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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Comprar casa em Londres - Parte III

Este mês ainda não tinha vindo escrever sobre a situação actual da procura de casa, mas só parámos de procurar mesmo nos dois fins-de-semana do Natal e Ano Novo. Mas devo dizer que o mercado tem estado fraquito neste início de ano. Não me surpreende muito visto estarmos em lockdown, e talvez os vendedores prefiram deixar esta fase passar antes de ter várias pessoas a entrar nas suas casas, mas não deixa de ser um bocadinho desmoralizante quando não se vê nada interessante a aparecer no mercado. Mesmo assim, apesar de terem aparecido poucas propriedades, conseguimos encontrar duas semelhantes de que gostamos - a primeira está em óptimas condições mas a localização não é ideal em termos de distância a andar para locais de que gostamos, e também é um pouco mais distante dos nossos respectivos escritórios, quando eventualmente abrirem. 

 

A segunda precisa de renovações logo de início, mas preferimos a sua localização. Quando as vimos pela primeira vez, em dias diferentes, estávamos quase convencidos de que queríamos fazer uma oferta à primeira, mas ao visitarmos ambas pela segunda vez no mesmo dia apercebemo-nos de certas outras vantagens que a segunda tem comparativamente com a primeira, para além da localização. Como tal, decidimos fazer uma oferta na segunda propriedade. 

 

Já vai ser a terceira oferta que fazemos. Adorava que fosse desta que conseguíssemos que a oferta fosse aceite, mas já sabemos de pelo menos mais outra oferta que foi feita, e haviam mais 4 pessoas a fazer uma segunda visita tal como nós, por isso imagino que vamos ter bastante concorrência. 

 

Depois ainda temos a desvantagem de que o meu apartamento ainda não está no mercado. Já deveria estar, que a avaliação e as fotos tão tratadas. Só falta mesmo à associação que me vendeu a casa colocá-la no mercado porque, sendo vendida em esquema de shared ownership, é a associação que deve publicitá-la durante as primeiras 8 semanas, e só se não conseguir é que eu posso utilizar um agente. 

 

Inevitavelmente, cada vez que faço uma oferta numa casa, até saber a resposta do vendedor fico ansiosa pela resposta, começo a imaginar-me a viver lá, e claro que, cai-me tudo quando a resposta é negativa. 

 

Não sei se recebo a resposta já amanhã. Imagino que não seja uma decisão imediata, mas espero que não demore muito que agora só quero saber se vamos conseguir ficar com aquela casa ou se não. 

 

 

via GIPHY

 

O que quero fazer quando a pandemia terminar

Já estou farta desta pandemia até aos olhos. Estamos todos, eu sei! Temos que ter paciência e aguentar este último esforço (esperemos que seja o último) nos próximos meses para conseguirmos ultrapassar a situação com o mínimo possível de afectados. 

 

Até lá podemos sonhar com o que vamos fazer quando a pandemia terminar. No outro dia perguntaram-me o que seria o top 3 das actividades que pretendo fazer quando puder, e não foi preciso parar para pensar no assunto:

  • abraçar amigos e família, muito forte e muitas vezes;
  • fazer uma grande festa com amigos daquelas que começam num dia e acabam na manhã seguinte. Vai incluir cumprimentar pessoas novas com dois beijos, conversar com muitas pessoas a menos de 1 metro de distância que a festa vai ter tantas pessoas que vai estar tudo um pouco apertado, rir muito e dançar o resto da noite;
  • viajar! Para longe e sem ter que usar máscara durante o percurso.

 

E acho que não sou a única que tem esse objectivo de ir a festas após a pandemia. No outro dia achei interessante ler este artigo sobre a predição do epidemiologista Dr Nicholas Christakis que, baseado no estudo dos efeitos sociais após pandemias anteriores, ele prevê que, novamente vai surgir uma euforia de actividade social, tal como houve nos anos 20, após a Febre Espanhola, com o surgir dos roaring 20s. E acredito perfeitamente que o desejo de socialização vai levar a um movimento semelhante. Desta vez não será ao som do Charleston, mas imagino que um tipo de música com batida igualmente rápida venha a ser predominante dessa futura era. Imagino até, que existem muitos músicos neste momento, que estejam a tentar criar o novo estilo musical que venha a ser representativo dessa fase. 

 

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Segundo o Dr. Christakis, tal efeito ainda vai demorar a chegar, visto que, antes disso, ainda se vão sentir os efeitos da depressão económica, e portanto, só por 2024, se venham a verificar os novos roaring 20s do século XXI. Desanimou-me um pouco a ideia de que tal venha a demorar ainda tanto tempo a acontecer, mas, caso a sua predição seja correcta, mais vale tarde do que nunca. 

 

Já pensaram também naquilo que querem fazer quando a pandemia terminar? Como esta pandemia afectou tanto tipo de actividade, vão com certeza existir muitos desejos diferentes. Até lá, há que ter paciência, e continuar a sonhar. 

Lockdown Parte III

E entramos no terceiro lockdown. Isto já começa a ser tão habitual que já nem me admiro. Como Londres já estava no Tier 4, que era o que tinha restrições mais elevadas em que as lojas, bares e restaurantes estava já tudo fechado, não me faz muita diferença este novo lockdown, mas tem a grande desvantagem de que agora voltamos à situação em que estavamos em Março, em que não devemos sair à rua, a não ser por razões essenciais, e não nos podemos encontrar com amigos para socializar. No Tier 4 ao menos, passear com amigos era permitido. 

 

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Estou eu e estamos todos mais que fartos disto, mas sinceramente, com as vacinas que agora estão disponíveis, e contando com o facto de que o Reino Unido foi o país que já encomendou mais vacinas per capita, sinto-me mais positiva de que há uma luz ao fundo do túnel, e que a partir da primavera vamos estar numa situação melhor com muitas mais pessoas protegidas, uma redução consideravel dos casos, e consequentemente, uma maior abertura das nossas vidas sociais novamente. Mal posso esperar! Até lá, bem, tenho mais umas quantas séries com que me entreter, um puzzle para acabar, e aprender a fazer muitos cozinhados veganos durante este mês que estou a fazer o 'veganuary'. Se estiverem interessados em ver as minhas criações veganas, espreitem as Stories do @tugaemlondres no Instagram. 

2020 em revista

Bem sabemos como este ano foi tão diferente para todos, mas o fim do ano é uma boa altura para olhar para trás, e reflectir em tudo o que aconteceu ao longo do ano - e no meio de tanta coisa má, com certeza vão encontrar momentos bons também que vos vão fazer aperceber que o ano não foi totalmente para esquecer, se bem que esquecer-nos deste ano será difícil de qualquer forma. 

 

Aqui fica a reflexão de como vi este ano passar:

Comecei o ano no desemprego, ao ser informada dos cortes que iam fazer na empresa.  São coisas que acontecem, mas logo comecei a aproveitar o tempo livre para fazer o CV e começar a enviar currículos. Ao fim das primeiras semanas, já tinha as primeiras entrevistas marcadas para quando viesse da minha lua-de-mel. Lua-de-mel essa que nunca chegou a acontecer. Ao voltar de alguns dias de descanso alternativos em Littlehampton, começou o lockdown, e foram eliminadas todas as entrevistas que tinha alinhadas. 

 

Durante os meses seguintes, foi o que se sabe - entrevistas eram mentira, por isso aprendi a fazer pão, e os seguidores do @tugaemlondres no Instagram ainda se puderam entreter a ver muitas das minhas criações na altura; comecei a fazer ponto-cruz (ainda não terminei o projecto que comecei no lockdown 1); dei imensos passeios a pé e de bicicleta; dediquei-me a um grande novo projecto que sempre quis fazer, mas que não consegui terminar antes de começar o novo emprego pelo que ainda se encontra na lista de coisas a fazer quando voltar a ter tempo; dediquei-me à jardinagem; e fiz imensas vídeo-conferências com amigos, que até este ano, praticamente só fazia com o trabalho ou com a família. 

 

Durante aquela fase pior do lockdown 1 onde tudo estava parado, houve muita conversa de angústia e sensação de solidão, mas quando se anunciou que o lockdown estava prestes a terminar ao fim das 6-7 semanas, as pessoas já se tinham habituado tanto a essa nova forma de vida que, de repente, identificou-se que muitas não queriam sair do lockdown e notou-se uma nova onda de angústia e depressão devido à incerteza do que estava para acontecer. 

 

Entretanto com a morte de George Floyd surgiu um novo movimento das Black Lives Matter que criou um surgimento de manifestações ao longo do mundo contra todas as regras do Covid pelas pessoas se aperceberem que era urgente actuarem. Houveram muitos problemas associados com essas manifestações, a população ficou muito dividida entre o estar certo ou errado fazer estas manifestações no meio de uma pandemia, queimar-se estátuas e afins de personalidades históricas que contribuiram para o tráfego de escravos e afins. Muitos disseram que se estava a mutilar importantes momentos da história. Sinceramente, na minha opinião, esse movimento fez história e já se vêm muitas repercusões positivas desde que este movimento surgiu. 

 

Quando o lockdown terminou estávamos a entrar no verão, e as actividades sociais com outras pessoas começaram a ser permitidas novamente, primeiro com encontros no parque permitidos, e a partir de meados de Julho, os restaurantes e pubs voltaram também a abrir. Também comecei a ter mais respostas às minhas candidaturas a emprego a partir de inícios do verão, o que eventualmente deu em resultado positivo.

 

Ao fim dos primeiros 100 dias desde que o lockdown começou fiz um post com fotos em revista que foi uma boa representação de como passei esse tempo. Os casos do coronavirus estavam a diminuir significativamente e havia um certo optimismo pelo ar.

 

Comecei o meu novo emprego em meados de Julho, e ao fim de 5 meses de lá estar, ainda só conheci fisicamente 5 colegas. Tem sido sem dúvida estranho estar num emprego que faço praticamente todo online, sem conhecer os meus colegas em pessoa, mas fico a aguardar o momento em que eventualmente vou poder conhecê-los, espero que seja algures em 2021. 

 

Entre um emprego novo e uma pandemia, acabei por não viajar para lado nenhum este ano, aparte de uns poucos fins-de-semana prolongados passados na zona do campo de Inglaterra. Foram bem passados mas devo dizer que estou ansiosa para poder fazer uma viagem mais prolongada e mais distante algures em 2021 (talvez? se for possível?).

 

Como tomamos a decisão de comprar casa nova, essa decisão também pode influenciar a nossa possibilidade de virmos a tirar férias. Afinal, precisamos de juntar o máximo de dinheiro que conseguirmos para comprar uma propriedade que gostarmos, e gastar dinheiro em férias parece uma frivolidade nesta altura. Custa-me pensar que talvez ainda não seja para 2021 que vamos ter a oportunidade de fazer a nossa lua-de-mel, mas, vai depender do valor da casa que encontrarmos, da pandemia, de muitas coisas. Não quero desistir da ideia de ter uma lua-de-mel, mas quando a vamos poder fazer é outra história.

 

Durante todo o ano, o único local onde parecia que não havia lockdown era Broadway Market, em Hackney. Muitas pessoas, inclusive eu, estavam chocadas ao início ao ver o número de pessoas que se encontravam naquela rua durante todos os dias, mas sinceramente, ao fim de tanto tempo e de tanto lockdown, sabia-me bem passar por lá e ver o rebuliço nas ruas, e ter uma sensação de normalidade ao passar por lá. Como os muitos bares, cafés e restaurantes têm estado abertos para takeaway durante quase todo o ano, as pessoas gostam de passar por lá, para ir comprar o café durante a manhã, o Aperol Spritz durante o verão ou o Mulled Wine nas noites frias de inverno e ficar em pé no meio da rua a conversar com os amigos. E não foi por isso que a zona de Hackney tenha estado mais infectada que outras, porque não o esteve de todo. Em certa altura no verão, Hackney era até uma das zonas com menos infectados de Londres, o que reflecte como a socialização em espaços abertos é bem menos contagiosa do que em espaços fechados. Foi quando soube desses números que me comecei a sentir mais confortável de passar por lá para aproveitar aquela sensação de normalidade. 

 

Relativamente às regras que se têm estabelecido ao longo do ano, estas têm criado muita controvérsia entre amigos - há aqueles que respeitam as regras ao extremo, os outros que não querem saber, e aqueles que tomam decisões mais moderadas entre aquilo que acham que podem ou não fazer. Todas as pessoas são diferentes e todas têm razões para pensar de uma forma ou outra, mas o importante é que respeitem as decisões uns dos outros. 

 

Já passamos o lockdown 2 em Novembro, e duas semanas depois fomos colocados no Tier 4 que, basicamente, equivalente ao lockdown 3 (ou será que nunca chegamos a sair do lockdown 2 e aquelas duas semanas foram todas uma mentira para nos dar um bocadinho de energia apenas para continuarmos em lockdown durante mais uns meses?) 

 

Com o anúncio das novas vacinas, primeiro pela Pfizer e agora também pela Astrazeneca, há mais esperança de que o fim esteja próximo. Ainda não vai ser para já, e apesar de hoje terminar o ano de 2020 oficialmente, acho que a sensação que temos tido este ano ainda se vai prolongar pelos primeiros meses do ano. Tenho esperança que o próximo verão seja diferente do verão de 2020 e que sejam permitidas mais actividades sociais, que o teatro e os concertos voltem a ser permitidos,... eu tenho esperança nisso e quero pensar positivamente que tal vai acontecer. Até lá, é mais um esforço. Continuar a respeitar ao máximo possível as regras que temos, para que a sensação de liberdade social posso voltar o mais cedo possível. 

 

Feliz Ano Novo e que volte a haver liberdade social em 2021 são os meus desejos para o mundo. 

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Comprar casa em Londres - Parte II

Como tinha indicado neste post, escrito no fim de Novembro, demos início à procura de nova casa este Outono. Desde então conseguimos visitar mais umas 10 casas durante o mês de Dezembro, e fizemos mais uma oferta noutra casa que gostamos. A nossa oferta também não foi aceite pela segunda vez. Desta vez foi porque estamos numa 'chain', ou seja, temos um apartamento para vender antes de podermos comprar a próxima casa. Inicialmente até pensamos que tal não fosse preciso, mas quando colocamos a oferta nesta segunda casa, falamos com um 'mortgage adviser' que nos informou que, se não vendermos o nosso apartamento primeiro, vamos pagar o dobro do stamp duty. Ah, pois! Não sabíamos nada disso. E, por esta altura, mesmo que fossemos encontrar uma casa em Dezembro, provavelmente já não iríamos a tempo de conseguir fazer troca de contratos antes do final da 'stamp duty holiday', ou seja a isenção de imposto na compra de casa que o governo está a oferecer até Março, porque geralmente demora mais que 3 meses para se finalizar a compra de uma casa. Isto explica uma das razões porque os agentes imobiliários continuavam a insistir de que deveríamos falar com um 'mortgage adviser' o quanto antes (para sabermos informações desse género, e porque queriam introduzir-nos aos seus parceiros para receberem comissão na introdução, mas essa é outra história). 

 

Enfim, cá nos encontramos então numa nova situação - sabemos agora que vamos ter que vender o nosso apartamento antes de poder comprar nova casa. Porque para já, ter este apartamento, faz-nos compradores menos 'fortes' em comparação com outros que não tenham casa para vender, ou seja, estejam 'chain-free', e portanto, mais disponíveis para tratar do processo de compra mais rapidamente. Geralmente, os vendedores preferem sempre compradores que estejam dispostos a trocar contratos o mais depressa possível, principalmente se eles próprios estiverem numa chain, ou seja, têm que vender a sua propriedade, para poderem comprar outra. 

 

Assim sendo, a decisão foi feita por nós de que temos que vender primeiro. Então lá comecei o processo, e chamei um agente cá a casa para nos fazer a avaliação do valor do nosso apartamento. Em 4 anos o seu valor subiu £15000 o que não é mau de todo, mas como só comprei uma pequena percentagem da casa, apenas vou receber essa percentagem do aumento do valor, menos as despesas em advogados, taxas de venda etc, o que significa que provavelmente vou ficar com zero de lucro, mas desde que me cubra as custos da venda, seria muito bom. E se não perceberem o que quero dizer com ter apenas uma percentagem da casa, podem ler mais sobre shared ownership neste post.

 

Como este apartamento possuo em shared ownership, tenho que dar a oportunidade à organização que me vendeu o apartamento através deste esquema, para vendê-lo primeiro. Assim sendo, como o próximo passo, eles vão anunciar o apartamento e têm 8 semanas para o venderem. Se ao fim das 8 semanas ainda não conseguirem ter vendido, podemos então tentar vender no mercado aberto e escolher os nossos agentes imobiliários, mas sinceramente, espero que eles o consigam vender nas 8 semanas porque isso ia evitar taxas adicionais de venda através de um agente imobiliário. O problema que também temos, é que podemos encontrar alguém rapidamente para comprar este apartamento visto ser tão bem localizado perto do centro, do canal, de parques etc, mas ainda não termos encontrado uma outra casa para nos mudarmos. E aí é que a coisa se torna mais complicada. Porque ou temos que fazer o nosso comprador esperar, ou temos que nos mudar para acomodação alugada até encontrarmos a nossa próxima propriedade. De qualquer forma nenhuma dessas hipóteses é ideal, mas a ver vamos. A saga continua a partir de Janeiro. 

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Natal em Londres

Sendo dia de véspera de Natal, só quiz passar para desejar ao leitores do blog umas festas muito felizes. 

 

Penso que seremos muitos a ter um Natal diferente este ano, mas diferente não é necessariamente negativo. Nos últimos dias por Londres, apesar de muitas actividades Natalícias serem inexistentes, mesmo assim vêm-se decorações de Natal pelos ruas, e alguns mercados de Natal ainda se mantiveram em funcionamento. Por isso, mesmo só sair para fazer passeios, e passar pelos mercados existentes ou pelas ruas decoradas, traz um pouco do ambiente Natalício de que gostamos.

 

 

Gostei também do processo de fazer compras para as refeições de Natal, pensar em tudo o que queria servir, sem ter que deixar essa decisão para outros familiares. O plano cá por casa é que eu faço a refeição da consoada, e o meu Inglês faz a refeição de Natal. Quiz fazer a Consoada tradicional Portuguesa com o Bacalhau com Todos. Não consegui encontrar couve Portuguesa, mas encontrei o Bacalhau e mais alguns produtos deliciosos no Madeira Deli em Vauxhall. A entrada vai incluir camarões grelhados como a minha mãe sempre fez, e para sobremesa vai ser leite-creme e um cheesecake tdo País Basco. O cheesecake não tem nada de tradição Portuguesa, mas não sou grande fã de Bolo Rei, pelo que fica uma alternativa boa. 

 

Amanhã teremos frango no forno com todos os acompanhamentos essenciais de uma refeição de Natal Inglesa. Aparte da comida, pretendemos entreter-nos com filmes e jogos e conversa e Zooms, porque afinal, este é o ano do zoom e das vídeo conferências, portanto, nada como terminarmos o ano com a mesma tendência, para ao menos poder ter algum contacto com a família. 

 

E depois do Natal, bem, continuaremos à espera para receber algumas novidades positivas das negociações entre o Reino Unido e a União Europeia, para podermos chegar a algum tipo de acordo. Será possível? Isso é que ainda ninguém sabe, mas infelizmente com tão poucos dias até ao final do ano, a esperança não é muita. 

 

Que venham melhores dias para o futuro do Reino Unido, da União Europeia e do mundo, mas entretanto, que aproveitem os próximos dias para esquecerem dos problemas e aproveitarem a época de festas da melhor forma possível. Feliz Natal!

 

 

 

Viajar numa pandemia - ir ou não passar o Natal a Portugal?

Imagino que a maioria dos emigrantes como eu tenham feito a mesma pergunta a si próprios este ano - Vou ou não vou passar o Natal a Portugal? 

 

E ao fazermos essa pergunta, ouvimos as vozes na nossa cabeça conversar sobre o assunto. A primeira voz diz-nos - O Natal é para passar em família, e depois de tanto esforço que fizemos durante o ano, merecemos ao menos poder partilhar este momento com os nossos mais próximos. Se devemos abrir uma excepção ao longo de todo o ano, é esta a excepção a fazer. Eu não tenho o vírus, os meus familiares não estão com o vírus portanto, ao estarmos juntos não haverá problema de infecção. A não ser que apanhe o vírus a caminho de Portugal no voo cheio que vou apanhar. Mas isso será pouco provável, portanto o risco é pequeno.

E continua a segunda voz - Afinal passámos o ano inteiro a fazer inúmeros esforços para não ver a família e os amigos de forma a que todos ficássemos seguros e ajudar a evitar espalhar o vírus. Então, o que nos dá o direito de estragar todo o bem feito durante o ano e juntarmo-nos todos para levar a outro surjo de casos e consecutivamente o inevitável surjo de mortes? 

 

Continuei com este debate ao longo dos últimos meses. Tinha comprado o voo para passar o Natal em Lisboa já em Agosto, com as expectativas de que a situação talvez tivesse melhor nessa altura, mas esta semana que passou tive que tomar a decisão definitiva, e a decisão foi passar um Natal diferente longe da família. Não foi fácil, mas sei que me vou sentir melhor por tê-la tomado. Além de que, se fosse a Portugal, acho que ia passar o tempo a tentar distanciar-me dos meus pais o que seria muito estranho, portanto preferi evitar toda essa situação, e simplesmente continuar o ano como tem sido até agora - um ano mais solitário e estacionário do que qualquer outro. 

 

Os meus pais compreenderam perfeitamente quando lhes dei a notícia e acho, que de certa forma até estavam à espera que eu tomasse essa decisão. Sinceramente acredito que este vai ser o primeiro e último ano que vamos ter que tomar uma decisão destas porque com a vacina já a ser administrada, 2021 vai ser o ano da grande recuperação, e pelo Natal do próximo ano, já nos vamos poder voltar a abraçar sem remorsos, por isso vou esperar. 

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Os primeiros passos para comprar casa em Londres

Como indiquei neste post, o lockdown fez-nos aperceber o quanto é importante vivermos num local com mais espaço do que o nosso pequeno apartamento, e como tal, decidimos que era tempo de fazer um upgrade ao local onde vivemos. Desde o momento em que tomamos essa decisão, temos dedicado todos os sábados a visitar casas, e em 7 semanas, desde que começamos este processo, já vimos 24 casas e fizemos 1 oferta. 

 

Mas não, não tenho novidades para dar, porque essa oferta parece ter sido posta de parte já que a casa em questão teve várias outras ofertas e nem sequer tivemos mais notícias do agente. Até percebia o seu desdem se tivessemos feito uma oferta a um preço abaixo do pedido, mas fizemos a oferta ao preço pedido. Imagino que devem ter havido várias outras ofertas ao preço acima do pedido. Na noite em que fiz a oferta mal consegui dormir com a excitação da possibilidade de morar lá, mas com o passar dos dias, sem notícias, cheguei à conclusão que não tinhamos sido os compradores escolhidos. 

 

Este é um dos problemas que estou a notar que se tem por Londres. Ou existe qualquer coisa de errado com a casa/apartamento que torna difícil encontrar um comprador, e a propriedade fica semanas ou até meses à procura de comprador, ou é vendida de imediato, logo na primeira semana em que tem visitas, e algumas vezes até é vendida sem ter chegado a ser publicitada. 

 

Um facto em que também reparei durante estas semanas em que temos andado à procura, é que chega ao fim-de-semana, e noto que já vi todos os anúncios de todas as casas possíveis em todos os sites e todas as agências que cobrem a nossa área de procura, mas por volta de terça-feira da semana seguinte, são lançadas sempre novas casas nos websites, pelo que é o melhor dia para fazer nova pesquisa, para conseguir marcar logo a visita para o sábado seguinte, antes que a dita propriedade e os agentes tenham o calendário completamente lotado de visitas. 

 

Nesta altura, está a haver um certo boom de compra e venda de propriedade porque o governo eliminou temporariamente até Março do próximo ano, o imposto do Stamp Duty que se paga sempre que se compra uma casa. Mas de momento, e até Março, quem comprar casa está isento de pagar esse imposto caso a casa em questão tenha um valor inferior a £500,000 ou o comprador recebe um desconto no imposto se o valor da casa for superior a esse valor. O governo tomou essa decisão para ajudar a fomentar o mercado imobiliário que como tantas outras industrias também foi afectado com a pandemia. E tem estado a resultar porque de repente tem havido uma emergência de muitas pessoas para aproveitar este período para comprar casa. O mercado está cheio de compradores e vendedores, e como tal os agentes nem se dão ao trabalho de dar notícias aos compradores sobre o estado da sua oferta, visto que têm tantos outros como potenciais clientes 

 

Apesar de ser uma procura mais ou menos constante todas as semanas, até que tenho achado a experiência interessante porque adoro ver casas e ver diferentes estilos de decoração e tenho achado interessante descobrir o interior de tantas casas, apartamentos, maisonettes, lojas convertidas em casas,... Temos visto de todo o tipo de propriedades, e quanto mais vemos, mais nos conseguimos aperceber daquilo que definitivamente não gostamos (por exemplo ser localizada numa rua com muito trânsito), e daquilo que definitivamente não queremos deixar de ter (por exemplo um espaço exterior maior que a nossa varanda actual). Mas sabemos que vamos ter que provavelmente fazer alguns compromissos porque simplesmente há sempre qualquer coisa que não é ideal em todas as propriedades que temos visto. Mas também temos acordado que só fazemos uma oferta quando ambos nos sentimos entusiasmados e que um não deve tentar influenciar o outro, para não haver arrependimentos. Isso também pode significar que nos vai demorar bastante tempo para encontrar o local certo, mas é melhor demorar mais tempo e estarmos ambos mesmo contentes com a nossa decisão, do que a situação oposta. A saga continua...

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Gostei muito da enorme parede cheia de quadros deste apartamento que visitei

 

Como o segundo lockdown difere do primeiro

O país pode estar novamente em lockdown, mas a sensação deste lockdown 2.0, é certamente diferente do primeiro. Enquanto que no lockdown em Abril as pessoas ficavam a maior parte do tempo em casa, reservavam a sua via social a chamadas em video conferência, e tinham receio de apanhar o virus muito facilmente, neste lockdown todos parecem um pouco mais relaxados, até as pessoas que seguiram todas as regras rigidamente durante o primeiro lockdown.

Estive a pensar nas razões que podem estar a afectar esta diferença e cheguei à seguinte conclusão:

 

As regras são mais relaxadas - durante o primeiro lockdown, o pedido foi para ficarmos em casa, pura e claramente, e só sairmos no máximo uma vez ao dia para fazer exercício e ocasionalmente para irmos às compras. Desta vez o Governo está a tentar manter os empregos que possa manter activos, pelo que não existe a mesma exigência de se estar sempre em casa, e como tal, mesmo as pessoas que podem trabalhar de casa, estão a aproveitar para sair sempre que quizerem. 

 

As pessoas estão mais habituadas à ideia de viver numa pandemia - em Abril, este virús ainda era muito recente, conheciamos pouco dele, e a ideia de que se apanhava tão facilmente por tocar qualquer coisa, ou estar próximo de outra pessoa, afectou mesmo o comportamento dos indivíduos - Algumas pessoas paravam no corredor do supermercado à espera que outras escolhessem um produto, porque não queriam ter que passar junto a elas (eu deparei-me comigo própria a fazer isso por querer respeitar ao máximo a regra de 2 metros);  outras limpavam profundamente todas as compras do supermercado (eu também fiz isso até recentemente, e de vez em quando ainda faço). Claro que também se via agrupamentos de pessoas no parque nos dias solarengos, mas mesmo assim verificava-se um certo respeito das regras de forma geral. Neste lockdown, parece que as pessoas simplesmente se habituaram a viver numa pandemia, e que portam não estão tão cuidadosas. Todos andam com as suas máscaras, uma em cada mala ou casaco, para não se esquecerem delas, e todos os que podem trabalhar de casa estão a fazê-lo, mas aparte disso,... vê-se muito pouco de lockdown por Londres. Este fim-de-semana que foi solarengo, os parques estavam cheios, todas as ruas com lojas agradáveis onde existam cafés e restaurantes abertos para takeaway, tinham filas de metros; certas zonas no centro de Londres estava ao rubro, e não se via muito essa sensação de que as pessoas estavam a fazer um esforço para se desviar umas das outras, como faziam por altura de Abril. Mas todos querem aproveitar o seu fim-de-semana, e com certeza de que não saem de casa a pensar que querem ir para um ambiente cheio de pessoas, mas como todas pensam da mesma forma, é esse o resultado.

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Victoria Park no meio do lockdown a 22/11

A ideia de uma vacina para breve - já foi anunciado que foi encontrada uma vacina que tem probabilidade de oferecer um certo nível de segurança contra a prevenção do virús, o que levou a um certo optimismo da população, e muitos parece que ajem como se essa vacina já estivesse a ser distribuída. 

 

Encontramo-nos na altura de festas do ano - estamos na altura do ano reconhecida pelas suas festas - geralmente o mês de Novembro enche-se de festas de prémios profissionais, começam as festas de Natal, começam os encontros de grupos de amigos no pub para variadas celebrações natalícias e pub roasts. E como as pessoas já perderam todas as festas e animação de verão, não estão dispostas a perder também toda a animação da época Natalícia.

Nota-se uma atitude diferente, e o que imagino que vá acontecer se o Governo estender o lockdown para além do dia 2 de Dezembro, será que muitas pessoas simplesmente discordem com a situação e quebrem as regras. E o problema de fazerem isso é que, uma vez que quebrem regras maiores como essa (neste momento só estamos autorizados a escontrar-nos com um amigo fora de casa), será mais fácil às pessoas continuarem a quebrar regras após o Natal. E o Governo sabe disso, elo que deve querer evitar que isso aconteça. O que eu penso que vai acontecer é que, o lockdown não vai ser estendido depois de dia 2, ou se tiver que ser estendido será somente em certas partes do país onde os casos estejam mais significativos, o que não é o caso de Londres. Mas imagino que passemos à regra de 6, como o número máximo de pessoas com quem nos possamos encontrar em espaços ao ar-livre, excepto durante a semana do Natal onde nos poderemos encontrar dentro de casa para a celebração do Natal. Imagino que para o Ano Novo apenas voltem a ser permitidos encontros ao ar-livre para evitar grandes festas em casa. Dessa forma, também se está a ajudar os negócios durante o mês do ano em que tradicionalmente têm mais lucro, o que lhe poderá ajudar a compensar os custos que têm tido durante os meses de lockdown. Com isto tudo, quando chegarmos a Janeiro, possivelmente os casos vão novamente aumentar, e entramos novamente em lockdown. Não é a mais positiva, mas é a minha previsão para os próximos dois meses. Concordam com esta previsão?

A importância do ambiente que nos envolve

Todos sabemos que o ambiente que nos envolve durante o dia-a-dia é importante para a forma como nos sentimos, mas tornou-se mais importante ainda num ano como este, que temos estado no mesmo ambiente durante o dia, todos os dias. 

 

Apesar de ter apenhas um quarto, eu gosto muito do meu apartamento. Adoro a forma como o decorei com pequenos detalhes, cores e estilos que me fazem sentir bem e contente por estar junto a coisas bonitas. Durante estes anos que tenho estado a viver aqui, o meu apartamento apresenta-se como aquele local de calma e relaxe onde sabe bem chegar ao final do dia, fechar a porta, e deixar para trás qualquer stress que tenha decorrido durante o dia.

 

Este ano, no entanto, as coisas estão diferentes. O meu apartamento deixou de ser o local de santuário onde volto ao final do dia para relaxar, e transformou-se no local onde passo o meu tempo permanentemente. Durante o primeiro lockdown, talvez não o tenha sentido tanto porque estava sem trabalhar, portanto, sempre variava mais a minha localização entre os poucos espaços do apartamento, e também fazia passeios mais frequentes. Mas agora, que estamos a passar pelo segundo lockdown as coisas são diferentes. Acordo no meu quarto, e passo o dia sentada a trabalhar no meu quarto, também conhecido como 'o meu escritório'. Ainda mais como o trabalho tem sido intenso, mal tenho tido tempo de parar para almoçar, e tenho estado em média a trabalhar até às 20h. Portanto, restam-me cerca de 3 a 4 horas entre a cozinha e a sala para estar noutro ambiente até ser hora de dormir e voltar ao quarto novamente. E a intensidade de estar neste mesmo espaço continuamente está a demonstrar os seus efeitos. Comecei a sentir uma certa claustrofobia por este mesmo ambiente constante, e o meu Inglês concorda. Como tal, decidimos que chegou o tempo de fazer uma mudança. 

 

Ao contrário do que estão a fazer muitas pessoas, nós não pensamos ir mudar para uma casa grande no campo, mas apenas queremos uma casa maior não muito longe da zona onde vivemos actualmente. Definitivamente a próxima casa tem que oferecer a possibilidade para ambos trabalharmos de casa, sem nenhum ter que estar a trabalhar no quarto. Essa separação é crucial, mesmo que seja para uma zona no quarto ao lado, mas preciso de sentir qualquer diferença. Espero que também não tenha que trabalhar de casa permanentemente durante muito mais tempo, mas como acredito que a vida de trabalho se vai tornar muito mais nómada depois deste ano, quero ter a possibilidade de trabalhar de casa numa zona separada do quarto. 

 

Como tal, já começamos a nossa procura e vimos algumas casas. Acho que para já, vimos cerca de 15 casas, e dentro delas, consideramos a hipótese de fazer uma oferta em duas delas. Mas ambas tinham desvantagens que acabaram por ter mais peso quando começamos a pensar melhor no assunto e desistimos da ideia em ambos os casos. Digamos que não tem sido propriamente fácil. Tem havido sempre qualquer coisa que não é certa na casa, e é importante dar ouvidos há nossa intuição, que não queremos acabar por nos arrepender por nenhuma decisão repentina. 

 

Depois ainda teremos que também vender o apartamento actual que, por ser em 'shared ownership' o meu contrato não me permiti alugar. E tenho o problema de não ter o certificado EWS1 para este edificio, mas essa é outra história que posso contar noutro post. Mas para já queremos tentar encontrar a propriedade certa para onde nos mudarmos e depois trato da situação da venda desta. Só espero conseguir encontrar a tal nova propriedade mais cedo do que mais tarde. 

 

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