Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Estou a ficar velha?

Ontem tivemos uma festa na empresa para celebrar uma recente ronda de investimento que a companhia recebeu.

 

Primeiro, os 3 escritórios em Londres, Nova York e Cordoba tinham as respectivas câmaras ligadas e fizemos todos juntos um brinde ao futuro da empresa. Depois, como para nós em Londres já se apróximava do final do dia, fomos jantar num restaurante em Chelsea. O ambiente estava óptimo e foi uma boa oportunidade para conhecer melhor os novos colegas, mas quando o relógio passou das 23h eu começo a pensar em como é que vou voltar a casa, já que vivo no lado oposto da cidade. Não queria ser a primeira a sair, ainda mais sendo a mais recente a juntar-me à empresa. Que raio de impressão é que isso ía dar? Que estava aborrecida? Que não gostava dos novos colegas? Por isso, assim que vi os primeiros colegas a fazerem as suas despedidas - uma grávida e um rapaz que é muito calminho - aproveitei a "boleia" e saí também. Eu?? A sair de uma festa ao mesmo tempo que a grávida e o tímido??? Enquanto caminhava ao longo de Kings Road até Sloane Square só pensava como não me estava a reconhecer.

 

Esta manhã cheguei a um escritório vazio e alguns colegas foram chegando ao longo da manhã. Aparentemente houve festa pelas longas horas da madrugada. Há duas empresas atrás também costumávamos sair muitas vezes e eu era conhecida como uma das últimas a voltar para casa. Agora,... não sei o que me aconteceu mas só pensava em apanhar o último metro e passar uma noite bem dormida para conseguir trabalhar normalmente hoje já que tenho tanto que fazer. Sinal de que estou a ficar velha??...

Screen Shot 2015-07-24 at 09.50.18.png

 

 

Festa em pleno rio Tamisa

Se há uma coisa que os Ingleses gostam muito de fazer é festas no rio Tamisa. Geralmente são festas de empresa onde o patrão, em vez de subir o ordenado ao pessoal todo, quando vê que o ânimo não está no alto, vai de organizar uma festa, pó pessoal se esquecer do aumento que nunca mais vem.

Ora desta vez foi a minha empresa que fez isso. Lá foi um barquinho alugado (daqueles que têm andar de cima descoberto e no andar de baixo mesas e cadeiras para o jantar, e um barzinho aberto para beber tudo e mais alguma coisa que se quizer a noite toda. O truque do bar aberto é muito bom porque, claro está, o pessoal vai-se todo enfrascar até não aguentar mais, vai chegar ao cúmulo de dizer piadas que nunca na vida iriam dizer numa situação normal ao patrão, e vão tirar fotos como aquela típica de agarrar na gravata pendurada para cima a fingir que se está a enforcar. Esse é o símbolo típico do trabalhador frustrado que finalmente transmite como se sente na empresa através de uma fotografia que, se não estivesse bebado, nunca iria tirar.

O pior é que nestas situações as fotos são sempre da máquina de outra pessoa que, no dia seguinte, já as distribuio pelo escritório inteiro. Ou seja, o trabalhador frustado que se enfrascou à grande e à francesa na noite anterior, no dia seguinte vai-se arrepender amargamente de alguma vez ter ido à festa. Não só é o mais falado como, não vai ter a coragem para encarar o patrão tão cedo, logo, vai atrasar o pedido de aumento salarial.

E aqui está o grande truque dos empregadores para evitarem que hajam tais pedidos - bar aberto. E o trabalhador comum, como simples e inocente que é, caí sempre na mesma armadilha.

No caso da festa da nossa empresa, a coisa não correu bem assim, mas mais um bocado para o exacto oposto. No nosso caso, não foi o empregado que se enfrascou à grande, mas sim, um dos directores de departamento. Sempre muito sério e calmo no ambiente de escritório e, passo a citar palavras do próprio "que nunca ninguém me viu sem gravata"! Ahhh, bem, isso talvez fosse válido até ao dia da festa no Tamisa, mas agora já não é. Desde mandar a gravata pendurada para as costas, ou metê-la na cabeça ou tirá-la completamente enquanto tirava o microfone do capitão do barco, para contar uma anedota, ouve de tudo. Engraçado foi ver as caras dos outros directores departamentais que nunca imaginaram que tal coisa podesse acontecer com ele. Chegaram mesmo a afirmar que aquele só podia ser um irmão gémeo.

Com uns mais e outros menos bêbados a festa lá se foi passando numa noite que estava surpreendentemente boa. Com um barbeque no barco que percorreu várias zonas a este e oestedo rio, o passeio de barco em si foi espectacular. Já o tinha feito à alguns anos, mas já não me lembrava como londres era tão bonita vista de barco ao entardecer.

Bem, mas estas  festas têm sempre muito que se lhe diga e, na maioria das vezes, lembramo-nos delas principalmente pelas cenas embaraçosas. Tipo o Polaco que, abanou-se tanto a dançar que as pessoas começaram a sair do andar de baixo onde era a "pista" por se sentirem pouco comfortáveis lá. Ou o momento em que o jovem novo na empresa se me começa a pôr a mão assim na cintura e eu "eh lá, mas o que é que este quer? Mas tá parvo ou faz-se?" e lá fui estrategicamente colocar-me numa zona oposta aquela onde ele estava. E no dia seguinte o rapaz, lá quando me cruzei com ele no corredor tava assim com a cara a modos que embaraçada.

Moral da história, festas da empresa são um perigo! O truque é beber limonada a noite toda que assim vocês ficam ali de cabarote a ver as cenas embaraçosas de todos os outros.