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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Emigrante Portuguesa em Londres: 10 anos em revista

Neste sábado que passou fez 10 anos que me mudei permanentemente para Londres. Já cá tinha vivido durante 5 meses como estudante Erasmus no ano anterior, mas foi a 5 de Setembro de 2005 que, depois de uma primeira semana de treino em Munique para o meu primeiro emprego, me mudei permanentemente para Londres. Na altura não sabia que a estadia se ía prolongar tanto, mas também não tinha qualquer intenção de que fosse uma estadia curta. Como tenho dito ao longo destes 10 anos, cada vez que me perguntam se vou ficar - "para já é aqui que quero viver. No futuro logo se vê se pretendo viver noutro local."

 

Penso no passado muito pouco, mas, provavelmente devido à ocasião, este fim-de-semana, acabei por lembrar-me bastante dos diferentes acontecimentos que foram decorrendo ao longo destes 10 anos - os altos e baixos, os amigos que fiz, as viagens e passeios, os diferentes empregos que tive, os amores que não ficaram, as zonas de Londres por onde vivi, a forma como evolui e me transformei numa pessoa diferente daquela jovem tímida que vivia nos arredores de Lisboa à mais de 10 anos atrás.

 

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AS CASAS

10 anos, 8 casas, 7 localizações

  • Vivi as minhas primeiras semanas em Tower Hill em casa de um amigo de Erasmus. Como o seu contrato estava a acabar, decidimos procurar casa juntos com mais uma Austriaca e vivi com eles na minha primeira residência permanente em Camberwell durante 1 ano até o senhorio vender o apartamento.
  • Mudei-me depois uns metros à frente, mais próximo da estação de Oval, para uma casa com 5 quartos onde vivi por cerca de ano e meio. Ali fizemos muitas e boas festas, até que as coisas começaram a correr mal com o tal amigo Austriaco de Erasmus e quiz procurar nova casa para morar.
  • Lá consegui encontrar quarto num apartamento em Clapham Common mas estava a viver com uma Inglesa com quem era extremamente difícil de viver e, apenas fiquei por lá 3 meses porque não queria estar a viver em condições tão desconfortáveis.
  • Conheci o meu flatmate Português, com quem vivo até hoje quando me mudei para o novo apartamento em Brixton. Vivemos ali cerca de 2 anos até que o senhorio vendeu.
  • Ao contrário do que eu queria e esperava ao fim de mais de 5 anos a viver no sul de Londres, encontrámos novo apartamento no Norte de Londres, em Stoke Newington. Foi uma das melhores mudanças que fiz porque essa mudança também trouxe um novo grupo de amigos que adoro.
  • Ao fim de ano e meio a senhoria decide vender o apartamento e lá temos que mudar outra vez. Essa procura foi muito difícil mas lá encontrámos um apartamento em Dalston à última da hora. Não gostámos do novo apartamento e só lá ficámos 3 meses.
  • Tivemos a oportunidade de ir morar para uma casa um pouco mais a sul onde duas amigas moravam e íam sair. Já passaram 2 anos e 2 meses e por lá continuo. Agora espero que só saia daqui quando fôr para comprar o meu apartamento. Já estou farta de tanta mudança.

Ao contrário do que pensei algumas vezes, o local onde vivo é mesmo importante para o meu bem-estar geral, por isso sou apologista de não entrarem em contratos de arrendamento de longo prazo sem uma claúsula de "escape" porque só mesmo quando lá se vive é que se sabe se se vão sentir bem.

 

O EMPREGO

10 anos, 8 empregos, 6 títulos

  • Comecei num "international graduates scheme" para uma grande empresa, mas o programa deles não incluía experiência em marketing. Não gostei e senti que não estava a fazer um bom trabalho. Saí.
  • Mudei para vendas porque tinham o trabalho anunciado como "field marketing". De marketing não tinha nada. Passei o inverno a andar kilómetros todos os dias a vender de porta em porta linhas telefónicas baratas para as lojas. Um dia não aguentei mais e despedi-me. 
  • A meu envio incessante de CVs resultou numa entrevista para uma agência de marketing. O candidato que fizesse o melhor plano de marketing para um dos seus serviços, ficava com o emprego - consegui e tive o meu primeiro emprego como 'Marketing Assistant'.
  • Essa empresa foi comprada por um grupo de empresas e mudei-me para a sua empresa de construção como 'Marketing Executive'.
  • Passados 2 anos mudei para outra empresa do grupo de processamento de pagamentos, novamente como 'Marketing Executive'.
  • Passados mais 2 anos, chegou a fase da crise, essa empresa foi à falência e fiquei desempregada durante umas 2 semanas.
  • Encontrei novo emprego como 'Marketing Manager - EMEA & APAC' para uma empresa de tecnologia e por lá fiquei durante 4 anos, até ter a infelicidade de ter que lidar com uma chefe péssima.
  • Mudei então para outra empresa de tecnologia como 'Marketing Manager - EMEA' até ter sido despedida devido a cortes de custos. 
  • Ao fim destes 10 anos sou agora 'Senior Marketing Manager - EMEA' para uma empresa de tecnologia que, ao fim dos primeiros 2 meses no novo emprego, estou a gostar bastante.

Nunca é fácil encontrar novo emprego, principalmente no início quando não se tem experiência e todos os anúncios pedem por ela. Demorei 8 meses a encontrar o emprego certo que me lançou na carreira de marketing que pretendia, mas o importante é que não desisti. Sabia o que queria, e tentei não perder muito tempo nos trabalhos "errados" por isso insisti, insisti, insisti, até dar.

Através da experiência ao longo destes anos algumas das lições importantes que aprendi foi para nunca desistir dos meus objectivos; a ser confiante mesmo quando tudo parece estar contra nós; a nunca julgar alguém pelo seu emprego; e a não tratar ninguém de forma diferente independentemente do cargo que ocupam do executivo ao empregado das limpezas.

 

OS AMIGOS

Vieram e foram ao longo dos anos. Uma das situações comuns entre pessoas que são novas numa cidade ou país é que tendem a fazer amizade com outras pessoas que também estão nessa cidade há pouco tempo. São essas as pessoas que procuram estabilizar-se e fazer novos amigos, mas também são eles que mais rapidamente vão mudar de opinião acerca da nova cidade e ou voltar para o país de origem ou procurar outra localidade. Assim foi com os meus amigos também. Do primeiro grupo de amigos próximo que fiz, a grande maioria já não vive em Londres. Cada vez que os mais próximos se vão embora ficava com aquela sensação de vazio. - "E agora, quem é que vou poder convidar para ir sair expontaneamente?" - Tive que recomeçar amizades de raiz várias vezes, mas com o passar dos anos, aquelas pessoas que são estrangeiras e que também ficam por cá, já passaram a fase da dúvida, e são mais prováveis a manterem-se por cá. Com os anos também se começam a criar amizades mais facilmente com outros que sejam ou originários de cá ou que já cá criaram raízes.

Ao fim das primeiras vezes que "perdi" amigos locais devido a mudanças, aprendi a não parar de tentar conhecer pessoas novas. Assim, fui criando uma rede de diferentes grupos de amigos e, hoje em dia, se alguns tomarem a decisão de irem, já não me vou sentir sozinha. 

 

OS AMORES

Nunca desejei a vida convencional - estudar, trabalhar, casar, ter filhos - e a minha mudança para Londres  fez exactamente com que não tivesse essa vida e que aproveitasse com uma variedade de experiências pelas quais, em Lisboa não teria sido possível passar. Mas no que se trata de amor, Londres torna-se um bocado vingativa, porque o facto de haver tantas pessoas nesta cidade, também faz com que todos sejam muito mais selectivos ou muito mais interessados em experimentar estar com diferentes personalidades para perceberem bem o que gostam e não gostam antes de optarem por aquela que é mesmo ideal.

Queixo-me mas não me posso queixar porque também caí na mesma armadilha de pensar assim. Quebrei corações assim como mo quebraram a mim. Alguns marcaram mais que outros mas o facto é que entre aqueles que me marcaram nos últimos 10 anos - 4 namorados (o Britânico de origem Cipriota e Polaca, o Inglês, o Irlandês e o outro Irlandês) e outros que nunca o chegaram a ser - por uma razão ou outra não foram a pessoa ideal. 

 

#

 

Olhando para estes 10 anos, considero que o balanço foi sem dúvida positivo. Posso ainda não ter o cargo, a casa e o namorado que imaginava que teria ao fim de 10 anos, mas tive muitas experiências e coisas boas que valeram muito a pena e compensaram eventuais pontos menos positivos.

Se vou ficar por cá mais 10 anos? O que penso que vai acontecer? - Não sei. - Passem aqui pelo blog em inícios de Setembro de 2025. Se eu ainda estiver por Londres, eu digo o que aconteceu por cá. 

Ah e tal, essa já foi!

Passo a noite a pesquisar sites entre o Gumtree, o Spareroom, o Primelocation, o Rightmove, o Zoopla, o Moveflat,...

 

Encontro 4-5 casas boas por noite. Contacto todos os respectivos agentes/senhorios por email e no dia seguinte telefono-lhes que já sei que nenhum deles me vai responder ao email (vá! Lá ocasionalmente há um ou outro que respondem). Assim que lhes pergunto sobre a casa que encontrei na noite anterior - ah essa. Pois essa já foi. Mas tenho aqui outra que é capaz de gostar - "não é na zona que estava à procura mas fica apenas a 2 autocarros de distância da zona que queria; não tem espaço lá fora, mas as janelas são grands; nos quartos até cabe lá uma cama de solteiro, um roupeiro, uma estante e ainda tem um bocadinho de espaço para estar em pé; quanto ao preço, fica £50 acima do seu budget mas olhe que por este vale bem a pena pagar mais, e pode sempre tentar fazer uma oferta por bixo ao senhorio. Quando é que quer lá ir ver?" {#emotions_dlg.sad}

 

Neste momento tenho 3 semanas e 2 dias para sair desta casa. Começa a contagem decrescente...

A procura da minha 7ª casa em Londres - Parte III

Infelizmente nao tenho muitas notícias neste ramo da acomodação em nova casa. Tem sido uma sucessão de acontecimentos com esperança de encontrar algo, e logo depois desanimar-me. Na semana passada tinha contactado uma agencia relativamente a uma certa casa que tinham publicado. Eles telefonaram-me de volta a dizer que essa casa já não estava disponível mas que tinha acabado de sair outra no mercado pelo mesmo preço, mesmo em frente ao parque, com grande jardim, bons quartos e espaços interiores. Fiquei logo super entusiasmada. A casa parecia perfeita. Fui visitá-la nessa noite e de facto todas as características que a agente tinha dito eram verdade, aparte do facto de um dos quartos ser mais pequeno que eu queria, mas de resto a casa era óptima.

- Podiam-me relembrar por que preço está a casa?

- £600 por semana

- £600 por semana?? Isso fica a mais de £860 por mês por pessoa e bem acima da casa anterior sobre a qual eu a tinha contactado.

 

Ficou a desilusão!

 

Entretanto tenho começado a procurar por quartos em casas onde já lá existam pessoas a viver. No spareroom encontram-se vários casos de casas para alugar assim, em que existentes flatmates colocam 2 ou mais quartos anunciados. O problema nestes casos é que, geralmente os anunciantes não tem numero de telefone. Logo a mensagem pelo spareroom é a única forma de os contactar, e portanto fico dependente da sua resposta 'a mesnsagem, que, pelo que tenho experienciado, não é muito frequente. Penso que essas pessoas recebem tantas pessoas interessadas que simplesmente respondem aqueles que preferirem ou aqueles que calharem a enviar email no momento em que estão online. Enfim, é pena.

 

A saga continua...

A procura da minha 7ª casa em Londres - Parte II

Fui ver a tal casa ontem e assim que lá entrei assustei-me – as 4 raparigas que lá vivem tem a casa um autentico nojo! Não, não estou a exagerar. Eu nem sei como é que elas conseguem encontrar a roupa que vestir de manha no meio daquela confusão toda de roupa, maquiagem, acessórios, tudo espalhado por todo o lado. E o que me parece ainda mais inacreditável é como as 4 se conseguiram encontrar umas ‘as outras e vivem juntas. É que nao deve ser muito fácil encontrar pessoas com hábitos de arrumação e organização tão inexistentes.

 

Uma das duas casas de banho estava feita numa arrecadação para todas as malas delas e a segunda cozinha, que era pequenita, é tambem uma espaco para atafulharem roupas, caixas e porcarias que nem consegui bem identificar já que estava tudo ao molho e fé em Deus.

 

A parte interessante, é que imaginando a casa sem tudo aquilo que estava lá dentro, até era boa. Tem 2 quartos gigantescos + 1 quarto pequeno, 1 grande sala (que actualmente elas fazem daquilo um quarto), 2 boas casas de banho, e uma cozinha que apesar de pequena, tem espaço para uma mesa e é bonitinha.

 

No entanto acho que não dava para um de nos ficar com o quarto pequeno, por isso imagino que, se ficássemos com aquela casa, teríamos que ficar com 3 quartos grandes, e, fazer do quarto pequeno uma pequena sala. Não sei se alguém a iria utilizar assim. Por isso é que fico na dúvida. Também fica um pouco mais longe dos transportes o que não ajuda, e é carita (se bem que o preço pode ser sempre negociável). Humm,….. dúvidas, dúvidas….

Mas será que este stress nunca mais acaba?

Ontem era o Dia D, disse eu. De facto, pelo menos durante umas 18 horas até pareceu ter sido após ter falado ontem com a senhoria e ela ter-me dito que estava ali a fazer um contrato verbal comigo de como ficavamos com a casa. Fiquei mesmo contente nas horas seguintes e era só sorrisos de manhã no trabalho. Infelizmente a alegria não durou muito. Durou até eu ter recebido um telefonema do agente com quem tinha arranjado ver a casa, mas que depois me fizeram aquela lenga lenga de que tinha que oferecer mais dinheiro, e tinham dito que me mandavam uma mensagem com a morada da agência para lá ir pagar o depósito, mas nunca chegaram a mandar coisíssima nenhuma. 

 

Ele começou a conversa a dizer que já tinham feito uma oferta na casa e perguntou-me se queria ver outra. Eu disse-lhe que não que também já tinha feito uma oferta noutra casa. Ao que ele respondeu que tudo bem e pediu-me só para eu lhe dar o nome do meu flatmate para ele riscar o nome dele da lista. Disse-lhe o nome dele e ele imediatamente desligou o telefone. Assim que o fez apercebi-me logo que não lhe devia ter dado o nome do meu flatmate. Possivelmente era só isso que ele queria saber para ter a certeza se tinhamos sido nós a fazer a oferta na casa. 

 

Bem dito, meu feito. Passado uns 5 minutos voltou-me a ligar, mas desta vez preferi não atender. Deixou-me um voicemail no qual disse "deves ter a mania que és esperta se pensas que vais viver naquela casa. Vais ver o que eu te faço." {#emotions_dlg.barf}

 

Mal podia acreditar naquela mensagem que ele me tinha acabado de deixar. Ele estava oficialmente a ameaçar-me. Não sei bem do que é que ele me estava a ameaçar, mas o que quer que seja que ele tenha em mente não é uma sensação mesmo nada boa sentir-me ameaçada. Fiquei tão nervosa que nem me consegui concentrar mais no trabalho durante a tarde. O medo era não tanto o de ficar sem a casa mas mais o que raio é que ele quer dizer com "vais ver o que eu te faço." Mas por um lado ainda bem que não atendi e ele deixou a mensagem gravada no meu voicemail. Ao menos tenho uma prova contra ele caso seja necessário levar o caso à polícia ou algo do género. 

 

Não quiz telefonar logo à senhoria porque já sei que ela não gosta que lhe telefonem durante as horas de trabalho, mas enviei-lhe logo um email a remeter o assunto e disse que lhe telefonava ao fim do dia.

 

Segundo ela, quando a conheci, ela não tinha acordado com nenhum agente o arrendamento da casa e disse que queria fazê-lo directamente com os inquilinos. No entanto, se alguns dos agentes tinham as chaves da casa no dia em que a fui ver imagino que ela tenha feito algum acordo com algum deles. Será que este foi um deles? Ficam a saber que o nome desta agência é Dimension Estates portanto ficam já avisados para não se meterem com estes tipos. 

 

Após o trabalho, quando tentei telefonar à senhoria ela não atendeu. Ao fim da segunda tentativa, poucas horas depois, deixei-lhe um voicemail. Sinceramente não sei se o facto de ela não ter atentido tem alguma coisa a ver com a situação ou se apenas quer dizer que ela estava a trabalhar de noite e não podia atender (ela é médica) ou qual será a razão. mas o facto é que agora enquanto não falar com ela não descanso. Se ficar sem a casa fiquei. Não será o fim do mundo, mas quero é saber o quanto antes o que vai ser da minha vida porque terei que procurar novamente e cada vez o tempo escassa mais.

Procura de casa - parte 2

Continua tudo na mesma como a lesma. 

 

Neste momento já conto 9 as casas que visitei como potenciais futuras residencias. Só 1 delas é que tinha os critérios necessários para eu poder dizer que sim senhora, quero fazer uma oferta a esta casa. 3 bons quartos, sala e cozinha separadas, ambas com bom tamanho, boa decoração, bem conservada, jardim e tudo dentro do budget. OK, ficava um bocado longe do metro mas também não se pode ter tudo. O problema é que após ter visto a casa e já estar toda entusiasmada a agente indica que podemos mudar para lá no início de Maio {#emotions_dlg.barf} Maio? Eu preciso de sair no início de Abril. Resultado,... a procura não terminou por aí. 

 

Entre as casas que vi o principal problema tem sido mesmo o espaço. Algumas delas são tão ridículamente pequenas que até faz confusão como alguém alguma vez poderá aceitar pagar o preço que eles pedem por aquelas casas. Houve uma então que particularmente me fez confusão. Tudo bem que ficava a 5 minutos da estação de Clapham Junction, mas mesmo assim isso nem é assim tão bom porque em Clapham Junction não há metro, só há comboio. Ficava localizada numa rua principal e barulhenta e o apartamento era localizado por cima de uma loja. Até agora nenhum desses pontos é positivo na minha opinião. Mas,... claro está, se a casa fosse muito boa lá por dentro até seria de considerar. Ao entrar o agente mostra-me o primeiro quarto. Tinha apenas o espaço suficiente para caber lá uma cama de casal, com um bocadinho de espaço o suficiente para uma pessoa passar de lado entre a cama e a parede, e aos pés da cama tinha mais cerca de meio metro de distância entre a cama e o pequeno guarda-fato. OK, sem dúvida que o espaço neste quarto não era a sua parte positiva, mas se os outros dois quartos fossem bons, talvez ainda se considera-se.

Ao chegar à frente do segundo quarto achei estranho que a porta não fosse uma porta normal mas sim daquelas portas que abrem deslizando para o lado. Mas rapidamente descobri a razão pela qual a porta deslizava em vez de abrir para dentro. É que não havia espaço para a porta abrir para dentro! A cama de casal estava imediatamente colada à porta e quem quizesse lá entrar teria que, literalmente, saltar para cima da cama para depois ir sair pelos pés da cama onde tinha um pouco de espaço entre esta e o guarda-fato. Ridículo! Uma destas nunca tinha visto. O pior ainda é que, sendo o espaço tão pequeno, assim que abri a porta veiu de lá de dentro um cheirete de quarto encafuado, fechado, com uma mistura de cheiros de suor e sei lá mais o quê. Arghh,... só de pensar até já me sinto mal disposta novamente.

O terceiro quarto era o quarto "grande" que não era grande coisíssima nenhuma mas sempre era um bocadinho maior que qualquer um dos outros dois. A casa ficava completa com um open plan entre a sala e cozinha de tamanho razoável e uma pequena casa de banho. 

Quanto é que estavam a pedir pela casa? £400 por semana, ou seja £611 por mês para cada pessoa! Devem estar mas é feitos parvos ou metem-se na droga, só pode. Pedir este preço por uma minorquisse de apartamento com verdadeiros "box rooms" é mesmo de loucos. Acho piada é ao texto que colocaram no anúncio - "First to see will take". Yeah,..... right!

 

Bem, com tanta coisa o problema é que continuo sem casa. Ontem tinha encontrado no rightmove.com umas cerca de 20 casas com boas perspectivas. Telefonei para todas hoje e nem sequer uma única estava disponível. Já tinha sido tudo alugado. Porra!!!! A ver se a coisa corre melhor com os telefonemas que efectuar amanhã. E, falando nisso, vou mas é lá voltar à minha pesquisa.

Procura de casa - parte 1

Esta semana fui ver a primeira casa onde haveria a possibilidade de me mudar para lá.

- Casa inteira, com 3 quartos, jardim por £350 por semana em Bermondsey. Bargain!

 

Lembrava-me que bermondsey não era das zonas mais atraentes, mas como já há tanto tempo que não ía lá, decidi tentar a minha sorte. Mas como digo sempre,.. o que parece bom demais para ser verdade,... é porque é. Bermondsey continua uma zona pouco atraente, e para chegar à casa tinha que passar por baixo de um relativamente longo viaduto onde passa a linha de comboios por cima. Digamos que só esse caminho, não me estava a ver fazê-lo com segurança sozinha após uma noitada.  - Portanto, em escala de 0-5, LOCALIZAÇÃO: 2

 

Ao chegar junto à casa, parecia relativamente agradável, embora muito simples e de construção básica, ASPECTO EXTERIOR: 3

 

Dentro da casa, onde facilmente reparei que quem estavam lá a viver eram residentes Brasileiros dado que cada um tinha uma grande bandeira no seu quarto e outra na sala. Infelizmente os residentes não são dos mais arrumadinhos o que não ajuda muito na primeira impressão da casa, mas tentei-me abstrair desse problema. Olhando com mais atenção para o interior da casa, um dos quartos só tinha entrada através da sala (o senhorio lá decidiu repartir uma sala grande para conseguir arrendar a casa a um valor mais alto). Outro quarto tinha a caldeira de água quente lá dentro o que é muito estranho. Cozinha mínima, bom espaço exterior para barbeques, quartos médios/pequenos,... INTERIOR: 2

 

Resultado: Nop!

 

Hoje sentei-me no sofá pelas 2h da tarde a pensar fazer uns telefonemas e ir já hoje visitar mais umas casas. Qual quê? As poucas casas que consigo encontrar dentro do preço que estou disposta a pagar ou já não estavam disponíveis, ou eram muito longe do metro ou simplesmente não consegui contactar nenhum dos agentes que estivesse disponível para mostrar a casa já hoje. Está mesmo difícil!! Mais difícil do que qualquer outra vez que procurei casa simplesmente porque os preços estão muito mais elevados do que estavam à 3 anos atrás. Enquanto em 2008 encontravam-se boas casas a menos de £600 por mês, por pessoa, agora as casas a esse valor são as casas de bairros sociais se procurar em zonas agradáveis. Casas razoáveis em zonas razoáveis está tudo a rondar os £700 por pessoa. 

 

Uff, continua a pesquisa incessante. Já só tenho um mês para encontrar a minha nova morada. A ver vamos...

A canção do bandido

Hoje o meu flatmate liga-me pelo fim da tarde todo entusiasmado:

- Filipa, encontrei o apartamento ideal!

Eu: Então? Já andaste a ver casas?

Ele: Andei a ver na net, mas este é mesmo ideal. É muito barato a £700 por um apartamento com 2 quartos com bastante espaço e jardim.

Eu: Hummm,... isso cheira a muito fruta

Ele: Eu também pensei nisso, mas troquei vários emails com o senhorio hoje e ele enviou-me as fotos da casa. Basicamente ele vive na Dinamarca e quer tratar do assunto de arrendar a casa o mais depressa possível. Por isso é que está a arrendar tão barato.

Eu: Então e quando é que podemos ver a casa se ele não está cá?

Ele: Ele só nos pediu para fazermos uma transferência do depósito no valor de 2 meses de renda para um familiar ou amigo no Reino Unido e mostrar-lhe o comprovativo da transferência para lhe demonstrarmos que temos o dinheiro e que estamos efectivamente interessados. Assim que ele vir confirmação ele vem cá a Londres mostrar-nos a casa.

Eu: Então e deixa-me adivinhar. Ele quer que façamos essa transferência através da Western Union?

Ele: Pois quer. Como é que sabes?

Eu: Sei porque tu te deixaste cair na canção do bandido.

Então não sabes que esse é o tipo de estratagemas que muitos tipos fazem através de anúncios do gumtree para ficar com o dinheiro das pessoas mais ingénuas ou que não conhecem o funcionamento dos arrendamentos em Inglaterra e pensam que isto é procedimento normal? Todos pedem sempre transferências de dinheiro adiantadas através da Western Union. Não sei como o fazem, mas o comprovativo dado pela transferência deverá ser suficiente para que, de alguma forma, consigam desviar o dinheiro para serem eles a receberem-no.

 

Já tinha aqui falado nestes estratagemas antes, mas aqui o fica novamente - quando virem uma casa anunciada que parece boa de mais para ser verdade, é porque É BOA DEMAIS PARA SER VERDADE.

 

Quando vos pedirem para fazer transferências de depósitos antes de verem a casa, é porque vos tão a tentar enganar - NUNCA PAGUEM NENHUM DEPÓSITO SEM PRIMEIRO VEREM A CASA.

E agora? Para onde vou?

Ontem tinha um e-mail do senhorio no meu inbox. Informou-nos que a venda da casa ainda não está finalizada com todas as burocracias mas que é provável que seja concluída em breve. Informou-nos também de que se as coisas continuarem a correr como esperado o nosso prazo para sair do apartamento é no final de Abril, mas que o comprador preferia mudar-se no início de Abril. Como tal fez-nos uma proposta com um desconto na renda de Março para aceitarmos e sairmos mais cedo da casa.

 

Com este email verifiquei que a vida nesta casa está mesmo a chegar ao fim com muita pena minha. Quanto à proposta dele, fizemos uma contraproposta de que queriamos até ao fim de Fevereiro para dar a resposta para termos tempo de pesquisar o mercado e ver algumas casas para tentar encontrar já algo. Eu bem me lembro como não é nada bom estar com um prazo para mudar de casa e até à última semana ainda não ter encontrado nada, por isso idealmente não queria que isso voltasse a acontecer.  A ver vamos...

 

Agora o problema é começar por decidir para onde vou querer morar a seguir. Quero ficar na mesma área? Procurar algo diferente? Mudar-me para o Norte de Londres? Ou para o Este? Ainda não sei bem, mas acho que vou mesmo começar pelo Sul de Londres de que tanto gosto e se não encontrar nada por aqui, logo aumento a área de procura.

 

Só um coisa tenho certeza para já, de que apesar de estar contente com a ideia de ficar na mesma zona quero ir para outra parte onde não tenha que passar pelas mesmas ruas e lojas no dia-a-dia. Acho que seria estranho continuar a fazer um percurso semelhante e não vir para a minha casa actual. E gosto de mudar de ares de vez em quando para tornar as coisas mais interessantes.

 

Bem, e dito isto vou agora começar a pesquisa. A ver o que é que anda de oferta de casas por aí.

A saga da procura de casa vai recomeçar

Para quem se lembra deste post que escrevi no início de Setembro, sabe que a casa onde moro tem estado à venda desde então. O senhorio decidiu que quer ir criar os seus filhos para a Irlanda e, como tal tem estado a vender as casas que possui em Londres.

 

Eu e o meu flatmate concordamos com ele de que ficariamos aqui nesta casa até ao momento em que a vendesse estando dispostos a ter potenciais compradores a virem visitar a casa sempre que houvesse interesse. Em troca o senhorio baixou-nos a renda, o que não foi mesmo nada mau e disse que a partir do momento em que vendesse a casa nos daria mais 2 meses para procurar nova residência.

 

Ora durante estes últimos meses lá temos tido várias visitas do agente imobiliário a mostrar a casa a potenciais compradores. Ao início o senhorio tinha colocado a casa a £320,000 o que, se demonstrou não ser fácil de vender principalmente tendo em conta que a casa tem só dois quartos e a casa de banho é pequena. Tudo bem que a sala e a cozinha são bastante espaçosas e a casa está de forma geral em óptimas condições e é bonita por fora de estilo Vitoriano. Mas £320,000?? É de loucos. Podia comprar uma pequena vivenda com piscina em Cascais por esse valor.

 

Mas por mim até que estava toda contente por ele ter colocado o preço assim tão alto porque obviamente assim não iria vender o apartamento tão facilmente e eu sinceramente não quero nada sair daqui. Muitas pessoas vieram visitar o apartamento ao início mas depois as visitas acalmaram. Passado umas semanas vieram novamente muitas pessoas. Fui ver o site da agência imobiliária e já tinham reduzido o preço. Depois novamente houve uma fase em que as visitas acalmaram e depois novamente vieram em força. Reduziram o preço novamente. A mesma situação ocorreu uma terceira vez e, a partir da semana passada novamente vieram muitas pessoas ao mesmo tempo. O senhorio tinha reduzido o preço para £289,000.

Ontem, quando cheguei à noite a casa e vou a tirar as chaves da mala, olho para a placa da agência mobiliária que ali tem estado a anunciar que a casa estava para venda desde o início, e a placa já tinha alterado de "for sale" para "sold". O coração quase que me caiu aos pés. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer, mas chateou-me saber da novidade assim sem mais nem menos, ao ver na placa em frente da casa. Acho que ou a agência ou o senhorio deviam ter tido a consideração de me telefonar a mim ou ao meu flatmate primeiro antes de alterarem a placa.

 

Estou mesmo triste que bem sei que não vai ser nada fácil encontrar uma casa tão boa pelo mesmo preço. Hoje já andei a passear pela zona e fui até mais a sul para os lados de Clapham South e Balham para ver as zonas e as casas anunciadas nas janelas das agências imobiliárias. Pensei que por ser um pouco mais a sul talvez os preços fossem mais agradáveis, mas nada disso. Enfim, há que respirar fundo e ganhar forças para voltar a procurar casa mais uma vez.