Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

A minha última procura de emprego em Londres - parte II

Retomando ao post anterior, como eu mandava tantos curriculums todos os dias, acabei por me fartar de escrever cartas de apresentação e, experimentei enviar só o CV sem carta de apresentação ou então apenas com algo muito breve tipo "Caro Sr./Sra, vi o anúncio para o emprego X no local Y, para o qual me gostaria de candidatar. Por favor encontre o meu CV em anexo." Pensei que apenas enviando o meu CV seria suficiente visto que, afinal, na carta de apresentação apenas estava a resumir aquilo que tinha escrito no CV, por isso mais valia a pena as agências de recrutamento verem o meu CV e ficavam logo com a informação toda.

 

Lá andei então eu a fazer assim as minhas candidaturas durante uns tempos até que houve uma altura em que eu própria estava a ajudar um amigo que tem uma empresa na selecção de candidatos a um emprego que ele tinha disponível e como tinha recebido muitos CVs, para grande surpresa minha, eu estava a colocar de lado, todos aqueles que ou não tinham carta de apresentação ou que tinham uma carta de apresentação fraquinha ou mal escrita. Ora dessa não estava eu nada à espera! Mas afinal, se eu própria punha de lado os candidatos que não apresentavam logo uma carta de apresentação que rapidamente resumisse a sua experiência, então com certeza que muitos empregadores e agências a quem eu tinha enviado só o CV terão feito o mesmo com a minha candidatura. O facto é que, sem carta de apresentação, parece que os candidatos não estão muito interessados naquele emprego e que apenas enviaram o curriculum para aquele emprego tal como para muitos outros (o que era verdade no meu caso, obviamente, mas que dá logo uma imagem negativa ao empregador, isso dá).

 

O que percebi também quando estava a ajudar o meu amigo na pesquisa pelos melhores candidatos é que eu queria ler cartas de apresentação que fossem sucintas. Cartas demasiado longas tinham sempre demasiada informação que era completamente desnecessária e dão logo aquela sensação negativa ao olhar para elas quando via que eram longas porque não me apetecia estar a ler aquilo tudo. Afinal, há que não esquecer que as pessoas que estão a ler os curriculums são humanas, logo, é normal que se sintam aborrecidas ao lerem longas cartas sem o mínimo interesse e que demoram tempo a ler sendo que, poderão ou não demonstrar estar um bom candidato por detrás dessa carta.

 

Assim sendo, a partir daí, passei a:

  • candidatar-me apenas para empregos que requerem um candidato com experiência igual ou muito semelhante à minha (no post anterior falei sobre isto)
  • enviar sempre uma carta de apresentação juntamente com o CV
  • a carta de apresentação segue sempre uma estrutura formal mas sucinta
  • na carta de apresentação indicava apenas experiência ou qualificações que tenho que fossem relevantes para o emprego ao qual me estava a candidatar
  • escrevia sempre cada carta específica para o emprego em questão (anteriormente a isso tinha utilizado o sistema de criar uma carta padrão em que fazia copiar+colar para cada candidatura nova e apenas mudava o nome da empresa, mas rapidamente cheguei à conclusão que, com esse método, poucos telefonemas recebia. Nota-se quando se faz um copiar+colar de uma carta de apresentação standard e, notei isso também quando estava a ajudar o meu amigo, nas cartas que li dos candidatos). Ao fim de alguns dias já estava tão habituada a escrever as cartas de apresentação que já sabia sempre o que escrever e escrevia cada carta em cerca de 5 minutos.
  • Além de personalisar a carta ao emprego a que me estava a candidatar, muitas vezes personalizava também o CV de forma a que a experiência e conhecimentos mais relevantes para o emprego que me estava a candidatar estivessem mais fortemente identificados no topo do CV. Aí já fazia copiar+colar CVs que tinha gravados separadamente mais específicos para cada área. Por exemplo, quando me estava a candidatar a um emprego com funções gerais de marketing, enumerava diferentes experiências que tocava em todos os pontos do marketing mix; quando me candidatava a empregos mais relacionados com online marketing, colocava mais foco no CV na minha experiência em Pay-per-click, Search Engine Optimisation, Google Analytics, etc; quando me candidatava a empregos mais virados para a comunicação, indicava mais a minha experiência de relações públicas, social media, e-mail marketing e por aí adiante. Isso significa que eu tenho ampla experiência em todas essas áreas, perguntam vocês? Não - é a resposta. Em online marketing, por exemplo, a minha experiência de PPC e SEO foi apenas uma pequena parte das minhas funções, mas quem sabe disso? Sei eu, e sabem vocês agora. Mas os empregadores não sabiam, pois não? Por isso mesmo, não há problema colocar essa experiência como a parte mais sobressalente no curriculum para atrair a atenção do empregador. Só assim teria hipóteses de ser chamada para entrevista e, uma vez lá, poderia explicar exactamente até que ponto tenho conhecimentos nessa área. Também sem exagerar, claro. Nunca iria dizer que a minha experiência na área tinha sido mínima. Mas também, atenção, caso eu visse, logo pelo anuncio que as expectativas do empregador fugissem muito aos meus conhecimentos efectivos então nem me chegava a candidatar sequer. Portanto, eu não estou aqui a sugerir a ninguém que se ponham a inventar coisas que nunca fizeram ou que não têm quaisquer conhecimentos sobre o assunto. Apenas não é preciso que dominem totalmente essa área, mas convém que tenham conhecimentos e experiência palpável porque senão, em entrevista a vossa mentira será descoberta o que se transformará não só numa perca de tempo para vocês como também para o empregador.

Bem, e com este último tópico dou por concluído mais este post sobre a minha saga de procura de novo emprego que já são horas de ir dormir. Mas a minha experiência não acabou por aqui, por isso ainda haverá mais num próximo post.

A minha última procura de emprego em Londres - parte I

Este post já era devido à algum tempo, por isso aqui fica agora. 

 

Como já indiquei aqui no blog, mudei recentemente de emprego, tendo começando com este novo emprego à pouco mais de um mês. Agora estou bem e contente com a mudança, mas devo dizer que a procura por novo emprego não foi nada fácil.

Mesmo já tendo alguns anos de experiência em marketing cá em Londres, as coisas demonstraram-se mais complicadas do que estava à espera. Em parte deve-se ainda à recente crise que abalou Londres no ano passado e, aparentemente ainda há muito boa gente que está desempregada neste momento. Um caso em que cheguei mesmo a essa conclusão foi numa empresa à qual fui a uma entrevista em que o director me mostrou a pilha de curriculums que ele tinha recebido para aquela posição só através de um único anúncio. E naquele pequeno monte devia estar, à vontade, cerca de 50 curriculums.

 

Comecei a minha pesquisa, tal como indico no post Como encontrar emprego em Londres, por colocar o meu CV actualizado em tudo o que é site de procura de empregos relevante para a minha área. Depois criei alertas de empregos por e-mail correspondentes à minha pesquisa (cada um dos websites de procura de emprego permite activar esse alerta cada vez que aparece um novo anúncio de emprego relevante).

 

Uma vez que estas duas coisas estavam feitas e activadas comecei a enviar curriculums para tudo o que era oferta de emprego que me parecia relevante. 

 

Por dia, mandava cerca de 10 curriculums para ofertas de emprego. Afinal, quantos mais CVs enviasse, maior seria a probabilidade de que alguma das empresas me chamasse. 

 

O problema que eu identifiquei logo com estas candidaturas a emprego é que, a maioria das ofertas tinha sido feita por uma empresa de recrutamento e, obviamente, tendo um intermediário entre mim e a empresa, acaba sempre por tornas as coisas mais complicadas. E tornava as coisas complicadas, principalmente porque as agências de recrutamento não me telefonavam, ou telefonavam mas pouco. 

 

Uns tempos mais tarde quando estava a falar com um conhecido que, por acaso é consultor de recrutamento, fiz-lhe a questão sobre o assunto. Disse-lhe que achava injusto não me chamarem para certos empregos na minha área, ao que ele me explicou que as agências de recrutamento tentam sempre apresentar à empresa apenas candidatos que tenham exactamente a experiência que eles precisam. Isto porque as empresas pagam comissões muito elevadas às agências cada vez que estas lhes colocam um candidato. Como tal, e visto que as agências querem sempre só apresentar 3-4 candidatos para uma posição, fazem o máximo de esforço para encontrar alguém que tenha vindo exactamente de um tipo de empresa semelhante e de um cargo muito idêntico também. O que, obviamente, me deixava a mim de parte, para muitos dos anúncios para is quais me tinha inscrito. 

 

Assim sendo decidi que mandar curriculums para muitas ofertas de emprego, não é necessariamente a melhor opção visto que para todas aquelas em que eu não tivesse exactamente a experiência requerida não seria chamada. Assim sendo, comecei a optar por me candidatar apenas a ofertas de emprego que fossem directamente relevantes para a minha área e, para as quais eu tivesse a experiência pedida e os conhecimentos necessários. Só isso começou logo a dar melhor frutos em termos do número de chamadas que eu estava a receber de agências de recrutamento. No entanto, as agências de recrutamento surgem como outros entraves à procura de emprego. mas esses entraves só irei agora escrever no próximo post "A minha última procura de emprego em Londres - parte II". É que de facto, agora estou tão cansada que não sou capaz de continuar a escrever e terei que repartir este post em duas ou mais partes porque ainda há muito que se lhe diga sobre esta minha última saga de procura de emprego.

Utilizar o nosso Português para encontrar emprego em Londres

A Language Recruitment Fair é uma exibição cujo objectivo é o recrutamento de pessoas com capacidades linguísticas. Empresas como a Bloomberg e a Siemens vão estar na exibição em busca dos novos talentos para as suas empresas, e esta feira de recrutamento vai acontecer já no final deste mês de Outubro.

Portanto, para quem está neste momento à procura de emprego no Reino Unido dentro das mais variadas áreas talvez valha a pena irem fazer uma visita a esta feira e, quem sabe, possam encontrar um emprego na vossa área, e no qual necessitem de utilizar os vossos conhecimentos de Português.

Esta feira vai decorrer nos dias 31 de Outubro e 1 de Novembro das 9h às 18h no centro de exibições Olympia em Earls Court. A entrada é gratuita mas é necessária a vossa pré-inscrição através do site da Language Recruitment Fair.

Para quem estiver interessado em ir, aconselho a levarem uma quantidade de CV's impressos para poderem distribuir pelas várias empresas a exibirem nesta feira de emprego. Tentem também falar com os representantes de cada empresa e tentar perceber se o vosso perfil se enquadra bem para o(s) cargos disponíveis, e caso a resposta seja positiva, tentem convencê-los de que vocês são a melhor pessoa possível para o trabalho. Mas não sejam demasiado insistentes. Têm que falar com as empresas de forma a que eles pensem que eles é que vos acharam a vocês em vez de serem vocês a terem achado a posição em questão.

 

Entre procura de emprego ou não, fico por aqui com a minha música Britânica do momento - Dizzee Rascal feat. Calvin Harris (não é a primeira música com o Calvin que aqui coloco) & Chrome - "Dance wiv me" :