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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

E fica mais uma recomendação de restaurante Português

Depois de ter escrito o post sobre Restaurantes Portugueses em Londres que dá gosto visitar, um dos leitores fez referência ao Bar Douro em London Bridge, que me deixou muito curiosa. Ora não foi tarde, nem foi cedo. fui logo lá hoje à noite. Gostei bastante. Com ambiente simpático, que combina o tradicional e o moderno, o Bar Douro, é um óptimo local para ir tomar uma bebida e comer uns petiscos depois do trabalho. Localizado numa das arcadas debaixo da linha do comboio e, junto à Flat Iron Square, onde aos fins-de-semana, se enche de carrinhas de Street Food, e pessoas que ali vão almoçar ou jantar com amigos. 

 

Partilhei com uma amiga uns croquetes de Alheira que tinham aquele sabor da Alheira mesmo intenso e delicioso; uns rolinhos de borrego; um pratinho de Bacalhau à Brás e Gambas com Alho. No final, ainda experimentei a minha sobremesa e a das minhas amigas, e tanto o Bolo de Laranja com marmelada e requeijão, o pastel de nata com gelado de canela, e a Baba de Camelo, estavam óptimos!

 

Com isso tudo, e ao partilhar pão e uma garrafa de vinho entre 4, a conta final ficou em £30 o que não foi mau. 

Recomendado!

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Experiências culinárias

Ultimamente tenho andado com vontade de ter novas experiências culinárias. Então, no início do mês marquei o meu primeiro supper club. Ficou marcado para Abril porque esta coisa dos supper clubs torna-se altamente popular e, podendo acomodar um número restrito de pessoas, não é comum conseguir-se marcar um supper club para uma data próxima. Vou a um em casa da cozinheira, portanto, será altamente privado. Por um lado parece-me um pouco estranho, mas por outro tenho curiosidade para experimentar um supper club numa casa residencial. Vamos ser 12 pessoas estranhas, em casa de uma pessoa estranha, sentados em volta de uma mesa, num ambiente intímo propício para despertar conversa entre as váras pessoas no jantar. Os comentários de quem já lá foi são muito bons e, como tal, achei por bem, lá ir também.

 

Escolhi o Club Lola em Brixton devido à data, mas haviam vários outros supper clubs onde fiquei com vontade de ir, incluíndo:

White Room Supper Club: localizado num apartamento privado num edifício que oferece vistas para Londres.

 

Monograph: Supper club de comida Japonesa localizado numa galeria de arte em Islington.

 

Uyen Luu: Supper club de comida Vietnamesa localizado numa casa privada em London Fields.

 

Syrian Supper Club: Especializado em comida da Syria, este Supper Club é localizado na E5 Bakehouse, em London Fields.

 

Para além do supper club, hoje estive agarrada ao relógio à espera que os bilhetes para a Chamber of Flavours abri-se ao meio-dia. Chamber of Flavours é uma experiência de comida imersiva que está a ser organizada pelos mesmos organizadores da Ginger Line. O Chamber of Flavours já estava esgotado até Junho e hoje abriram os bilhetes para mais eventos a partir de Junho. Não sei bem explicar como vai ser exactamente mas sei que envolve comida excelente, e uma espécie de show ou teatro imersivo simultaneamente. Marquei logo. E, apesar de ver que ainda existem várias datas com disponibilidade, muitas delas já estão esgotadas, portanto, se alguém também estiver interessado em experimentar, convém marcar o quanto antes. Fica o vídeo promocional para também ficarem com uma ideia:

Agora é só esperar pelas respectivas datas. Depois digo se valeram a pena.

O top 7 dos desafios a evitar este Janeiro

Ahh, Janeiro, o mês das resoluções que vão mudar a vossa vida, o mês em que os donos de todos os ginásios vão a rir para o banco, o mês do relax e das dietas, o mês em que se diz não ao alcóol e não às gorduras. É um mês cheio de boas intenções e de novas ideias, mas também o mês mais deprimente para colocar em prática todas as restrições que muitos decidem fazer depois dos exageros da quadra Natalícia. Está frio, está tudo sem dinheiro e não se sai muito de casa à noite. Acabaram de reflectir seriamente sobre a vossa vida e o que ainda não conseguiram atingir,... Ora sem dúvida que não podia haver pior mês para se poder deixar de beber e comer coisas boas, não acham!? Pois mas é isso mesmo que os Londrinos adoram fazer no mês de Janeiro. Até existem websites para incentivar todo o tipo de práticas de restrição. Ora fica aqui o meu top das restrições de Janeiro que não deveriam ser tomadas neste mês:

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Dry January: Ou, por outras palavras, o Janeiro seco, sequinho de uma gota de alcoól que seja.

Veganuary: Tornar-se vegan durante Janeiro. nada de carne ou peixe, nada de lacticínios ou outros derivados dos animais.

Joy #StartToday Cleanse: Limpeza interior que vos faz retirar 4 grupos de comida da vossa alimentação para ajudar na perca de peso.

Sugar Detox: Este desintoxica-vos de tudo o que é alimentação que contenha açucar

Alkaline Cleanse: Para fazer uma limpeza dos órgãos ao consumirem apenas sumos, sopas e snacks saudáveis.

Big January Juice Challenge: Dexintoxica-vos de tudo e mais alguma coisa porque a única coisa que são permitidos colocar no corpo é sumo de frutas e verduras.

30 Days of Change: Baseado numa série de exercícios físicos para aumentar a força e a flexibilidade.

 

Querem fazer um detox, uma dieta, um plano de exercício, façam-no, mas não o façam porque é Janeiro, e porque os outros fazem. Façam-no numa altura em que não haja a pressão do início do ano, quando tudo e todos estão a competir numa série de desafios para ver quem resiste mais tempo (ou quem desiste mais tarde). 

O que se encontra nos cestos de supermercado dos Londrinos

Às vezes quando estou na fila da caixa de supermercado olho por curiosidade para os produtos que os outros vão comprar e já reparei que existem certos padrões de consumidores aqui por Londres que reflectem um pouco o tipo de pessoa que está a fazer as compras. São estes os padrões que identifiquei:

 

O Londrino Tradicional

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Geralmente com idade a partir dos 35 e com família dadas as quantidades mais avultadas de produtos que compra. Aos domingos vêm-no a passar Yorkshire puddings congelados pela caixa, conjuntamente com o frango, nabo, bróculos, um pacote de gravy em pó e, como não podia deixar de ser, Cherivia (tive que ir ver ao dicionário como traduzir o parsnip já que nunca tinha visto esse vegetal em Portugal). Dentro do cesto também vai um frasco de arando e molho de maça para acompanhar o Roast Dinner que vai cozinhar nessse dia. Compra também um pacote de papas de aveia e um frasco de Marmite para o pequeno-almoço que a última já acabou, uns crumpets e doce de laranja (marmelade) para os dias em que não lhe apetece comer papas de aveia; um pacote de salsichas frescas originárias de Cumberland, uma lata de Spam (carne enlatada de origem indefinida), Empadas da Cornualha, pacotes de tiras de Bacon para fritar, uma lata de molho de curry para fazer uma Tikka Masala que, afinal é um dos pratos mais tradicionais Britânicos, chá 'English breakfast' e bolachas de manteiga 'shortbread'. 

 

O Hipster Free From

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Está na moda ser cuidadoso com a comida e, como tal, há pessoal que leva o cuidado ao extremo. Olho para o cesto das compras do 'hipster' que se encontra ao meu lado na fila do Sainsbury's de Dalston e lá dentro tem ele uma embalagem de Tofu, um pacote de leite de arroz, uma água de côco, uma embalagem de pão de centeio tipo Alemão, iogurtes de soja, fruta e vegetais orgânicos. Só não tinha lá dentro produtos 'slow food' ou vinhos naturais porque estamos no Sainsbury's e esses produtos ainda não estão lá à venda. Até estou admirada que ele não tivesse ido antes à loja de comida biológica e afins mais acima na mesma rua, onde podia encontrar disso tudo e muita mais variedade. Mas se calhar ele também prefere não ir lá muito porque os preços são de se subir às paredes. 

 

O Adorador do Tesco Value 

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Há aqueles que simplesmente compram baseados no preço. E eu bem que os percebo porque também já fui uma compradora Tesco Value, Sainsbury's Basics, Asda Smart Price e os equivalentes produtos genéricos que os supermercados fornecem a preços consideravelmente mais baratos que as marcas. O que os produtos são, isso não interessa muito. O Adorador do Tesco Value vai para o supermercado sem objectivos e com a mentalidade aberta visto que só decide o que vai fazer para o jantar quando lá chegar e vir os preços dos diferentes produtos. Aqueles que estiverem em promoção, são esses mesmos a ser transformados em jantar nessa noite. 

 

O Orientado pela Carreira

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O típico homem ou mulher orientado pela carreira é uma pessoa ocupada que vai muitas vezes jantar fora em negócios ou com amigos, visto que o jantar é uma das poucas oportunidades de socializar. Se come em casa, chega a casa tarde e, como tal, apenas tem tempo de fazer qualquer coisa rápida. É este o tipo de pessoas que se vê no supermercado pelas 21h na zona dos frigoríficos. Levam poucas coisas de cada vez, porque preferem comprar só para a refeição do dia já que não sabem bem quando voltam a comer em casa e não vale a pena comprar comida para estragar. O tipo de coisas que compram tendem a ser refeições semi-preparadas de carácter saudável que só falta levar ao forno ou ao micro-ondas, vegetais para stir fry ou outro tipo de comida que se consegue cozinhar em poucos minutos. 

 

O Afixionado do Ginásio

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Aquele que gosta de cuidar do corpo por dentro e por fora, preocupa-se com a quantidade de proteinas e outros nutrientes que consome e, como tal, o seu cesto costuma ter grandes nacos de carne e postas de peixe, feijão e outras leguminosas, verduras (e também dão preferência às verduras biológicas, ovos, leite e arroz. 

 

O Consumidor Little Britain

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Little Britain é um programa de televisão que retrata o estereótipo da classe trabalhadora Britânica e, como tal, o consumidor Little Britain vai ter hábitos de compra semelhantes dos personagens deste programa. São eles que compram as pizzas congeladas, os hambúrgueres no pão que já estão assim preparados numa caixa plástica nos frigoríficos dos supermercados, os doces e bolos (com quanto mais açucar, melhor), as gasosas, as cervejas, e tudo aquilo que tenha a menor associação a comida saudável e a maior associação a preparação fácil, para não ter que haver muito trabalho entre o preparar da comida e o momento em que se a está a comer em frente à televisão. 

 

É interessante como existem padrões de consumidores tão distintos entre si, mas de facto se pararem e olharem para os cestos vão notar também essas tendências. Possivelmente até notam outras tendências de que ainda não reparei? 

Os resultados do concurso de culinária saíram e o vencedor...

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Para quem leu os últimos posts sabe que entrei num concurso organisado pelo Blog dos Blogs com a minha receita original "Fish & Chips à Tuga". 

A combinação de alimentos até que ficou bem boa, mas claro está não foi o suficiente para ser a grande vencedora do livro de culinária que estavam a oferecer. Hehe! Claro que não me importo nada e fico contente por quem ganhou, mas esta coisa do concurso fez-me lembrar que durante o último ano cozinhei grandes refeições muito poucas vezes. E durante os meus primeiros anos em Londres eu cozinhava quase todos os dias! Mas assim de repente, simplesmente fui deixando de cozinhar pratos mais elaborados, deixando-me ficar pelas coisas básicas tipo saladas, cuscus com atum e salada, sopas, coisas assim que são super fáceis de fazer e estão prontas em pouco tempo. 

 

Talvez o facto de ter andado sempre atarefada com os meus estudos também tenha ajudado a não cozinhar tanto já que perdia mais tempo ao cozinhar. Ou então pode ser simplesmente porque passo mais tempo fora de casa ou volto mais tarde para casa o que impossibilita percas de tempo em grandes cozinhados, o que também é verdade.

 

Qualquer que seja a razão estou decidida que este ano quero voltar a cozinhar mais frequentemente. Já este fim-de-semana convidei umas amigas para uma jantarada cá em casa para começar a practicar mais. O resultado foi um estufado de cogumelos com polenta servido com uma quiche de alho Francês. Foi uma refeição vegetariana, como está visto, e de facto ficou com um bom resultado. Fiquei fã do estufado de cogumelhos e sem dúvida vou voltar a fazer.

 

 

Estufado de cogumelos e quiche

 

As pequenas diferenças Europeias

No outro dia estava a tomar o "brunch" (=breakfast+lunch) com amigos e, acho estranho quando vejo um deles (que é Inglês) pegar na embalagem de mel e espremer para cima da torrada.

 

Eu - "Mas o que é que tu estás a fazer? Vais pôr mel em cima da torrada para quê?"

Ele - para comer, claro. Qual é o mal?

Eu - Hargh, não há mal nenhum, mas essa é uma combinação um bocado estranha.

Ele - Estranha? Isto de estranho não tem nada. Toda a gente come mel no pão.

 

Eu já morei com vários estrangeiros e tinha-me apercebido que alguns tinham o hábito de barrar o pão com manteiga e doce, mas essa do mel ainda nunca tinha visto, daí a razão do meu espanto momentâneo. De qualquer forma, a parte em que ele disse que "toda a gente" come pão com mel, isso aí é que já não fui muito nisso. Resultado - fomos perguntar às outras pessoas que ainda não tinham ouvido nada da conversa, o que é que elas costumavam colocar sobre uma torrada.

 

O primeiro a responder foi um Alemão e a resposta dele começou por doce, passando para a marmelada e, em terceiro lugar disse mel. O inglês claro que ficou todo contente visto que o Alemão tinha acabado de lhe dar razão ao ter mencionado o mel logo nos topo das suas hipóteses. Depois viraram-se os dois para mim a perguntar se isso de eu não comer torrada com mel é um hábito só meu ou se é um hábito geral Português? A minha resposta é que seria então um hábito Português porque nunca tinha visto tal combinação de alimentos ser servida em sítio nenhum em Portugal.

 

Convenientemente também haviam outros Portugueses conosco, mas que estavam numa parte afastada e, então não tinham ainda ouvido nada da conversa. Perguntamos-lhes o que é que eles costumavam colocar em cima da torrada, ao que as respostas foram manteiga, queijo, fiambre, marmelada, por esta ordem. O Inglês e o Alemão perguntaram-lhes então directamente se não costumavam comer a torrada com mel - "Com mel???" - Responderam eles - "Não se mete mel nas torradas".

 

Pois é, assim em pequenas coisas como estas se vêm os diferentes hábitos de país para país. Os nortenhos acham mel normalíssimo de comer com torradas e, são os acompanhamentos doces, os primeiros que lhes vêm à cabeça, quando pensam no que comer com torradas. Já os Portugueses mencionaram os salgados, logo indicando a manteiga como a primeira opção (que para mim também seria logicamente a primeira opção caso a questão me tivesse sido colocada a mim) e acharam estranho isso de colocar mel na torrada.

 

Engraçada esta percepção dos hábitos de consumo diferentes.