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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Uma Londres sem Uber

Quando as notícias surgiram na sexta-feira, eu mal queria acreditar no que estava a ler - a TFL retirou a licença ao Uber a contar a partir do final deste mês, e como tal o Uber vai deixar de poder operar em Londres. 

 

O Uber chegou a Londres, e ao mundo, com um conceito extremamente inovador, e alterou por completo a forma como eu, e muitos de nós, viajamos por distâncias curtas. O Uber tornou possível a ideia de eu não voltar para casa à noite de Autocarro Nocturno e andar nas ruas sozinha desde a paragem até casa, mas pagar antes por um táxi operado pela Uber. A diferença de preço é mais que significativa. Ainda me lembro da minha primeira viagem de Uber. Custou-me £7 uma viagem de Green Park a Stoke Newington. £7!!! Na altura, num mini cab normal custaria pelo menos £15. E seria pelo menos £25 num táxi de Londres. Os anos foram passando e, hoje provavelmente custaria-me cerca de £15 pela mesma viagem, mas o preço de um mini cab normal e de um táxi também seria um pouco mais elevado. Mas para além do factor preço, aprecio a aplicação do Uber em si - o facto de poder ver o número de estrelas de cada taxista que está associado à experiência de outros passageiros; o facto da informação de cada taxista estar disponível com o Uber, pelo que se torna uma aplicação muito mais segura do que noutro tipo de táxi onde não consigo identificar quem é aquela pessoa que confiei que me conduza ao meu destino. Além disso, o app torna a experiência de marcar um táxi imediatamente, extremamente fácil, e sem ter que ter as preocupações de ter dinheiro suficiente comigo nem ter que pensar no que é apropriado deixar de gorjeta. O Uber permitiu tornar viagens de carro muito mais acessíveis, por isso no momento em que li as notícias, só queria demonstrar o meu descontentamento. E comigo, muitas mais pessoas também o demonstraram, com mais de meio milhão de pessoas a assinar a petição do Uber contra a decisão da TFL durante as primeiras 24 horas. 

 

No entanto, não deixei de pensar na razão exacta porque a TFL está a ser tão exigente, e qual é a importância dessas mesmas exigências. Segundo a TFL, as razões porque decidiu contra a renovação da licença do Uber referem-se à falta de satisfação da forma como o Uber demonstra manter as regras que a TFL estabelece necessárias para todos os outros fornecedores de serviços de transporte em táxi em Londres. Elas são:

  • A forma como abordam queixas à polícia de ofensas criminais sérias
  • A forma como abordam a verificação de certificados médicos
  • A forma como abordam a verificação de historial (prisional, referências, etc.) dos taxistas
  • A forma como abordam o uso do Greyball em Londres (uma tecnologia que permite fazer selecções de quem vê os serviços normais do Uber, tais como indivíduos que tenham sido 'blacklisted' que poderão ser criminosos ou que poderão ser também oficiais regulatórios - dependendo de quem está a falar do Greyball, existem diferentes explicações para a justificação do uso do Greyball)

Ora, olhando para esta lista de exigências, faz-me pensar duas vezes sobre a decisão da TFL. Se o Uber não está a fazer as verificações necessárias para os seus taxistas e não apresenta as queixas sérias de taxistas à polícia, também fico com dúvida se quero que deixem esta empresa a continuar a manter operações em Londres. Se bem que o número apresentado de casos de ofensas não relatas à polícia seja mínimo (dois casos em milhares de viagens), mesmo assim, não deixa de haver certo risco, e concordo que o Uber deveria aceitar os termos definidos pela TFL. Não parecem ser termos exagerados. Ou pelo menos, aqueles que são apresentados ao público não parecem ser exagerados. Mas é possível que os detalhes desta situação ainda estejam para ser descobertos. 

 

O Uber vai fazer um apelo a esta decisão e, até haver uma conclusão jurídica, o Uber vai continuar a poder operar em Londres. Sinceramente, eu não quero que o Uber deixe de operar em Londres, mas também quero que sigam as medidas de segurança necessárias. Parece mais que certo que a TFL e o Mayor of London não vão reduzir as suas regras. A pergunta é mesmo se o Uber vai aceitar cumprir com os requerimentos. 

 

Se estiverem interessados em ficar a saber mais sobre o Uber e o seu modelo de negócio, achei interessante ler este artigo.

 

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Portugal em foco na TimeOut Londres

Hoje ao abrir a TimeOut deparo-me com uma secção dedicada à Londres Portuguesa.

 

Todas as semanas a TimeOut apresenta uma página dedicada a uma das 270 comunidades representativas em Londres. Esta semana foi a vez de Portugal e claro que não posso deixar de partilhar. Acho que para quem vive em Londres à alguns meses conhece ou já ouviu falar dos restaurantes e pastelarias indicadas nesta secção, e também sabe que a zona de Stockwell é conhecida como 'Little Portugal'.

 

O que eu não sabia é que o 'fish & chips' tinha sido inventado por judeus Portugueses!?! Bem, segundo a BBC os Portugueses judeus trouxeram o peixe frito a Inglaterra, mas não inventaram o prato. O Daily Mail concorda, mas o Wikipedia não especifica a origem. De qualquer forma, é um novo facto interessante. 

 

A TimeOut procura sempre entrevistar um nacional do país em foco que tenha alguma relação com a comunidade em questão, e no caso de Portugal, entrevistaram a Ana Có que é uma das fundadoras do The Little Portugal Project sobre o qual já tinha falado noutro post

Aqui fica o post da TimeOut:

Portuguese London TimeOut

 (clicar na imagem para ver a imagem aumentada)

 

Uma viagem pela Califórnia

Tenho estado ausente do blog nas últimas duas semanas porque estive a fazer uma 'roadtrip' pelo Sul da Califórnia. Quem segue o Instagrama do blog terá reparado nisso que fui colocando algumas fotos ao longo da viagem.

 

Dia 1

Los Angeles, Venice Beach

Esta é talvez a zona mais relaxada de Los Angeles. É a zona onde vivem os surfistas e, parece que toda a gente que lá vive faz Yoga ou outro desporto qualquer que, nos cafés de manhã, só se viam pessoas vestidas como quem tivesse acabado de sair do ginásio. É aqui também a nova zona de tecnologia da Califórnia que chamam de 'Silicone Beach' com a chegada da Google, Snapchat e outras tantas empresas de tecnologia que se vieram basear na zona nos últimos anos.

Venice Beach tem uma rua cheia de lojinhas giras, cafés, restaurantes, etc. chamada Abbot Kinney Blvd. Aparte dessa rua, o resto da zona é mais espaçada, tal como a maioria das localidades nos EUA, mas existe inúmera animação junto à zona da praia incluindo um parque de skate, a reconhecida 'Muscle Beach' que basicamente é um ginásio ao ar-livre onde o pessoal que lá está gosta de exibir os seus músculos aos turistas (é isso que parece, pelo menos), muitas lojinhas e uma rota de bicicleta. 

 

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Dia 2

Santa Barbara

Conduzindo para norte ao longo da Pacific Coast Highway, que é a rota mais bonita para se conduzir ao longo da Califórnia (em algumas partes, fez-me lembrar muito a estrada de Lisboa a Cascais), chegámos a Santa Barbara. Esta é uma vila muito perfeitinha, muito limpa, onde os edifícios são bonitos, a zona do centro é também mais concentrada e portanto é mais fácil de passear por esta vila à beira-mar. 

 

Dia 3 - Dia 5

La Jolla, San Diego

O dia em que viajámos de Santa Barbara a La Jolla, passámos a maior parte do tempo no carro. Demorámos 5 horas no caminho, sendo que a maioria do tempo foi passado na auto-estrada dentro de Los Angeles. As auto-estradas ali são gigantescas com 8 vias de cada lado em algumas partes da auto-estrada, e no mínimo tinham 4 vias de cada lado, quando nos encontrávamos na zona de LA. Algumas das intersecções eram de loucos onde via estradas a passar por cima à frente, atrás, pelos lados, mais abaixo,.. Sem dúvida que eram um pouco assustadoras em certos momentos e até fiquei surpreendida por não ter passado por qualquer acidente naquelas estradas.

La Jolla em si não era o que esperava. Devia ter feito uma melhor pesquisa, em vez de simplesmente marcar acomodação num local que me tinha sido recomendado. Para já, no centro de La Jolla havia apenas pequenas praias e a praia principal mais próxima ficava a 30 minutos a pé do centro. A vila em si é bonita mas o ambiente e o tipo de lojas e restaurantes da zona atraiam principalmente pessoas de uma faixa etária mais velha, e era uma vila relativamente calma. Para terem uma ideia, a maioria dos restaurantes fechava às 21:30h (sim, para jantar). 

De qualquer forma, aproveitei esses dias para relaxar o que soube muito bem. Se voltasse novamente, preferia ficar na zona de Mission Beach pelo que me apercebi ser uma zona mais interessante onde é possível ficar com uma melhor ideia da vida de San Diego.

 

Dias 6 e 7

Laguna Beach

Esta praia é conhecida pelo bom surf, por isso aproveitei o facto para ter a minha primeira aula de surf. A zona de Laguna Beach é mais animada que La Jolla, e os restaurantes ficam abertos até um pouco mais tarde. É conhecida pelas inúmeras galerias de arte espalhadas pelas ruas e vê-se maior variedade de pessoas de todas as idades nas ruas em comparação com La Jolla. Mas se voltasse novamente queria experimentar ficar numa das localizações mais pequenas antes de chegar a Laguna, tais como Encinitas ou Oceanside ou para o Norte de Laguna, tal como Newport Beach. 

 

Dias 8 e 9

Los Angeles

Desta vez ficámos mesmo na cidade, na zona entre Los Feliz e Siver Lake, que me tinham indicado que são as zonas mais semelhantes ao Este de Londres, zonas que sofreram uma mudança nos últimos anos e que, ao atraírem a comunidade artista para a zona, trouxeram uma nova vida e rejuvenesceram as áreas. Sem dúvida que encontrei vários locais de interesse nestas zonas, mas como é costume, tudo fica distante, e é preciso saber onde se quer ir porque se não, só se anda de um lado para o outro em grandes distâncias onde não há nada para ver. Essa zona ficava também perto de Griffith Park de onde era possível ver a cidade de Los Angeles e o sinal de Hollywood. 

Acabámos por ter que andar de carro quase o tempo todo visto que as distâncias são tão grandes. Passámos também de carro pelas zonas mais populares como Beverly Hills e Rodeo Drive, mas basicamente Rodeo Drive tem imensas lojas de designers onde eu não iria comprar nada por isso valeu mais a pena só passar de carro para ver o ambiente. 

Saímos do carro no Arts District, onde existe uma grande zona de armazéns utilizados como estúdios e galerias, e onde se encontram painéis com grafittis muito bons. Gostei de passar por lá, mas como era feriado estava quase tudo fechado o que foi pena. Gostava de lá voltar a um dia de semana normal. 

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Algumas coisas que descobri durante esta viagem:

  • Os Californianos conduzem relativamente bem, que é preciso conduzir bem nesta quantidade de auto-estradas que eles têm
  • Existe imenso controlo nas praias Californianas e não é permitido levar bebidas alcoólicas, fumar, fazer lugue, ou levar cães para a praia, entre outras restrições que algumas praias têm. 
  • Como não é permitido levar alcoól para a praia, também não existem bares de praia e igualmente snack-bars são poucos ou inexistentes, por isso é preciso ir para a praia preparado com comida ou estar preparado para sair da praia à hora de almoço para procurar qualquer sítio não muito distante. 
  • Os Californianos adoram chamar 'buddy' a toda a gente que acabaram de conhecer. Pode ser impressão minha, mas nunca reparei no uso dessa expressão tão frequentemente noutras zonas dos EUA onde tenha estado. 
  • Yoga, meditação, sumos frescos, comida orgânica, desporto, vida saudável, são essenciais para o Californiano.
  • As pessoas são extremamente simpáticas e conversadoras.
  • Não se devem assustar com o céu nublado da manhã, porque é normal e geralmente está sol por cerca das 11h da manhã
  • Vale a pena visitar a California