Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Faz sentido fazer ofertas nos estabelecimentos comerciais?

Gostei imenso da minha recente visita à ilha da Creta e de ficar a conhecer alguns dos costumes locais. Um deles, por exemplo, é que ao fim de todas as refeições nos ofereciam uma garrafinha de Ouzo ou Raki (ambas bebidas locais tipo água-ardente) acompanhadas de uma pequena sobremesa. Algumas vezes dávam-nos gelado, outras vezes um pudim ou bolinho, etc. É um pequeno mas agradável gesto e, poderá provavelmente fazer com que as pessoas venham a dar uma gorjeta maior.

 

Também já notei que muitos restaurantes Indianos no Reino Unido costumam dar rebuçados ou chocolates quando trazem a conta, possivelmente também com o intuito de fazer com que as pessoas se sintam mais inclinadas para dar uma gorjeta maior.

 

Este gesto na creta faz com que me pergunte se o mesmo não ía resultar bem noutros países? Com certeza, restaurantes que façam pequenas ofertas, principalmente  de algo caro como álcool, vão ser estabelecimentos mais populares, de que as pessoas querem falar, e com positivos comentários e ratings relacionados com essa oferta em sites como o tripadvisor. Ora, se aquilo que fôr oferecido tiver um custo inferior às potenciais gorjetas,este gesto pode compensar significativamente. 

 

free_raki_dessert.jpeg

Fonte da imagem: paperblog

 

Enquanto pensava no assunto achei que esta opção podía ser interessante para restaurantes em muitos países, mas pensando na situação do Reino Unido, e principalmente forçando-me em Londres, tal oferta de produtos talvez já não faça muita lógica pelas seguintes razões:

  • O Londrino é desconfiado: ninguém dá nada a ninguém em Londres, e a oferta de bebidas ou comida em restaurantes Londrinos podia ser olhado com suspeita por algumas pessoas - “se nos estão a oferecer este bolo é porque deve estar a passar da validade?”
  • Considerada uma atitude irresponsável: o consumo de álcool, é praticamente um elemento essencial de qualquer refeição, sendo que a partilha de uma garrafa de vinho para duas pessoas é mais que comportamento normal. A possível oferta de um digestivo com teor alcóolico de 45%, como é o caso do Ouzo, seria uma atitude considerada totalmente irresponsável por parte dos comerciantes, visto que os seus hóspedes já irão estar alcoólizados mais do que suficiente pela hora que terminarem a refeição. E, se em vez de álcool, pretendessem oferecer uma sobremesa, lá viria um instituição como a British Heart Foundation ou o Jamie Oliver, mandar vir com os ditos estabelecimentos por estarem a incentivar o consumo do açúcar, que consecutivamente leva a maus hábitos de alimentação do indivíduo e das famílias, que podem levar a doenças, e a maiores custos para o NHS, etc., etc.
  • Demasiado tempo a ocupar mesas que podiam estar a gerir lucro: ao estarem a dar mais de comer e beber a quem terminou a refeição, faz com que essas pessoas se mantenham mais tempo a ocupar a mesa no restaurante. Tal mesa poderia ser utilizada por outros que viessem pedir uma nova refeição, e portanto, gerar muito mais lucro do que o potencial extra que os empregados receberiam em gorjeta.
  • Todas as migalhas contam para pagar a renda: numa cidade onde o custo da renda de qualquer estabelecimento sobe a uma velocidade vertiginosa, só aqueles que são mesmo muito cuidadosos com os custos, mantendo-os ao mínimo, enquanto que conseguem alcançar o máximo de proveito, é que conseguem sobreviver.
  • O Londrino é justo: Quem vive em Londres está acostumado a pagar gorjeta já incluída na conta, e se tal não estiver incluída na conta, o normal é que o Londrino pague o valor de 10% do valor da conta em gorjeta de qualquer forma. Esse hábito está vincado na cultura e, de forma geral, não é porque tenham melhor serviço sob a forma de ofertas ou simpatia que vão necessariamente dar mais que os 10%. Só em situações em que o serviço seja muito mau é que o Londrino não deixa gorjeta, para demonstrar o seu descontentamento.

 

Portanto ao fim das contas, talvez para alguns restaurantes, em certas localidades, que pretendem marcar pela diferença, oferecer algumas coisas durante a refeição possa servir como benefício (agrada-me por exemplo quando ainda encontro aqueles restaurantes em Portugal onde não cobram pelo pão e manteiga), mas numa localidade como Londres, penso que 'essa moda' não vai pegar.

Uma semana na Creta

Escrevi este post ontem quando estava fechada num aeroporto: 

 

"Esta semana passei-a de férias na Ilha de Creta e neste momento encontro-me fechada numa porta de embarque de onde não posso sair, à espera de um voo da Ryanair que está 2 horas atrasado e sem qualquer expectativa de quando vai sair. “Já não chovia assim desde Fevereiro” - disse o taxista que me trouxe para o aeroporto. Pelos vistos a falta de chuva faz com que os pilotos não façam ideia de como pilotar nestas condições e o resultado é evidente.

 

Para piorar a situação um bocadinho, a lojinha da porta de embarque onde me encontro não tem sequer um jornal ou revista à venda; já acabei os meus livros durante as férias; a Wi-Fi é inexistente e a minha 3G demora imenso a puxar qualquer informação. Ao menos tenho comigo o iPad com 75% de bateria o que, ao menos, me permite ir escrevendo este post offline.

 

Felizmente durante a semana a temperatura esteve agradável o que deu para aproveitar e ficar a conhecer a ilha. Fiquei num local chamado Georgiopoulis, localizado no norte da ilha, entre as cidades de Chania e Heraklion (a capital). Georgiopoulis é uma aldeia bonita com uma longa praia, e vários restaurantes agradáveis, mas a sua localização é principalmente interessante por estar próxima de vários locais de interesse. Optámos por não alugar carro, mas isso não foi problema para passear. Autocarros locais fazem a ligação entre Georgiopoulis e as cidades de Chania e Heraklion, assim como diferentes pontos de interesse entre as duas. A nossa primeira visita foi a vila de Rethymno com as suas pequenas ruas calcetadas, o seu porto Veneciano, o forte no alto e, os seus muitos bares e restaurantes agradáveis. Durante os outros dias tivemos a oportunidade de visitar Chania, que também é uma cidade muito bonita, demos passeios de bicicleta, visitámos o lindíssimo Lago Kourmas, fizemos uma prova de vinhos na vinha que produz o Nostos Wines, que por sinal, só utiliza rolhas de cortiça importadas de Portugal, e descansámos também um pouco. Muito bonita a ilha e recomendo a visita. A experiência talvez seja um pouco diferente se vierem no pico do verão quando está muito calor que, imagino, reduza o interesse em andar de um lado para o outro quando o sol torra, mas para quem tiver a possibilidade de passear um pouco na ilha, sem dúvida que vale a pena."

 

IMG_5383.JPG

Porto de Rethymno

 

IMG_5402.JPG

Lago de Kournas

 

IMG_5421.JPG

Mounasakis Winery - Nostos Wines

 

IMG_5482.JPG

Georgiopoulis 

 

O meu vôo acabou por ficar 6 horas atrasado! E ainda tivemos que ir parar em Frankfurt para mudarem o staff. Enfim,.. uma chatisse. Tinha imensos planos de chegar a casa no início da tarde para tratar de várias coisas e afinal, cheguei apenas a tempo de ir dormir.