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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Lisboa já não é o que era

Está cada vez melhor! Estive de visita durante a semana passada por cerca de 5 dias e devo dizer que descobri vários locais diferentes, e gostei bastante da nova atmosfera. Lisboa está cada vez uma cidade mais cosmopolita, os residentes estão a aproveitar os edifícios bonitos da cidade como espaços para novos estabelecimentos interessantes mas mantendo o seu carácter original. Nota-se que há um cuidado maior e apreciação pela cidade e por manter a tradição, se bem que com um toque mais moderno e original. Já tinha ouvido pessoas dizerem que Lisboa é considerada a nova Berlim, e parece-me que têm razão. Lisboa está a tornar-se mais apelativa como cidade de residência para artistas e pequenos empresários, que conseguem obter rendas de estabelecimentos e residência mais baratas que nas outras principais cidades Europeias, enquanto que tem a vantagem do bom clima, comida e simpatia dos Portugueses. Este factor está intimamente ligado ao aumento do turismo. Lembro-me que nos primeiros anos em que cá estive, sempre que ouvia alguém dizer que ía a Portugal, estavam a referir-se ao Algarve, mas hoje em dia, ambos Lisboa e Porto são frequentemente mencionados como as cidades de destino quando vêm a Portugal. 

 

Parece-me que o Porto até está um pouco mais avançado em termos de ter estabelecimentos interessantes e apelativos ao turismo e aos residentes, pelo que tenho ouvido falar, mas já não vou ao Porto desde a minha época de universidade, por isso está na minha lista de locais a revisitar em breve. 

 

No outro dia estava eu a tomar uma bebida no Broadway Market, quando ouço a conversa de um casal jovem Britânico ao meu lado que estavam a contar aos amigos como tinham apresentado a sua demissão no trabalho e se íam mudar para Lisboa, explicando todas as vantagens que eles encontram por se mudar para lá, tais como as que mencionei acima.

 

A minha chefe de Nova York também tem planeado fazer uma visita de 2 semanas com a família este verão por Lisboa, Porto e Algarve, e duas outras colegas de NYC também planearam uma viagem de 1 semana a Portugal este verão. Tenho outro casal amigo que foi passear ao Porto na semana passada, outro casal tinha vindo à duas semanas a Lisboa, etc, etc, etc. Só para verem a frequência com que isto está a acontecer. Adoro saber que os estrangeiros estão a apreciar cada vez mais visitar o nosso país, e depois desta minha passagem por Lisboa, ainda tenho mais locais para recomendar. 

 

Alguns dos locais onde fui pela primeira vez que desconhecia incluem:

  • O bar da Duna da Cresmina com uma vista espectacular para o Guincho e com um DJ a animar o ambiente
  • Bar Procópio nas Amoreiras - já existe há muitos anos mas ainda não conhecia. Ambiente vintage e cocktails deliciosos
  • Embaixada LX no Príncipe Real - todo o carácter deste edifício do século XIX com lojinhas, restaurantes e bares muito giros e altamente populares
  • Pão à Mesa no Príncipe Real - restaurante com bom ambiente e cozinha
  • Vários bares e restaurantes no Cais do Sodré, perto da Rua Cor-de-rosa

 

10 dicas para dar um toque Português a uma casa moderna

O pessoal do Zaask.pt contactou-me no outro dia a perguntar se aceitava ‘guest posts’. O interessante do site deles é que, à semelhança do buzzfeed, eles têm jornalistas que escrevem sobre tudo e mais alguma coisa e ofereceram para escrever um post sobre um tópico à minha escolha. Não tive que pensar duas vezes. Como o meu tempo livre nos últimos tempos tem sido maioritariamente passado a pensar e procurar por peças de decoração, pedi-lhes para escreverem um post que oferece-se dicas sobre como decorar um casa moderna com uns toques Portugueses. Eles aceitaram a ideia, e aqui fica o resultado:

           

  1. Azulejos: Quem é que não conhece os azulejos tipicamente portugueses? Mesmo numa casa moderna, é possível enquadrá-los na decoração, por exemplo, colocando-os na linha de topo dos azulejos existentes na casa de banho. Além do mais, existem vários padrões à escolha, por isso, servem para todos os gostos.
  2. Bibelots que representem figuras tradicionais portuguesas: Quer sejam em porcelana, cerâmica, vidro ou madeira, existem imensos bibelots muito engraçados que representam figuras portuguesas bem conhecidas, como o Zé Povinho ou o Galo de Barcelos. E não são nada difíceis de encontrar, basta irmos a uma das imensas feiras de artesanato que estão espalhadas pelo país. Nas férias, ou numa ida a Portugal, visitar uma destas feiras pode ser um excelente programa!
  3. Objectos em cerâmica: Também estes representam bem a essência do nosso povo. Se virmos bem, os nossos pais e os nossos avós até têm objectos destes, principalmente os que pertencem aos conjuntos do Bordalo Pinheiro. Uma casa tipicamente portuguesa costuma ter estas porcelanas em forma de couves, frutos e animais! 
  4. Porcelanas: Para serem usadas ou apenas para servirem como adereços, o certo é que as porcelanas portuguesas, sobretudo as da marca Vista Alegre, são reconhecidas no mundo inteiro. E existem em padrões tão variados (até mesmo baseados em autores portugueses, como o Fernando Pessoa) que, numa casa moderna, ainda lhe dão um maior requintes.
  5. Tecidos tradicionais: Um clássico da tradição Portuguesa são os lenços dos namorados, cheios de erros ortográficos (propositadamente feitos assim) e esses existem bordados numa variedade de tecidos. Por exemplo, ficam mesmo bem numa mesa, num quadro, ou a servirem de forro numa almofada.
  6. Rendas: Nem todos gostam de usar naperons feitos em renda, muito menos ter as rendas colocadas em quadros, mas a verdade é que esta arte faz parte da tradição portuguesa e temos que reconhecer todo o mérito a quem elabora estes trabalhos. Curiosamente, até se enquadram muito bem num ambiente caseiro, é só preciso saber onde colocá-los.
  7. Decoração com chita: A chita é também algo que nem todos apreciam, especialmente pelos seus padrões muito coloridos. Mas quem gosta de cores mais leves tem sempre a opção da chita de Alcobaça. E quem pensa que um forro ou um tecido com a decoração em chita destoa na decoração moderna está bem enganado!
  8. Papel de parede alusivo a Portugal: Dar um toque português a uma casa também passa pelas pinturas interiores. Por isso, é uma óptima ideia mandar personalizar um papel de parede para a sala, ou até para o quarto, com paisagens das cidades portuguesas favoritas, de uma paisagem marcante, ou de algo puramente português que tenha realmente significado.
  9. Instrumentos de música portugueses: Podem não ser propriamente baratos, mas dão um certo estilo a uma divisão, sem a mínima dúvida. E, para quem gosta de música, certamente que vai adorar ter uma guitarra portuguesa ou um cavaquinho exposto como elemento decorativo.
  10. Peças de mobiliário portuguesas: Se houver possibilidades financeiras para isso, aqui está outra grande sugestão. Para além de existirem peças de mobiliário muito elegantes, acabam também por ser bastante úteis dentro de uma casa. Sem esquecer, claro, que se ajuda uma empresa portuguesa, que é igualmente importante.

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Umas férias de verão que a verão pouco souberam

Voltada de férias de Portugal, devo dizer que nunca me lembro de ter passado o verão em Portugal com um clima tão mauzinho, mas também nunca tinha decidido antes ir passar parte das férias para Peniche. 

 

Os dois dias em Lisboa, de facto foram bons e solarengos, mas nem queria acreditar quando, no dia em que fui para Peniche, vi que cada vez mais me aproximava de uma grande nuvem cinzenta enquanto conduzia nessa direcção. Foi esta a minha receção quando cheguei à Ericeira para almoçar:

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 A coisa não estava lá muito melhor quando cheguei a Peniche, e nos três restantes dias em que estive por lá, só num deles é que fiquei pela zona na praia do Baleal (que por sinal é muito gira e mal posso acreditar que ainda nunca lá tinha ido), e os outros dias dias tive que escapar às nuvens e ao frio dirigindo-me para o interior do país. Num dos dias passei a tarde nas piscinas de Rio Maior, e no último dia passei a manhã nas piscinas de Santarém antes de fazer a viagem de volta para Lisboa. 

 

Claro que eu sabia que as praias do Oeste são sempre menos certas em termos de temperatura que as praias do Sul, mas achei que como estamos no meio do verão, a temperatura havia de estar boa por aqueles lados. Mas não. Fiquei mesmo chateada porque estava mesmo a querer sentir aquele calor bom de que tenho saudades, mas enfim. Fui tendo algum calor durante as minhas escapadelas fora de Peniche. É uma pena que a temperatua seja tão incerta porque de facto a zona é gira. Queria passar os dias de descanso a uma zona mais calma para fugir ao turismo exagerado do Sul, mas depois desta experiência já não vou voltar a arriscar férias de verão na zona. 

 

De qualquer forma, achei muito simpático e animado o ambiente que encontrei no Baleal, uma zona dedicada ao Surf, com bons bares de praia e bonita praia. 

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Agora de volta ao dia-a-dia normal, finalmente me vou poder dedicar a tentar transformar a nova casa num ambiente acolhedor que as caixas que ainda tenho espalhadas pela sala não me oferecem. Comprar mobília passa a ser a minha prioridade!

10º aniversário da primeira turma de Marketing do ISCTE

Fez este ano 10 anos que terminei a minha licenciatura de Marketing e como tal, eu, os meus colegas e alguns professores tentámos marcar um reencontro ao fim destes anos todos. Aproveitámos a altura do Natal para o fazer com o intuito de tentar juntar o maior número de pessoas possível, inclusivé os emigrantes que, como eu, só voltam a Portugal ocasionalmente, sendo que a época do Natal é a data mais certa para estarmos todos em Portugal. Mesmo assim, a coisa não resultou lá muito bem. Ao fim de 10 anos, já muitos têm família e estão ocupados com os mais pequenitos, outros estão emigrados e pretenderam ficar no estrangeiro nesta altura, outros estavam nas terras dos pais, outros a viajar, etc. Portanto, acabámos por ser 7 ex-colegas mais 2 professores. 

 

Apesar dos números serem pequenos gostei muito de voltar a reencontrar-me com os ex-colegas, alguns deles que já não via desde o fim da licenciatura. Interessante também ver os diferentes caminhos que cada um tomou, mas o que achei mais interessante é que mais de metade dos que ali estavam mantinham-se na mesma empresa por onde iniciaram a sua carreira quando saíram da universidade. Imagino que isso talvez esteja um pouco relacionado com o que é habitual em Portugal. Os meus pais também trabalharam na mesma empresa a maior parte das suas vidas. Eu, no entanto, talvez por estar em Londres e, a rotatividade de empregos ser maior, nem me passaria pela cabeça ficar tanto tempo na mesma empresa. Eu acho que cresci imenso como profissional por ter tido experiência a trabalhar em diferentes empresas. No meu trabalho actual estou a aplicar os processos e actividades que achei melhores/mais eficientes de outros empregos e apercebo-me de certas coisas que não eram tão efectivas em trabalhos anteriores simplesmente porque não as sabia fazer de outra maneira. Foi a possibilidade de trabalhar com tantas pessoas diferentes, tantas tecnologias, que me permite fazer melhores seleções hoje em dia. Para além de que acho que ficaria super aborrecida de estar sempre a trabalhar na mesma indústria, a comunicar sobre os mesmos produtos, a ir aos mesmos eventos. Adoro a diferença que a possibilidade de novos trabalhos nos oferecem. Além disso, é quando se muda de emprego que, geralmente, se consegue melhorar consideravelmente de salário, o que também é importante.

 

Por outro lado, bem sei que, dada a instabilidade actual de Portugal, esse tipo de mudanças podem ser mais difíceis de fazer, além de que, deve ser um grande risco sair-se dum emprego permanente para outro onde não se tenha tantos benefícios ou segurança. Acho que todos beneficiavam se as políticas das empresas relativamente a fazer os empregados permanentes mais cedo fossem alteradas. Se nos países economicamente mais desenvolvidos tais como o Reino Unido, Estados Unidos, etc., funciona bem contratar pessoas para ficarem permanentes ao fim de uns 3 meses e terem a possibilidade de despedir empregados que não efetuem um bom trabalho mais facilmente, com um mês de aviso (até menos nos EUA, mas eles exageram) e, sem grandes compensações, provavelmente isso também seria uma prática que podia ser benéfica para as empresas em Portugal. As empresas beneficiavam com um pouco mais rotatividade porque íam receber empregados empolgados em fazer o seu melhor, que trazem com eles ideias novas. Era bom para os empregados porque passavam a sentir-se mais confiantes em mudar de emprego e aprendiam mais a nível de carreira por estar expostos a diferentes ambientes de trabalho e indústrias. Era bom para o país porque empresas com empregados motivados e mais qualificados a nível de experiência trariam mais inovação, logo as empresas conseguiriam ter maior sucesso, o que seria reflectido nos salários, consecutivamente no poder de compra e na melhoria da economia a nível geral. Possivelmente estou a ser idealista e isto não é assim tão simples de mudar quanto parece, mas que provavelmente seria melhor para o país, isso penso que seria.

 

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Sintra - o concelho fantasma de dia e perigoso de noite

Voltei no domingo à noite de umas mini-férias em Portugal. Mini-férias porque afinal, comecei o novo emprego apenas há um mês, e não queria estar já a tirar um longo período mas também não queria deixar de visitar a família. 

 

Tal como habitual, passei o meu tempo em Portugal entre a casa dos meus pais que moram num bairro na linha de Sintra e a aldeia onde mora a minha avó, e o que reparei é que, quer num sítio quer noutro, a população jovem está a diminuir consideravelmente. Isso não é propriamente novidade quando se fala de uma aldeia, mas na zona suburbana de Lisboa? Isso parece-me um pouco estranho visto que, na época em que os meus pais se mudaram para lá, há pouco menos de 40 anos, os bairros ali da zona ainda estavam todos a ser construídos e era a zona favorita para os novos casais colocarem raízes - perto de Lisboa mas onde comprar casa era consideravelmente mais barato. Quando ali vivia, o bairro era um rebuliço de crianças a brincar nas ruas, jovens nos cafés e bares. Agora,... vejo as pessoas da idade dos meus pais e mais velhos, nos cafés e pastelarias, e é só. Crianças são poucas e o bairro de forma geral está muito mais calmo em termos do número de pessoas que se vê nas ruas, mas também é considerado mais perigoso em termos de assaltos, o que dantes não se ouvia tanto falar. 

 

Por outro lado na aldeia da minha avó, começa a ser triste passar naquelas ruas e ver cada vez mais casas degradadas, desprezadas pelos donos ou com placas de "Vende-se" nas janelas que já lá estão há anos. 

 

Fiz uma pequena pesquisa para ver se conseguia encontrar uma justificação para esta diferença. Segundo o Diagnóstico Social do Concelho de Sintra, em relação aos últimos sensos de 2011, a situação no concelho de Sintra em termos de população é que tem a maior taxa de população estrangeira do país, representando 8.65% da população de Sintra o que se refere um valor quase 2% superior ao valor da zona metropolitana de Lisboa. Mas o facto de haver mais imigrantes em Sintra não justifica a população envelhecida.

 

Segundo o INE (2013)  “O Pais mantém a tendência de envelhecimento demográfico, processo que se evidencia na alteração do perfil que as pirâmides etárias apresentam nos últimos anos, quer na base da pirâmide etária – realçado pelo estreitamento, que traduz a redução dos efetivos populacionais jovens, como resultado da baixa de natalidade – quer no topo da pirâmide – pelo seu alargamento, que corresponde ao acréscimo das pessoas idosas, devido ao aumento da esperança de vida, observando-se algum desequilíbrio entre os efetivos masculinos e femininos nas idades mais avançadas” - ora esta lenga lenga toda basicamente significa que o pessoal anda a ter sexo a menos. Isso já trás alguma justificação, visto que há decréscimo do número de bébés.  Também se notou um decréscimo na população jovem dos 30-34 anos entre os censos de 2001 e os de 2011.

 

Outra estatística interessante, é que, segundo a Marktest, referindo-se também aos censos, apesar do concelho de Sintra ser um dos mais populados do país, tem um saldo das deslocações diários negativo ou seja, o número de pessoas que saem do concelho para trabalhar e estudar todos os dias é superior ao número de pessoas que entram no concelho todos os dias. Ora mas se as pessoas apenas estão em Sintra para ir dormir, isto vai um pouco em contra ao que foi anunciado pela Bloom Consulting que colocou o concelho de Sintra na 7ª posição no ranking 'City Brand Ranking' de Portugal, o qual se baseia num critério que avalia cada cidade com base na sua qualidade para viver, negócios e visitar. Ora mas se a maioria das pessoas do concelho nem sequer lá trabalha, como é que o concelho de Sintra recebeu tal posição?

 

Em termos de criminalidade, segundo um artigo da Prosegur, Lisboa e Sintra apresentaram maior ocorrência de criminalidade no país em 2014 - 35% do conjunto de todos os distritos. E finalmente, a nível de emigração, embora não tenha encontrado dados específicos para os residentes da zona de Sintra, nota-se que a nível do país tem havido um forte crescimento do número de emigrantes Portugueses segundo o SEComunidades

 

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Ora com isto tudo dá para concluir que, a população do concelho de Sintra, principalmente no bairro em que os meus pais vivem, está a ficar mais envelhecida porque, apesar deste ser o concelho com maior número de imigração, quem entra no concelho prefere ir trabalhar ou estudar fora dele, o que torna a zona quase fantasma aos dias de semana durante o dia. Além dos mais, com uma taxa de criminalidade elevada, isso previne o interesse dos jovens casais fazerem o ninho por lá, muitos mudam-se para o estrangeiro e, os que lá ficam, não andam com vontade de fazer sexo (ou então protegem-se bem) porque cada vez há menos bébés. Com isto tudo, parece-me que os únicos que estão errados são os tipos da Bloom Consulting que, obviamente não percebem nada de interpretar estatísticas, porque senão não teriam colocado o concelho com um ranking tão elevado.

 

Não digo que Sintra seja um concelho mau para se viver, porque de facto não o é e, Sintra na minha opinião, continua a ser uma das vilas mais bonitas que alguma vez vi. Para além da vila, existem também muitas zonas no concelho com grande potencial para se tornarem atraentes para a população, mas neste momento falta ali qualquer coisa. Falta a criação de uma diferenciação da zona. Falta identificarem aquilo que Sintra tem de melhor e fomentar o seu desenvolvimento tanto a nível do planeamento do território, como de estabelecimentos de comércio, espaços públicos, estabelecimentos de educação, de artes, eventos públicos e outros que transformem Sintra num concelho muito mais atraente do que actualmente é, tal como o merece. 

 

Fim-de-semana surpresa em Portugal

Relativamente à situação no emprego, não há grandes novidades. Decidiram adiar a decisão por mais uma semana  No entanto, houve uma colega minha que entretanto encontrou um novo emprego através dos contactos dela e já tinha entregue a carta de demissão (fiquei a saber na sexta-feira). Talvez a redução desse salário seja suficiente? Não sei. O facto é que decidiram adiar a decisão na base de novos contratos que foram fechados desde que eles enviaram o aviso. Não estão relacionados, mas houve um certo factor sorte pelos contratos terem fechado nessa semana. De qualquer forma, não concordo com esta ideia de adiar a decisão. Ficamos mais uma semana na dúvida. Ou querem despedir, ou não querem despedir - decidam-se! Caso esses novos contratos fossem suficientes para manter o pessoal já deviam ter tomado essa decisão. 

 

Trabalho à parte, na sexta-feira à tarde parti para Lisboa. O meu irmão foi ter comigo ao aeroporto que era o único que sabia que eu ía lá este fim-de-semana já que tinha como objectivo fazer uma surpresa à minha avó para o seu 87º aniversário que decorreu este domingo. No entanto, a reação que a família teve ao ver-me não foi exactamente a que eu esperava:

Quando a minha mãe chegou a casa e me viu disse - "A minha filha?!" E depois ficou notavelmente nervosa e perguntou assustada "Mas o que é que aconteceu?"

Quando a minha avó me viu disse (ela já não vê muito bem) - "Mas quem és tu?" 

 

OK, foram reações um bocadinho diferentes daquilo que imaginei, mas pareceu-me que quando passou o estado de choque elas ficaram contentes com a visita. 

 

O sábado foi passado na Praia Grande (e que bom que estava com os seus altos 20ºC!) e o domingo foi passado na aldeia da minha avó em festejos com a família. Voltei a Londres hoje de manhã recebida por 10ºC e chuva. Oh, enfim, ao menos passei um fim-de-semana muito solarengo. Eis a vista de sábado para a vista de hoje. Descubram as diferenças 

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Portugal não vai à Expo 2015?

Este fim-de-semana, ainda em modos de celebração do meu aniversário, encontrei-me com a família em Milão para passarmos esse tempo juntos e descobrir-mos uma nova cidade. 

 

Devo dizer que a cidade de Milão surpreendeu-me pela positiva. É mais bonita e tem mais para ver do que aquilo que imaginava. E agora, como se está a preparar para a Expo Mundial de 2015, ainda está a embelezar-se mais, especialmente em certas zonas da cidade, tais como o Navigli District, junto aos canais. O grande acontecimento da Expo para o próximo ano não passará despercebido por ninguém que passe por Milão nesta altura, já que está bem anunciada por toda a cidade. As bandeiras dos países participantes decoram ruas e edifícios e, foi ao olhar para essas bandeiras que reparei - "mas onde está a bandeira Portuguesa?" Não estava. 

 

 

Hoje quando liguei a Internet, queria tirar a dúvida. No site da Expo 2015, indicam que Portugal é um dos países que não assinaram contrato para a participação na Expo. Esse artigo já parece ter sido escrito no início do ano já que se referiam à possibilidade de assinatura dos EUA aquando da visita do Presidente Barack Obama a Roma em Março. Entre as bandeiras que lá se apresentavam, efectivamente a bandeira Americana encontrava-se lá por isso imagino que o contrato efectivamente se tenha dado nessa data. 

 

A exposição, cujo tema vai ser "alimentar o planeta, energia para a vida", vai decorrer de 1 de Maio a 31 de Outubro e vai contar com mais de 25 Milhões de visitantes. Sem dúvida uma boa oportunidade para Portugal exibir o que temos feito em termos da produção da energia aeólica, por exemplo, já que somos um dos maiores produtores Europeus deste tipo de energia, a qual providencia energia suficiente para a produção de certos produtos alimentares de uma forma sustentável que depois serão exportados para outras partes do mundo. Também poderíamos exibir o que temos feito relativamente à pesca sustentável e depois associar tudo isso à nossa tradição gastronómica. 

 

Talvez a razão pela qual as entidades responsáveis decidiram não participar estará relacionado com o investimento necessário para a participação, mas será que não seria possível passar esses custos para as empresas Portuguesas que de certa forma estejam relacionadas com o tema e que queiram expôr o seu trabalho assim como o trabalho da respectiva indústria? Parece-me uma oportunidade desperdiçada de atrair maior exportação de produtos alimentares Portugueses, e turismo de forma em geral.

 

Em procura pela Internet sobre as razões pelas quais Portugal não se encontra incluído na Expo 2015 não consegui encontrar nada para além de eventuais artigos que indicavam que Portugal ainda não tinha assinado presença. Gostaria de saber o que O Turismo de Portugal tem a dizer sobre o assunto. Não sei se a responsabilidade da nossa participação vem deles, mas concerteza estarão bem a par do assunto. Vou-lhes mandar um Tweet a ver se respondem. Se estiverem interessados na conversa (caso exista resposta) podem segui-la aqui no Twitter do @tugaemlondres.

Está para breve

Não sei se outros emigrantes também têm esta sensação, mas cada vez que a minha ida a Portugal se aproxima, começo a sentir os cheiros característicos de zonas em Portugal que conheço muito bem. Acho que a expectativa e o facto de saber que a minha ida está para breve traz ao de cima todos os sentidos fazendo com que eles se concentrem num só ponto - Portugal.

 

Basta inspirar neste momento que consigo sentir o cheiro a lenha queimada no verão tão característica da terra da minha avó na Estremadura. Ao longe, ouço uma voz - "Oh Gina!" grita a senhora - é a vizinha que chama pela minha avó. Para quê campainhas ou telemóveis? Aqui as pessoas comunicam com a garganta.

 

Se estiver em silencio consigo ouvir o som dos grilos a cantar bem alto tal como cantam na terra do meu pai no Alentejo. Passo pela rua principal e o cheiro do pão acabadinho de fazer corre pelas ruas. Apetecia-me comê-lo agora quentinho com manteiga derretida. Hum..

 

Se fechar os olhos sinto o vento do Guincho na cara enquanto o som das ondas bate na areia. Inspiro,... o cheiro a maresia paira pelo ar e, ao fundo, o infinito. Faz-me pensar no mundo que está para além do mar e nas possibilidades do que poderia estar a fazer. Mas, naquele momento,... não me apetecia estar em mais lado nenhum senão ali.

Em Portugal

Desde o momento em que saí de minha casa em Londres até ao momento que cheguei à casa dos meus pais, passaram exactamente 9 horas! Parece estranho, não é, visto que Londres e Lisboa apenas se encontram a 2:30h de vôo. Mas claro está, esse curto espaço de tempo verifica-se se não tiver que parar em Madrid a meio do caminho. Ao todo desde o aeroporto de Londres ao de Lisboa foram 5 horas passadas, o que não parece assim tão mau, mas tendo que estar 2 horas com antecedência no aeroporto, e mais a espera das malas em Lisboa e as viagens de e para o aeroporto também não ajudam a fazer a viagem mais rápida.

 

Depois da longa viajei lá finalmente cheguei a casa bem para o final da noite, e hoje tenho-me estado a deliciar por estar num meio Português. Estava eu às compras hoje com a minha mãe, quando por um momento parei e claramente reparei que todas as pessoas à minha volta falavam Português - Claro que falam Português. Estou em Portugal! Mas essa percepção, quando realmente parei para apreciar tudo o que se passava à minha volta, soube-me diferente, soube-me bem. É o facto de estar num sítio rodeada de pessoas que têm algum em comum comigo apesar de nunca as ter visto antes. O facto de eu própria não ter um sotaque quando estou a falar. O facto de sentir uma empatia com quem me rodeava e ter uma noçao de familiaridade traz um certo conforto. 

 

Não me lembro de ter tido outras vezes em que realmente apreciei tanto esse facto de estar num ambiente Português antes. Imagino que tenha a haver com a quantidade de anos em que já vivo fora do país onde cresci, e claro que quanto mais tempo estou longe, mais aprecio cada vez que cá volto.

 

Bem, ainda tenho mais uns 9 dias para apreciar tudo o que Portugal tem para me oferecer, por isso bem que penso aproveitar este tempo ao máximo.

E terminaram as férias do verão

Tenho estado ausente. Não só do blog mas mesmo de casa e das minhas visitas de lazer à Internet. Nas últimas semanas tem sido um acontecimento atrás do outro. Primeiro com as férias em Portugal, depois com uma semana de trabalho de longas noites que pareciam não ter fim, chegar a casa estafada, e mais um fim-de-semana onde não parei um segundo,... Ufff!! Eu bem que gosto de estar ocupada, mas sinceramente já tinha saudades de simplesmente vir para casa após um dia de trabalho e não fazer mais nada a não ser comer, Internet e descansar. Quando se tem muitas dessas noites, tornam-se monótonas, mas quando passa tanto tempo sem as ter, a primeira oportunidade de passar uma noite em casa sabe que nem ginjas!

 

Bem, mas cá estou e, agora já não tenho a agenda tão carregada por isso já penso poder voltar ao meu ritmo normal pós férias. 

 

No post anterior tinha comentado sobre os meus primeiros dias em Portugal com a minha amiga Francesa. Ao fim de toda aquela semana ela ainda teve a oportunidade de ficar a conhecer as praias da Costa, Sesimbra, Sintra, Cascais, onde passou o dia inteiro no Guincho em aulas de Surf e também ficou a conhecer Tomar. Dei-lhe a conhecer algumas das nossas iguarias como os queijinhos, alguns dos doces mais tradicionais com que cresci (pastéis de belém, Queijadas de Sintra, Travesseiros de Sintra) e outros que eu própria experimentei pela primeira vez como os "Beija-me rápido" (acho que era assim que se chamavam) e uns doces de amêndoa de Tomar. 

 

Doces de Tomar
Ela também teve a oportunidade de provar uns quantos aperitivos e digestivos, e mais outras coisas boas da nossa culinária. Resultado, no último dia quando fui ao Pingo Doce para me fornecer das coisinhas essenciais que, como boa emigrante, gosto de trazer comigo cada vez que vou a Portugal, ela acabou de sair de lá com o cesto mais cheio que o meu. Comprou um vinho Alentejano, uma garrafa de Amêndoa Amarga, um queijinho amanteigado de Azeitão, e mais uma quantidade de outros queijos, enchidos, enlatados (é difícil encontrar um atum tão bom como o nosso "Bom Petisco" aqui por terras Britânicas) e doces. 
Foram umas belas de umas férias, a terminar em alta com o casamento de uma nossa amiga que lá nos trouxe um dia cheio de emoções - desde a lágrima no olho quando dentro igreja, à hora passada a comentar os vestidos durante a sessão de fotos, às risadas durante a boda e momentos de dança como se não houvesse o dia do amanhã pelas altas horas da noite. 
Foram umas belas de umas férias. Já terminaram, mas felizmente sinto-me satisfeita. Tenho saudades do meu dia-a-dia de Londres e de voltar a aproveitar tudo aquilo que tenho perdido enquanto estive de férias ou ocupada com outras coisas. Hoje senti como sendo o primeiro dia de volta à normalidade. Estou preparada para voltar a aproveitar mais do que Londres tem para oferecer!