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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Como o segundo lockdown difere do primeiro

O país pode estar novamente em lockdown, mas a sensação deste lockdown 2.0, é certamente diferente do primeiro. Enquanto que no lockdown em Abril as pessoas ficavam a maior parte do tempo em casa, reservavam a sua via social a chamadas em video conferência, e tinham receio de apanhar o virus muito facilmente, neste lockdown todos parecem um pouco mais relaxados, até as pessoas que seguiram todas as regras rigidamente durante o primeiro lockdown.

Estive a pensar nas razões que podem estar a afectar esta diferença e cheguei à seguinte conclusão:

 

As regras são mais relaxadas - durante o primeiro lockdown, o pedido foi para ficarmos em casa, pura e claramente, e só sairmos no máximo uma vez ao dia para fazer exercício e ocasionalmente para irmos às compras. Desta vez o Governo está a tentar manter os empregos que possa manter activos, pelo que não existe a mesma exigência de se estar sempre em casa, e como tal, mesmo as pessoas que podem trabalhar de casa, estão a aproveitar para sair sempre que quizerem. 

 

As pessoas estão mais habituadas à ideia de viver numa pandemia - em Abril, este virús ainda era muito recente, conheciamos pouco dele, e a ideia de que se apanhava tão facilmente por tocar qualquer coisa, ou estar próximo de outra pessoa, afectou mesmo o comportamento dos indivíduos - Algumas pessoas paravam no corredor do supermercado à espera que outras escolhessem um produto, porque não queriam ter que passar junto a elas (eu deparei-me comigo própria a fazer isso por querer respeitar ao máximo a regra de 2 metros);  outras limpavam profundamente todas as compras do supermercado (eu também fiz isso até recentemente, e de vez em quando ainda faço). Claro que também se via agrupamentos de pessoas no parque nos dias solarengos, mas mesmo assim verificava-se um certo respeito das regras de forma geral. Neste lockdown, parece que as pessoas simplesmente se habituaram a viver numa pandemia, e que portam não estão tão cuidadosas. Todos andam com as suas máscaras, uma em cada mala ou casaco, para não se esquecerem delas, e todos os que podem trabalhar de casa estão a fazê-lo, mas aparte disso,... vê-se muito pouco de lockdown por Londres. Este fim-de-semana que foi solarengo, os parques estavam cheios, todas as ruas com lojas agradáveis onde existam cafés e restaurantes abertos para takeaway, tinham filas de metros; certas zonas no centro de Londres estava ao rubro, e não se via muito essa sensação de que as pessoas estavam a fazer um esforço para se desviar umas das outras, como faziam por altura de Abril. Mas todos querem aproveitar o seu fim-de-semana, e com certeza de que não saem de casa a pensar que querem ir para um ambiente cheio de pessoas, mas como todas pensam da mesma forma, é esse o resultado.

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Victoria Park no meio do lockdown a 22/11

A ideia de uma vacina para breve - já foi anunciado que foi encontrada uma vacina que tem probabilidade de oferecer um certo nível de segurança contra a prevenção do virús, o que levou a um certo optimismo da população, e muitos parece que ajem como se essa vacina já estivesse a ser distribuída. 

 

Encontramo-nos na altura de festas do ano - estamos na altura do ano reconhecida pelas suas festas - geralmente o mês de Novembro enche-se de festas de prémios profissionais, começam as festas de Natal, começam os encontros de grupos de amigos no pub para variadas celebrações natalícias e pub roasts. E como as pessoas já perderam todas as festas e animação de verão, não estão dispostas a perder também toda a animação da época Natalícia.

Nota-se uma atitude diferente, e o que imagino que vá acontecer se o Governo estender o lockdown para além do dia 2 de Dezembro, será que muitas pessoas simplesmente discordem com a situação e quebrem as regras. E o problema de fazerem isso é que, uma vez que quebrem regras maiores como essa (neste momento só estamos autorizados a escontrar-nos com um amigo fora de casa), será mais fácil às pessoas continuarem a quebrar regras após o Natal. E o Governo sabe disso, elo que deve querer evitar que isso aconteça. O que eu penso que vai acontecer é que, o lockdown não vai ser estendido depois de dia 2, ou se tiver que ser estendido será somente em certas partes do país onde os casos estejam mais significativos, o que não é o caso de Londres. Mas imagino que passemos à regra de 6, como o número máximo de pessoas com quem nos possamos encontrar em espaços ao ar-livre, excepto durante a semana do Natal onde nos poderemos encontrar dentro de casa para a celebração do Natal. Imagino que para o Ano Novo apenas voltem a ser permitidos encontros ao ar-livre para evitar grandes festas em casa. Dessa forma, também se está a ajudar os negócios durante o mês do ano em que tradicionalmente têm mais lucro, o que lhe poderá ajudar a compensar os custos que têm tido durante os meses de lockdown. Com isto tudo, quando chegarmos a Janeiro, possivelmente os casos vão novamente aumentar, e entramos novamente em lockdown. Não é a mais positiva, mas é a minha previsão para os próximos dois meses. Concordam com esta previsão?

A importância do ambiente que nos envolve

Todos sabemos que o ambiente que nos envolve durante o dia-a-dia é importante para a forma como nos sentimos, mas tornou-se mais importante ainda num ano como este, que temos estado no mesmo ambiente durante o dia, todos os dias. 

 

Apesar de ter apenhas um quarto, eu gosto muito do meu apartamento. Adoro a forma como o decorei com pequenos detalhes, cores e estilos que me fazem sentir bem e contente por estar junto a coisas bonitas. Durante estes anos que tenho estado a viver aqui, o meu apartamento apresenta-se como aquele local de calma e relaxe onde sabe bem chegar ao final do dia, fechar a porta, e deixar para trás qualquer stress que tenha decorrido durante o dia.

 

Este ano, no entanto, as coisas estão diferentes. O meu apartamento deixou de ser o local de santuário onde volto ao final do dia para relaxar, e transformou-se no local onde passo o meu tempo permanentemente. Durante o primeiro lockdown, talvez não o tenha sentido tanto porque estava sem trabalhar, portanto, sempre variava mais a minha localização entre os poucos espaços do apartamento, e também fazia passeios mais frequentes. Mas agora, que estamos a passar pelo segundo lockdown as coisas são diferentes. Acordo no meu quarto, e passo o dia sentada a trabalhar no meu quarto, também conhecido como 'o meu escritório'. Ainda mais como o trabalho tem sido intenso, mal tenho tido tempo de parar para almoçar, e tenho estado em média a trabalhar até às 20h. Portanto, restam-me cerca de 3 a 4 horas entre a cozinha e a sala para estar noutro ambiente até ser hora de dormir e voltar ao quarto novamente. E a intensidade de estar neste mesmo espaço continuamente está a demonstrar os seus efeitos. Comecei a sentir uma certa claustrofobia por este mesmo ambiente constante, e o meu Inglês concorda. Como tal, decidimos que chegou o tempo de fazer uma mudança. 

 

Ao contrário do que estão a fazer muitas pessoas, nós não pensamos ir mudar para uma casa grande no campo, mas apenas queremos uma casa maior não muito longe da zona onde vivemos actualmente. Definitivamente a próxima casa tem que oferecer a possibilidade para ambos trabalharmos de casa, sem nenhum ter que estar a trabalhar no quarto. Essa separação é crucial, mesmo que seja para uma zona no quarto ao lado, mas preciso de sentir qualquer diferença. Espero que também não tenha que trabalhar de casa permanentemente durante muito mais tempo, mas como acredito que a vida de trabalho se vai tornar muito mais nómada depois deste ano, quero ter a possibilidade de trabalhar de casa numa zona separada do quarto. 

 

Como tal, já começamos a nossa procura e vimos algumas casas. Acho que para já, vimos cerca de 15 casas, e dentro delas, consideramos a hipótese de fazer uma oferta em duas delas. Mas ambas tinham desvantagens que acabaram por ter mais peso quando começamos a pensar melhor no assunto e desistimos da ideia em ambos os casos. Digamos que não tem sido propriamente fácil. Tem havido sempre qualquer coisa que não é certa na casa, e é importante dar ouvidos há nossa intuição, que não queremos acabar por nos arrepender por nenhuma decisão repentina. 

 

Depois ainda teremos que também vender o apartamento actual que, por ser em 'shared ownership' o meu contrato não me permiti alugar. E tenho o problema de não ter o certificado EWS1 para este edificio, mas essa é outra história que posso contar noutro post. Mas para já queremos tentar encontrar a propriedade certa para onde nos mudarmos e depois trato da situação da venda desta. Só espero conseguir encontrar a tal nova propriedade mais cedo do que mais tarde. 

 

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Lockdown Parte II

E lá foi anunciado novamente! Mais uma vez vamos ter que entrar em lockdown. Em Portugal vai ser a partir de quarta-feira, e no Reino Unido vai ser a partir de quinta-feira. Novamente todos os pubs, restaurantes, cabeleireiros e lojas não essenciais vão voltar a fechar durante pelo menos um mês aqui pelo Reino Unido até dia 2 de Dezembro. 

 

Outra vez....

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Durante a tarde quando estavamos à espera do anúncio, os meus grupos de WhatsApp não paravam de falar sobre o assunto, e especular o tipo de lockdown. Quando eventualmente foi anunciado, já ninguém quiz dizer nada. Pararam os comentários porque de repente todos tivemos a realização de que isto vai mesmo acontecer novamente e vai ser intenso novamente. E desta vez estamos no inverno o que torna as coisas ainda piores porque nem vamos ter a possibilidade de ir passear todos os dias para apanhar sol. 

 

Eu própria sinto-me a ir a baixo um pouco com o anúncio. Eu sabia que era mais ou menos esse o anúncio que iria ser feito mas acho que ainda tinha esperança que não fosse tão restricto assim. Já vimos os efeitos negativos que o primeiro lockdown trouxe a tantas pessoas e negócios, mas OK, lá teve que ser. Neste momento, apesar dos casos estarem a aumentar, as mortes são consideravelmente mais baixas. Faz sentido voltar à mesma situação em que estavamos em Março e voltar a colocar tanta pressão no país novamente? Não sei. Não sei o que pensar de momento. A minha mente está a mil e como tudo acabou de acontecer ainda estou a assimilar a informação e ainda me custa acreditar que isto vai mesmo acontecer novamente. 

 

Este ano já tem sido um ano de nada, um ano sem viagens, sem festas, sem grandes agrupamentos de amigos, um ano de muita calma e de certa monotonia. Mas ao menos estavamos numa fase em que nos podiamos encontrar com o amigo ocasional, ir a restaurantes, ir ao pub. Agora não podemos fazer nada disso novamente? Peço desculpa pela negatividade do post de hoje, mas custam-me estas notícias. E notícias essas oferecidas também na noite de Halloween. Muito oportunas para o tema da noite. 

 

Eu sei que vou ter que aceitar e ter que me habituar porque não há nada que possa fazer contra, mas hoje estou chateada. Tenho o direito de estar chateada com estas notícias, e é assim mesmo que vou ficar para já. Preciso deitar para fora este sentimento. Não concordo, não gosto, não quero, e tenho o direito de discordar.

E as melhores cidades do mundo em 2020 são...

Parece que foi num mundo totalmente diferente atrás quando escrevi este post com título "Qual é a melhor cidade para se viver no mundo em 2020". Estávamos a 24 de Fevereiro, e a ideia era adivinhar o resultado do ranking anual da TimeOut baseado nas respostas que os leitores deram no seu questionário. Os resultados foram lançados em Setembro (apesar de só os ter visto agora), mas pergunto-me qual é o significado destes resultados agora, baseados num questionário que foi lançado antes de tudo o que nos afectou durante este ano mudou a vida que conhecemos nas nossas cidades. Será que os resultados teriam sido os mesmos se o questionário tivesse sido feito hoje? Duvido! 

 

Quanto eu e tantos outros milhares de pessoas pelo mundo responderam ao questionário, estavamos baseados numa realidade muito diferente daquela que nos rodeia hoje. E possivelmente as respostas que dariamos hoje às mesmas questões de cultura, bares, sexo, amizade, restaurantes, dinheiro, etc, teriam sido altamente influenciadas pelo facto de termos tido a oportunidade de aproveitar algumas delas, dependendo das regulamentações locais. 

 

Se eu teria dado as mesmas respostas que dei sobre Londres? Concerteza que não. Como um amigo meu que voltou para Barcelona durante o lockdown disse-me no outro dia - "claro que tenho saudades de Londres, mas todos temos saudades de Londres, mesmo os que estão aí, porque Londres não é o que era." E ele tem razão. Houve tantos elementos de Londres que não pude aproveitar este ano. E não sei quando, e se vou voltar a poder aproveitar algum dia. Mas tal como digo de Londres, digo concerteza de muitas outras cidades, e provavelmente, vão ser as cidades que conseguiram lidar melhor com a pandemia e manter os números reduzidos que vão subir nos rankings do próximo ano. 

Os resultados do questionário deste ano: não querem dizer muito, mas afinal baseam-se na opinião que tinhamos desde o ano anterior. Se estiverem interessados podem vê-los aqui. 

Só por curiosidade, e visto que vos pedi os vossos palpites para os resultados destas três cidades - Londres, Lisboa e Porto ficaram em 4, 19 e 28 lugares respectivamente. Os leitores mais próximos dos resultados foram a Madalena e a Carmen com 15 pontos de diferença no total. Obrigada pelos vossos palpites. Acho que para o ano Londres vai descer consideravelmente de posição, e o mesmo irá acontecer com Nova York que ficou no primeiro lugar desta vez. 

 

Para o próximo questionário? O meu palpite vai para as cidades de países Nordicos como Oslo, que conseguiu lidar relativamente bem com a pandemica, ou talvez Sydney que também conseguiu manter casos reduzidos. 

 

Engraçado ou até assustador como no desenrolar de alguns meses, a nossa idade de qualidade de vida numa cidade, passa de categorias variadas como restaurantes, bares, amizades, cultura, para uma categoria apenas - qual a cidade que lidou melhor com a pandemia?

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As novas restrições Covid até às 22h

A partir do dia 24 de Setembro que o Governo Britânico lançou novas regras aplicáveis a todos os restaurantes, bares e pubs - têm que encerrar às 10h da noite. A razão? O número de casos Covid tem aumentado exponencialmente e com esta nova regra estão a tentar reduzir o número de horas de actividades sociais e reduzir o tempo em que as pessoas passam a consumir alcóol, porque quando o alcóol está presente, esquecem-se as regras de distanciamento mais facilmente. 

 

O resultado? As ruas e os transportes públicos estão cheios ao bater das 22h, principalmente às sextas e sábados à noite. Não sei o quanto é que ajuda a redução das horas de operação dos estabelecimentos em comparação com um metro ou autocarro cheio de gente à mesma hora. Ao menos podiam ter separado um pouco os horários, e por exemplo fechar os pubs pelas 22h, mas os restaurantes só fechavam pelas 22:30h, para distribuir as pessoas um pouco mais e escolher o estabelecimento em que se come como o último a fechar. Mas não, fecha tudo ao mesmo horário, logo vai tudo para casa ao mesmo tempo que é para se misturar tudo muito bem nos ambientes fechados dos transportes públicos. Que bela ideia Senhor Boris  

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Fonte: AFP via Getty Images

Agora a última regra foi lançada ontem - que permite definir diferentes zonas do país pelo seu estado de gravidade de casos como zonas de perigo médio, elevado ou muito elevado. As zonas de perigo médio representam a maioria do país, e as regras aí mantêm-se com o facto destes estabelecimentos mencionados fecharem às 22h e poder haver um máximo de 6 pessoas num grupo. 

 

Para zonas de perigo elevado, vão também deixar de permitir haver encontros de pessoas de casas diferentes em locais fechados mas continuam a ser permitidos encontros de 6 pessoas em jardins privados. 

 

Para zonas de perigo muito elevado, os grupos de 6 pessoas apenas vão ser permitidos em lugares exteriores públicos como parques, os pubs e bares são obrigados a fechar a não ser que sirvam refeições, mas nesse caso, só será permitido o consumo de alcóol com as refeições. 

 

Ao menos as nova regras sempre ajudam um pouco a manter a actividade nas zonas menos afectadas, enquanto que aquelas com maior perigo tentam tomar medidas mais restritas para tentar evitar a transmissão. Mas essas regras são suficientes? Deviamos todos ter que andar com máscara na rua? Deviamos todos entrar já em lockdown novamente? Não me parece que essas duas últimas medidas sejam efectivas o suficiente, baseada no que se viu noutros países que foram super restritos com exigência de máscara em todo o lado, e mesmo assim os casos também lá estão a aumentar significativamente como é o caso de Espanha.  Quanto a um lockdown? Isso afecta tantas mas tantas pessoas de tão variadas formas quer a nível profissional, económico ou de saúde mental, que também não me parece que seja a solução ideal. 

 

O melhor para já, quaisquer que sejam as regras, talvez seja mesmo tentarmos todos evitar esse contacto social próximo ao máximo possível para conseguirmos manter a sociedade que temos no momento e continuar a viver com este virus até se encontrar uma vacina ou uma forma de teste regular, eficiente e rápida para todos. Quanto tempo vai demorar ninguém sabe ao certo mas só espero que a situação não continue a piorar como se prevê. 

 

Aniversário numa pandemia

Quando estávamos em Março e presenciei os primeiros aniversários de amigos que tiveram que ser cancelados ou adiados, eu esperava que pela altura que chegasse o meu, já poderia ter a minha festa habitual, mas estava enganada. 

 

As restrições actualmente indicam que apenas nos podemos encontrar em grupos de 6 pessoas o que é um número muito mais restrito do que as minhas festas habituais. Torna-se difícil também 'escolher' quais vão ser as pessoas com quem partilhar o jantar de aniversário, por isso optei por fazer três jantares. Cumpro às regras, mas celebro na mesma com algumas das pessoas mais próximas. 

 

O meu aniversário foi na terça-feira e, pela primeira vez tirei o dia de férias. Geralmente não tiro porque costumo fazer um almoço com os colegas, levo um bolo etc e é sempre um dia um pouco diferente no escritório. No entanto, estando a trabalhar de casa, não via qualquer vantagem em ficar a trabalhar por isso aproveitei o dia para mim, e adorei a experiência - comecei o dia com uma das minhas corridas habituais mas sem pressa para voltar para casa. O meu Inglês não tirou o dia de férias mas fomos almoçar fora e depois continuei a aproveitar a tarde para visitar uma galeria de arte, fazer umas compras, dar uma volta de bicicleta, e no fim do dia organizei o tal primeiro jantar. Foi um dia muito agradável, e sendo o meu aniversário trouxe-me aquela sensação de que tinha o direito de fazer aquilo que quisesse, mesmo que isso envolvesse gastar mais dinheiro do que o que normalmente faria num outro dia normal. Algumas amigas já me tinham dito que costumam tirar um dia especial para elas também, e agora percebo porque o fazem. Adorei a experiência e, acho que a partir de agora vou começar a tirar sempre o meu dia de aniversário de férias. Afinal, se temos que adicionar mais um número à nossa idade, mais vale fazer do aniversário a melhor experiência possível. 

 

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Jantar de aniversário junto ao canal 

O problema da tecnologia e redes sociais

Uma das coisas que sempre me fez evitar dedicar-me demasiado às redes sociais foi o conflito que tenho visto consecutivamente a ser demonstrado nas mesmas. Pessoas que não se conhecem de lado nenhum começam a ter discussões agressivas sem muita razão aparente. Talvez levadas pela força da natureza humana de não querermos perder. E ao não querermos perder, mas discordando das opiniões dos outros, começamos num debate online que muitas vezes torna-se ofensivo porque nenhuma das partes se quer dar por vencida, e ao sentir-se ofendida, ofende ainda mais, e começa uma bola de ofensas que nunca mais acaba. 

 

Um assunto sobre o qual nunca tinha pensado muito, apesar de saber perfeitamente que é assim que a tecnologia funciona, é o porquê de haver tantas pessoas com tantas certezas de que têm toda a razão. E ao ver o novo documentário do Netflix intitulado 'The Social Dilemma' fez-me pensar mais nisso - a tecnologia com que o consumidor interage no dia-a-dia, nomeadamente a tecnologia relacionada com as redes sociais, mas não só, funciona de forma a identificar os interesses de cada indivíduo, de forma a fornecer-lhe informação sobre as coisas que lhe interessam, e outras coisas que o indivíduo ainda não saiba, mas que sejam de teor semelhante. É aquela ideia da tecnologia criada pela Amazon de que, ao comprares o produto X, a Amazon oferece-te a hipótese de também comprares os produtos Y e Z, porque identificou, através da sua base de dados, que a maioria de pessoas que comprou o produto X também comprou ou esteve interessado em comprar os produtos Y ou Z. A ideia é a mesma com outros tipos de informação encontrada online - se viste um vídeo no YouTube sobre o facto de que o Coronavirus é uma completa mentira inventada pelos Governos para nos manterem todos em casa enquanto eles estão a tramar umas coisas más, os algoritmos do YouTube vão identificar que tu és o tipo de pessoa que talvez se deixe influenciar por teorias da conspiração e, como tal, vai imediatamente sugerir que vejas outros vídeos relacionados sobre as manipulações de certos Governos, etc., etc. E enquanto passas o tempo a ver esses vídeos e a assimilar toda essa informação, estás exactamente a passar muito mais tempo na dita rede social, o que permite a essa rede social servir-te mais anúncios de produtos ou serviços que geralmente outras pessoas que gostam de ver esse tipo de vídeos que estás a ver, também têm tendência a clicar e/ou comprar.

 

Portanto ficam todos contentes - o indivíduo está contente porque ficou mais informado sobre assuntos que lhe interessam, os publicadores dos tais vídeos estão contentes porque têm mais pessoas a ver o seu conteúdo, e como tal vão receber mais comissão dos anúncios que aparecem nos seus vídeos; os anunciantes ficam contentes porque mais pessoas estão a clicar nos anúncios e fazem compras; e a rede social fica contente porque os anunciantes vão continuar a gastar mais dinheiro em publicidade no canal. Bom para todos, correcto? - Errado! 

É errado porque no momento em que o algoritmo da plataforma em questão, qualquer que ela seja, oferece mais do mesmo tipo de conteúdo, está a transformar aos poucos e poucos a opinião dessas pessoas, e sendo que essas pessoas continuam a ser servidas mais e mais conteúdo do mesmo género, vão ficando com opiniões formadas mais fortes sobre um determinado assunto e, quando de repente se deparam com alguém que discorda com elas, acham que essa pessoa é completamente estúpida por não compreender a sua opinião, e daí começarem as muitas discussões agressivas online. 

 

Isto está relacionado com o contínuo surgimento de extremismo nos últimos anos - o extremismo por parte de grupos religiosos que conseguem encontrar apoiantes mais facilmente, o extremismo das opiniões políticas da sociedade que se encontram cada vez mais divididas, o extremismo sobre as coisas que nos fazem bem e nos fazem mal à saúde, etc etc. E estas divisões de opiniões passam do ambiente online para a vida real, e vêm-se mais manifestações e conflitos e nota-se que vivemos numa sociedade mais dispersa e mais conflituosa. E muito disso porque várias tecnologias decidiram por nós o conteúdo que nos interessa mais e que devemos ver, ler e ouvir, e que inevitavelmente nos influenciam. E depois, quando nos deparamos com pessoas com opiniões diferentes achamos inacreditável como é que elas não nos percebem - 'claramente não estão nada informadas se não sabem aquilo que nós sabemos' - elas não sabem porque nunca lhes foi servida essa informação, mas outra completamente diferente. 

 

Para quem ainda não viu, aconselho dedicarem tempo para ver esse documentário porque trás perspectivas muito interessantes. Se vou já apagar as minhas redes sociais depois de ver visto este documentário? - Não. Eu gosto dos benefícios que as redes sociais me oferecem mas também estou perfeitamente alerta para o facto das más influências que elas podem trazer, e simplesmente evito passar muito tempo nelas, evitando também os tais conflitos de que falei ao início do post. E quando as pessoas vêm tentar criar os tais conflitos, eu simplesmente corto a conversa quando começar a ficar desconfortável. Não tenho paciência para andar em longas conversas conflituosas com pessoas que não conheço de lado nenhum e que parece que não têm mais nada que fazer que discutir tudo e mais alguma coisa. 

 

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A primeira semana no escritório

Nesta semana que passou, fui pela primeira vez ao escritório da nova empresa. Apenas eu e mais dois colegas temos a 'permissão' para trabalhar do escritório por termos pedido especificamente que queriamos trabalhar de lá. Eu, e mais outra colega que começou ainda à menos tempo que eu,  queriamos ter a oportunidade de conhecer colegas e ter um espaço de trabalho mais comfortável. No entanto, ainda não a cheguei a conhecer porque ela foi alertada no esquema de 'track & trace' de que frequentou o mesmo pub que uma pessoa que foi encontrada com Covid, e portanto, tem que se isolar durante duas semanas. 

 

Conheci, no entanto, o outro colega que também pediu para trabalhar do escritório, e ele falou-me um pouco mais do que tem acontecido na empresa nos últimos meses, falou-me dos hábitos que eles tinham, o que ajudou a perceber melhor um pouco da cultura de empresa, etc. 

 

Gostei bastante de poder conhecer o meu primeiro colega em pessoa, e gostei também de ficar a conhecer o escritório. Fica localizado no lado sul de Londres, pelo que sempre que vou para lá, vou ter que atravessar uma das pontes de bicicleta, e portanto apreciar aquela paisagem das margens do rio Tamisa, que nunca me canso de ver. Também ainda nunca tinha estado a trabalhar naquela zona, pelo que ainda tenho muito que conhecer por lá, e tenho aproveitado a hora de almoço para andar à descoberta. 

 

Não pretendo ir ao escritório todos os dias, até porque estar num escritório vazio também não é ideal, mas pretendo continuar a ir pelo menos dois dias por semana. Sabe bem ter mais espaço de mesa, o segundo ecrã, e o ar-condicionado, que o meu apartamento fica quente demais durante a tarde quando o sol bate na janela. E além do mais, simplesmente gosto da mudança de cenário. 

 

Para a maioria dos outros colegas, parece que o escritório só vai mesmo abrir a partir de Janeiro, e nessa altura é que vamos começar a fazer rotação entre todos para se conseguir manter algumas mesas vazias de forma a haver distanciamento entre colegas. Mas até lá, vamos ser só os três num escritório de 40 pessoas. É um pouco estranho, mas é a nova situação que temos, por isso há que adaptar. 

 

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P. S. - Ah e eu tinha prometido que diria aqui se a minha nova técnica para encontrar tempo foi sucedida, e de facto foi. Pelo menos por este primeira vez consegui dedicar o tempo que queria ao meu projecto de escrita, pelo que agora há que continuar e já tenho o próximo período de tempo marcado na agenda também. 

Como encontrar tempo quando não se tem tempo para fazer nada

Apesar da vida ainda não ter voltado ao seu normal como estava antes da pandemia, este fim-de-semana cheguei à conclusão de que voltei ao meu mau hábito de andar sempre sem tempo para fazer nada! 

 

Como tivemos um fim-de-semana prolongado, tinha planeado esta lista de coisas que queria fazer, e estava toda entusiasmada por finalmente me poder dedicar a elas, mas sabem quantas coisas da minha lista eu fiz? Duas, dentro de uma lista de doze actividades. Consegui fazer umas burocracias relacionadas com finanças, e consegui marcar o meu vôo para ir a Portugal no Natal, e só. Já não consegui fazer pão, nem consegui escrever um post no blog, nem consegui fazer mais umas burocracias que tenho na lista há imenso tempo. E porquê, quando tinha à minha frente um fim-de-semana prolongado de 3 dias? - Porque simplesmente já não estamos em lockdown, e eu já não estou sem emprego, e como tal, os dias passam-me novamente pelos dedos sem quase notar. 

 

E pensar eu que andava a fazer pão que nem uma expert todo o santo fim-de-semana durante 3-4 meses sólidos. Agora, já não o tenho conseguido fazer há mais de mês e meio. Aprender a fazer pão deu-me um certo prazer, mas actualmente, só a ideia de que tenho que dedicar 4-6 horas à coisa, tira-me logo toda a vontade de começar. Além do facto de que simplesmente já não tenho assim 4-6 horas disponíveis sem mais nada que fazer. Tenho continuado a alimentar a massa mãe de duas em duas semanas, para a conseguir manter activa, com o intuito de eventualmente cozer pão, mas sinceramente não sei quando vou poder voltar a fazê-lo. 

 

Depois também queria continuar o projecto principal que comecei durante o lockdown, que foi começar a escrever um livro, que já há muito queria fazer. Dediquei tantas horas a escrevê-lo durante o lockdown, já escrevi mais de 40,000 palavras (note-se que muitos livros dão-se por completos com cerca de 50,000 palavras), mas o problema é que ainda não estou nem a meio!  E, para ser sincera, ainda não lhe peguei desde que comecei o novo emprego. O facto é que passo o dia todo, todos os dias da semana, ao computador, e chega ao final do dia estou tão exausta, que a única coisa que me apetece fazer, caso esteja em casa, é recostar-me no sofá e não olhar para um ecrã de computador. 

 

Depois chega o fim-de-semana, mas nesses dias só quero espairecer, aproveitar para ir dar passeios, ver amigos, etc, por isso aos fins-de-semana também não tenho encontrado lugar para a escrita, nem para fazer pão, nem para fazer as burocracias todas que queria. 

 

Ao mesmo tempo, eu sei que se quero mesmo fazer algo, tenho que o priorizar. Afinal, porque é que não tenho tempo para fazer burocracias no fim-de-semana? Porque priorizo a minha vida social, que sempre foi muito importante para mim, e agora ainda é mais já que passei meses distante dos meus amigos. Acho que a solução vai ser mesmo ter que colocar na minha agenda certas horas dedicadas a certas tarefas, tal como coloco os encontros sociais. Se estiver na agenda que a certo dia e hora vou-me dedicar a escrever, não posso marcar encontros sociais para esse momento, certo? Tal como não deixaria de me encontrar com um amigo, também tenho que ser exigente e não deixar de fazer as outras coisas que são importantes para mim. Ainda não vai ser este próximo fim-de-semana que o tenho todo ocupado com amigos , mas acabei de marcar na minha agenda que vou dedicar uma das manhãs do fim-de-semana seguinte a escrever. Ao estar a comprometer-me na minha agenda e por aqui também, espero que assim me dê o sentido de responsabilidade para fazer as outras coisas que quero fazer. Vocês ficam testemunhas e depois tenho que vir cá confirmar se efectivamente dediquei esse tempo à escrita.

Só espero que esta minha nova técnica vá resultar.

Ir de férias em 2020

Hoje finalmente o Reino Unido adicionou Portugal à lista de países permitidos para onde se viajar sem ser necessário fazer quarentena na volta. Estava a achar estranho estar a demorar tanto tempo sendo que os casos no país só têm estado a diminuir durante as últimas semanas. Com certeza que esta decisão estava a ser muito mal recebida por muitas pessoas que estavam a contar viajar para Portugal e para outras tantas que talvez tenham ido de qualquer forma, e depois tiveram que ficar de quarentena durante duas semanas. Mas ao menos, agora já temos o acordo estabelecido. O que não sei é se já não será tarde demais para que quem quisesse lá ir passar férias ainda o possa fazer. 

 

O que esta situação toda da quarentena fez foi com que a maioria dos Britânicos que quiseram viajar este ano, fizeram-no para a Grécia. Sinceramente acho que já não dou conta de quantos conhecidos meus foram para lá. Quase todas as semanas ouço falar de alguma outra pessoa que foi passar férias à Grécia. Também não é muito surpreendente sendo que o número de países Europeus no sul da Europa com sol mais garantido estava quase tudo sem acordo aéreo com o Reino Unido. 

 

Mas independentemente do destino, o que esta situação toda me faz pensar é se vale mesmo a pena ir de férias para for este ano? Nós acabámos por decidir a ficar pelo Reino Unido e, por esta altura nem sei se vou conseguir fazer um fim-de-semana prolongado por Portugal visto que já tenho planos para os próximos fins-de-semana até ao final do verão. 

 

Eu já me sinto mais relaxada relativamente ao dia-a-dia actual de viver num mundo em que existe o constante perigo do vírus, mas mesmo assim, a situação actual não me faz nada querer viajar. Só a ideia de ter que estar de máscara durante um voo inteiro faz-me um bocado de aflição. Até viajar de comboio com máscara é uma chatice que, apesar de ter feito já algumas viagens de comboio, tenho optado por ir a locais próximos de Londres para não ter que estar muito tempo naquela viagem. 

 

Para já as nossas férias de verão basearam-se num fim-de-semana prolongado numa casa de campo em Hampshire com alguns amigos. Foi óptimo, soube mesmo bem, e conseguiu satisfazer muito daquilo que eu tinha falta durante o período do lockdown. Aparte disso, ainda temos mais uns dois fins-de-semana planeados em viajar por Inglaterra, e acho que nos vamos mesmo só dedicar a isso este ano. OK, também comecei agora um emprego novo por isso também não convém tirar muitas férias, mas mesmo que não fosse esse o caso, acho que também iamos querer ficar por cá. Ir para fora, cá dentro (tal como diria o anúncio do Turismo de Portugal, mas desta, estou a aplica-lo mesmo para o Reino Unido). 

 

Viajar para fora nesta situação actual também tem o risco de que, a qualquer momento, o governo Britânico pode decidir mudar as regras, e lá vão ter todas as pessoas que estão no dito país no momento, que ficar de quarentena na volta, que foi o que aconteceu com uns amigos que estavam de férias em Espanha quando o governo anunciou a necessidade de se fazer quarentena novamente ao voltarem de Espanha. 

 

A vantagem com esta situação de passar férias cá dentro, é que este ano a temperatura até que está boa por Inglaterra, por isso ao menos as milhares de pessoas que, como eu, também decidiram passar férias no país, até que se conseguem bronzear um bocadinho. E o Reino Unido também tem tantos locais tão interessantes para visitar, até acho que está a ser uma boa oportunidade para passear mais por cá do que o que normalmente faço.

 

Agora a parte mais chata de tanta gente ter a mesma ideia de ficar pelo Reino Unido é que, conseguir encontrar um alojamento bom a bom preço disponível, é quase impossível. Está tudo cheio, desde o parque de campismo ao hotel de 5 estrelas. Mas ao menos, também é uma boa forma para a indústria de turismo poder recuperar um pouco com os turistas nacionais. 

 

Estou curiosa - o que é que vocês têm feito em termos de férias - têm ido para fora ou preferido ficar mesmo pelo vosso país? 

 

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Houghton, Hampshire, Agosto 2020