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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Veganuary e Dry January - Moda parva ou vale a pena?

Janeiro é aquele mês onde o pessoal pensa nos problemas a resolver, nos objectivos a atingir, arrepende-se dos exageros do mês de Dezembro e preocupa-se mais com a manutenção de uma vida saudável. Como tal, encontram-se imensas pessoas a fazer o 'dry January', ou seja, passam o mês inteiro sem beber álcool. E a nova moda que comecei a ouvir falar desde Janeiro do ano passado é o Veganuary, ou seja, passam o mês com uma alimentação vegana. 

 

Como em tudo, o facto de se saber que há muitas pessoas a fazer esse tipo de dietas alimentares durante o mês de Janeiro, ajuda a motivar para que outros as façam também. Acho piada a amigos que chegam ao final de Dezembro e dizem afincadamente que este ano é que vão fazer o 'dry January', mas que passado os primeiros dias não resistem à tentação e vão beber. Também ouvi falar dos que tentam a experiência vegana mas que verificam rapidamente que há lacticínios e ovos em mais coisas do que imaginavam e, como tal, também desistem da ideia rapidamente por falta de escolha. 

 

Eu já há cerca de 6 ou 7 anos que faço anualmente o que eu chamo do meu 'detox'. Varia um pouco de ano para ano mas este ano consiste em não beber álcool, não comer lacticínios, nem carne, nem açúcar, nem cafeína. Basicamente tentar comer comida natural e não modificada o mais possível. Devo dizer que não é fácil, principalmente durante a primeira semana em que penso mais no assunto de cada vez que o faço, mas com o passar das semanas habituo-me e, ao final do detox geralmente consigo o resultado que pretendo que é manter-me a comer essas coisas que estão eliminadas de forma menos regular. Esse bom hábito não dura o ano todo geralmente, mas por isso mesmo volto a fazer o detox todos os anos. Sinto que o corpo fica mais leve durante esse período, fico contente por acordar um mês inteiro sem dor de cabeça afectada pela bebida da noite anterior, e de forma geral sinto-me energética (à excepção da primeira semana em que costumo sentir exactamente o oposto. Penso que pelo efeito de tirar a cafeína a que o meu corpo está tão habituado).

 

Ainda nunca tinha feito o meu detox anual em Janeiro. Geralmente faço por alturas de Fevereiro, Março ou Abril entre o período de 1 mês - 1.5 meses. Mas este ano quis fazer logo em Janeiro por diferentes razões e, se por um lado fico logo 'despachada', por outro, este é o mês dos estereótipos das dietas, então assim que alguém repara que não estou a beber ou que pedi uma refeição vegana, falam-me logo do 'dry January' ou 'veganuary'. - "Não, não estou a fazer nenhuma dessas dietas. Estou a fazer o meu detox anual, que por acaso calhou a ser em Janeiro este ano." Mas claro que não me livro do estereótipo associado às dietas do mês. Acho que prefiro fazê-lo noutros meses onde a alimentação não é um tópico tão falado. Por outro lado, encontro várias outras pessoas que também não estão a beber este mês o que também é agradável por não ser a única. 

 

Há sempre quem pergunte - "há e tal, mas porquê? É mais saudável manter uma alimentação balançada ao longo do ano todo do que evitar comida um mês durante um ano." Até pode ser que isso seja verdade, mas manter uma alimentação balançada sem ter regras específicas, acaba por ser mais difícil de controlar do que propriamente definir ter uma determinada alimentação durante um determinado espaço de tempo. Portanto, assim fico. O importante é que todos respeitem as opções alimentais dos outros. Estar a criticar alguém pelas suas escolhas não é positivo para nenhuma das partes envolvidas na conversa. Por isso, da próxima vez que se aperceberem que alguém está a fazer uma certa dieta, evitem os comentários desnecessários para evitar que ambos saiam chateados da discussão. 

 

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Fonte da imagem: Hello Magazine

A cozinha do povo

Hoje tive a minha primeira experiência de voluntariado - cozinhar para a comunidade de Haggerston através do grupo comunitário "People's Kitchen". 

O conceito é simples - pedem a uma variedade de retalhistas localizados na área local para doarem toda aquela comida que está a passar fora de prazo em vez de a deitarem para o lixo; juntam vários voluntários para ajudar a cozinhar os ingredientes angariados e convidam a comunidade local para vir comê-la; pedindo uma doação de £3 para os custos correntes. 

 

Os voluntários são pedidos para chegar ao local pelas 15h. Assim que cheguei, preparam a comida, e às 18h esta está pronta a ser servida para a grande quantidade de pessoas que faz fila para a habitual refeição de Domingo servida pelo "People's Kitchen". Pensei que quem viesse fossem sem-abrigo ou pessoas carenciadas, mas afinal quem veiu comer foram maioritariamente os jovens locais que vêm aproveitar uma boa refeição a um preço mínimo. 

 

O meu trabalho limitou-se a cortar vegetais e lavar loiça mas quem fez a maioria dos cozinhados, efectivamente cozinha muito bem. O ménu foi extenso e contou com um curry, saladas, couscous, empadas de queijo e legumes, salada de frutas, bolo de chocolate, madalenas, crumble de maçã e outras coisas mais. Como a comida está prestes a expirar, toda ela é vgetariana, e portanto, está ainda boa para comer apesar de ter uma aparência um pouco mais velha. 

 

Menú

 

De voluntários eramos cerca de uns 20 e, ao trabalharmos em conjunto durante aquelas horas, até nos ficamos a conhecer um pouco e ainda acabei num pub local com alguns deles o que foi agradável também. 

 

Hoje estavam lá também algumas pessoas a fazer filmagens ao longo da tarde, e no final, uma membra do Parlamento foi entrevistada relativamente a uma nova lei que está a tentar trazer para o Reino Unido relacionada com a doação de comida que passa de validade. Actualmente existem toneladas de comida que é desperdiçada pelos retalhistas que não a conseguiram vender e acabam por ter que a deitar fora. Uma das principais razões pelas quais os retalhistas não querem doar a comida está relacionada com o facto de que no Reino Unido se uma pessoa, a quem a comida fora de prazo tiver sido doada, lhe fizer mal, essa pessoa pode levar o retalhista a tribunal porque lhe deu comida estragada. Por isso mesmo os retalhistas decidem que o melhor é deitar fora. Até neste caso do People's Kitchen, os retalhistas em vez de oficialmente doarem a sua comida expirada para esta organização, o que fazem é deixarem a comida num caixote fora do estabelecimento e depois as pessoas da organização vão colectar toda essa comida deixada. Desta forma é como se apenas tivessem a trazer comida que já tinha sido deitado fora e assim não podem levar o retalhista a tribunal pela comida estragada. O objectivo desta membra do Parlamento é conseguir mudar essa lei para que as pessoas já não tenham o direito de levar a tribunal quem lhes dá comida a passar fora da validade. Assim espera-se que muitos mais retalhistas o façam. Estas filmagens e entrevista, em princípio vão aparecer no noticiário do Channel 4 num dia próximo. A ver se consigo apanhar a reportagem.

 

A experiência em si foi muito interessante e sem dúvida vou querer voltar ocasionalmente para ajudar.  

 

People's Kitchen