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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Comunidade para quem vive sozinho

Apesar de eu não viver sozinha, durante o primeiro lockdown no ano passado, eu descobri através do Twitter uma jornalista que escreve o The Single Supplement. Esta é uma newsletter que ela lançou por finais de 2019, para comunicar sobre tudo o que lhe ia na alma, relacionado com o facto dela própria ser solteira e viver sozinha, e achar que não havia uma comunidade ou meio onde as pessoas falavam abertamente sobre a vida a um. Haviam sim fóruns e afins para pessoas que vivem sozinhas falarem sobre dating, encontrar um(a) companheiro(a), etc., mas não era esse o objectivo dela. O objectivo era criar uma comunidade entre pessoas que vivem sozinhas ou que são solteiras para entre elas trocarem experiências, falarem de coisas que as preocupam ou de coisas que adoram, e discutirem sobre como viver bem consigo próprias. Por isso, para além da newsletter, onde ela partilha as suas próprias opiniões, e a opinião de alguns escritores convidados, ela também criou um grupo do facebook para que pudesse haver essa interacção de ideias entre pessoas da comunidade. 

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Quando descobri a newsletter, acabei por ler quase todas as newsletters anteriores, e devo dizer que fiquei fã. Gostei muito porque os temas que ela abordou lembraram-me perfeitamente aquilo de que gostava ou me preocupava quando eu própria era solteira, desde pequenas coisas como ir comer a um restaurante sozinha a estar bem comigo própria de forma geral. Adorava que essa newsletter já existisse nessa altura porque acho que me ía ajudar bastante, e acho que já a comuniquei a todas as minhas amigas que vivem sozinhas actualmente porque penso que também as pode vir a ajudar. E vivendo sozinha ou não, acho que a newsletter é muito interessante, e tenho-a lido quase todas as semanas desde que me subscrevi à newsletter por volta de Abril do ano passado. 

 

Principalmente com este ano de pandemia, onde o distanciamento social é essencial, viver sozinho tomou uma perspectiva bem diferente de qualquer outro ano por isso decidi comunicar esta newsletter e comunidade aqui também, que acho que pode ser útil para as pessoas que se sintam sozinhas neste momento. 

Veganuary 2021

Para quem segue as Stories no Instagram do @tugaemlondres, tem visto que este mês tenho postado sobre as experiências culinárias vegan que tenho feito este mês porque ando a fazer o 'veganuary'. Para quem não conhece, o veganuary é um desafio que envolve experimentar a alimentação vegan durante um mês. Fiz também no ano passado e já escrevi sobre razões e benefícios aqui e aqui.

 

Não faço intenções de passar para uma alimentação vegan permanente mas gostei da experiência porque descobri mais receitas e alimentos novos do que noutros anos, e ajudou-me a aumentar o meu portfólio de receitas para fazer no dia-a-dia, e não ter que voltar sempre à carne ou peixe como fontes de proteína. Acho que a parte de estarmos em lockdown teve muita influência porque como comi sempre em casa, também tive mais tempo para ser original com a culinária. 

 

Coloquei nas Stories fotos de todas as refeições ao jantar que eu ou o meu Inglês fizemos durante este mês, e fui-lhes dando ratings the 1 a 5, sendo que o valor 5 é porque achei a refeição muito boa e quero fazer mais vezes. Aqui ficam as fotos das várias experiências culinárias deste mês:

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Dia 2: Stir fry de arroz de couve-flor com brócolos e tofu - 4/5

Dia 3: Sopa de tomates e orégão - 3/5

Dia 4: Ratatouille - 5/5

Dia 5: Yaki Soba de vegetais - 5/5

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Dia 6 - Fritters de milho - 3.5/5

Dia 8 - Fruta jaca com pêra abacate e arroz - 4/5

Dia 9 - Espetadas de tofu com molho de Tikka Masala - 2.5/5

Dia 10 - Feijoada de cogumelos e pastinagas assadas - 4/5

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Dia 11 - Dhal de lentilhas - 3.5/5

Dia 13 - Pimentos recheados com pesto, fruta jaca e grão - 4/5

Dia 14 - Shashuska com falafel - 4/5

Dia 15 - Curry com grão e batata doce - 4/5

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Dia 17 - Risotto com cogumelos e alho francês - 4/5

Dia 18 - Arroz de açafrão com tofu e legumes - 4/5

Dia 19 - Dhal de lentilhas (sim novamente. O maridinho comprou um saco de 5kg de lentilhas e é a única receita que pensou fazer em repetição) - 3.5/5

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Dia - Beringelas Vietnamitas - 4/5

Dia 22 - Stir Fry de espinafres e cogumelos com massa de arroz - 4/5

Dia 24 - Beringelas recheadas com pimento, courgette e vagem - 4.5/5

Dia 25 - Hambúrguer de vegetais com feijão verde fino - 3/5

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Dia 26 - Estufado de cogumelos mistos e endivias - 4/5

Dia 27 - Arroz frito com Tempeh e Kimchi - 3/5

Dia 28 - Sopa Tailandesa de courgettes e tofu - 5/5

Dia 29 - Curry de fruta jaca e arroz preto - 4.5/5

 

Nos dias não apresentados em cima ou comemos restos ou takeaway por isso não contaram aqui para as receitas originais do mês. Hoje é o dia final do veganuary e estou a planear fazer um risotto de abóbora. Já não vai ficar aqui a foto, mas se quiserem ver o resultado final vai ficar nas Instagram stories durante 24 horas. De qualquer forma, sabendo que abóbora não é dos meus vegetais favoritos, acho que não vai ser uma das receitas a receber o ranking de topo. O que significa que aquelas receitas de que gostei mesmo muito durante este mês e que, sem dúvida pretendo fazer novamente são - Rattatouille, Yaki Soba de vegetais e a Sopa Tailandesa de courgettes e tofu

Como também tenho passado o mês sem beber álcool ou comer doces estou ansiosa para finalmente poder abrir os bombons que recebi no Natal amanhã e comer queijo. Tenho saudades de queijo!

 

Comprar casa em Londres - Ainda não foi desta

Na continuação do meu post anterior, passei o início da semana ansiosa para saber a resposta do vendedor. Na segunda-feira ficamos a saber que a tal casa tinha recebido mais 3 outras ofertas, e que a outra que também tínhamos visto e de que tínhamos gostado recebeu duas outras ofertas. Decidimos fazer uma oferta para essa também, visto as nossas hipóteses não serem tão boas com a outra. Em ambos os casos, o agente pediu-nos para dar-mos a nossa 'melhor e final oferta' até ao dia seguinte. Isto faz parte do processo habitual, para dar hipótese aos compradores de fazerem a oferta mais alta que poderem se quiserem mesmo aquela casa, e também para dar ao vendedor o maior valor possível. 

 

Infelizmente, como o mercado está agora - em que há muito poucas novas propriedades a sair no mercado, mas há muitas pessoas a quererem mudar para um espaço maior devido ao lockdown - não me parece que vamos conseguir encontrar qualquer propriedade em que não tenhamos concorrência na oferta. 

 

Lá pensamos naquilo que podíamos/queríamos oferecer como valor máximo por cada uma das casas e enviamos as nossas ofertas finais no dia seguinte. 

 

Para a casa que tinha mais duas ofertas, recebemos uma resposta nesse mesmo dia - o vendedor tinha aceito a oferta de outro comprador que colocou uma oferta acima da nossa, e acima do preço anunciado, e que não tinha nenhuma casa para vender, portanto, supostamente poderia proceder ao contrato mais rapidamente que nós. 

 

Para a casa que tinha mais três ofertas, só recebemos a resposta na quarta-feira - também foi uma resposta negativa. O comprador que teve a sua oferta aceite colocou uma oferta ao mesmo valor que nós, e também acima do preço anunciado, mas não tinham uma casa para vender. 

 

A conclusão é que esta coisa de ter uma propriedade para vender nota-se muito problemática porque, quando em competição com outros, aquele que não estiver numa 'chain', ou seja, que não tenham uma casa para vender, vai estar sempre em vantagem. 

 

Na quinta-feira, o nosso apartamento entrou no mercado. E já não era sem tempo, porque enquanto o tivermos, acho que não vamos conseguir comprar nada. O problema agora vai mesmo ser quanto tempo a venda vai demorar. O meu vizinho de cima que tem um apartamento do mesmo tamanho e que começou a publicitá-lo em Dezembro, ainda não recebeu nenhum interesse de potenciais compradores, e isso preocupa-me.

 

Lembro-me que na altura em que andei à procura de apartamentos em shared ownership, há cinco anos atrás, eu tanto procurava novos edifícios como apartamentos em segunda-mão, e a procura era imensa que, assim que aparecia um no mercado, era vendido quase imediatamente. Como o apartamento está em perfeitas condições, é espaçoso para um apartamento de 1 quarto, e a localização é óptima em termos da proximidade ao centro e a muitas zonas populares em Hackney, achei que não haveria dificuldade nenhuma em vender, mas agora com o exemplo do meu vizinho estou com medo que a pandemia tenha afectado essa possibilidade. 

 

De qualquer forma, acho que agora o melhor será mesmo esperar até pelo menos começar a ver algum interesse no apartamento antes de nos dedicarmos novamente à procura de nova casa. Não temos urgência em sair mas claro que, agora que temos em mente a ideia de podermos ter uma casa com mais espaço e mais divisões onde poder trabalhar de casa, é desanimador ter que adiar essa mudança. 

 

Se conhecerem alguém interessado em comprar o seu primeiro apartamento em shared ownership, não deixem de entrar em contacto 

Comprar casa em Londres - Parte III

Este mês ainda não tinha vindo escrever sobre a situação actual da procura de casa, mas só parámos de procurar mesmo nos dois fins-de-semana do Natal e Ano Novo. Mas devo dizer que o mercado tem estado fraquito neste início de ano. Não me surpreende muito visto estarmos em lockdown, e talvez os vendedores prefiram deixar esta fase passar antes de ter várias pessoas a entrar nas suas casas, mas não deixa de ser um bocadinho desmoralizante quando não se vê nada interessante a aparecer no mercado. Mesmo assim, apesar de terem aparecido poucas propriedades, conseguimos encontrar duas semelhantes de que gostamos - a primeira está em óptimas condições mas a localização não é ideal em termos de distância a andar para locais de que gostamos, e também é um pouco mais distante dos nossos respectivos escritórios, quando eventualmente abrirem. 

 

A segunda precisa de renovações logo de início, mas preferimos a sua localização. Quando as vimos pela primeira vez, em dias diferentes, estávamos quase convencidos de que queríamos fazer uma oferta à primeira, mas ao visitarmos ambas pela segunda vez no mesmo dia apercebemo-nos de certas outras vantagens que a segunda tem comparativamente com a primeira, para além da localização. Como tal, decidimos fazer uma oferta na segunda propriedade. 

 

Já vai ser a terceira oferta que fazemos. Adorava que fosse desta que conseguíssemos que a oferta fosse aceite, mas já sabemos de pelo menos mais outra oferta que foi feita, e haviam mais 4 pessoas a fazer uma segunda visita tal como nós, por isso imagino que vamos ter bastante concorrência. 

 

Depois ainda temos a desvantagem de que o meu apartamento ainda não está no mercado. Já deveria estar, que a avaliação e as fotos tão tratadas. Só falta mesmo à associação que me vendeu a casa colocá-la no mercado porque, sendo vendida em esquema de shared ownership, é a associação que deve publicitá-la durante as primeiras 8 semanas, e só se não conseguir é que eu posso utilizar um agente. 

 

Inevitavelmente, cada vez que faço uma oferta numa casa, até saber a resposta do vendedor fico ansiosa pela resposta, começo a imaginar-me a viver lá, e claro que, cai-me tudo quando a resposta é negativa. 

 

Não sei se recebo a resposta já amanhã. Imagino que não seja uma decisão imediata, mas espero que não demore muito que agora só quero saber se vamos conseguir ficar com aquela casa ou se não. 

 

 

via GIPHY

 

O que quero fazer quando a pandemia terminar

Já estou farta desta pandemia até aos olhos. Estamos todos, eu sei! Temos que ter paciência e aguentar este último esforço (esperemos que seja o último) nos próximos meses para conseguirmos ultrapassar a situação com o mínimo possível de afectados. 

 

Até lá podemos sonhar com o que vamos fazer quando a pandemia terminar. No outro dia perguntaram-me o que seria o top 3 das actividades que pretendo fazer quando puder, e não foi preciso parar para pensar no assunto:

  • abraçar amigos e família, muito forte e muitas vezes;
  • fazer uma grande festa com amigos daquelas que começam num dia e acabam na manhã seguinte. Vai incluir cumprimentar pessoas novas com dois beijos, conversar com muitas pessoas a menos de 1 metro de distância que a festa vai ter tantas pessoas que vai estar tudo um pouco apertado, rir muito e dançar o resto da noite;
  • viajar! Para longe e sem ter que usar máscara durante o percurso.

 

E acho que não sou a única que tem esse objectivo de ir a festas após a pandemia. No outro dia achei interessante ler este artigo sobre a predição do epidemiologista Dr Nicholas Christakis que, baseado no estudo dos efeitos sociais após pandemias anteriores, ele prevê que, novamente vai surgir uma euforia de actividade social, tal como houve nos anos 20, após a Febre Espanhola, com o surgir dos roaring 20s. E acredito perfeitamente que o desejo de socialização vai levar a um movimento semelhante. Desta vez não será ao som do Charleston, mas imagino que um tipo de música com batida igualmente rápida venha a ser predominante dessa futura era. Imagino até, que existem muitos músicos neste momento, que estejam a tentar criar o novo estilo musical que venha a ser representativo dessa fase. 

 

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Segundo o Dr. Christakis, tal efeito ainda vai demorar a chegar, visto que, antes disso, ainda se vão sentir os efeitos da depressão económica, e portanto, só por 2024, se venham a verificar os novos roaring 20s do século XXI. Desanimou-me um pouco a ideia de que tal venha a demorar ainda tanto tempo a acontecer, mas, caso a sua predição seja correcta, mais vale tarde do que nunca. 

 

Já pensaram também naquilo que querem fazer quando a pandemia terminar? Como esta pandemia afectou tanto tipo de actividade, vão com certeza existir muitos desejos diferentes. Até lá, há que ter paciência, e continuar a sonhar. 

Lockdown Parte III

E entramos no terceiro lockdown. Isto já começa a ser tão habitual que já nem me admiro. Como Londres já estava no Tier 4, que era o que tinha restrições mais elevadas em que as lojas, bares e restaurantes estava já tudo fechado, não me faz muita diferença este novo lockdown, mas tem a grande desvantagem de que agora voltamos à situação em que estavamos em Março, em que não devemos sair à rua, a não ser por razões essenciais, e não nos podemos encontrar com amigos para socializar. No Tier 4 ao menos, passear com amigos era permitido. 

 

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Estou eu e estamos todos mais que fartos disto, mas sinceramente, com as vacinas que agora estão disponíveis, e contando com o facto de que o Reino Unido foi o país que já encomendou mais vacinas per capita, sinto-me mais positiva de que há uma luz ao fundo do túnel, e que a partir da primavera vamos estar numa situação melhor com muitas mais pessoas protegidas, uma redução consideravel dos casos, e consequentemente, uma maior abertura das nossas vidas sociais novamente. Mal posso esperar! Até lá, bem, tenho mais umas quantas séries com que me entreter, um puzzle para acabar, e aprender a fazer muitos cozinhados veganos durante este mês que estou a fazer o 'veganuary'. Se estiverem interessados em ver as minhas criações veganas, espreitem as Stories do @tugaemlondres no Instagram. 

2020 em revista

Bem sabemos como este ano foi tão diferente para todos, mas o fim do ano é uma boa altura para olhar para trás, e reflectir em tudo o que aconteceu ao longo do ano - e no meio de tanta coisa má, com certeza vão encontrar momentos bons também que vos vão fazer aperceber que o ano não foi totalmente para esquecer, se bem que esquecer-nos deste ano será difícil de qualquer forma. 

 

Aqui fica a reflexão de como vi este ano passar:

Comecei o ano no desemprego, ao ser informada dos cortes que iam fazer na empresa.  São coisas que acontecem, mas logo comecei a aproveitar o tempo livre para fazer o CV e começar a enviar currículos. Ao fim das primeiras semanas, já tinha as primeiras entrevistas marcadas para quando viesse da minha lua-de-mel. Lua-de-mel essa que nunca chegou a acontecer. Ao voltar de alguns dias de descanso alternativos em Littlehampton, começou o lockdown, e foram eliminadas todas as entrevistas que tinha alinhadas. 

 

Durante os meses seguintes, foi o que se sabe - entrevistas eram mentira, por isso aprendi a fazer pão, e os seguidores do @tugaemlondres no Instagram ainda se puderam entreter a ver muitas das minhas criações na altura; comecei a fazer ponto-cruz (ainda não terminei o projecto que comecei no lockdown 1); dei imensos passeios a pé e de bicicleta; dediquei-me a um grande novo projecto que sempre quis fazer, mas que não consegui terminar antes de começar o novo emprego pelo que ainda se encontra na lista de coisas a fazer quando voltar a ter tempo; dediquei-me à jardinagem; e fiz imensas vídeo-conferências com amigos, que até este ano, praticamente só fazia com o trabalho ou com a família. 

 

Durante aquela fase pior do lockdown 1 onde tudo estava parado, houve muita conversa de angústia e sensação de solidão, mas quando se anunciou que o lockdown estava prestes a terminar ao fim das 6-7 semanas, as pessoas já se tinham habituado tanto a essa nova forma de vida que, de repente, identificou-se que muitas não queriam sair do lockdown e notou-se uma nova onda de angústia e depressão devido à incerteza do que estava para acontecer. 

 

Entretanto com a morte de George Floyd surgiu um novo movimento das Black Lives Matter que criou um surgimento de manifestações ao longo do mundo contra todas as regras do Covid pelas pessoas se aperceberem que era urgente actuarem. Houveram muitos problemas associados com essas manifestações, a população ficou muito dividida entre o estar certo ou errado fazer estas manifestações no meio de uma pandemia, queimar-se estátuas e afins de personalidades históricas que contribuiram para o tráfego de escravos e afins. Muitos disseram que se estava a mutilar importantes momentos da história. Sinceramente, na minha opinião, esse movimento fez história e já se vêm muitas repercusões positivas desde que este movimento surgiu. 

 

Quando o lockdown terminou estávamos a entrar no verão, e as actividades sociais com outras pessoas começaram a ser permitidas novamente, primeiro com encontros no parque permitidos, e a partir de meados de Julho, os restaurantes e pubs voltaram também a abrir. Também comecei a ter mais respostas às minhas candidaturas a emprego a partir de inícios do verão, o que eventualmente deu em resultado positivo.

 

Ao fim dos primeiros 100 dias desde que o lockdown começou fiz um post com fotos em revista que foi uma boa representação de como passei esse tempo. Os casos do coronavirus estavam a diminuir significativamente e havia um certo optimismo pelo ar.

 

Comecei o meu novo emprego em meados de Julho, e ao fim de 5 meses de lá estar, ainda só conheci fisicamente 5 colegas. Tem sido sem dúvida estranho estar num emprego que faço praticamente todo online, sem conhecer os meus colegas em pessoa, mas fico a aguardar o momento em que eventualmente vou poder conhecê-los, espero que seja algures em 2021. 

 

Entre um emprego novo e uma pandemia, acabei por não viajar para lado nenhum este ano, aparte de uns poucos fins-de-semana prolongados passados na zona do campo de Inglaterra. Foram bem passados mas devo dizer que estou ansiosa para poder fazer uma viagem mais prolongada e mais distante algures em 2021 (talvez? se for possível?).

 

Como tomamos a decisão de comprar casa nova, essa decisão também pode influenciar a nossa possibilidade de virmos a tirar férias. Afinal, precisamos de juntar o máximo de dinheiro que conseguirmos para comprar uma propriedade que gostarmos, e gastar dinheiro em férias parece uma frivolidade nesta altura. Custa-me pensar que talvez ainda não seja para 2021 que vamos ter a oportunidade de fazer a nossa lua-de-mel, mas, vai depender do valor da casa que encontrarmos, da pandemia, de muitas coisas. Não quero desistir da ideia de ter uma lua-de-mel, mas quando a vamos poder fazer é outra história.

 

Durante todo o ano, o único local onde parecia que não havia lockdown era Broadway Market, em Hackney. Muitas pessoas, inclusive eu, estavam chocadas ao início ao ver o número de pessoas que se encontravam naquela rua durante todos os dias, mas sinceramente, ao fim de tanto tempo e de tanto lockdown, sabia-me bem passar por lá e ver o rebuliço nas ruas, e ter uma sensação de normalidade ao passar por lá. Como os muitos bares, cafés e restaurantes têm estado abertos para takeaway durante quase todo o ano, as pessoas gostam de passar por lá, para ir comprar o café durante a manhã, o Aperol Spritz durante o verão ou o Mulled Wine nas noites frias de inverno e ficar em pé no meio da rua a conversar com os amigos. E não foi por isso que a zona de Hackney tenha estado mais infectada que outras, porque não o esteve de todo. Em certa altura no verão, Hackney era até uma das zonas com menos infectados de Londres, o que reflecte como a socialização em espaços abertos é bem menos contagiosa do que em espaços fechados. Foi quando soube desses números que me comecei a sentir mais confortável de passar por lá para aproveitar aquela sensação de normalidade. 

 

Relativamente às regras que se têm estabelecido ao longo do ano, estas têm criado muita controvérsia entre amigos - há aqueles que respeitam as regras ao extremo, os outros que não querem saber, e aqueles que tomam decisões mais moderadas entre aquilo que acham que podem ou não fazer. Todas as pessoas são diferentes e todas têm razões para pensar de uma forma ou outra, mas o importante é que respeitem as decisões uns dos outros. 

 

Já passamos o lockdown 2 em Novembro, e duas semanas depois fomos colocados no Tier 4 que, basicamente, equivalente ao lockdown 3 (ou será que nunca chegamos a sair do lockdown 2 e aquelas duas semanas foram todas uma mentira para nos dar um bocadinho de energia apenas para continuarmos em lockdown durante mais uns meses?) 

 

Com o anúncio das novas vacinas, primeiro pela Pfizer e agora também pela Astrazeneca, há mais esperança de que o fim esteja próximo. Ainda não vai ser para já, e apesar de hoje terminar o ano de 2020 oficialmente, acho que a sensação que temos tido este ano ainda se vai prolongar pelos primeiros meses do ano. Tenho esperança que o próximo verão seja diferente do verão de 2020 e que sejam permitidas mais actividades sociais, que o teatro e os concertos voltem a ser permitidos,... eu tenho esperança nisso e quero pensar positivamente que tal vai acontecer. Até lá, é mais um esforço. Continuar a respeitar ao máximo possível as regras que temos, para que a sensação de liberdade social posso voltar o mais cedo possível. 

 

Feliz Ano Novo e que volte a haver liberdade social em 2021 são os meus desejos para o mundo. 

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Comprar casa em Londres - Parte II

Como tinha indicado neste post, escrito no fim de Novembro, demos início à procura de nova casa este Outono. Desde então conseguimos visitar mais umas 10 casas durante o mês de Dezembro, e fizemos mais uma oferta noutra casa que gostamos. A nossa oferta também não foi aceite pela segunda vez. Desta vez foi porque estamos numa 'chain', ou seja, temos um apartamento para vender antes de podermos comprar a próxima casa. Inicialmente até pensamos que tal não fosse preciso, mas quando colocamos a oferta nesta segunda casa, falamos com um 'mortgage adviser' que nos informou que, se não vendermos o nosso apartamento primeiro, vamos pagar o dobro do stamp duty. Ah, pois! Não sabíamos nada disso. E, por esta altura, mesmo que fossemos encontrar uma casa em Dezembro, provavelmente já não iríamos a tempo de conseguir fazer troca de contratos antes do final da 'stamp duty holiday', ou seja a isenção de imposto na compra de casa que o governo está a oferecer até Março, porque geralmente demora mais que 3 meses para se finalizar a compra de uma casa. Isto explica uma das razões porque os agentes imobiliários continuavam a insistir de que deveríamos falar com um 'mortgage adviser' o quanto antes (para sabermos informações desse género, e porque queriam introduzir-nos aos seus parceiros para receberem comissão na introdução, mas essa é outra história). 

 

Enfim, cá nos encontramos então numa nova situação - sabemos agora que vamos ter que vender o nosso apartamento antes de poder comprar nova casa. Porque para já, ter este apartamento, faz-nos compradores menos 'fortes' em comparação com outros que não tenham casa para vender, ou seja, estejam 'chain-free', e portanto, mais disponíveis para tratar do processo de compra mais rapidamente. Geralmente, os vendedores preferem sempre compradores que estejam dispostos a trocar contratos o mais depressa possível, principalmente se eles próprios estiverem numa chain, ou seja, têm que vender a sua propriedade, para poderem comprar outra. 

 

Assim sendo, a decisão foi feita por nós de que temos que vender primeiro. Então lá comecei o processo, e chamei um agente cá a casa para nos fazer a avaliação do valor do nosso apartamento. Em 4 anos o seu valor subiu £15000 o que não é mau de todo, mas como só comprei uma pequena percentagem da casa, apenas vou receber essa percentagem do aumento do valor, menos as despesas em advogados, taxas de venda etc, o que significa que provavelmente vou ficar com zero de lucro, mas desde que me cubra as custos da venda, seria muito bom. E se não perceberem o que quero dizer com ter apenas uma percentagem da casa, podem ler mais sobre shared ownership neste post.

 

Como este apartamento possuo em shared ownership, tenho que dar a oportunidade à organização que me vendeu o apartamento através deste esquema, para vendê-lo primeiro. Assim sendo, como o próximo passo, eles vão anunciar o apartamento e têm 8 semanas para o venderem. Se ao fim das 8 semanas ainda não conseguirem ter vendido, podemos então tentar vender no mercado aberto e escolher os nossos agentes imobiliários, mas sinceramente, espero que eles o consigam vender nas 8 semanas porque isso ia evitar taxas adicionais de venda através de um agente imobiliário. O problema que também temos, é que podemos encontrar alguém rapidamente para comprar este apartamento visto ser tão bem localizado perto do centro, do canal, de parques etc, mas ainda não termos encontrado uma outra casa para nos mudarmos. E aí é que a coisa se torna mais complicada. Porque ou temos que fazer o nosso comprador esperar, ou temos que nos mudar para acomodação alugada até encontrarmos a nossa próxima propriedade. De qualquer forma nenhuma dessas hipóteses é ideal, mas a ver vamos. A saga continua a partir de Janeiro. 

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Natal em Londres

Sendo dia de véspera de Natal, só quiz passar para desejar ao leitores do blog umas festas muito felizes. 

 

Penso que seremos muitos a ter um Natal diferente este ano, mas diferente não é necessariamente negativo. Nos últimos dias por Londres, apesar de muitas actividades Natalícias serem inexistentes, mesmo assim vêm-se decorações de Natal pelos ruas, e alguns mercados de Natal ainda se mantiveram em funcionamento. Por isso, mesmo só sair para fazer passeios, e passar pelos mercados existentes ou pelas ruas decoradas, traz um pouco do ambiente Natalício de que gostamos.

 

 

Gostei também do processo de fazer compras para as refeições de Natal, pensar em tudo o que queria servir, sem ter que deixar essa decisão para outros familiares. O plano cá por casa é que eu faço a refeição da consoada, e o meu Inglês faz a refeição de Natal. Quiz fazer a Consoada tradicional Portuguesa com o Bacalhau com Todos. Não consegui encontrar couve Portuguesa, mas encontrei o Bacalhau e mais alguns produtos deliciosos no Madeira Deli em Vauxhall. A entrada vai incluir camarões grelhados como a minha mãe sempre fez, e para sobremesa vai ser leite-creme e um cheesecake tdo País Basco. O cheesecake não tem nada de tradição Portuguesa, mas não sou grande fã de Bolo Rei, pelo que fica uma alternativa boa. 

 

Amanhã teremos frango no forno com todos os acompanhamentos essenciais de uma refeição de Natal Inglesa. Aparte da comida, pretendemos entreter-nos com filmes e jogos e conversa e Zooms, porque afinal, este é o ano do zoom e das vídeo conferências, portanto, nada como terminarmos o ano com a mesma tendência, para ao menos poder ter algum contacto com a família. 

 

E depois do Natal, bem, continuaremos à espera para receber algumas novidades positivas das negociações entre o Reino Unido e a União Europeia, para podermos chegar a algum tipo de acordo. Será possível? Isso é que ainda ninguém sabe, mas infelizmente com tão poucos dias até ao final do ano, a esperança não é muita. 

 

Que venham melhores dias para o futuro do Reino Unido, da União Europeia e do mundo, mas entretanto, que aproveitem os próximos dias para esquecerem dos problemas e aproveitarem a época de festas da melhor forma possível. Feliz Natal!

 

 

 

Viajar numa pandemia - ir ou não passar o Natal a Portugal?

Imagino que a maioria dos emigrantes como eu tenham feito a mesma pergunta a si próprios este ano - Vou ou não vou passar o Natal a Portugal? 

 

E ao fazermos essa pergunta, ouvimos as vozes na nossa cabeça conversar sobre o assunto. A primeira voz diz-nos - O Natal é para passar em família, e depois de tanto esforço que fizemos durante o ano, merecemos ao menos poder partilhar este momento com os nossos mais próximos. Se devemos abrir uma excepção ao longo de todo o ano, é esta a excepção a fazer. Eu não tenho o vírus, os meus familiares não estão com o vírus portanto, ao estarmos juntos não haverá problema de infecção. A não ser que apanhe o vírus a caminho de Portugal no voo cheio que vou apanhar. Mas isso será pouco provável, portanto o risco é pequeno.

E continua a segunda voz - Afinal passámos o ano inteiro a fazer inúmeros esforços para não ver a família e os amigos de forma a que todos ficássemos seguros e ajudar a evitar espalhar o vírus. Então, o que nos dá o direito de estragar todo o bem feito durante o ano e juntarmo-nos todos para levar a outro surjo de casos e consecutivamente o inevitável surjo de mortes? 

 

Continuei com este debate ao longo dos últimos meses. Tinha comprado o voo para passar o Natal em Lisboa já em Agosto, com as expectativas de que a situação talvez tivesse melhor nessa altura, mas esta semana que passou tive que tomar a decisão definitiva, e a decisão foi passar um Natal diferente longe da família. Não foi fácil, mas sei que me vou sentir melhor por tê-la tomado. Além de que, se fosse a Portugal, acho que ia passar o tempo a tentar distanciar-me dos meus pais o que seria muito estranho, portanto preferi evitar toda essa situação, e simplesmente continuar o ano como tem sido até agora - um ano mais solitário e estacionário do que qualquer outro. 

 

Os meus pais compreenderam perfeitamente quando lhes dei a notícia e acho, que de certa forma até estavam à espera que eu tomasse essa decisão. Sinceramente acredito que este vai ser o primeiro e último ano que vamos ter que tomar uma decisão destas porque com a vacina já a ser administrada, 2021 vai ser o ano da grande recuperação, e pelo Natal do próximo ano, já nos vamos poder voltar a abraçar sem remorsos, por isso vou esperar. 

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