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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

O passar da poeira

Agoram que passaram duas semanas desde o sucessido no trabalho tenho visto a evolução do passar do tempo e identificado várias fases após sucessido pelo ambiente que se vê através dos colegas - nos primeiros dois-três dias viu-se o ambiente pessimista no ar. As pessoas não percebiam bem o sucedido e estavam efectivamente chatiadas e zangadas com tudo o que tinha acabado de acontecer na empresa, e que afectava directamente muitos colegas de que gostavam. Depois veio a vaga da 'culpa do sobrevivente', onde cada qual cujo emprego se tinha mantido na empresa se sentia culpado por ter escapado à ronda de despedimentos relativamente aos outros colegas.

 

Para ajudar o ambiente no trabalho, a equipa de Recursos Humanos organizou uma saída de equipa ao mercado de Natal, Winter Wonderland, de forma a animar os espíritos e trazer as pessoas que continuavam na empresa a um ambiente de alegria, e ao tirarmos várias fotos do grupo animado, até decidimos não partilhar as fotos no grupo interno de mensagem instantâneas onde geralmente partilhamos este tipo de coisas, porque as pessoas cujas funçōes foram removidas ainda têm acesso a esse grupo de mensagens até ao final do mês. 

 

Nos dias mais recentes a equipa tem passado pela fase de restruturação ao tentar perceber o que tem que ser feito para melhorar a situação presente em termos de recursos. E esta semana vim encontrar-me com todas as pessos da nova equipa restruturada de Marketing, muitas delas que nunca antes tinha conhecido, na sede da empresa, para ajudar a nos conhecermos a todos pessoalmente e planearmos o próximo ano de 2018. Acho que a decisão de nos encontrarmos todos foi muito importante, tendo em conta as primeiras impressões que tenho tido deste dia e meio que temos passado juntos para já. Quem está cá, está entusiasmado com a ideia de ter viajado até à sede, e da ideia de estar envolvido no planeamento do que está para vir, por isso a fase actual parece positiva, pelo menos para já, e só espero que assim continue daqui por diante. 

 

Ao ver como todas estas fases se têm desenvolvido, tenho desejado que tivesse maior conhecimento de psicologia e de como lidar com as diferentes tipos de personalidades em situaçōes como esta, porque, ao fim e ao cabo, quando situações extremas destas acontecem, cada um demonstra a sua frustração ou opinião pessoal, de forma completamente diferente, e cabe aos seus gerentes saberem como lidar melhor com os diferentes tipos de personalidades para perceberem como têm que dar cada notícia e resolver desentendimentos da melhor forma possível. Vou pesquisar por bons livros de psicologia para tentar perceber e lidar melhor com pessoas no trabalho. Não sei se será melhor ler exactamente sobre psicologia do trabalho ou psicilogia de forma geral. Se alguém tiver sugestões, gostava muito de saber delas. 

 

Como despedir alguém

Esta semana que passou foi uma das mais difíceis que tive no trabalho até hoje. Tinha sido informada na sexta-feira anterior, que a nossa empresa ia ter que fazer cortes de pessoal - 80 pessoas para ser exacta, e no nosso escritório seriam cortadas 19 pessoas, entre elas 3 membros da minha equipa. Os cortes iam ser anunciados na quarta-feira que passou, por isso passei o fim-de-semana e os primeiros dois dias da semana a preparar-me para fazer o inevitável. Durante esses dias também tentei encontrar alternativas para manter dois dos membros da equipa, na empresa, ao encontrar-lhes outras posições dentro da nossa empresa mãe (a empresa que comprou a nossa, no ano passado). Para um deles não seria possível muda-lo para a outra posição que tinha em mente, por ser uma função significativamente diferente daquela que ele actualmente estava a fazer. Assim sendo, o seu posto teria que ser anunciado como estando em risco de terminação, para que ele depois pode-se candidatar-se à outra função. Para o outro, o posto que tinha em mente faria efectivamente a mesma função, mas iria fazer parte de outra equipa, e iria apoiar ambas as empresa, em vez de apoiar só a nossa. Consegui que a sua mudança para o novo posto fosse aprovada, e assim o seu emprego deixou de ficar em risco. 

 

Na quarta-feira, quanto mais se aproximava da hora em que o nosso patrão ia anunciar as más notícias a todos, mais eu ficava nervosa. Eu tinha preparado exactamente o que ia dizer, de acordo com o que me foi enviado a mim e aos outros gerentes de departamento, pelos Recursos Humanos, mas isso não me deixava acalmar. Estava prestes a virar do avesso a vida de algumas das pessoas com quem tinha trabalhado ao longo de mais de um ano, em ambos os casos, por isso não conseguia deixar de me sentir mal pelo que ia ter que fazer. 

 

A primeira reunião que tive nessa tarde, foi com as pessoas da minha equipa cujas funções não estavam em risco, incluíndo a do que eu tinha conseguido mudar para outra função semelhante de forma a não perder o emprego. Eu estava satisfeita por ter conseguido isso, mas ele não ficou nada satisfeito. Foi a pessoa que recebeu as notícias de pior forma e disse que nunca quereria ir trabalhar para a empresa mãe, que agora considerava como a grande, má, empresa corporativa que fez com que os amigos ficassem sem emprego, e que o mudou a ele de função sem o seu consentimento. Ele quase que gritava de tão zangado que estava, o que me surpreendeu totalmente. Parecia que não estava a ter qualquer consideração pelos colegas que tinham os seus cargos prestes a ser eliminados, ao começar a queixar-se que teve uma alteração de equipa, como se esse facto fosse pior que o de ter o cargo eliminado. 

 

As outras reuniões com cada um, a que tive que dar a notícia de que as suas funções iam ser eliminadas, correram melhor. Eles claro que não estavam nada contentes, mas foram mais profissionais do que o primeiro. 

 

De forma geral, não foi nada fácil ter estas conversas, nem passar pelos dias seguintes num escritório que estava reduzido a 60% das pessoas que tinha anteriormente. E como se isso não fosse suficiente, o departamento inteiro de Marketing foi reestruturado para unificar as duas empresas a nível de marketing, o que também feriu algumas pessoas com as mudanças a nível de linhas de gerência. Esse vai ser uma outra dificuldade com que vou ter também que lidar. 

 

Já tinha estado antes numa empresa que fez despedimentos, mas eu tinha sido uma das pessoas a sair, como tal, ainda não tinha passado por este nível de reestrutura e mudanças, e verifico que efectivamente não é um processo que esteja a ser fácil de ultrapassar. Espero pelo melhor para as próximas semanas, mas a ver vamos. Todas as pessoas lidam com situações como esta de formas diferentes, e nem sempre é fácil lidar com todos os tipos de personalidades. Se alguém tiver experiência em lidar com pessoas difíceis no trabalho, gostava de ouvir qualquer conselho que tenham para dar. 

O poder da mulher no trabalho, na vida, na política, na moda - um dia na Stylist Live

Ontem passei o dia no Stylist Live, um evento organizado pela revista Stylist que é oferecida ao público junto às estações de transportes principais de Londres todas as quartas-feiras. Para quem não conhece a revista, a Stylist tem sido um autêntico fenómeno de sucesso dentro das revistas femininas, porque ao contrário da maioria, não se concentra em bisbilhotices sobre as celebridades, mas sim apresenta jornalismo inteligente que trata de temas tais como o papel da mulher no ambiente de trabalho, entrevistas com mulheres que ofereçam inspiração para outras, viagens, eventos e moda. Todos os anos organiza um evento que conta com várias palestras, uma zona de passarelle de modelos, workshops, assim como uma zona de exibição onde há desde cabeleireiros e salões de unhas que embelezam as participantes gratuitamente, até várias marcas de moda, joalharia, comida, bebida, etc. que apresentam os seus produtos e oferecem imensas amostras. 

 

Digamos que passei lá todo o dia e não fiquei aborrecida. Gostei principalmente do que aprendi durante as palestras. A primeira que ouvi foi dada pela fundadora da marca de papelaria Kikki.K, Kristina Karlson, que focou no valor de manter um diário. Ela escreve 3 páginas no seu diário todas as manhãs, mas ao contrário da forma como geralmente pensamos sobre um diário, onde escrevemos para mais tarde recordar, no caso dela, ela escreve para deixar sair todos os seus pensamentos, mas nunca mais volta a ler as páginas que escreveu, e muitas vezes, até queima o que escreveu. A lógica dela é que, ao deitarmos para fora num papel tudo o que vai na nossa mente nesse dia, ajuda a reflectir no que nos tormenta e no que nos torna feliz, ajudando a contrabalançar as ideias e tomarmos acções para o dia que está pela frente. Ainda nunca tinha pensado bem nesse benefício que um diário pode trazer, mas acho que o que ela diz tem muita lógica. Sem dúvida, quando coloco as ideas no papel, ajuda-me a pensar mais sobre elas e a reflectir em possíveis soluções, caso uma solução seja necessária.  Acho que muitas pessoas conseguem alcançar o mesmo tipo de resultado quando fazem meditação. No meu caso, costumo fazer esse tipo de reflexões quando vou correr junto ao canal ou no parque. O ar da rua e silêncio matinal também costumam ajudar-me a reflectir sobre o dia, e sobre as coisas boas e as coisas que me atormentam de forma geral. Mas gostei da sugestão do diário também como uma boa alternativa para passar os pensamentos. 

 

Uma outra palestra que achei interessante foi a discussão entre os autores de dois recentes livros 'Everywomen: One woman's truth about speaking the truth' e 'How not to be a boy'. Respectivamente, estou-me a referir a Jess Phillips, que é uma MP do Partido Trabalhista que representa Birmingham e o actor/comediante Robert Webb. A Jess é conhecida pela sua luta pela presença de mais mulheres no Parlamento e o seu livro fala sobre as várias situações por que as mulheres passam ao longo da vida onde são humilhadas por homens ou forçadas a passar por situações que não querem passar, e o livro oferece ideias e sugestões que podem ajudar essas mulheres a aperceberem-se de que têm o direito e dever de dizer que não, ser mais fortes, acreditar mais em si mesmas, e lutar pelo que querem. O livro do Robert retrata a sua própria infância e as dificuldades por que passou ao crescer como um rapaz sensível que gostava de poesia e detestava desporto numa sociedade onde os rapazes deviam fazer exactamente o oposto daquilo que ele queria, e onde fala também da sua próxima relação com a mãe e da sua dificuldade em ultrapassar a morte dela quando ele tinha apenas 17 anos. A forma como apresentaram os livros foi extremamente atraente, e resultou em grandes filas com pessoas a esperarem para ter os seus novos livros assinados pelos autores. 

 

Outras palestras de interesse foram uma onde Jess Phillips, Catherine Mayer (a co-fundadora do Partido da Igualdade das Mulheres) e Nimco Ali (Activista pelos direitos sociais, geralmente relacionados com a igualdade das mulheres, raça e religião) falaram sobre a importância de cada uma de nós estar atenta à política nacional, a importância do voto, e porque é que não devemos ignorar o que se passa à nossa volta a nível político. Gostei também muito de uma outra onde a empreendedora Debbie Wosskow falou da sua história, lutas e sucessos relacionadas com o lançamento e venda de duas empresas e, do seu actual projecto Allbright, que é efectivamente uma organização que oferece treino  e apoio financeiro para mulheres que também querem lançar a sua própria empresa. Fica a informação sobre esta organização, caso esta venha a ser útil para algumas das leitoras do blog. 

 

De forma geral, foi um dia muito bem passado e voltei para casa cheia de entusiasmo e com novas ideias para aplicar no meu dia-a-dia. 

 

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O que fazer em Londres em Novembro 2017

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Chegámos a Novembro, o mês onde se dá início oficial a tudo o que é celebrações de Natal - é o mês do acender das luzes na cidade, o mês de início dos mercados de Natal, o mês das sandes do Pret e dos cafés do Starbuck's com as suas edições limitadas da época Natalícia. Ora quer queiram ficar já em modo de celebração ou quer queiram fazer actividades que não sejam relacionadas com o Natal, aqui ficam algumas sugestões:

 

Acender das luzes de Natal  - O que é? Os eventos do acender das luzes de determinadas zonas de Londres, geralmente contam com a presença de uma celebridade ou animação de rua para marcar o momento. Quando? Cada rua ou área tem um dia específico. Ficam as datas principais. Oxford Street: 7 de Novembro; Carnaby Street: 9 de Novembro; Bond Street: 9 de Novembro; Convent Garden: 14 de Novembro; Marylebone: 15 de Novembro; Seven Dials: 16 de Novembro; Regent Street: 16 de Novembro; St. James Market: 16 de Novembro; Árvore de Natal da Royal Exchange em Bank: 22 de Novembro; St. Katherine's Docks: 23 de Novembro.

 

Mercados de Natal O que é?  Londres enche-se de mercados Natalícios durante esta época. Alguns são mercados Alemães, outros são mercados Suecos, a variedade e localidades são grandes para agradar a diferentes gostos. Datas de abertura de alguns desses mercados ficam aqui: Winter Wonderland: 17 de Novembro; Mercado de Leicester Square: 10 de Novembro. Southbank Centre Winter Festival: 18 de Novembro; Winterville em Clapham Common: 23 de Novembro; Swedish Church Christmas Fair: 23 de Novembro; 

 

Pistas de Gelo O que é?  Patinar no gelo é uma das actividades a não perder em época Natalícia. Adicionem à patinagem, música Natalícia e um 'mulled wine' quentinho, e ficam com a perfeita noite para um encontro romântico ou uma noite em família. Também existem muitos espalhados por Londres, por isso aqui ficam as datas de abertura de alguns deles. Natural History Museum: 26 de outubro; Skylight Rooftop é a única pista de Londres num telhado (da Tobacco Dock em Wapping): 2 de Novembro; Canary Wharf Ice Rink: 4 de Novembro; Somerset House: 15 de Novembro; Pista do Winter Wonderland: 17 de Novembro; Pista da Torre de Londres: 17 de Novembro; Pista de Hampton Court: 24 de Novembro; Pista da Greenwich Wintertime Festival: 1 de Dezembro; 

 

Syan Park Enchanted Woodland O que é? Este parque, pode não ser o mais acessível para todos, mas contém uma atracção com instalações de luzes por uma grande área de bosque, que torna a visita atraente a pessoas de todos os lados de Londres e de fora da cidade, principalmente famílias. Quando?  De 10 a 26 de Novembro.  Quanto? Bilhetes por adulto a £10 mas mais baratos em pacote de família.  Onde? Syan Park, Brentford. 

 

Finnish Rooftop Sauna O que é?  Como o nome indica, esta é uma sauna à moda Finlandesa. A parte interessante é que está a ser instalada, por um período limitado, no terraço do Queen Elizabeth Hall como parte do Festival nórdico.  Quando?  10 de Novembro a 30 de Dezembro. Quanto?  Entre £15-£25. Onde?  Queen Elizabeth Hall Roof Garden, Southbank.

 

Doc n Roll festival  O que é?  Conta com a exibição de filmes relacionados com o Rock n Roll. Quando? Até dia 19 de Novembro. Quanto?  Rondam as £12 dependendo dos filmes.  Onde? Vários cinemas

 

Lord Mayor's Show O que é? Conta com uma parada pelo centro de Londres durante o dia e fogos de artifício junto ao Tamisa ao início da noite. Quando?   11 de Novembro. Quanto?  Gratuito.  Onde?  City of London e junto a Bankside e Southbank.

 

Crafty Fox Market  O que é?  Um mercado pop-up de artesanato que também conta com comes e bebes na Battersea Power Station.  Quando?  24 a 26 de Novembro.  Quanto?  Entrada gratuita  Onde?  Battersea Power Station

 

A influência da música tradicional

Obrigada a todos que comentaram no post 'Música Tradicional Portuguesa antiga' com ideias e sugestões de música e outros incentivos que poderiam ajudar a despertar as lembranças da minha avó. Infelizmente da primeira vez que coloquei a música, ela não lhe ligou quase nada. Tentei passar várias músicas na tentativa que alguma lhe dissesse algo, mas nada. Ela simplesmente começou a falar de outras coisas que nada tinham a haver com a música que estava a ser tocada. 

 

Mais ao final da tarde, voltei a pôr a música a tocar e, as outras senhoras que estavam sentadas junto a ela ali na sala de estar do lar, começaram a cantar e bater palmas. Então, eu dou-lhe de dançar assim estilo dança de rancho (não que eu perceba nada de rancho, mas acho que me safei que elas não se pareceram importar). Aí finalmente, como a minha avó se apercebeu de todo o alvoroço que aquela música estava a dar, ela também começou a bater palmas e a sorrir 

 

Não foi bem o efeito desejado porque não fez com que lhe activasse a memória, mas ao menos valeu porque lhe trouxe alguma animação e sorrisos. 

 

Para a próxima experimento o cheiro como activador da memória, tal como foi sugerido num dos comentários. Obrigada novamente a todos que comentaram. Sem dúvida que utilizei muitas das sugestões de música indicadas. 

 

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Sintra. Foto tirada durante a minha recente visita a Portugal