Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

A primeira semana no novo emprego

Comecei o novo emprego na terça-feira e devo dizer que, para já estou muito contente com este meu novo emprego. Claro que tinha aquelas dúvidas iniciais:

  • Será que vou gostar do emprego?
  • Será que me vou dar bem com os colegas?
  • Será que vou ter o tipo de responsabilidade que quero?
  • Será que não me vou arrepender?
  • ...

Claro que estas dúvidas ainda não estão completamente de parte já que só lá passei 4 dias, mas para já, estou satisfeita com o que tenho encontrado. 

 

Em termos da função em si comecei a planear as actividades para o ano em antecedência a conhecer o resto da equipa de marketing daqui a 2 semanas quando fôr à nossa sede. Por isso, em termos de trabalho, para já está a ser muito interessante já que tenha a oportunidade de moldar os meus próximos 11 meses da forma que eu considero que vá trazer melhores resultados para a empresa.

  

Em termos dos colegas, eles são todos muito simpáticos. Logo no primeiro dia fomos juntos tomar um copo ao pub após o trabalho para nos conhecermos melhor, e durante a semana deu para perceber que eles são todos super entusiasmados, o que transmite um bom ambiente de trabalho onde as coisas se fazem mais rápida e eficientemente.

 

Em termos do escritório em si, como eles tinham-se acabado de mudar para um novo escritório à 2 semanas atrás, estamos na fase em que vamos pintar o logotipo da empresa nas paredes, e transformar o espaço num local com ar muito moderno e 'coo' já que essa é a ideia que a empresa quer transmitir aos clientes que lá vão. Uma desvantagem a meu ver, à qual ainda me vou ter que habituar é que eles todos gostam de ouvir música enquanto trabalham. Para mim, isso nem sempre dá, já que muitas vezes preciso de estar concentrada no que estou a escrever e a música tende-me a distrair um bocado. Até temos uma playlist no Spotify partilhada onde todos podemos colocar lá música para ouvirmos as nossas preferências. Eu já lá coloquei umas músicas mais Indie mellow (como eu lhes costumo chamar) tipo Lorde e Chvrches para ter uma música mais calminha já que, a meu ver, me ajuda mais em termos de concentração. Claro que se me distrair mesmo muito em certas ocasiões terei que lhes dizer, mas como a música também não está sempre ligada, para já ainda não foi problemática. 

 

Depois outra coisa é que lá todos trabalham com computadores Mac que é coisa a que não estou nada acostumada. Aos poucos começo-me a habituar a usá-lo, mas já tenho tido que fazer várias pesquisas online sobre como efectuar certas coisas no Mac, que são diferentes no PC (como fazer delete; onde está o símbolo £; como guardar favoritos; como guardar ficheiros; etc.; etc.; etc.)

 

Portanto, estou num modo de aprendizagem geral, quer em termos da nova empresa, da indústria, da função e até do computador. Primeiras impressões? Positivas. Espero que assim se mantenham por muito tempo.

Como ter sucesso numa entrevista de emprego em Londres

Como sabem, durante a minha experiência recente de procura de emprego, recebi 3 ofertas de emprego das 4 empresas com que me encontrei para a entrevista face-a-face. Ter conseguido essas ofertas não foi nem por sorte nem por ser uma profissional com um nível de experiencia acima da dos outros candidatos, mas sim porque tenho uma boa técnica de entrevista. Preparei-me convenientemente para todas elas e segui certas regras que são fundamentais para causar uma boa impressão num entrevistador.

 

Passo a deixar as minhas dicas de entrevista que espero também possam vir a ser úteis para alguns dos leitores:

 

Estudar a empresa

 

1. Estudar a empresa

Um dos primeiros temas de conversa durante uma entrevista costuma ser a empresa. Alguns entrevistadores proferem explicar um pouco sobre a empresa e o mercado, outros preferem perguntar o que é que o entrevistado sabe sobre a empresa. Por isso é essencial que tenham lido muito bem tudo sobre a empresa e memorizado uma sucinta, mas eficiente explicação relativa ao que a empresa faz. Não é preciso perderem horas a estudar a empresa para conseguirem ter uma boa definição. Alguns minutos são suficientes para fazerem a seguinte pesquisa:

  • Investigar o website da empresa - ler o "About Us" e ler as páginas relacionadas com o produto ou serviço oferecidos. Tomar notas de todos os pontos essenciais tais como o ano de fundação; o número de escritórios e suas localizações; o número de empregados; a missão, visão e valores da empresa; um pouco da sua história (quem é que fundou a empresa? a empresa já foi comprada ou já comprou outras empresas? a empresa já recebeu alguns prémios, é membro ou parceira de alguma organização de influência na indústria); quais são os principais clientes da empresa. Listar também as características principais do produto ou serviço prestado.
  • Pesquisar pelo nome da empresa no Google - poderão encontrar artigos de imprensa publicados e façam anotações dos temas desses artigos. Podem utilizar a informação destes artigos para criar as questões finais a colocarem ao entrevistador. Não só demonstram que estão interessados em conhecer mais sobre a empresa como também demonstram que se deram ao trabalho de investigar sobre a mesma. 
  • Identificar o tipo de marketing feito pela empresa - leiam o blog, vejam a sua página nas redes sociais tais como Facebook, LinkedIn, Twitter e Google+, subscrevam para a sua mailing list caso haja essa possibilidade. Isto irá permitir-vos perceber qual o tom utilizado pela empresa para comunicar com os seus clientes e stakeholders de forma geral, o que vos permite ter uma ideia do tipo de cultura da empresa. Verifiquem coisas como - o tipo de comunicação efectuada através de texto e imagem é informal e divertida? É formal e profissional? É minimalista? Esse conhecimento irá dar-vos a perceber que tipo de postura e até que tipo de roupa devem levar na entrevista para fazerem entender ao empregador que vocês têm o tipo de personalidade que se vai enquadrar bem na cultura da empresa. 

 

Comparar experiência

 

2. Comparar cada uma das características da descrição do emprego com a vossa experiência 

Anotem para cada item requerido, que tipo de experiência é que vocês têm para satisfazer essa característica, ou, se não tiverem experiência em certos aspectos, indicarem o porque é que pensam que vão ser capazes de satisfazer essas características. Por exemplo:

  • Pedem alguém que tenha a responsabilidade para desenvolver a estratégia e implementar gestão de projectos com um orçamento e prazos de entrega limitados - anotem exemplos de projectos específicos que tenham desenvolvido (se não tiverem exemplos profissionais, pensem em exemplos pessoais), qual o tempo que tiveram para os implementar e qual o budget, indicando também possíveis ideias que tenham tido para conseguirem fazer determinadas actividades para o projecto sem ter que recorrer a fundos financeiros. Pensem também nos resultados do projecto - qual foi o retorno para a empresa?  Quantifiquem o sucesso sempre que possível. 
  • Pedem alguém com capacidade para reportar nos resultados, tendências de mercado e de vendas - anotem experiência relacionada, incluíndo, que tipo de técnicas ou programas tenham utilizado para efectuar essas actividades no passado. Utilizaram um sistema de CRM; tinham um processo semanal para reportar nos resultados ou outros? Mantinham-se a par das tendências de mercado devido à vossa vasta network de contactos? Utilizavam o apoio de uma empresa de pesquisa de mercado? Recebiam Google Alerts para certas keywords e nomes de empresas concorrentes de forma a estarem sempre actualizados nas notícias do mercado?
  • Pedem alguém que seja dedicado, organizado e com forte orientação para o consumidor - anotem exemplos de situações nas vossas vidas profissionais e pessoais em que tenham demonstrado essas características. 

 

Perguntas e respostas

 

3. Escrevam respostas a possíveis perguntas de entrevistas 

Primeiro que tudo pesquisem no Glassdoor pela empresa e emprego em questão para identificar se outras pessoas tenham indicado que tipo de perguntas lhes fizeram na entrevista. Claro que se tiverem a ser entrevistados por uma pessoa diferente, será provável que o tipo de perguntas seja também diferente, mas não deixa de ser um bom ponto de partida para a vossa preparação. E além das possíveis questões indicadas por outros candidatos no Glassdoor, convém que estejam também preparados para responder às 'típicas questões de entrevista' tais como:

  • Fale-me um pouco sobre a sua experiência e como esta se enquadra para este cargo.
  • O que é que pretende conseguir alcançar/fazer durante o seu primeiro mês neste cargo? E ao fim de 3 meses?
  • Porque é que acha que é a pessoa certa para este cargo?
  • Como é que acha que se enquadra nesta empresa e marca?
  • Quais são os seus pontos fortes? E quais os seus pontos fracos?
  • Indique um exemplo de uma situação em que tenha tido um conflito com um colega seu? E com um superior?
  • Como é que lida com críticas construtivas?
  • Descreva-me um dos maiores sucessos profissionais que teve? E um dos maiores insucessos? 
  • Como é que se sente a lidar com personalidades difíceis? Dê exemplos e indique como os resolveu?

Relativamente às vossas respostas notem que nunca devem dizer que não têm exemplos para dar ou que não têm situações negativas ou pontos fracos. O entrevistador quer conhecer-vos e saber como lidam com situações negativas. Dizerem que não têm nenhuma situação, não vos vai ajudar em nada e o entrevistador irá pensar que estão a mentir. No entanto não devem também dar exemplos de pontos tão fracos que possam ser desvantajosos para o emprego ao qual se estão a candidatar, nem exemplos de situações negativas que não conseguiram resolver. Pensem bem que exemplos possam dar. Podem-se referir a pontos fracos que têm mas indicando também o que têm feito para minimizar essa fraqueza. Por exemplo, um dos vossos pontos fracos pode ser não saberem utilizar as redes sociais actuais mas que como têm visto que é essencial estar envolvido nessas redes, já actualizaram a vossa conta no LinkedIn por ser uma rede profissional e que têm começado a utilizar o Google + para poderem seguir as notícias que vos interessam (obviamente não indiquem este como ponto fraco caso a gestão de redes sociais seja uma das características requeridas para o cargo). 

 

Podem encontrar dicas de mais perguntas típicas de entrevistas e exemplos de boas respostas no about.com 

 

Apresentação

 

 

4. Façam uma boa apresentação 

O entrevistador irá criar uma opinião vossa nos primeiros 5 segundos que vos conhecem, portanto certifiquem-se de que essa impressão seja boa:

  • A roupa - ao efectuarem a vossa pesquisa sobre a empresa irão aperceber-se um pouco sobre o tipo de cultura da empresa por isso vistam-se apropriadamente. Por exemplo, se vão a uma entrevista para uma empresa de serviços profissionais com sede na City of London ou Canary Wharf, utilizar um fato é a opção mais correcta. Se forem a uma entrevista para o cargo de designer gráfico numa empresa com sede em Shoreditch, será melhor optarem pelo "cool chic" ou "formal casual". Em caso de dúvida, é preferível que se vistam mais para o formal. O empregador não irá levar muito negativo se forem vestidos demasiadamente formais para a vossa primeira entrevista já que esse é um procedimento normal, mas numa segunda entrevista já poderão ir vestidos de uma forma mais próxima à cultura da empresa visto que já irão perceber melhor como é que as pessoas que trabalham lá se vestem. De qualquer forma, mesmo que a empresa seja extremamente informal, vocês não deixam de estar numa entrevista por isso há certos itens e acessórios que deverão sempre evitar, sendo eles ténis ou chinelas; roupa com nódoas ou mal passada a ferro; acessórios grandes tipo colares, brincos, etc., ou demasiada maquilhagem.
  • O cumprimento - ao olharem para a pessoa que vos vem receber dêem um sorriso simpático e aperto de mão firme e confiante, acompanhado de dizerem algo como "Hello. You must be NOME DELE(A). I'm O VOSSO NOME. It's really nice to meet you!". E ao acompanharem o entrevistador até ao local da entrevista, tentem manter conversa. Geralmente poderão falar sobre como foi fácil encontrar o local do escritório, elogiar a decoração do escritório ou da zona em que se encontram, por exemplo. 

 

Durante a entrevista

 

5. Durante a entrevista 

Descansem na noite anterior à entrevista, releiam as vossas notas antes de entrarem para a entrevista para terem tudo fresco na vossa memória e controlem o nervosismo. É difícil por vezes controlar o nervosismo, mas ninguém quer trabalhar com pessoas que aparentam ser pouco confiantes, por isso mesmo que estejam nervosos, tentem escondê-lo evitando tremer a voz ou as mãos quando falam. A boa preparação prévia é um primeiro passo para se conseguirem sentir confiantes e não estarem tão nervosos já que sabem o tipo de assuntos sobre as quais vão falar. É impossível preparem-se para todas as possíveis questões mas tendo exemplos bons relacionados com as características pedidas na descrição do emprego são fundamentais.

 

Algo que costumo fazer e que costuma funcionar para evitar o nervosismo é concentrar-me a pensar que neste momento não tenho aquele emprego, portanto não tenho nada a perder em ir à entrevista. Vou concentrar-me e dar o meu melhor. Se não passar à fase seguinte é porque talvez aquele nem seja o melhor emprego para mim e algo de melhor ainda há-de aparecer no futuro.

 

Este artigo do Wikihow apresenta 4 técnicas diferentes para ajudar a evitar o nervosismo dependendo do tipo de pessoa que forem, desde exercícios de meditação a técnicas mais racionais para evitar os momentos nervosos.  

 

Acima que tudo sejam positivos na entrevista. Se não tiverem bons exemplos profissionais a dar a certas questões, evitem mentir, e utilizem antes exemplos pessoais. Tentem rir ou trocar uma brincadeira com o entrevistador durante a entrevista se virem que eles estão abertos a isso, já que ajuda a criar uma relacão positiva com essa pessoa e é importante que eles se apercebem de que vocês são pessoas com quem eles gostariam de trabalhar no dia-a-dia. 

 

Outra nota importante é - evitem falar mal do vosso emprego, empregador actual ou país de origem. Se esta fôr a vossa primeira entrevista no Reino Unido, evitem também dizer que se sentem forçados a sair do vosso país devido às condições económicas, más condições de trabalho, etc. Primeiro, o empregador não irá querer contratar uma pessoa que tem problemas com o actual emprego já que pode pensar que a culpa é sua que não é bom profissional ou que não se sabe integrar. Segundo, não irá querer empregar alguém que apenas está a querer vir para o Reino Unido para ter melhores condiçoes económicas mas que no fundo não tinha qualquer interesse em sair do país de origem. Nao só os Britânicos estão fartos de se queixar que os imigrantes da União Europeia vêm tirar os seus empregos, como também empregar alguém nessa situação apresenta o risco de que essa pessoa irá querer voltar para o país de origem assim que tiver melhores condições financeiras.

 

Os empregadores só querem ouvir coisas positivas - que querem vir para o Reino Unido e trabalhar naquela empresa porque sabem que é uma das melhores empresas da indústria (ou que é boa por alguma das razões verificadas durante a vossa pesquisa) e adoravam poder desenvolver a vossa carreira lá; que com a actual globalização sentem que necessitam de trabalhar num ambiente internacional para desenvolver as vossas aptidões pessoais e profissionais; que querem sair da vossa 'zona de comforto' e ter novos desafios, etc.  

 

Após a entrevista

 

6. Após a entrevista 

Nesse mesmo dia ou no dia seguinte, enviem um email à pessoa que vos entrevistou a agradecer o tempo deles, indicando que a entrevista só consolidou o facto de que estão muito interessados naquele emprego e que ficam a aguardar notícias sobre uma potencial segunda entrevista. No about.com podem encontrar vários exemplos deste tipo de emails de agradecimento.

 

 

Espero que estas dicas vos venham a ser úteis. Para quem ainda não chegou à parte da entrevista e está, neste momento, à procura de emprego, no post "Como encontrar emprego em Londres" coloquei muita informação sobre como começar.

 

Boa sorte na vossa próxima entrevista!!

 

O inevitável aconteceu

Tal como esperado, a minha chefe nunca chegou a atender a telefone, logo a minha potencial futura chefe lá deve ter receio e decidiu dar o emprego a outra das candidatas. É assim. Custa porque estive tão lá perto de ter aquele emprego e sinto que me escapou por entre os dedos sem saber bem como. Mas são estas coisas que nos acontecem na vida que temos que aceitar, dar a volta por cima, ver o lado positivo e seguir em frente.

 

Acima de tudo estou aliviada por finalmente ter tido uma resolução para esta situação e saber para onde vou. Começo no novo emprego na próxima terça-feira e hoje até vou ao escritório que o meu novo chefe convidou-me para ir lá almoçar com eles para eu poder conhecer o resto da equipa antes de começar. Achei bastante simpático da parte dele querer fazer essa integração inicial e sem dúvida que estou também curiosa para saber como me vou dar com eles. 

 

E até começar o novo emprego, quero é aproveitar esta semana para fazer uma quantidade de coisas úteis que ando há que tempos para fazer e nunca tenho tempo.

 

Ano novo, uma semana de férias e um novo emprego. Estou entusiasmada. 2014, vem daí!

A esperar o inevitável

Obrigada pelos comentários ao post anterior. Claro que durante a última semana não tenho pensado em muito mais para além disto e parece que os dias passam extremamente lentos sem nenhuma resolução o que torna as coisas um pouco pior. Se não me vão aceitar mais para aquele emprego dado a péssima referência, então que assim seja, mas digam-me. A espera e a incerteza está a ser pior. O seguimento é que na quinta-feira ao final da tarde, a que seria a minha chefe do tal emprego telefonou-me para perceber o que eu tinha a dizer em minha justiça relativamente à tal referência. Ela disse também que a minha chefe não tinha atendido o telefone à hora combinada (nada que eu não estivesse já à espera).

 

Primeiro perguntei-lhe o que é que exactamente estava escrito na referência. Basicamente ela disse que o que tinha sido enviado era um formulário com uma lista de características relativas à eficiência do meu trabalho, por exemplo, se tinha atingido os meus objectivos; se era assídua ao trabalho; se era dedicada; etc. E para cada característica tinha uma escala entre "excelente, bom, razoável e mau". A minha patroa colocou um cruz em todas as características como "razoável" ou "mau". Depois haviam mais algumas questões tai como:

- Confia nesta pessoa? - respondeu que não

- Acha que esta pessoa é boa para o emprego que lhe estamos a oferecer? - respondeu que não

- Voltava a contratar esta pessoa? - respondeu que não

 

Wow! Ela não disse uma única coisa positiva sobre mim, o que só demonstra que é tao flagrantemente negativo, que este é obviamente um ataque pessoal. Se eu fosse assim tão má, as minha outras 3 referências não teriam sido tao positivas; eu não teria recebido 3 ofertas de emprego (que recebi. 2 antes do natal e esta agora do emprego de sonho. Se eu efectivamente não fosse uma boa profissional e não tivesse boa experiência e não soubesse do que estava a falar, eu também não teria conseguido "enganar" 3 empresas diferentes); eu também não teria recebido os bónus e cartas de mérito assinadas pelo CEO (OK, vinham dos Recursos Humanos, mas não deixam de ser assinadas pessoalmente pelo CEO) durante os meus 4 anos nesta empresa. 

 

Enfim, lá expliquei por minha justiça dando um bocado de background relativamente ao tipo de pessoa que a minha patroa é para ela compreender que aquele tipo de referência não reflecte a minha capacidade como profissional. No final ela disse que gostou de poder ter falado comigo para perceber o meu lado das coisas mas disse que mesmo assim quer falar com a minha patroa para perceber também o outro lado. Eu disse-lhe que era perfeitamente compreensível que ela queria falar com ambos os lados mas avisei-a de que, conhecendo a minha patroa, eu sei que ela não vai mudar a sua palavra e, ou não vai atender o telefone ou não vai dizer nada de bom sobre mim  quando falar com ela. 

 

Eu pensei que, se ela me quisesse aceitar para o emprego, me diria algo logo na sexta. Não me disseram nada o que me faz concluir que efectivamente já não me vão oferecer o emprego. Eles querem falar com a minha patroa e ela não vai atender por isso tenho 96% de certeza que este já não vai acontecer. Enfim, tenho pena, mas tal como um amigo meu me disse, se isto aconteceu talvez seja um sinal que eu devo mesmo ficar com este outro emprego que me virá dar mais oportunidades. Este que eu aceitei é até um pouco mais senior e tem mais responsabilidades. Vai-me tirar mais um pouco fora da minha "zona de conforto" por isso talvez isso seja mesmo o que eu preciso de qualquer forma. 

 

Amanhã vou mandar um último email a esta empresa a pedir para me darem uma resposta até à hora de almoço. Eu dei-lhes 1 semana para tomarem uma decisão relativamente a fazerem as averiguações necessárias relativamente à tal referência. Andei a evitar enviar o contrato para os outros e, neste momento eles estão desconfiados que há algo de errado. Não posso esperar mais para lhes enviar o contrato por isso dou a esta empresa mais uma manhã para tomarem uma decisão. Se eles não quiserem "arriscar" comigo, também não quero trabalhar para uma empresa que tem tanto medo de contratar uma pessoa apesar de todos os indicios indicarem que essa pessoa foi alvo de algo malicioso. Eu posso perder um emprego que tinha elementos que me agradavam muito mas eles também perdem a oportunidade de ter uma boa profissional a tomar aquele cargo. 

Talvez a pior patroa do mundo

Esta é a minha última semana no meu emprego actual. Já cá estou há 4 anos e durante muito tempo absolutamente adorei trabalhar aqui. No ultimo ano, com a nova patroa, nem por isso, e as coisas começaram a ficar piores a partir de finais do verão. Ela é tipicamente uma daquelas pessoas com personalidade difícil, bipolar, em que cada dia é uma surpresa já que nunca se sabe de que lado é que ela vai acordar da cama nessa manha. 

 

Apesar de ser assim, e a maioria das pessoas do escritório não se dar bem com ela, como eu gosto de manter o bom ambiente de forma geral, até que tenho conseguido lidar relativamente bem com ela adaptando-me ao seu humor. De qualquer forma, apercebi-me que neste trabalho, com ela por cima, não ia haver a possibilidade de progredir, de fazer novas coisas, e simplesmente não gostava de estar neste ambiente de trabalho pesado. Por isso mesmo decidi procurar novo emprego. 

 

A partir de Setembro dediquei-me 'a coisa e, sinceramente, apesar de ter um bom CV e experiencia, a procura não foi nada fácil. Dezenas de candidaturas e de telefonemas com empresas de recrutamento, com zero sucesso em conseguir uma entrevista. Para mim, essa foi mesmo a parte difícil foi a de conseguir a entrevista. Por voltas de Novembro/Dezembro apercebi-me que não valia a pena candidatar-me a certos tipos de empregos em ramos diferentes do meu, porque simplesmente não era contactada de volta. Mudei de estratégia e candidatei-me a trabalhos mais semelhantes ao meu actual, para uma indústria semelhante, etc. e, isso finalmente resultou. Fui a entrevistas com 3 empresas e tive 2 ofertas de emprego antes do Natal. Optei por uma delas e entreguei logo a minha carta de demissão no último dia antes de ir para férias. 

 

No entanto, nesse mesmo último dia, eu tinha sido chamada para uma entrevista com uma quarta empresa para uma posição de que eu gostava mesmo muito. Era um emprego de sonho, por isso não podia deixar de tentar. Essa empresa acabou por chamar-me para mais duas entrevistas na semana passada e na sexta-feira ofereceram-me o emprego. Eu estava extasiada! Mal podia acreditar que tinha conseguido aquele emprego. Bem sei que não é 'ético que teria que voltar com a minha palavra atrás 'a outra empresa a que já tinha dito que sim, e estava-me a sentir mal por isso, mas por outro lado, este era um emprego de sonho por isso teria que o fazer. 

 

Só precisava de 2 referências para ficar tudo finalizado com este emprego de sonho, e decidi falar com a minha patroa sobre o assunto. Fui super aberta com ela e expliquei-lhe a situação complicada em que me encontrava e ela foi super compreensiva e aconselhou-me que devia arriscar porque afinal é melhor arrepender-nos do que fizemos do que do que não fizemos, etc. Disse-lhe também que precisava de referências e se ela podia-me dar uma boa referência e ela disse que claro que sim, informou-me que nem sequer 'e permitido por lei dar uma má referência neste país e que claro que, de qualquer forma, esse não seria o caso comigo, estando mais que disposta a dar-me uma. Até me disse para eu lhes dar os dois números de telemóvel dela porque, como ela ía estar esta semana nos EUA, assim podiam contactá-la caso quizessem falar com ela.

 

Nesta terça-feira, ainda eu não tinha dito que não 'a outra empresa já que estava 'a espera de confirmar contratos etc. com este trabalho de sonho, o recrutador telefona-me a dizer que tinha más notícias - a empresa tinha recebido uma muito boa referência e outra que, nas palavras do empregador, era péssima. 'Awful' disse ele. Awful!!! Claro que essa foi dada pela minha patroa. Eu mal podia acreditar! Eu bem sei que ela sente-se muito orgulhosa de dizer que no passado ela já conseguiu mandar uma pessoa para a prisão e conseguiu que outra pessoa nunca mais tivesse a possibilidade de ter um emprego bom na vida dela. Eu bem sei que ela é uma pessoa com um carácter mau, mas nunca pensei que ela fosse fazer algo disto comigo já que nós até que temos mantido uma relação relativamente estável sem grandes problemas durante este tempo que temos trabalhado juntas! Muito menos depois da nossa conversa!

 

Olhando para trás vejo que ela manipulou-me a acreditar que era minha amiga e que ía dar-me uma boa referência sem qualquer intenção de efectivamente o fazer. Porque é que ela fez algo como isto? Não sei. Mas penso que simplesmente ela não gostou do facto de eu ter recebido uma oferta de um emprego de sonho e deve ter achado que isso era felicidade demais para mim.

 

Sim, claro que tenho estado a tentar lutar contra isso e dei mais duas referências que foram muito boas e expliquei como a personalidade dela é, etc., etc. Também tentei apelar ao bom senso dela e mandei-lhe um email super honesto, sem amarguras, apenas factual a pedir para que ela rectificasse o que disse na referência (que ainda não sei o que foi exactamente) durante o telefonema que ela supostamente concordou que ía ter com esta empresa hoje. Ela nem sequer se dedicou a responder ao email e eu sei que ela o leu. 

 

Resultado, com esta situação é mais que certo que esta empresa já não me ofereça o emprego e, mesmo que depois de todas as averiguações que eles têm que fazer, eles mantenham a oferta, já vai ser tarde demais porque eu tenho que assinar o contrato com a outra empresa que já tinha aceite e, obviamente não vou arriscar não ficar com este emprego. 

 

E sim, claro que estou contente com o outro emprego que tinha aceite de qualquer forma, mas quando estava tão próximo de conseguir um emprego de sonho, foi como um balde de água gelada que me caiu em cima. Sinto-me injustiçada, frustrada.

 

Hoje já estou mais calma e estou a tentar ver esta situação mais como uma experiência de aprendizagem para a vida. Não quero passar a desconfiar de todas as pessoas, porque isso não faz parte da minha personalidade e gosto de poder acreditar que há muitas pessoas boas no mundo, mas sem dúvida que vou ser muito mais cuidadosa antes de poder confiar em alguém. Fui ingénua, bem sei.

 

As they say,... live and learn. 

 

Falar em Portugues com emigrantes

Ontem houve uma festa de celebração do nosso novo escritório na empresa. Convidamos clientes, potenciais clientes e parceiros a marcar presença e contamos com mais de 100 pessoas. Foi uma boa forma de apresentar o novo escritório, estabelecer melhor relação com essas pessoas e foi também uma noite divertida.

 

A certa altura a minha chefe apresenta-me uma rapariga que era Portuguesa e faz-nos falar um bocadinho de Português enquanto nos apresentamos. Ela já cá vive desde criança por isso tinha um sotaque totalmente Inglês, mas o que achei estranho é que, depois quando nos estávamos a despedir e já estávamos só as duas, ele pareceu recusar-se a falar Português. Claro, estamos num ambiente em Inglês por isso tem lógica manter a conversa em Inglês durante a noite, mas exactamente na parte do adeus, eu mudei para o Português já que acho que é mais simpático e ajuda a criar um pouco a relação quando falamos com alguém que sabemos que é fluente na nossa língua. Ela respondeu em inglês. Voltei a falar em Português (algo do género - foi um prazer em conhecer-te. Vamos manter em contacto, bla bla) ao que ela responde afirmativamente mas em Inglês novamente.

 

Tudo bem que podia não querer falar em Português, mas achei que não deixou de ser até um pouco falta de educação ela não me responder na língua que eu tinha escolhido falar no final da conversa. Será que sou eu que estou a exagerar? Ela está cá há anos mas tinha um Português perfeito por isso nao percebi o facto de ter ignorado a minha tentativa de me despedir na nossa língua.

 

Enfim,.. se calhar sou só eu. Se calhar é porque ela é emigrante quase a vida toda e não quer mais estar relacionada com o Português, mas achei antipático de qualquer forma.

Situação resolvida

A situação da escritora já está resolvida. Felizmente ela própria percebeu que a coisa não ía dar certo e que não seria capaz de trabalhar no projecto, por isso no segundo dia "de doença" telefonou a dizer que ía ter que desistir. É pelo melhor mas agora isto deixa-me muito atrasada com o projecto. De qualquer forma agora já sei que mais vale estar um bocado atrasada mas encontrar alguém que seja mesmo a pessoa certa para o cargo, do que estar a tentar encontrar alguém à pressa e depois demora mais tempo a explicar-lhe o trabalho do que se eu própria o fizesse. 

 

Obrigada aos que deixaram comentários com conselhos no post anterior. 

Qual é a tua fraqueza?

Já entrevistei vários estagiários e já estive presente em entrevistas liderados por outros mas pela primeira vez fiz uma entrevista sozinha para uma posição permanente (OK, o emprego não é bem permanente, é um contrato a longo prazo e vai trabalhar só a part-time). De qualquer maneira, foi a oportunidade para entrevistar pessoas experientes que estão habituadas a entrevistas  - o emprego é para um copywriter

 

Estou a gostar de fazer estas entrevistas, não só porque é interessante discutir ideias interessantes que os candidatos têm tido mas também ver as diferenças de como as pessoas reajem em diferentes entrevistas e, como assim se torna mais fácil de aperceber-me do nível de competência de cada um. 

 

Não tinha pensado fazer as "típicas perguntas de entrevista" mas uma das candidatas decide falar sobre os seus pontos fortes que se relacionavam com o facto de ser experiente em várias áreas e indústrias e da facilidade que ela tinha em escrever sobre qualquer tópico após efectuar certo nível de pesquisa sobre o mesmo. Como ela mencionou que esses eram seu pontos fortes, ela estava mesmo a pedi-la - "Então e quais são os teus pontos fracos?" - perguntei-lhe. 

 

Ela hesitou um bocadinho mas depois respondeu - "é também o facto de ter muitos interesses" - humm,... quando ela me disse isso fiquei logo com pé atrás - "Então em que sentido é que consideras que ter múltiplos interesses é um ponto fraco?" Ao que ela desenvolveu dizendo que ao ter demasiados interesses nunca se foca totalmente numa área só e, portanto não desenvolve a sua aprendizagem nessa área ao máximo, à excepção da escrita, claro está, porque isso é algo que ela sempre fez e com a qual tem muita experiência. 

 

OK, ao fim da resposta dela voltei a ficar mais positiva novamente. Ela acabou por dar bem a volta à coisa, mas fez-me reparar como esta pergunta pode ter tanta influência numa entrevista já que:

  • se ela dissesse que não tinha fraquezas, não só eu não acreditava como ficava com a ideia de que ela era convencida e tinha uma má atitude.
  • se ela demorasse muito tempo a responder também ía dar uma impressão semelhante à da situação em cima
  • se ela indicasse uma fraqueza que não fosse fraqueza nenhuma também achava o mesmo - tipo dizer que a fraqueza é ser perfeccionista
  • se ela indicasse uma fraqueza que fosse mesmo negativa para o exercer da função para a qual se estava a candidatar também não seria nada bem vista porque obviamente queremos contratar a melhor pessoa para o cargo
  • o tipo de resposta que ela deu foi portanto a melhor - em que indica algo que pode realmente ser visto como uma fraqueza, mas ou não está directamente relacionada com o trabalho para o qual se está a candidatar, como foi o caso, ou dá a indicação de atitudes que tem tomado para minimizar essa fraqueza 

Portanto numa próxima entrevista, já sabem, preparem bem como vão responder a esta possível pergunta.

A estagiária

Em Agosto do ano passado andava à procura de novos estagiários para substituir os actuais que íam voltar para os seus estudos. A primeira pessoa que entrevistei foi uma rapariga Francesa, que procurava um estágio para finalisar o seu mestrado em marketing. Saí da entrevista com a impressão de que ela era simpática mas talvez não tivesse grande potencial para o tipo de trabalho necessário. Então continuei à procura. Entrevistei vários outros candidatos que, ou simplesmente não pareceiam ser nada bons para o estágio, ou achei que as personalidades deles nao íam ser bem compatíveis com a cultura da empresa e equipa. Por isso, ao fim de algumas semanas de procura voltei atrás e decidi contratar a tal rapariga Francesa. De entre todos ainda era a melhor.

 

Ao fim dos primeiros dias de estágio eu já estava arrependida - devia ter confiado no meu instinto e continuado à procura - pensei eu. A rapariga era de facto simpática e divertida, mas também tinha a cabeça sempre no ar. Ela bem que sabe disso, porque claro que falámos no assunto ao longo do estágio e principalmente durante as sessões de revisão do estágio. Ela distrai-se facilmente e, mesmo quando não está distraída, acha difícil perceber aquilo que é preciso fazer. Houveram mais que muitas situações, mas lembro-me perfeitamente de uma mais ao início - estava a explicar-lhe como pesquisar uns dados no Google Analytics. Já sabendo um pouco como ela era, tirei o tempo, sentei-me com ela e expliquei devagar, passo a passo o que ela tinha que fazer para pesquisar a informação necessária:

- percebeste? - pergunto-lhe.

- Sim, sim, percebi.

- OK, então faz lá tu sozinha.

- Humm, carrego neste?

- Não.

- Neste?

- Não.

- Neste (simplesmente outra opção que não tinha nada a haver com nada)?

- Não!

Lá voltei a explicar tudo novamente com muita calma. Ela faz os primeiros passos sozinha e eu deixo-a continuar. Passado uns minutos ela pergunta-me - "E agora que cheguei àquela página que querias, o que é que eu faço mesmo?"

 

Arghhhh!!! Era de puxar os cabelos!!

 

Entretanto ela fez-se muito amiga da Directora de Marketing, que também é Francesa e que não tinha que trabalhar directamente com ela, portanto só conhecia o lado simpático da estagiária. Uma vez a Directora até me disse, meia chateada comigo, que ela sabia que eu não gostava muito da estagiária. Bem, isso não era verdade, que eu também a achava simpática e gostava dela como pessoa. Até já tinha saído à noite com ela e ela veiu à minha festa de anos. Ela assentou que nem uma luva no meu grupo de amigas mais próximas. Mas uma coisa é gostar de sair para uma festa com ela, outra completamente diferente é trabalhar com ela. Essa era a parte que eu não gostava já que foi uma das estagiárias mais difíceis em termos de aprendizagem que tive até hoje.

 

O facto é que, apesar de ser difícil de ela aprender e perceber, também era dedicada e esforçada e, nas tarefas que ela percebia conseguia fazê-las bem e às vezes até ficava tarde no trabalho para conseguir entregar naquele dia. Portanto sem dúvida que não era o tipo de pessoa que eu também quisesse mandar embora a meio do estágio e assim influenciar negativamente a nota do estágio de final de curso.

 

Assim ela foi ficando até ao fim do estágio que terminava em fins de Janeiro, mas eu sabia que a Directora de Marketing estava a tentar arranjar-lhe um emprego na empresa. Não conseguiu encontrar um emprego para ela, mas conseguiu prolongar o estágio por mais 3 meses, na esperança que ao final dos 3 meses já houvesse budget para contratá-la. A parte boa para mim é que a partir deste prolongamento de estágio ela passou a trabalhar directamente com a Directora de Marketing e já não estava na minha equipa. Isso fez com que eu só me tenha dado com ela praticamente para a parte divertida - as conversas de cozinha e noites no pub. Agora damo-nos optimamente já que não temos que trabalhar juntas (ainda bem!). 

 

Entretanto já há budget e a estagiária vai deixar de o ser quando voltar das férias da Páscoa. Eu estou contente por ela ter conseguido o emprego conosco que ela queria tanto, mas a minha Directora quando me disse que ía poder contratá-la confidenciou-me, que de facto ela achava um desafio trabalhar com a estagiária e que a reprimia várias vezes. Mas ao fim de tudo, pela sua dedicação ela queria dar-lhe a oportunidade de tentar melhorar as suas capacidades de trabalho.

 

Ela foi extremamente sortuda com tudo isto porque dificilmente outras empresas íam conseguir mantê-la num emprego semelhante. A nossa Directora de Marketing sendo super experiente e óptima naquilo que faz vai ser uma mentora excelente, e quer demore mais ou menos tempo, acredito que a estagiária vai aprender os fundamentais para conseguir manter-se numa carreira de marketing. Muito provavelmente esse não ía ser o seu percurso caso não tivesse ficado por isso espero que ela efectivamente se aperceba do nível de oportunidade que ela está a ter que lhe pode mudar completamente a vida. 

 

Actualmente tenho a trabalhar comigo 2 estagiários Ingleses. São os primeiros que tenho a trabalhar comigo já que anteriormente tive sempre estagiários de outras nacionalidades - Franceses, Indianos e Polacos. Alguns eram bons, outros médios outros não tão bons. Houve de tudo, mas de forma geral eram inteligentes e agradáveis de trabalhar com eles. No entanto, agora ao comparar o nível de trabalho deles com os dos actuais Ingleses, eu sinto mesmo uma diferença considerável em termos da facilidade e o à vontade que eles têm no trabalho. Eu própria tenho mais confiança que eles mandem e-mails para clientes, que é coisa que os outros nunca tinham feito e sei que posso também contar com eles para escrever artigos, posts, etc. sem ser necessário grandes correcções.

 

Esta experiencia faz-me aperceber esta preferência de forma geral que os empregadores por cá têm pelos cidadãos nacionais. É que se têm experiencias como a minha também se apercebem, quanto eu, que muitas vezes é mais fácil de trabalhar com pessoas que são naturais do país. Claro que isso também depende de trabalho para trabalho, mas percebo o quanto mais, nós como estrangeiros neste país, temos que provar ainda mais que temos a capacidade de trabalho tão boa ou melhor que os nacionais. Eles podem ter tido experiências más no passado e ficarem de pé atrás. Torna-se mais complicado, mais competitivo, portanto, mais uma vez foco como é importante demonstrar os nossos principais pontos fortes logo na primeira entrevista. 

Namoros no trabalho

Segundo uma publicação de Recursos Humanos Inglesa, HRMagazine, 20% dos casais casados conheceram-se através do trabalho e, essa percentagem será muito maior se contarmos com todos aqueles em que a relação não passa de um namoro ou "amizade colorida". 

 

Lembrei-me de verificar esta estatística porque tinha ouvido falar esta semana que 70% dos casais se conhecem através do trabalho!! 70%???? Essa é uma estatística demasiado alta. não podia acreditar. Claro que sim, conheço vários casos de pessoas que conheceram o namorado ou namorada em situações profissionais, mas daí a chegar a uma percentagem tão elevada, não me parece que reflita a realidade até porque acho que muitas das pessoas evitam (ou pelo menos adiam) as relações estabelecidas através do emprego para evitar conflitos profissionais. 

 

E isto da conversa de casais no trabalho começou mesmo porque esta semana lá na empresa começou a trabalhar um novo colega. Quando o vi veiu-me à cabeça dizer-lhe "Hello! How are you doin'?" (só percebe a nota desta expressão quem conhece o Joey da série "Friends"). Isto só para dizer que o rapaz é giro como tudo. OK, tem uma barriguita de cerveja perfeitamente dispensável, mas nada que uns mesitos de ginásio não resolvessem. 

 

O facto do rapaz ser giro claro que provocou alvoroço entre os membros femininos do escritório e daí a conversa de romances no trabalho. Vale a pena arriscar romance com alguém com quem se trabalha diariamente? Geralmente quando se está enamorado de alguém até que as horas no trabalho ajudam a dispersar a mente desse alguém. Mas agora se esse alguém está sentado umas cadeiras ao lado, a concentração não vai ser tão fácil de manter. Pior ainda é se a relação com esse alguém acaba. Quer seja de forma mutuamente acordada ou não; quer tenham decidido ficar amigos ou passaram a odiar-se; não deve ser nada fácil ter que ver essa pessoa todos os dias durante várias horas. 

 

Claro que existem também casos e casos. Em grandes empresas, onde as pessoas se dividem por diferentes andares e departamentos a coisa já não é assim tão má porque não têm que necessariamente ver-se diariamente desde que trabalhem em áreas separadas. Também não será tão mau se essa relação se estabelecer com clientes porque não têm que necessariamente os ver frequentemente. O pior será mesmo se o cliente fôr importante para a empresa e decidir deixar de ser cliente por causa de uma má relação amorosa. 

 

Lá na empresa já tivemos uns quantos casos que efectivamente deram para o torto - um casal ainda começou meio sem ninguém saber, ao fim de uns meses oficializaram para o resto do escritório que estavam numa relação até que ele lá a traiu com a ex à cerca de um mês atrás. Outro andou com ela 6 meses. A meio da relação ela traiu com outro nosso colega na passagem de ano. Mostrou-se muito arrependida, ele perdoou-a e lá continuaram mais uns meses até ele descobrir que ela e o outro nosso colega lá voltaram aos amassos. Resultado, agora os 3 estão chateados e só desejam que ela se vá embora e, principalmente o ex-namorado já não a pode nem ver, o que é um pouco impossível dado que o nosso escritório está em open plan e somos apenas umas 40 pessoas. Enfim,... só filmes. 

 

Resultado, a conclusão a que chegámos da conversa é que, num escritório tão pequeno quanto o nosso, a não ser que estejam mesmo extremamente apaixonados e que já se conheçam bem é melhor evitar relacionamentos no trabalho que só podem trazer complicações que vão transtornar a vida negativamente de uma forma muito mais forte do que os momentos alegres que essa relação possa trazer.