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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Consigo ir a Portugal este ano?

Não quero passar mais um Natal sem poder ir a Portugal. A minha viagem está marcada para dia 24 (eu sei que é um pouco em cima da hora e que quanto mais próximo do Natal mais probabilidade há que algo que me impossibilite de ir aconteça, MAS ao ir no dia 24 de manhã cedo em vez de ir no dia 23 ou 22 poupamos £400 no preço dos voos!! Estão mesmo caras as viagens). 

 

A minha dúvida se vou mesmo conseguir viajar ou se não é mesmo é, vocês adivinharam - Covid. Todos sabemos que os casos estão a crescer substancialmente. Mas não só estão a subir como já estiveram noutras alturas desde o início da pandemia, mas pela primeira vez, vejo esses casos subirem entre a minha rede de amigos e conhecidos. Nos meses anteriores, eu conhecia uma ou duas pessoas na minha rede de amizades ou amigos de amigos que já tinham contraído o vírus, mas desta vez, Londres está a ser atacada em forte. 

 

Alguns amigos ficaram positivos em Outubro, depois foram colegas de trabalho, e seguidos de outros amigos. No sábado da semana passada tinha planeado ir a uma festa com amigos. Eu já estava com algumas dúvidas em relação a ir à tal festa, e nessa manhã, quando estávamos a fazer os teste antigen, um deles teve um resultado positivo. Esse facto tirou-me toda a dúvida que tinha sobre ir a essa festa e sugeri logo deixarmos de ir à tal festa e fazer um encontro só entre nós alternativo. Houve algum silêncio no nosso grupo de Whatsapp quando eu fiz essa sugestão, o que notava que todos estavam a pensar no assunto, mas não faltou muito para os primeiros dizerem que concordavam e deixamos todos de ir à tal festa. Afinal, entre nós, sabíamos que todos tínhamos feito a diligência de nos testar, mas muito provavelmente nem todas as pessoas da festa o fariam, e esta altura do ano é demasiado arriscada para ir a aglomeramentos porque ninguém quer ficar em casa em quarentena este ano. 

 

Mas nota-se bem que a maioria das pessoas está a pensar da mesma maneira porque Londres na última semana esteve muito mais calma que na semana anterior. As pessoas sabem que o vírus está bem presente em Londres de momento e ninguém o quer apanhar. E não só tenho receio de apanhar o vírus de momento, como também tenho receio de que algum dos Governos faça restrições nas viagens entre os países. A França esta semana fechou as bordas com o Reino Unido, e este fim-de-semana, a Alemanha também anunciou que as vai fechar. Estão os países todos a ficar com receio das chegadas do Reino Unido, e eu estou com receio se o Governo Português vai tomar as mesmas medidas. 

Temos mais 5 dias até à nossa viagem. Espero que as coisas não alterem durante este período. Não quero passar outro Natal sem ir a Portugal!

Finalizar o ano com o pé direito

Desde que escrevi o último post que começaram a haver algumas mudanças positivas a nível de trabalho. O assunto ainda não está resolvido porque ainda somos muito poucos numa equipa da qual se espera muito, por isso as horas extras ainda são inevitáveis, mas algumas novidades fazem-me sentir mais positiva para os próximos meses. 

 

  • Tive a oportunidade de finalmente conhecer pessoalmente membros da minha equipa directa ao fim de quase 1.5 anos a trabalhar juntos diariamente e membros de outras equipas com quem trabalho frequentemente. E é impressionante a diferença que faz poder ter tempo com esses colegas num ambiente que vai para além dos 30 minutos fugidos numa chamada habitual de videoconferência. Digam o que disserem, videoconferências são uma boa alternativa quando a distância não permite uma iteração diária, mas não consegue estabelecer o mesmo nível de relação que uma conversa pessoal permite. Conhece-los e poder discutir e planear trabalho juntos trouxe-nos a todos uma energia renovada que acho que vai ser muito importante enquanto não conseguirmos re-estabelecer o número de pessoas na equipa que, neste momento temos a menos. 

 

  • A conversa com os colegas inspirou-me para poder escrever exactamente aquilo que acho que precisamos ter para conseguir alcançar os objectivos da empresa para a nossa equipa, e apresentei esse plano e proposta ao meu chefe que, pelo menos aparentemente, aceitou a proposta de forma positiva. 

 

  • Começámos a receber candidatos para um dos cargos necessários preencher na equipa e vou começar a entrevistar esta semana. 

 

Portanto, pelo menos para já, parecemos estar num caminho melhor do que estávamos há um mês atrás. Agora é ver como as coisas decorrem e quantas das mudanças discutidas efectivamente vão ser possíveis de ser implementadas. 

 

Pelo menos pela parte que me cabe, e agora que nos estamos a aproximar do final do ano, eu quero certificar-me de que termino os projectos planeados para este trimestre e que tenho um plano bem definido do que vai ser necessário fazer ao longo do próximo ano e, principalmente no primeiro trimestre do próximo ano. Há que aproveitar que o fim do ano geralmente permite-nos fazer um 'reset' à rotina do dia-a-dia, e repensar naquilo que queremos e como pretendemos levar o nosso caminho para a frente.

 

Entre o trabalho e a vida pessoal tenho muito que ajustar e planear para o próximo ano, por isso vou dedicar o meu Dezembro a essa fase de planeamento. E vou começar já hoje. Iniciei o dia por escrever a minha lista de projectos que queria completar hoje, vim para um café para não ter as distracções habituais que se tem sempre em casa, e vou dedicar as próximas horas a completar esses projectos pessoais o mais que possível. 

 

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Escapadelas de Spa no Reino Unido

Depois do Primeiro-Ministro ter anunciado que planeava reduzir as restrições do Covid por meados de Julho comecei a fazer planos para o verão e, entre eles, combinei com algumas amigas irmos fazer um 'spa break' em Julho. 

Inglaterra e o Reino Unido de forma geral, estão cheios de spas muito bons, muitas vezes localizados em grandes casas no campo, e era mesmo para uma dessas onde queríamos ir. 

O nosso critério é que tinha que ser localizado entre Londres e a região de Somerset visto que uma amiga vinha de lá, e não queríamos que a estadia fosse muito cara. 

Como existem websites que permitem oferecer uma procura de spa breaks com pacotes que incluem acomodação e acesso ao spa, decidimos começar por procurar por esses mesmos, e não demorou muito para encontrarmos vários de que gostámos. Reparámos também, que se fossemos numa noite a meio da semana o preço era ainda melhor, e por isso mesmo optámos ir numa segunda-feira. Por uma noite, incluindo acesso ao spa, um tratamento, um jantar de 3 pratos e pequeno almoço ficou a £175 por pessoa num quarto a partilhar com outra amiga que achámos um óptimo preço. 

Aqui ficam os websites que utilizámos para a procura que tinham pacotes muito bons:

O hotel que escolhemos, Tilney Hall Hotel & Gardens em Hampshire era muito bom e bonito com grandes jardins para passear mas o spa em si era relativamente limitado, pelo que para quem estiver interessado em ir a um spa muito bom ficam antes estas recomendações onde algumas das minhas amigas já foram, e que ficaram na lista para experimentar:

Esta coisa de ir passar uma estadia num hotel spa é relativamente nova para mim, mas devo dizer que fiquei fã e já percebo porque é que as pessoas gostam tanto de escapadelas destas. 

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A abertura do país à vida pós pandemia

Desde o dia 17 de Maio que a vida em Inglaterra parece um pouco mais normal e, devo dizer, que me tem sabido muito bem. Tão bem, que reparei agora que já não vinha aqui escrever à um mês!  A minha ausência tem sido a combinação entre ter tido mais horas diárias a trabalhar - em média estou nas 10-11h diárias, pelo que quando termino só me apetece descansar. E aos fins-de-semana só quero aproveitar para fazer muitas das coisas que não podia fazer durante o último ano e isso sabe bem. O que me faz falta agora é mesmo a possibilidade de dançar livremente, mas para já, isso é que ainda não é possível. No entanto, as vacinações estão a dar frutos em termos de resultados positivos com muito menos hospitalizações por cada 100 casos do que no início do ano, e isso é sinal de que estamos no caminho certo. 

 

Desde que as regras ficaram mais relaxadas em Maio, já pude ir passar um fim-de-semana fora num ambiente diferente, tenho voltado a experimentar diferentes cafés e restaurantes, passei algumas manhãs a trabalhar em cafés locais, visto que o escritório ainda não está oficialmente aberto. Pude finalmente conhecer os meus colegas, após 11 meses nesta empresa por termos feito um evento em pessoa. Pude também celebrar o aniversário de amigos junto deles e em locais que tinham muitas mais pessoas. Os passeios que dava com amigos durante o último ano, também poderem finalmente ter um destino, que não se baseavam apenas em andar às voltas do parque. Pude também ir ao meu primeiro concerto ao vivo o que soube maravilhosamente. Até o facto de poder ir ver um jogo de futebol com muitas pessoas à minha volta me soube bem. 

 

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Quando se passa tanto tempo sem essas pequenas coisas a que estávamos tão habituados notamos o quanto essas coisas nos faziam sentir bem. Um dos momentos em que me apercebi disso, foi no primeiro fim-de-semana em que pude ir celebrar o aniversário de uma amiga a um bar. As regras que se mantêm é que apenas podemos ter 6 pessoas por mesa num espaço ao ar-livre com pessoas que não vivem juntas, mas todo o bar pode estar cheio de outras pessoas, o que foi o caso. E apesar de estarmos todos separados por mesa, sabe bem estar num ambiente com outras pessoas na proximidade. E foi no momento em que estive na fila para a casa-de-banho desse bar, e que comecei a conversar com uma outra rapariga que estava na fila e que não conhecia, que me apercebi do quanto eu sentia falta daquilo - sim, sentia falta de falar com estranhos na fila da casa-de-banho! 

 

Umas semanas depois começaram os jogos do Euro, e marquei para ver o primeiro jogo de Inglaterra com alguns amigos numa cervejaria local. Não sabia bem como ia ser a distribuição de mesas mas tinham-as colocado, mesas compridas para 6 pessoas em fila umas atrás das outras e direccionadas para o ecrã gigante. Como não podia deixar de ser, todas as mesas estavam cheias e, quando Inglaterra marcou o seu golo, todo o espaço vibrou com pessoas a saltar nos seus lugares e abraçarem os amigos. Foi outro daqueles momentos em que me apercebi o quanto sentia falta daquela animação de estar junto a um grupo de pessoas. A energia recebida quando se está num grupo em que a maioria está a torcer pela mesma equipa é inexplicável. Traz-nos aquela alegria interna que sobe pelo corpo e nos faz sentir bem. 

 

Adoro, adoro poder voltar a estar nestes ambientes com outras pessoas e sentia mesmo muita falta deles. Só espero podermos continuar nesta trajectória e que não tenhamos que voltar a ter mais restrições. A maioria dos habitantes no Reino Unido deve ter a sua segunda vacina até ao fim do verão, portanto, mesmo com o vírus por aí, se nos conseguirmos manter protegidos e não formos afectados seriamente, a nossa vida em conjunto com a sociedade vai poder continuar.

A época das Campainhas em Inglaterra

As florestas do campo Inglês estão em flôr nesta altura do ano, entre finais de Abril e meados de Maio com Campainhas ou 'Bluebells'. Podem encontrá-las um pouco por toda Inglaterra em zonas florestais, mas eu fui vê-las a Surrey este fim-de-semana, imediatamente a sul de Londres. Apanhei o comboio de London Bridge até Upper Warlingham, e a partir daí estava apenas a 30 minutos de zonas florestais com imensas campainhas. Se estiverem interessados em semelhantes passeios, podem encontrar alguns a partir deste guia da Countrylife.

 

Ficam algumas fotos do passeio que fiz este fim-de-semana na zona da Warlingham:

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Enviar encomendas do Reino Unido depois do Brexit

No início do mês a minha mãe fez 70 anos. Era suposto ter estado em Portugal para todos fazermos uma grande festa mas claro que isso não foi possível. Como tal quis ao menos enviar-lhe um presente para ter no dia dos anos. Queria-lhe dar um fio mas queria enviar juntamente com um cartão escrito por mim para ser um presente bonito. Se eu comprasse directamente de Portugal, viria numa caixa sem estar embrulhado nem nada, portanto fui ver quais as minhas opções para poder enviar a partir de cá, sabendo que hoje em dia, com o Brexit, enviar encomendas não é tão fácil ou rápido como costumava ser. Mas também não esperava que fosse assim tão mau. 

 

Pesquisei primeiro pelas companhias de entrega e verifiquei que, apesar do Brexit, estavam-me a dar uma estimada data de entrega de 3 dias para Portugal. Encontrei um fio de que gostei a partir do Etsy, e enviei primeiro para minha casa, para poder embrulhar o presente e colocar juntamente com um cartão. 

 

Como a transportadora dizia que só demorava 3 dias para entrega, mesmo assim, decidi enviar com o dobro da antecedência só para ter a certeza de que chegava a tempo. A transportadora cobrou £35 pela entrega.

 

Um dia depois de ter enviado, telefonaram-me da central da transportadora no Reino Unido a dizer que eu tinha que colocar a factura de alfandega com a encomenda porque senão não a deixavam passar. Nessa factura tem que estar indicado o conteúdo e valor da encomenda - Eu já tinha ouvido falar da necessidade de enviar tal factura, mas pensei que só seria necessário com os correios porque com a transportadora eles teriam toda essa informação através do código de barras que tive que colar no pacote. Mas afinal, tal não é suficiente, e a factura de alfandega será sempre necessária quando se enviar o que quer que seja para fora do Reino Unido, apesar de não me terem indicado que tal seria preciso quando fiz o pagamento da encomenda. Mas lá a enviei por email, e a transportadora confirmou que a colocou com a encomenda.

 

Uma semana e meia depois de ter enviado a encomenda e, 5 dias depois do aniversário da minha mãe, a minha mãe recebe uma mensagem da alfândega a dizer que tem uma encomenda que está retida na alfandega porque o número de referência da encomenda tinha um número a menos do que é normal. Como tal tinha que lhe enviar a prova de pagamento da encomenda para verificar o número de referência. 

 

Lá eu lhes enviei a tal prova. No dia seguinte pediram-me também o número de contribuinte. 

 

Um dia depois pediram-me que lhes enviasse a factura de alfândega (outra vez). Lá enviei.

 

E que tal me terem pedido tudo o que precisavam de uma vez só em vez de pedir cada coisa em dias separados, não?

 

Seis dias depois recebi uma confirmação de que a encomenda estava a ser despachada para entrega e que, ao ser recebida, tinha que pagar uma nova factura de custos de gestão de alfândega, no valor de,... esperem por esta... €107!!! €107!!! Mal podia acreditar! 

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Ainda enviei um email de volta para tentar fazer com que eu pagasse o valor para que não pedissem à minha mãe para pagar isso, mas já foi tarde demais, e a entrega já tinha sido feita e a minha mãe tinha pago pelos custos administrativos. Claro que depois lhe paguei, mas ela acabou por ficar a saber o custo da alfândega e o custo do presente porque estáva indicado na factura de alfândega que estava anexada à encomenda. 

 

Resultado, não só a entrega do documento custou-me no total mais do que o presente em si, como demorou, não 3 dias como tinham indicado, mas 3 semanas. Portanto, a conclusão é que se poderem evitar enviar qualquer encomenda que seja para dentro ou fora do Reino Unido, evitem. 

Comprar casa em Londres - Parte V

Já há algumas semanas que não fazia um update da mudança para a nova casa, porque sinceramente, não têm havido grandes updates.

  • A organização que gere a minha Shared Ownership tinha o direito de promover directamente o apartamento durante um período de 8 semanas. A primeira pessoa que viu a casa fez uma oferta, mas não passou aos requerimentos financeiros da organização, e como tal, não pude proceder com a venda.  Mas como a organização quase não fez promoção nenhuma, acabei por só ter duas pessoas a verem o apartamento, e como tal, não vendeu. 
  • Ao fim das 8 semanas tenho o direito de vender o apartamento através de um agente imobiliário e ao preço total - portanto sem ser em shared ownership. Então contactei alguns agentes, e com todos os detalhes acordados, o apartamento foi colocado novamente no mercado na quinta-feira passada. 
  • Nesse mesmo dia tive uma reunião dos residentes com a nossa organização de gestão do edifício e eles deram-nos as notícias de que identificaram que o material colocado no chão das varandas não é seguro de acordo com as novas regulações de prevenção de fogos em prédios. Como tal vão ter que ser substituídas e ainda não nos conseguem dar uma data certa de quando isso vai acontecer.

 

Resultado? Agora tenho todas as dúvidas sobre se devo continuar com a tentativa de venda antes desta situação estar resolvida. Isto é altamente negativo não só porque é um risco de fogo, os eventuais compradores provavelmente não estão interessados a comprar até a situação estar resolvida, e os bancos provavelmente não vão emprestar dinheiro a compradores quando o apartamento em questão está em risco de pegar fogo mais facilmente que outros. 

 

Vou falar com o agente amanhã mas o mais provável vai ser mesmo ter que adiar esta nossa venda e compra por um período indefinido até nos resolverem esta situação. É muito desanimador quando já estávamos tão entusiasmados com a ideia de nos mudarmos para uma casa com mais espaço. São coisas que acontecem e que, infelizmente não são do nosso controlo o que torna a coisa ainda mais frustrante porque efectivamente não podemos fazer nada a não ser esperar que a organização resolva o assunto. Agora estou para ver é quanto tempo é que isto vai demorar...

 

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Mais uma semana até ao princípio do fim

Daqui a uma semana e 3 dias as primeiras lojas não essenciais vão finalmente poder abrir. Entrámos no nosso terceiro confinamento aqui em Inglaterra a 5 de Janeiro e, desde essa altura que as lojas não essenciais não voltaram a abrir, que não podemos viajar, que não nos podemos encontrar com mais do que um amigo fora de casa. Faz mais de 4 meses nesta situação em que os nossos dias, noites, fins-de-semanas são idênticos ao outro anterior. Foram 4 meses em que temos estado a viver o 'Groundhog Day' continuamente. Só que em vez de passarmos o dia num festival cheio de pessoas onde temos a oportunidade de socializar e conhecer cada pessoa melhor, passamos os dias a fazer passeios sozinhos ou com as pessoas que vivemos, a ouvir podcasts, tentar ser imaginativos com a culinária e ver séries sem fim no Netflix. 

 

 

Devo dizer que este ano permitiu-me conhecer melhor a zona onde vivo do que nos 6 anos anteriores em que já estava na zona. Neste momento penso que já não há qualquer rua num rádio de 5 km por onde ainda não tenha passado. Isso é positivo não é? Sempre é bom conhecer bem a zona onde se vive. Não seria bem o que teria escolhido fazer num ano normal mas há que olhar pelo lado positivo da coisa.

 

Esta fase também nos ajudou a parar e pensar mais na vida que vivemos, o que alcançámos e o que ainda queremos alcançar. E devo dizer que, pelas conversas que tenho tido com muitas pessoas, isso não tem sido necessariamente uma actividade positiva. Afinal, quando temos uma vida ocupada e não estamos a atingir aquilo que queremos - quer seja o trabalho que fazemos; o lugar onde vivemos; estarmos a partilhar a nossa vida com a pessoa certa; ou fazer o projecto que temos planeado à anos - temos uma desculpa para não os termos atingido porque estamos demasiado ocupados. Agora de repente temos tempo. Tivemos um ano inteiro de tempo, e apesar de haver o desconfinamento em vista, não temos a certeza total de que efectivamente vamos voltar à normalidade que conhecíamos em 2019 para breve. E com todo este tempo é inevitável que tenha havido muita ansiedade, depressão, incertezas, porque não são muitas as pessoas que podem dizer que está tudo bem com elas e que têm a vida exactamente como elas queriam. Pelo contrário, acho que nunca ouvi tantas pessoas dizerem num espaço de tempo tão pequeno de que esta não era a vida que imaginaram para elas. 

 

Conheço quem se queira divorciar porque se apercebeu, com o confinamento, que estar 24horas com o pai do filho só lhe traz desgosto; quem decidiu que vai ser mãe solteira porque quer mais que tudo ser mãe mas que já não sente qualquer esperança de ter tempo para  conhecer o futuro pai dos filhos a tempo de engravidar enquanto ainda é jovem o suficiente para o fazer com segurança; conheço quem se apercebeu que escolheu a carreira errada mas que enquanto não sairmos do confinamento não pode fazer uma mudança; conheço também quem tenha decidido optar voltar ao trabalho que tinha deixado à anos atrás porque o confinamento não lhe permitiu continuar a seguir o seu sonho;conheço também quem tenha visto os seus negócios aceleraram de uma forma que nunca teria acontecido se não fosse a pandemia e que, agora estão muito melhor financeiramente do que o que estavam à um ano atrás; conheço quem decidiu mudar-se para o campo para poder ter o espaço e o conforto que acha que nunca vai poder ter na cidade;  conheço também quem se tenha enroscado de tal forma em casa com receio e ansiedade de apanhar o vírus que agora se sente altamente desconfortável por sair de casa e não gosta da ideia de voltar a encontrar-se com pessoas. 

 

Esta pandemia trouxe-nos mais que muitas mudanças na vida e dúvidas que colocaram em perspectiva e em questão as nossas decisões. Tem havido muita tristeza associada com tudo isto mas eu espero que este ano de introspecção, nos ajude a termos força para podermos tomar as decisões que precisamos de tomar para fazermos as mudanças que sejam necessárias baseadas naquilo tudo que andámos a pensar e que concluímos. Somos nós os donos das próprias vidas e devemos vive-las como quisermos pelo que espero que daqui a um ou dois anos, quando olhar para trás para este período, em vez de apenas pensar em todas as coisas negativas que estão intrinsecamente associadas a este período, que consiga também ver as mudanças que eu e as pessoas que me envolvem fizeram para melhorar de uma forma ou outra aquilo que achámos que não estavam bem certo. 

 

Entretanto só espero que o Governo Britânico esteja correcto, e que este terceiro confinamento que estamos quase a terminar, tenha sido mesmo o último para podermos finalmente passar esta fase e sair do 'Groundhog Day'. A ver vamos...

Comprar casa em Londres - Parte III

Este mês ainda não tinha vindo escrever sobre a situação actual da procura de casa, mas só parámos de procurar mesmo nos dois fins-de-semana do Natal e Ano Novo. Mas devo dizer que o mercado tem estado fraquito neste início de ano. Não me surpreende muito visto estarmos em lockdown, e talvez os vendedores prefiram deixar esta fase passar antes de ter várias pessoas a entrar nas suas casas, mas não deixa de ser um bocadinho desmoralizante quando não se vê nada interessante a aparecer no mercado. Mesmo assim, apesar de terem aparecido poucas propriedades, conseguimos encontrar duas semelhantes de que gostamos - a primeira está em óptimas condições mas a localização não é ideal em termos de distância a andar para locais de que gostamos, e também é um pouco mais distante dos nossos respectivos escritórios, quando eventualmente abrirem. 

 

A segunda precisa de renovações logo de início, mas preferimos a sua localização. Quando as vimos pela primeira vez, em dias diferentes, estávamos quase convencidos de que queríamos fazer uma oferta à primeira, mas ao visitarmos ambas pela segunda vez no mesmo dia apercebemo-nos de certas outras vantagens que a segunda tem comparativamente com a primeira, para além da localização. Como tal, decidimos fazer uma oferta na segunda propriedade. 

 

Já vai ser a terceira oferta que fazemos. Adorava que fosse desta que conseguíssemos que a oferta fosse aceite, mas já sabemos de pelo menos mais outra oferta que foi feita, e haviam mais 4 pessoas a fazer uma segunda visita tal como nós, por isso imagino que vamos ter bastante concorrência. 

 

Depois ainda temos a desvantagem de que o meu apartamento ainda não está no mercado. Já deveria estar, que a avaliação e as fotos tão tratadas. Só falta mesmo à associação que me vendeu a casa colocá-la no mercado porque, sendo vendida em esquema de shared ownership, é a associação que deve publicitá-la durante as primeiras 8 semanas, e só se não conseguir é que eu posso utilizar um agente. 

 

Inevitavelmente, cada vez que faço uma oferta numa casa, até saber a resposta do vendedor fico ansiosa pela resposta, começo a imaginar-me a viver lá, e claro que, cai-me tudo quando a resposta é negativa. 

 

Não sei se recebo a resposta já amanhã. Imagino que não seja uma decisão imediata, mas espero que não demore muito que agora só quero saber se vamos conseguir ficar com aquela casa ou se não. 

 

 

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Lockdown Parte III

E entramos no terceiro lockdown. Isto já começa a ser tão habitual que já nem me admiro. Como Londres já estava no Tier 4, que era o que tinha restrições mais elevadas em que as lojas, bares e restaurantes estava já tudo fechado, não me faz muita diferença este novo lockdown, mas tem a grande desvantagem de que agora voltamos à situação em que estavamos em Março, em que não devemos sair à rua, a não ser por razões essenciais, e não nos podemos encontrar com amigos para socializar. No Tier 4 ao menos, passear com amigos era permitido. 

 

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Estou eu e estamos todos mais que fartos disto, mas sinceramente, com as vacinas que agora estão disponíveis, e contando com o facto de que o Reino Unido foi o país que já encomendou mais vacinas per capita, sinto-me mais positiva de que há uma luz ao fundo do túnel, e que a partir da primavera vamos estar numa situação melhor com muitas mais pessoas protegidas, uma redução consideravel dos casos, e consequentemente, uma maior abertura das nossas vidas sociais novamente. Mal posso esperar! Até lá, bem, tenho mais umas quantas séries com que me entreter, um puzzle para acabar, e aprender a fazer muitos cozinhados veganos durante este mês que estou a fazer o 'veganuary'. Se estiverem interessados em ver as minhas criações veganas, espreitem as Stories do @tugaemlondres no Instagram.