pretendem fazer novos contactos e novas amizades. Os eventos são também muito variados, desde bebidas após o trabalho para encontros de interesses de grupos, sendo que um deles é o grupo Internations London Portuguese Culture, portanto até aí conseguem também fazer amigos Portugueses se quizerem. Ao olhar agora para esse grupo parece-me até ser bastante activo já que teve um encontro no passado dia 15 de Novembro e vai ter outro 'intitulado de 'Portuguese Christmas Lunch' no dia 14 de Dezembro.
O Internations tem eventos gratuitos e outros pagos, mas se se tornarem membros basta pagarem £4.95 ao mês e assim já não precisam de pagar por nenhum dos eventos e costumam ter uma bebida gratuita em muitos deles. Sendo que um copo de vinho costuma custar pelo menos £4 - £4.50, não parece um mau negócio.
Ficam as dicas e espero que este tipo de sites venham a ser úteis para quem é novo por cá ou para quem simplesmente quer conhecer mais pessoas por Londres.
Neste momento estou chateada e preciso de desabafar. Acho que escrever sobre o assunto também me vai ajudar a pensar melhor sobre isto e talvez ajude a ter outra perspectiva das coisas.
Durante os últimos 6 dias estive de férias em Portugal. Foi lá ter comigo uma amiga de Londres que ficou lá em casa dos meus pais durante os últimos 5 dias. Fartamo-nos de passear para ela ficar a conhecer Lisboa, Sintra, Cascais e afins e os dias passaram-se bem e rapidamente. A viagem de volta estava marcada para hoje e, quando eu estava a fazer o meu check-in, o rapaz que me atendeu disse-me que o voo estava overbooking, e perguntou-me se eu me queria voluntarizar para ficar em terra caso, efectivamente houvessem pessoas a mais no voo. Em troca teria direito a receber cerca de €400 em dinheiro, uma estadia num hotel e lugar num voo às 11h de amanhã. Eu pensei um bocadinho no assunto, principalmente por causa do trabalho, mas achei que não seria problemático trabalhar só meio dia amanhã e assim sempre podia passar mais uma noite calma com os meus pais e ficava com aquele dinheiro extra que claro que seria bem vindo, portanto voluntarizei-me a ficar em terra.
Quando me volto a encontrar com a minha amiga depois do check-in, já que o fizemos separadas, conto-lhe o sucedido e ela fica toda entusiasmada com o assunto e diz que também quer voluntariar-se e pede-me para irmos lá perguntar ao rapaz se é possível que ela também fique na lista caso haja outro segundo lugar extra necessário vagar. A minha primeira reacção foi pensar que preferia ficar essa noite só com a família, caso efectivamente acontecesse, mas como ela estava tão entusiasmada com a ideia, e havia a hipótese de receber aquele dinheiro também, claro que fui lá com ela novamente ao check-in perguntar se precisavam de mais outra voluntária. Ele disse que talvez já não fosse preciso outra pessoa, mas colocou-a na lista de voluntariados de qualquer forma pelo sim, pelo não.
Ao chegar à porta de embarque, quando eu passo, não me pedem para ficar, mas a ela pediram. Depois quando lhes dizemos que estamos juntas eles informam-nos que só vão precisar que uma pessoa fique em terra. Eu olho para ela e vi logo que ela queria ficar, ao que eu fico meio estufacta, porque, tudo bem que calhou ter sido a ela que perguntaram, mas ela apenas estava na lista porque eu tinha estado primeiro, e ela tinha dito que queria ficar comigo se eu ficasse. Ela perguntou-me o que eu achava, ao que eu respondi que eu gostava de ficar. Mas ela não ficou satisfeita e sugerio então atirarmos uma moeda ao ar para ver quem ficava.
Eu mal queria acreditar que ela me estava a sugerir isso, porque para mim a situação era mais que lógica. Se a situação fosse invertida eu sei que não precisava de pensar duas vezes quem é que ía ficar em terra, e claro que diria para ela ficar. Mas ela vai-me pedir para jogar cara ou coroa, como se fosse igualmente justo que qualquer uma de nós ficasse em terra. Mas também não me quiz chatear. Aceitei atirar a moeda e perdi. Disse-lhe adeus e fui para o avião. Mas saíi dali mesmo com uma sensação de ter sido injustiçada, e ainda não me passou.
Geralmente sou aquela pessoa que tenta sempre ver o lado das outras pessoas, tentar apaziguar zangas e tenta perceber as duas partes. Mas desta vez sincerimente ainda não consegui encontrar um ponto de equilíbrio nesta situação e ainda estou chateada com o acontecimento. Então eu é que tinha sido convidada a ser voluntária, depois volto lá com ela porque ela também queria ficar caso houvesse um segundo lugar, e como calhou que a rapariga do embarque lhe pediu a ela, vai-se aproveitar da situação para ir ela e não me dá o lugar mim que estava primeiro? A rapariga da porta de embarque não sabe quem estava primeiro, mas nós sabíamos.
Eu estava a tentar compreender porque é que estou assim tão chateada com ela, mas cheguei à conclusão que nem é pelo facto de não ter tido a noite extra em Lisboa nem o dinheiro de compensação, mas sim a atitude que ela tomou. Eu tenho a certeza que nunca tomaria essa atitude no lugar dela. Nem tal me passaria pela cabeça. Porque é que não foi assim com ela. Ganância? Ela pensou como amiga ou pensou nela própria? Ou sou eu que estou a exagerar e qualquer outra pessoa no lugar dela teria feito o mesmo que ela fez?
Tenho andado ausente do blog na última semana e meia, que não tenho parado. Andei a fazer um curso e o exame foi ontem, por isso os meus últimos dias têm sido passados trabalho-estudar-dormir-trabalhar-estudar-.... Agora está feito. Não sei se está bem feito ainda mas ao menos para já o stress parou e posso-me concentrar noutras coisas - como no Tuga em Londres, por exemplo :-)
Sei que estou a dever o post sobre o que fazer no mês de Dezembro. Como esse post geralmente demora-me sempre um bom bocado a escrever devido à pesquisa que envolve, ainda não vai ser hoje que vai sair, mas está para breve.
Entretanto, em termos de actividades não relacionadas com o estudo, ainda consegui ir a dois jantares de Thanksgiving este ano. Com estes dois, contam 5 o total de jantares de Thanksgiving a que já fui nos últimos 4 anos. Adoro estes jantares que, nao só há sempre uma variedade de comida enorme cheia de coisas boas e diferentes, mas também é uma noite interessante, em que dá para experienciar um pouco da cultura Americana. Claro que estes jantares que os meus amigos Americanos fazem por cá serão muito diferente da experiência de Thanksgiving que têm com a família nos Estados Unidos, mas não deixam de ser muito genuínos - nem que seja pelas decorações com bandeiras dos EUA e o ecrã da televisão onde estava a passar o importante jogo de futebol Americano como é costume no Thanksgiving.
O primeiro jantar a que fui foi organizado pelos meus colegas Americanos e os amigos deles na própria noite de Thanksgiving na quinta-feira passada. Essa transformou-se numa grande festança com muito pessoal a chegar ao trabalho no dia seguinte com aquele olhar de quem não queria ser muito incomodado durante o dia (tal era a ressaca).
O segundo jantar a que fui, durante o fim-de-semana, já foi mais calmo, mas muito divertido já que os anfitriões tinham uns jogos preparados, tais como ver quem consegue acertar no maior número de Estados possível e localizá-los no mapa no local correct (não resultou lá muito bem). Mas a parte que não estava à espera foi um dos pratos que estavam no menú - batatas doces assadas com marshmallows. Pois, eu sei!!! Batatas com marshmallows! Só mesmo os Americanos para inventarem uma delícia destas :-P Mas, sabem uma coisa, é que apesar de ter achado aquilo tudo muito estranho, as batatas com marshmallow até que não estavam nada más :-)
Já há bastante tempo que não ía a um meetup. Se bem me recordo o último a que fui foi já à mais de 1 ano e meio, mas nesta semana apeteceu-me fazer algo diferente, conhecer pessoas diferentes e, por isso, lá fui ao site e pesquisei por eventos a acontecerem no dia que eu queria. Deparei-me com meetups de espiritualismo, meetups em que se tinha que pagar £15 para entrar num bar XPTO, até que lá encontrei um encontro num bar para conhecer novas pessoas que tenham interesses de fazer passeios de fim-de-semana. Perfeito!
Após o trabalho lá fui eu a este tal encontro e assim que identifiquei a zona onde se encontravam as pessoas do meetup comecei a meter conversa e passado pouco tempo já conhecia um pouco sobre várias pessoas que ali estavam. E que misturada de pessoas... De facto esta coisa dos meetups principalmente estes que têm carácter mais geral, agrupa pessoas que possivelmente nunca seriam amigas num contexto normal. Ali ficam no mesmo espaço a conversar durante pelo menos algumas horas, o que não deixa de ser interessante.
Entre as pessoas que lá estavam conheci um rapaz de Hong Kong que odiava cada vez que alguém lhe perguntava o que é que ele faz na vida porque acha que de imediato as pessoas o estavam a catalogar (era um estagiário numa empresa de informática, já agora); um homem que tinha um negócio de venda de salsichas no mercado de Waterloo (aparentemente a banca dele era num mercado muito pequeno em Waterloo oposto ao Old Vic, mas agora já desistiu desse negócio e não se chegou a saber o que anda a fazer no momento); outro era um Americano cinquentão muito simpático que farta-se de viajar pelo mundo e aproveita sempre o coachsurfing para ficar alojado onde quer que ele vá; havia um agricultor de pimentos que se fartou de falar mal da agricultura biológica sendo que, segundo ele, os pesticidas que a agricultura biológica usa são muito piores que os normais; um rapaz que trabalha em investimentos bancários e já viajou pelo mundo à conta do trabalho; um Australiano muito simpático e brincalhão que gostava muito de falar sobre as noitadas de bezanas que ele tinha tido;... apesar de todas as diferenças, a pessoa mais diferente de todas teve que ser a Debra. A Debra andava de um lado para o outro com um urso de peluche tipo mochila até que o Australiano lhe perguntou o porquê disso. Ela então lá nos explicou sobre o bearsac. Ora o Bersac é o nome do urso de peluche que ela tinha com ela que, segundo a mesma, vai fazer 13 anos no próximo mês que ela o tem. Toda entusiasmada a contar-nos sobre o bearsac, ela aponta para o cinto que ela trazia com ela e carregou num botão junto ao cinto para vermos aparecer em letras neon na zona da fivela do cinto, a passar o seguinte endereço de website: www.bearsac.com. Depois lá nos explicou que também escreveu um livro sobre o bearsac e costuma vende-lo no metro de Londres. Além disso, sempre que vai viajar para alguma lado tira fotos de pessoas com o bearsac e coloca-as depois no site. Ao ver o site apercebi-me que a Debra tem o Sindroma de Asperger (está explicado o que é no site).
O bom nestes meetups é que geralmente há um número de pessoas significante presentes e, após a conversa inicial com alguns deles acaba-se por encontrar (nem sempre, mas muitas vezes) pessoas que têm interesses semelhantes e que de facto poderiam combinar voltar a encontrar-se novamente. É geralmente com essas pessoas que cada qual acaba por decidir ficar a conversa durante e maioria do tempo que lá está. Eu pelo menos já fiz uns 1 ou 2 bons amigos que conheci através de meetups no passado.
Sinceramente não sei se volto a outro tão cedo, mas de vez em quando, para ser diferente, vale a pena.
Sempre que vejo algum concurso interessante (e fácil) lá toca de participar, mas infelizmente, tenho feito parte daquela grande percentagem de pessoas que se farta de participar e nunca ganha nada. Ou assim era, até um belo dia em Dezembro quando recebo o telefonema da revista de cultura Brasileira em Londres Jungle Drums à qual costumo subscrever à newsletter, para me informarem de que tinha sido a vencedora de um dos seus sorteios ao qual eu tinha participado. E ganhei um jantar para 10 pessoas no restaurante Sul Americano, Las Iguanas!
Tinha a possibilidade de usufruir do jantar em qualquer data entre Dezembro e Janeiro com direito ao menu de festa em que, basicamente, estava incluída uma selecção de entradas variadas pré-definidas, um prato principal por pessoa entre um total de 5 pratos à escolha e quatro garrafas de vinho para o grupo.
Decidi marcar o jantar para esta última sexta-feira, e sinceramente fiquei positivamente surpreendida logo ao chegar à mesa que nos estava destinada. Para já, era uma mesa redonda muito bem decorada, que até teve direito a uns balõezinhos de festa, a decoração do restaurante também estava bastante boa ao estilo tropical e, surpresa das surpresas foi quando fecharam as luzes e começaram-se a ouvir os tambores Brasileiros de samba, seguidos por duas dançarinas, vestidas apropriadamente para um desfile no sambódromo.
A comida em si também estava melhor do que o que esperava, tendo em conta que aquele é um restaurante de franchising. De entre os pratos principais à escolha havia a possibilidade de comer ou comida Mexicana (Fajitas e Enchilada) ou Brasileira (Xinxim e Moqueca). Acabei por me decidir pelo Xinxim visto que ainda nunca tinha provado e, de facto, estava bem saboroso. Não sei até que ponto é que aquele Xinxim ali servido é fiel à verdadeira receita Brasileira, mas era bom. Achei piada foi ao facto de, no próprio menu, estar indicado relativamente ao Xinxim que é conhecido como o prato favorito do Pelé. Hehe! Acho que não foi por isso que escolhi aquele prato mas, que estava bom, isso estava.
Sabem quando há aqueles momentos em que estão tão bem num sítio que ficam tristes quando chega o momento de se irem embora? Aqueles momentos em que ficam a pensar neles mesmo dias após terem acontecido? Pois foi assim triste que me senti no final dos meus dias passados para os lados de Peniche (descobri quando lá estava a chegar que afinal era no Baleal) para festejar a passagem de ano.
No meio de tantas coisinhas menos boas que lá me vão acontecendo, ao menos consegui acabar o ano em grande e entrar em 2010 com óptima disposição. Fomos cerca de 22 o total de pessoas que passaram por aquela casa que alugamos em Casais do Baleal durante 3 noites (ou 2 noites no meu caso), mas a maior parte do tempo estivemos um grupinho de cerca de 14 pessoas o que foi assim mesmo o número perfeito. Entre eles encontramos uma óptima cozinheira de bacalhau com natas, um cozinheiro fabuloso de arroz com marisco e outra cozinheira que conseguiu fazer o arroz soltinho para o belo do Strogonoff (eu fiquei-me mesmo pela ajudante de cozinheiros).
A passagem de ano em si foi passada lá na casa já que estava um frio de rachar lá fora e, como tinhamos vista para o mar deu para ver os fogos de artifício da varanda lá bem ao fundo noutras praias mais a norte (o Baleal não tinha fogo de artifício). Ficamos pela casa durante um bocado a festejar até que nos decidimos render a ir à festa local numa tenda de circo que tinha sido montada junto à praia e onde estava um DJ e ambiente de festa. A entrada foram só 5€ mas diga-se de passagem que foram uns 5€ um bocado mal empregues visto que o DJ era bem fraquinho que só passou o mesmo tipo de música a noite toda. Além de ser fraco devia também ser cegueta porque só mesmo se tivesse problemas na vista não se conseguiria aperceber que quase ninguém estava a dançar ao som daquela música. Mas enfim, nem tudo podia ser bom.
No dia seguinte ainda aproveitamos para dar uma voltinha à vila de Óbidos que estava lindíssima com as suas decorações de Natal. Nem sabia que Óbidos tinha organizado a Óbidos Vila Natal com um recinto com pista do gelo e inúmeras actividades. De qualquer forma já chegamos lá demasiado tarde para isso portanto ficamo-nos mesmo pela Ginjinha e pelo passeio nocturno ao longo das muralhas. Muito giro mesmo! Ao voltar para casa a noite prolongou-se até às 8h da manhã quando já não aguentamos mesmo e tivemos que nos ir deitar. Quando acordamos no outro dia (ou melhor dizendo, nesse dia à tarde) só tivemos mesmo tempo para arrumar as coisinhas e fazer-nos à estrada deixando para trás boas lembranças de uma óptima entrada no ano de 2010. Só espero que a boa disposição se prolongue pelo ano todo.
A parte boa também do final do ano 2009 é que a minha mala perdida pela Ibéria lá apareceu. Isto 8 dias depois de eu ter aterrado e já depois do Natal. Mas enfim, ao menos apareceu que era mesmo o mais importante. Na vinda de volta tive medo que o mesmo voltasse a acontecer mas felizmente lá ela veiu inteirinha na passadeira quando cheguei a Heathrow ontem à noite. E pensando agora na minha volta para Londres, ainda bem que cheguei ontem e que não decidi vir um ou dois dias mais tarde porque imagino que vá voltar a haver problemas para os aviões aterrarem em Londres visto que neste momento está a nevar. Já tem estado a nevar à umas 3 horas e, segundo as previsões irá manter-se assim durante a noite já que são esperados 10cm de neve acima do solo para amanhã de manhã quando acordar. Os telhados das casas que estou a ver da janela já estão todos branquinhos por isso é bem provável que as previsões estejam correctas. A ver vamos se a cidade consegue "funcionar" amanhã. No ano passado quando a neve também chegou a ser forte a cidade inteira parou por um dia. Amanhã logo se verá se isso se volta a repetir ou não.
Desta vez não fui eu a França mas veiu a França até mim, por assim dizer, já que foi a vez da Celine me visitar em Londres.
Como ela já cá viveu não havia a necessidade de estar a fazer passeios pelos locais turísticos do costume por isso sugeri-lhe irmos visitar o maior templo Indiano fora da Índia aqui mesmo, em Londres. Já estava à imenso tempo para lá passar mas como fica localizado um pouco longe, na zona 3 no Nordoeste de Londres, numa localidade chamada Neasden onde não existe absolutamente mais nada interessante para ver senão o templo, ainda não tinha lá ido.
Ela também ainda nunca tinha visitado o templo por isso lá nos dirigimos no sábado de manhã para Neasden. Saindo da estação vira-se à esquerda, depois novamente na primeira à esquerda e a partir daí é seguir as setas indicativas, andando durante 15 minutos até chegar ao templo. Malas, câmaras, sapatos, saias curtas e grandes decotes não são permitidos dentro do templo, mas existe um local específico onde se podem deixar as malas e os sapatos. Sem dúvida que a viagem é um pouco longa mas valeu bem a pena. O templo é muito bonito por fora e por dentro, construído a partir de pedra mármore toda ela desenhada e trabalhada ao pormenor. A única coisa que estranhei no templo foi o próprio altar visto que tinha um aspecto moderno e rodeado de velinhas de diferentes cores e feitios que poderiam ter sido compradas em qualquer supermercado, argolas plásticas tipo pulseiras das crianças de cores flourescentes, e outros pormenores que rodeavam a zona do altar que a mim me pareceram desenquadrados de tudo o resto do templo. Mas aparte do altar moderno, o templo era muito bonito e interessante de visitar. Não pude deixar de prestar atenção também a duas estátuas localizadas na zona principal do templo junto ao altar, cujas expressões faciais pareciam assustadoramente humanas. Infelizmente não era permitido levar câmaras para o interior do templo pelo que me fiquei por algumas fotos do exterior.
No domingo foi dia de um passeio pela cidade de Brighton onde por acaso descobrimos que era o dia do Carnaval anual de Brighton. Após um belo almoço tradicional do verão Inglês que consistiu em Fish & Chips acompanhado de Pimm's numa das esplanadas da praia, ainda nos entretemos com o desfile carnivalesco. Acabamos por não ter tempo de visitar o belíssimo palácio ou "pavilhão real" como é conhecido, mas lá ficará para a próxima visita a Brighton. Apesar de não ter estado muito calor, mesmo assim o sol brilhou e esteve quente o suficiente para deixar o meu nariz e testa vermelhos que nem tomates. Nada mau para o meu segundo dia "de praia" do ano