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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

E a venda da apartamento está finalmente acordada

Hoje foi um dia importante para mim. Foi o dia em que os meus advogados trocaram contratos com os advogados da compradora do meu apartamento. Para quem se lembra, eu tentei colocar o apartamento a vender no final de Janeiro do ano passado. Ficou dois meses no mercado à venda em Shared Ownership mas só recebeu visita de duas pessoas interessadas. Coloquei-o depois à venda com um agente ao valor total de mercado mas tive que retirar do mercado logo no dia seguinte de ter sido anunciado porque entretanto recebi a notícia de que o meu edifício também ia sofrer com esta situação que quase todos os apartamentos estão a sofrer recentemente devido à sua construção não estar aprovada pelas novas regulamentações de construção de edifícios para prever fogos. No nosso caso não era tão mau como muitos edifícios que têm que alterar completamente a fachada. Simplesmente temos que alterar o chão das varandas por ser de um material combustível, mas mesmo assim, o facto significava que o edifício não ia alcançar um valor satisfatório no certificado da 'EWS1 form' e, como tal, os bancos não vão emprestar dinheiro a um comprador que pretenda ficar com o apartamento. Assim sendo, decidi retirar de imediato o apartamento do mercado porque achei que não valia a pena o stress de tentar vender nesta altura e decidi esperar para ver o progresso da remediação do problema. 

 

Um ano depois, ainda tenho o edifício cheio de andaimes preparado para a tal mudança de chão das varandas que ainda não foi mudado. E já estou mais que farta de viver demaixo de andaimes! Mas, apesar do assunto ainda não estar resolvido, pelo verão do ano passado, como forma de tentar resolver o assunto que estava a afectar tantas pessoas, o governo concordou com alguns bancos que não teriam que pedir a EWS1 form para edifícios mais baixos que 18m de altura (que é o nosso caso). Não ficou tudo bem oficial mas foi o suficiente para me dar força para voltar a colocar o apartamento no mercado com o mesmo agente, e a primeira pessoa que viu o apartamento, adorou-o, fez uma oferta no mesmo dia, e é a quem o estou a vender agora. Com a troca dos contratos entre os advogados hoje, a mudança é oficial e já nenhuma de nós pode voltar para trás com a nossa decisão.

 

Entretanto, temos andado numa procura frenética para conseguir encontrar um novo apartamento para alugar temporariamente e isso não foi nada fácil que, até em aluguer, imensas pessoas fazem ofertas e colocam acima do preço pedido para conseguirem ficar com o apartamento. Enfim, nós perdemos dois apartamentos com essa história mas, eventualmente lá conseguimos um de que gostámos, mas vamos ter que sair de Hackney.  Por um lado tenho imensa pena de sair desta zona que adoro, mas por outro lado, também gosto da ideia de experimentar viver numa zona diferente onde ainda nunca vivi. A mudança desta nova fase está  marcada para fins de Março.

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Conversas contraditórias com amigos

No outro dia houve uma discussão num dos meus grupos de amigas no WhatsApp. Duas das minhas amigas têm opiniões divergentes sobre a vacinação contra o Covid e, quando uma menciona sobre a temática relativamente aos efeitos negativos da vacina, a outra manteve-se sempre calada sobre o assunto apesar de não se sentir confortável com o tema. Mas no outro dia, depois de mais um comentário negativo, a outra amiga rebentou e enviou uma longa mensagem para o grupo sobre como não concordava com a opinião da primeira dando-lhe quase uma lição de moral sobre o assunto e a pedir para não falarmos de assuntos contraditórios no grupo. Resultado, a recipiente da mensagem saiu imediatamente do grupo por se sentir ofendida e sem perceber como é que os seus comentários podem ter chateado tanto a outra. Um dos problemas nesta situação refere-se à falta de comunicação porque, se a segunda amiga tivesse pedido para evitarmos falar sobre o assunto, a outra provavelmente nunca teria continuado a enviar mensagens sobre o mesmo e, como tal, não íamos chegar ao ponto em que chegámos. 

 

Claro que a situação foi um choque para o grupo e alterou um pouco as nossas conversas habituais porque tínhamos menos um membro no grupo e não sabíamos bem como rectificar a situação ou se alguma vez se vai conseguir rectificar. 

 

Assuntos relacionados com o Covid, Brexit e política, têm sido provavelmente dos mais contraditórios dos últimos anos e o facto é que, apesar de assumirmos que a maioria das pessoas que consideramos nossas amigas têm opiniões semelhantes às nossas, isso nem sempre é verdade. E o que temos que perceber é que não há certo ou errado. OK, algumas pessoas podem estar melhor informadas do que outras, mas cada pessoa é diferente, tem um ponto de vista diferente, e como tal as opiniões têm que ser respeitadas. Mas é também importante aperceber-nos da sensibilidade de cada um para certos assuntos e por vezes é preciso colocar um filtro naquilo que dizemos para não magoar outras pessoas. 

 

Acho importante discutir assuntos importantes como esses mencionados com amigos e ouvir a lógica que cada um tem acerca das suas opiniões mas quando noto que as nossas opiniões divergem bastante prefiro parar a conversa e concordarmos em discordarmos. Afinal, amizades são formadas por variadas razões e haver desacordo num específico tema nem sempre significa que já não existe base para uma amizade. 

 

É triste termos chegado a esta situação, mas experiência ensina que nada como ser cuidadoso com temáticas contraditórias.