Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Como os Ingleses interpretam o Festival da Eurovisão

Lembro-me quando estava a viver em Portugal, quando chegava a época da Eurovisão não se falava de outra coisa durante umas duas semanas - eram as pré-finais, as entrevistas com os candidatos, etc., etc. Quando chegava à noite, via o concurso antenciosamente na esperança que o concorrente Português chegasse à victória.

 

Quando me mudei para Londres, e chegou por altura do festival da Eurovisão, a história era outra. Os únicos dias em que se ouvia falar da Eurovisão era nos dias imediatamente antes e depois da competição final, e as pessoas viam a competição, mas era mais como um acto de diversão/gozo, do que propriamente com a seriedade com que se olha para esta competição em Portugal ou noutros países. Isso era evidente principalmente pelo apresentador que, na altura em que me mudei para Londres ainda era Terry Wogan e, nos últimos 8 anos tem sido Graham Norton. Em ambos os casos, apresentam o programa com certo sarcasmo, gozando com os cantores mais ousados. O seu estilo de apresentação representa bem o humor Britânico e, a forma como os Britânicos interpretam o Festival da Eurovisão - não propriamente como uma competição séria, mas como uma piada de uma competição que os continentais gostam de levar em frente. 

 

Desta vez não foi excepção, mas fiquei surpreendida pela quantidade de pessoas que pareceu estar contente com a vitória do cantor Português. Recebi várias mensagens na noite de sábado a darem-me os parabéns pela vitória. Não que eu tenha feito alguma coisa pela vitória, mas OK, sou Portuguesa. Se virem o Salvador, digam-lhe se fazem favor, que ele tem aqui por Londres muitos fãs Britânicos que não acham que ele seja motivo de gozo. 

 

Eu também gostei. Antes da competição até tinha passado o link do vídeo da semi-final dele a uns amigos a dizer que achava que não me lembrava da última vez que tinhamos tido um representante tão bom na Eurovisão. Afinal não fui a única a ter esta opinião. 

 

 

O que é que os Britânicos realmente querem dizer

Encontrei esta tabela referente a frases e expressões frequentemente utilizadas pelos Britânicos e achei um piadão porque não podia ser mais verdade. Fica aqui também o "dicionário" de expressões para dar umas dicas para decifrarem melhor o que os Britânicos vos tão a tentar transmitir.

 

what the british say and what they mean
 
 

 

Tenho mais algumas a adicionar a esta lista:
 

 

- What the British say: I'm not too bad
- What the British mean: I'm good
- What foreigners understand: He's not feeling that great today
 

 

- What the British say: I'd rather you not
- What the British mean: No way!
- What foreigners understand: Although he prefers I didn't, he'll leave it up to me
 

 

- What the British say: I'm just going for one drink
- What the British mean: I going for at least 2 or 3 drinks
- What foreigners understand: He is only going to have one drink 
 

 

- What the British say: You don't need to thank me
- What the British mean: Buy me a drink instead
- What foreigners understand: He thinks it was not a big deal
 

 

- What the British say: Take your time
- What the British mean: Get on with it as soon as possible
- What foreigners understand: No rush
 

 

- What the British say: I'm sure you'll get there eventually
- What the British mean: You don't stand a chance
- What foreigners understand: He believes I'm on the right track
 

 

- What the British say: Correct me if I'm wrong
- What the British mean: I know I'm right. Don't even think of contradicting me
- What foreigners understand: He is not sure about it
 

 

- What the British say: That is an original way of looking at things
- What the British mean: You must be mad or just very silly
- What foreigners understand: He likes my idea
 

 

Já se depararam com outras expressões semelhantes? Indiquem por favor nos comentários, para tentarmos identificar o máximo número de tais expressões possível.

 

O efeito da neve

Saí de casa para ir ter com uns amigos ao WigWamBam, a tenda aquecida no terraço do Queen of Hoxton, e mal fecho a porta atrás de mim, reparo que há algo diferente na rua - neve! Estava a nevar. E não era assim tão pouco. Não sei bem se devo ficar contente ou descontente. Estava contente porque era neve, e nevar é diferente e é giro. Estava descontente porque isso provavelmente iria significar que haveriam menos pessoas a sair à noite e, assim que a neve terminasse as ruas íriam ficar com aquele gelo escorregadio muito chato. 

 

Bem, ao menos quanto à parte das pessoas não sairem, estava muito enganada. O bar ficou cheio, mesmo sendo no terraço. Ainda tivemos a presença de uma banda a tocar em acústico naquele espaço pequeno criando um ambiente de festival naquela pequena tenda no topo de um bar bem no centro de Londres. 

 

Mas o melhor da noite tenho que admitir que foi mesmo quando voltei para casa e vi toda a animação que havia nas ruas com a neve. As pessoas simplesmente ficam felizes. O simples facto de haver neve faz com que pessoas desconhecidas comecem a atirar bolas de neve umas às outras; um velhote que se meteu com um grupo de jovens na paragem de autocarro com brincadeiras de neve, ria-se como se não se tivesse rido à muito tempo; os bonecos de neve surgiram rapidamente em cada esquina, grupos diferentes de pessoas passeavam pela rua pela madrugada adentro, bem dispostos e em grande risota... Havia neve! Todos sabem que não ía durar, por isso havia que aproveitar {#emotions_dlg.benfica}

 

No domingo infelizmente toda a magia da neve da noite anterior já estava a desaparecer e, tal como esperado, o chão encontrava-se uma combinação de neve, água e gelo limitando a possibilidade de caminhas facilmente e se tornando muito chato. Hoje, no entanto, a neve já quase toda desapareceu. Ao menos foi bom enquanto durou. 

 

Imagens deste sábado á noite:

 

WigWambam

 

As ruas de Londres na neve

O que os Ingleses vão fazer a Portugal?

Quando se começa conversa com uma pessoa estrangeira desconhecida, como todos sabem, o mesmo tipo de perguntas, de forma geral, surgem ao início:

- Como é que te chamas?

- O que é que fazes em Londres?

- Há quanto tempo estás em Londres?

- Qual o teu país de origem?

 

Ora e quando chega à parte de perguntar qual é o meu país de origem e eu respondo que sou de Portugal, eu faço sempre outra pergunta imediata, quase automaticamente que é:

- Já alguma vez foste a Portugal? 

 

E de tantas vezes que tenho feito esta pergunta, já consegui formar um padrão de resposta que me dão, principalmente se essas pessoas com quem estiver a falar forem Britânicas:

 

Padrão de resposta 1: Ainda não mas gostava muito de ir.

 

Padrão de resposta 2: Sim, já fui ao Algarve (e depois passam o resto do tempo a falar das festanças e bebedeiras que tiveram com os amigos na sua passagem pelo Algarve. Enfim, nada a que não estejamos já perfeitamente conscientes de que é muito habitual dos Ingleses).

 

Padrão de resposta 3: Sim, já fui a Lisboa e ao Porto ver monumentos. (Geralmente aos que me dizem isto informo que estou surpresa por não me dizerem que foram ao Algarve visto que é essa a resposta da larga maioria. Estas pessoas geralmente respondem que não têm interesse nenhum em ir para o Algarve porque só o povo é que vai para lá para a bebedeira e eles não gostam dessas coisas).

 

Padrão de resposta 4 (este tem sido o padrão de resposta mais surpreendente que eu tenho recebido e, sinceramente, não foram tão poucas as vezes assim que já me deram esta resposta):

Eles: Sim, já fui a Portugal em trabalho.

Eu: Ah então que tipo de trabalho é que foste lá fazer?

Eles: Fui lá visitar os centros comerciais

Pois é, aparentemente os nossos muitos centros comerciais são tão populares que até o pessoal que trabalha no ramo da construção de infraestruturas do mesmo género, vai de propósito a Portugal fazer a ronda dos centros comerciais. Das opiniões que tive lembro-me que ouve uma dessas pessoas que me disse que o seu favorito tinha sido o centro da rua de Santa Catarina no Porto, e a última pessoa com quem falei à umas semanas atrás, que também lá tinha ido pelo mesmo motivo disse que tinha gostado mais do centro Vasco da Gama. Mas uma opinião geral recebi dos nossos centros comerciais, é que é uma pena que os centros tenham uma variedade de lojas tão pequena, recheados das lojas Espanholas tipo Mango e Zara. Bem, e lá nisso têm eles razão. De facto a nossa variedade de cadeias de retalho não é assim muito grande.

 

Achei engraçado isso de efectuarem viagens de trabalho para visitar os Shoppings Portugueses. Eles podem não saber que temos o Fado, o Bacalhau e a cortiça, mas ao menos lá centros comerciais, isso sabem eles que temos, e muitos.