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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Não me toques que me arrepelas!

Alguns comentários ao post anterior fizeram-me lembrar de como existem diferenças tão grandes relativamente aos beijinhos ou ao simples toque entre pessoas.

A primeira vez que me apercebi que existiam diferenças a esse nível de cultura para cultura foi quando estava na minha viagem de finalistas do ensino secundário em Lloret de Mar em Espanha. Num dos dias em que lá estive conheci um rapaz Americano que passado um bocado apresentou-me aos amigos Americanos. Ora como é óbvio (pensava eu que fosse óbvio) fui cumprimentá-los com dois beijinhos, mas mal dei o primeiro beijo vi logo a cara de assustado desse primeiro amigo com os olhos muito esbugalhados a olhar para mim e o corpo muito hirto. Parecia que eu lhe estava a fazer algum mal. Bem, mas obviamente apercebi-me de que talvez esta coisa dos beijinhos com a estrangeirada não funcione lá muito bem. E de tal forma me senti mal com a situação que a partir daí decidi sempre que conhecesse alguém estrangeiro ía esperar primeiro para ver o que a pessoa fazia antes de dar algum passo em falso. Afinal não quero deixar ninguém sentir-se constrangido com os meus beijinhos.

Quando vim morar pela primeira vez para Londres nos meus tempos de Erasmus é que me fui apercebendo de que dependendo dos países, em alguns casos é normalíssimo cumprimentar as pessoas com beijinhos e noutros casos é melhor nem usar o aperto de mão.

As únicas pessoas que parecem estar sempre dispostas a cumprimentar com beijinhos são os Espanhóis e os Franceses.

Já os Italianos depende um pouco. Reparei que se forem Italianos do Norte de Itália geralmente preferem dar um aperto de mão, enquanto que os italianos do sul estão mais aptos a dar os dois beijinhos. No entanto, como geralmente quando se acaba de conhecer uma pessoa não se sabe se, logo à partida, será do norte ou do sul de Itália, por via das dúvidas é melhor dar um aperto de mão. Os Gregos também parecem estar ao mesmo nível e se há alguns que acham estranho cumprimentar com dois beijinhos, outros acham normalíssimo.

Portanto, de forma geral são as pessoas dos países do Sudoeste da Europa que parecem ter mais o hábito de dar beijinhos ao cumprimentar.

Depois temos as pessoas do centro da Europa de países com a Alemanha, Áustria, etc. e também os Britânicos se podem enquadrar na mesma categoria do tipo de países em que as pessoas se cumprimentam com aperto de mão durante as primeiras vezes que se vêm mas quando são mesmo amigos já dão um beijinho (ou se forem assim pessoas mais abertas até vão à loucura de dar dois). Mas apesar de saber isso tento evitar ser eu a ir avançar com os dois beijinhos e esperar que eles o façam. É que por mais do que uma vez lá fui eu engalgada toda contente por ver bons amigos meus que originam destes países e vou dar-lhes dois beijinhos e, mesmo assim, mesmo conhecendo-os muito bem e à bastante tempo, eu noto que ficam um pouco "assustados" com aquela proximidade toda quer sejam raparigas quer sejam rapazes. 

Lembro-me de uma amiga Alemã uma vez me dizer do quanto odiava que as pessoas lhe tocassem nem que fosse em situações em que está enfiada num metro em hora de ponta e até ao cumprimentar pessoas preferia acenar em vez de dar um aperto de mão. Ela obviamente já estava com uma mentalidade mais semelhante à das pessoas da Europa do norte de países como os da Escandinávia e ex-URSS. Parece que o frio lhes deve ter afectado o seu calor humano porque de facto nestes países muito pouco ou nunca cumprimentam ninguém com beijinhos. Uma amiga minha Filandesa até me disse recentemente que quando vai à Filândia de visita, depois de meses sem lá ir, apenas dá um abraço à mãe. Nada de beijinhos nem de grandes demonstrações de afecto. Pergunto-me como é que estas pessoas conseguem fazer filhinhos se nem um aperto de mão gostam de dar e preferem acenar com a mão ou com a cabeça? Têm que estar sob o efeito da Vodka. Só pode.

Bem, claro também há excepções em todos os casos, mas de forma geral este foi o padrão que encontrei a partir das diferentes pessoas que tenho conhecido. Agora baseio-me pela regra geral em que, em caso de dúvida, dou aperto de mão a toda a gente e está o caso resolvido.

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