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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

A experiência da meditação

No outro dia uma amiga adicionou-me a um grupo no What's App onde estavam a falar sobre marcar para ir a um Gong Bath. Chamava-se 'Psychadelic Gong Bath' para ser precisa, e todas elas estavam super entusiasmadas sobre a ideia de participarem. Eu nunca tinha ouvido falar num Gong Bath antes, mas dei uma breve vista de olhos ao evento no facebook que pouca informação dava a não ser que se referia a relaxamento, luzes e som. As raparigas no grupo do What's App também se referiram a quanto adoravam a ideia de ir relaxar e que estavam mesmo a precisar de ir a um Gong Bath, que rapidamente me apercebo que se tratava de um desses banhos quentes de spa que tinha luzes e música, daí lhe darem o nome de psicadélico. 

 

"OK, podem contar comigo" - disse eu sem pensar mais no assunto. 

No dia anterior à data marcada para o tal Gong Bath, encontrei-me com elas e uma relembrou-nos que tínhamos que trazer um tapete de yoga e uma manta. "Uma manta?" - digo eu. - "Mas não será melhor levar antes uma toalha?"

 

Ficámos um pouco atrapalhadas relativamente ao que a outra se estava a referir até que ela disse - "tu sabes que o Gong bath é para meditação, não sabes?" Desatei-me a rir. Não! Não fazia ideia que o Gong Bath não envolvia banho nenhum mas que era meditação ao som de gongs. Eu nem sequer faço yoga, quanto mais meditação. Nunca sequer tinha ouvido falar em tal termo. Claro que nos desatámos todas a rir da situação, que se elas não me dissessem, eu efectivamente iria aparecer lá de bikini e toalha. Mas tudo bem, eu gosto sempre de experimentar coisas novas por isso fui nessa. Vá de meditar. 

 

Além da pequena parte de meditação que fiz no final de 4 ou 5 aulas de yoga a que fui, só tinha experimentado meditação assim mais a sério uma vez, e tinha sido sentada num auditório a ouvir esta palestra, em que o orador assim do nada, pediu-nos para fecharmos os olhos e lá nos orientou por aquilo em que devíamos pensar - que estávamos sozinhos numa casa na floresta muito bonita junto a um pequeno rio, etc. etc. 

 

Ora ao chegarmos ao Gong Bath, lá fiz o que todas as pessoas fizeram (ou quase) - coloquei uma manta no chão porque não tinha tapete de yoga, e deitei-me colocando outra manta em cima de mim para não ficar com frio. Todas as pessoas estavam deitadas em torno destes dois grandes gongs localizados no centro desta igreja onde estávamos (julgo que seria uma igreja Baptista ou Presbiteriana, mas não sei bem). Éramos cerca de 100 pessoas no mesmo espaço, deitadas no chão. Fez-me ficar com a sensação de que estávamos todos a acampar num campo de férias. A maioria estava vestido ou com roupas largas estilo hippie/budista, ou com a sua roupa de ginásio, que era o meu caso, seguindo o conselho das minhas amigas.

 

 

Quando se deu início ao evento, a organizadora lá disse qualquer coisa de forma muito calma ao microfone, mas ela falava tão devagarinho e para dentro, que nem ao microfone consegui perceber o que ela estava a dizer.  - "Ora esta é que está boa! Agora nem sequer consigo ouvir o que a rapariga está a dizer, como raio é que vou conseguir seguir a meditação?!" Mas ela parou de falar, dirigiu-se a um dos gongs e começou a tocar nele. Olho para um lado, e as minhas amigas estão com os olhos fechados, olho para o outro, e o resto das pessoas também estão todas silenciosas de olhos fechados. "Bem, acho que devo fazer o mesmo que é para me começar a concentrar nisto". Os minutos começam a passar. Eu abro os olhos e a rapariga lá continua a bater num e noutro gong, enquanto que outra rapariga anda pelo meio das pessoas a distribuir uma espécie de cheiro de incenso pela igreja, que vinha de um vaso que ela carregava nas mãos. 

 

"Bem, dava jeito que uma delas dissesse alguma coisa que era para me guiar na meditação, senão como é que sei em que é que hei-de pensar?"

O tempo passa. Mais gongs e cheiro de incenso no ar.

"Mas no que é que esta gente toda está a pensar?"

 

O tempo continua a passar e eu desisto da ideia de que uma delas vá começar a dar-nos indicações sobre o que devemos pensar para a meditação. Tento ao máximo deixar-me entrar no momento e começo a pensar na vida, no dia-a-dia, depois começo a pensar no trabalho e arrependo-me de imediato porque eu sei que pensar em trabalho não é algo que me vá deixar ficar relaxada. Afinal relaxar é o principal objectivo da meditação, não é? Começo então a pensar se a ideia do Gong Bath não será associado à ideia de mindfulness, e eu sei que mindfulness refere-se a não pensar em nada. Logo, eu não devia pensar em nada.

 

"Não penses em nada, não penses em nada. Branco, transparente, vazio, atmosfera, ar, ar-do-mar, praia, sol, férias, ahh estou ansiosa para estar de férias. Não! Não! Não penses em férias. Isso são pensamentos da vida mundana. Tenho que pensar em nada. Nada, nada,.... Ahhhh, não consigo estar aqui a pensar em nada! Mas será que esta gente toda está aqui a pensar em nada? Nós estamos aqui, cento e tal pessoas desconhecidas deitadas no chão frio de uma igreja no Este de Londres, a uma segunda-feira à noite, durante uma hora e meia, a ouvir batuques de gong, quando podíamos estar em casa no conforto do nosso lar a fazer a meditação que quiséssemos com a música que quiséssemos sem mais ninguém, mas estamos antes aqui e pagámos por isto?!?! Mas esta gente está toda maluca?!

 

Quando acabámos a sessão uma das minhas amigas perguntou-me se eu achava que ía voltar? Eu respondi-lhe que achava que não, mas que gostei de ter passado pela experiência só para saber como é. Afinal claro que há pessoas, a maioria das que ali estavam provavelmente, que tiveram uma experiência totalmente diferente da minha e que devem adorar e que tudo aquilo tem muita lógica para eles. Respeito totalmente a sua opinião.  Se eu vou voltar? Não!

 

gong-bath.JPG