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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Top 5 dos produtos mais difíceis de encontrar à venda no Reino Unido

Apesar de já estar a viver no Reino Unido há vários anos, há coisas que vão-me sempre fazendo falta e que é difícil encontrar por cá. Fica aqui o meu top 5 dos produtos mais difíceis de encontrar no Reino Unido à venda em comparação com a facilidade com que os encontro em Portugal:

 

1 - Alcóol etílico

Esta gente deve ter medo de vender alcóol etílico para o caso de alguém ter a ideia de o ir beber. Encontram-no ocasionalmente se pedirem por "surgical spirit" que é basicamente uma versão aguada do alcóol etílico que nem borbulha, nem dói, nem nada nem que se despeje a garrafa para cima de uma ferida aberta.

surgical spirit.PNG

 

2 - Água oxigenada

Também difícil de encontrar mas já existe com maior frequência já que o estrago não é tão grande se alguém beber aquilo - peçam por hydrogen peroxyde. 

hydrogen peroxide.PNG

 

3 - Bacalhau

 Ou "salted codfish" também só conseguem encontrar àparte das lojas Portuguesas, em alguns hipermercados na zona da comida das caraíbas ou em alguns mercados que geralmente vendam produtos das caraíbas. Esse bacalhau, no entanto, não se vende inteiro como o nosso, mas às pequenas tiras por isso podem esquecer o bacalhau cozido com couves porque aquilo que se compra por aí só dá para um bacalhau à brás.

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4 - Escova de dentes com cabeça

Parece estranho, mas vão lá à vossa Boots mais próxima a ver se conseguem encontrar muitas escovas de dentes com a cabeça para tapar a escova quando não a estão a utilizar? Vão encontrá-las em muito menos locais do que possam imaginar. 

escova cabeça.jpg

 

5 - Farinha maizena

Esta é a "cornflour", mas também não há por tudo quanto é mercearia tal como em Portugal. Têm que ir aos hipermercados ou a lojas de comidas alternativas/orgânicas/naturais e afins.

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Sintra - o concelho fantasma de dia e perigoso de noite

Voltei no domingo à noite de umas mini-férias em Portugal. Mini-férias porque afinal, comecei o novo emprego apenas há um mês, e não queria estar já a tirar um longo período mas também não queria deixar de visitar a família. 

 

Tal como habitual, passei o meu tempo em Portugal entre a casa dos meus pais que moram num bairro na linha de Sintra e a aldeia onde mora a minha avó, e o que reparei é que, quer num sítio quer noutro, a população jovem está a diminuir consideravelmente. Isso não é propriamente novidade quando se fala de uma aldeia, mas na zona suburbana de Lisboa? Isso parece-me um pouco estranho visto que, na época em que os meus pais se mudaram para lá, há pouco menos de 40 anos, os bairros ali da zona ainda estavam todos a ser construídos e era a zona favorita para os novos casais colocarem raízes - perto de Lisboa mas onde comprar casa era consideravelmente mais barato. Quando ali vivia, o bairro era um rebuliço de crianças a brincar nas ruas, jovens nos cafés e bares. Agora,... vejo as pessoas da idade dos meus pais e mais velhos, nos cafés e pastelarias, e é só. Crianças são poucas e o bairro de forma geral está muito mais calmo em termos do número de pessoas que se vê nas ruas, mas também é considerado mais perigoso em termos de assaltos, o que dantes não se ouvia tanto falar. 

 

Por outro lado na aldeia da minha avó, começa a ser triste passar naquelas ruas e ver cada vez mais casas degradadas, desprezadas pelos donos ou com placas de "Vende-se" nas janelas que já lá estão há anos. 

 

Fiz uma pequena pesquisa para ver se conseguia encontrar uma justificação para esta diferença. Segundo o Diagnóstico Social do Concelho de Sintra, em relação aos últimos sensos de 2011, a situação no concelho de Sintra em termos de população é que tem a maior taxa de população estrangeira do país, representando 8.65% da população de Sintra o que se refere um valor quase 2% superior ao valor da zona metropolitana de Lisboa. Mas o facto de haver mais imigrantes em Sintra não justifica a população envelhecida.

 

Segundo o INE (2013)  “O Pais mantém a tendência de envelhecimento demográfico, processo que se evidencia na alteração do perfil que as pirâmides etárias apresentam nos últimos anos, quer na base da pirâmide etária – realçado pelo estreitamento, que traduz a redução dos efetivos populacionais jovens, como resultado da baixa de natalidade – quer no topo da pirâmide – pelo seu alargamento, que corresponde ao acréscimo das pessoas idosas, devido ao aumento da esperança de vida, observando-se algum desequilíbrio entre os efetivos masculinos e femininos nas idades mais avançadas” - ora esta lenga lenga toda basicamente significa que o pessoal anda a ter sexo a menos. Isso já trás alguma justificação, visto que há decréscimo do número de bébés.  Também se notou um decréscimo na população jovem dos 30-34 anos entre os censos de 2001 e os de 2011.

 

Outra estatística interessante, é que, segundo a Marktest, referindo-se também aos censos, apesar do concelho de Sintra ser um dos mais populados do país, tem um saldo das deslocações diários negativo ou seja, o número de pessoas que saem do concelho para trabalhar e estudar todos os dias é superior ao número de pessoas que entram no concelho todos os dias. Ora mas se as pessoas apenas estão em Sintra para ir dormir, isto vai um pouco em contra ao que foi anunciado pela Bloom Consulting que colocou o concelho de Sintra na 7ª posição no ranking 'City Brand Ranking' de Portugal, o qual se baseia num critério que avalia cada cidade com base na sua qualidade para viver, negócios e visitar. Ora mas se a maioria das pessoas do concelho nem sequer lá trabalha, como é que o concelho de Sintra recebeu tal posição?

 

Em termos de criminalidade, segundo um artigo da Prosegur, Lisboa e Sintra apresentaram maior ocorrência de criminalidade no país em 2014 - 35% do conjunto de todos os distritos. E finalmente, a nível de emigração, embora não tenha encontrado dados específicos para os residentes da zona de Sintra, nota-se que a nível do país tem havido um forte crescimento do número de emigrantes Portugueses segundo o SEComunidades

 

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Ora com isto tudo dá para concluir que, a população do concelho de Sintra, principalmente no bairro em que os meus pais vivem, está a ficar mais envelhecida porque, apesar deste ser o concelho com maior número de imigração, quem entra no concelho prefere ir trabalhar ou estudar fora dele, o que torna a zona quase fantasma aos dias de semana durante o dia. Além dos mais, com uma taxa de criminalidade elevada, isso previne o interesse dos jovens casais fazerem o ninho por lá, muitos mudam-se para o estrangeiro e, os que lá ficam, não andam com vontade de fazer sexo (ou então protegem-se bem) porque cada vez há menos bébés. Com isto tudo, parece-me que os únicos que estão errados são os tipos da Bloom Consulting que, obviamente não percebem nada de interpretar estatísticas, porque senão não teriam colocado o concelho com um ranking tão elevado.

 

Não digo que Sintra seja um concelho mau para se viver, porque de facto não o é e, Sintra na minha opinião, continua a ser uma das vilas mais bonitas que alguma vez vi. Para além da vila, existem também muitas zonas no concelho com grande potencial para se tornarem atraentes para a população, mas neste momento falta ali qualquer coisa. Falta a criação de uma diferenciação da zona. Falta identificarem aquilo que Sintra tem de melhor e fomentar o seu desenvolvimento tanto a nível do planeamento do território, como de estabelecimentos de comércio, espaços públicos, estabelecimentos de educação, de artes, eventos públicos e outros que transformem Sintra num concelho muito mais atraente do que actualmente é, tal como o merece. 

 

Hackney: Destinação Noite ou Destinação Casa

Hackney é actualmente conhecido como um dos melhores destinos nocturnos de Londres, votado pela Vogue como um dos 15 bairros mais "cool" e "trendy" do mundo. No entanto, o município local entende que o contínuo desenvolvimento da noite de Hackney está a ser detrimente para a zona e quer colocar restrições significativas, limitando as horas em que são permitidas servir bebidas alcoólicas e restringindo a abertura de novos estabelecimentos nocturnos. 

 

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Há cerca de 7-8 anos atrás lembro-me de que, àparte de Shoreditch, que já era popular na altura, não queria entrar em outras partes de Hackney porque era conhecida como uma zona perigosa com gangs, crime de faca, etc. Com essa percepção, Hackney era também uma zona mais barata para alugar ou comprar espaço de trabalho e para viver. Assim sendo, a comunidade artística na procura de tais espaços baratos, começou a mudar-se para Hackney. Com essa comunidade vieram também novos cafés, restaurantes independentes e estabelecimentos nocturnos. 

 

Aos poucos e poucos, Hackney tornou-se um destino popular e, hoje em dia, está talvez um pouco popular de mais, sendo que a zona de Shoreditch foi levada ao extremo da popularidade e de levar a noite ao exagero. Ainda ontem passei por lá. Por volta das 3h da manhã, as ruas estavam muito sujas com garrafas de cerveja, outras bebidas e restos de comida espalhadas pelo meio das ruas, com pessoas com ar completamento destruído a vomitarem-se pelo passeio, sirenes de polícia por todo o lado,... Existe uma falta de controlo da população que aproveita a noite e isso nota-se principalmente em Shoreditch, e cada vez mais também em Dalston. Penso que seja exactamente por isso que agora o município local está a considerar tomar medidas drásticas para restringir essa situação ao sugerir a seguinte proposta:

  • Os estabelecimentos nocturnos passam a ser restringidos a servir álcool apenas até às 23h de domingo a quinta-feira, e até às 24h às sextas e sábados à noite.
  • Os takeaways vão ter que fechar pelas 23h ou 24h dependendo da sua localização.
  • Novos bares e restaurantes na zona de Kingsland Road e Stoke Newington High Street vão ter que fechar no máximo às 23h de domingo a quinta-feira e às 24h às sextas e sábados.
  • Estabelecimentos com grande capacidade de pessoas não vão ser permitidos.
  • Novos estabelecimentos nocturnos na zona de Shoreditch não vão ser permitidos abrir a não ser em casos de algumas excepções.

Podem ler toda a proposta aqui.

 

Percebo que algo deve ser feito para melhorar o ambiente nocturno de Hackney, mas penso que tais restrinções não sejam a solução. Com essas medidas o município parece estar a dizer que tem que tratar os locais como crianças dizendo-lhes o que podem ou não fazer e mandando-os cedo para casa. Talvez a solução passe mais por uma questão de educação, não só da população, mas dos próprios estabelecimentos, para que controlem melhor o ambiente dos seus estabelecimentos e que parem de servir quando virem que o consumidor ja está demasiado embriagado. Talvez essa seja uma possível solução que ajude a manter algum controlo sem ter que estar a 'castigar' a população inteira pelos exageros e desordem instigada por alguns. 

 

Perante as notícias, foi lançada uma campanha contra estas propostas através do novo site WeLoveHackney. Quem quiser dar a sua opinião relativamente à proposta apresentada directamente ao município, poderá fazê-lo aqui.

 

 

O novo carnaval de Notting Hill é em Brixton

Não sabia bem o que esperar da versão mais pequena do Carnaval de Notting Hill, que era como tinham caracterizado o Brixton Splash, mas essa descrição retratou bem o evento. As ruas que circulam toda a zona do mercado até a praça do cinema Ritzy estavam recheadas com uma multidão que dançava ao som do reggae vinda dos vários palcos de música. A música, decorações, comes e bebes, estavam muito influenciados pelo que é tradicional nas illhas das Caraíbas e, sem dúvida que o ambiente era de alegria e de festa. 

 

O evento já decorre há 10 anos e cada ano tem vindo a crescer consideravelmente consoante amigas minhas que tinham ido noutros anos. A desvantagem, é que ao ter crescido tanto, aquelas ruas já parecem pequenas demais para aguentar a população que vem para os festejos e, em certos momentos era difícil de conseguir atravessar. Penso que, para que o evento continue a ter sucesso, terão que extender o número de ruas envolvidas no evento para que as pessoas se espalhem um pouco mais e o evento se torne mais confortável. Sem dúvida que a confusão me fez relembrar o Carnaval de Notting Hill, por isso acho que já fiquei satisfeita com a minha dose de carnaval por este ano. 

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 A festa no terraço em Coldharbour Lane, tinha a melhor vista para o evento

 

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 Soundsystem na Atlantic Road

 

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O que fazer em Londres em Agosto 2015

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E chegámos a Agosto. Fui relembrada hoje pela manhã por uma amiga minha que se lembrou de me enviar uma mensagem com o link para esta música. Isto é que foi uma rambóia logo pela manhã com o som a bombar tal pérola da música Portuguesa. Fez-me ficar com vontade de ir a um dos bailes da terra onde já não vou há sei lá quantos anos. Bailes da aldeia vão estar em cheio este mês por Portugal inteiro a animar o pessoal com som do Dino Meira e afins. Por aqui, não temos esses bailes mas olha, há outras coisas:

 

Brixton Splash O que é? Uma versão pequena do Carnaval de Notting Hill que conta com uma procissão carnavalesca, palcos com DJs ao ar-livre e muita Jerk Chicken caríbeana. Quando? Domingo, 2 de Agosto. Quanto? Grátis. Onde? Pelas ruas de Brixton. Estação? Brixton.

 

First Thursdays O que é? Este evento decorre na primeira quinta-feira de todos os meses e refere-se a mais de 150 galerias no Este de Londres estarem abertas até às 21h desse dia. Geralmente são organizados outros eventos especiais e algumas galerias oferecem bebidas, algumas têm animação de rua, etc. Como está a decorrer actualmente a exposição trienal da Whitechapel Gallery The London Open, acho uma boa oportunidade para lá ir. Quando? 6 de Agosto. Quanto? Gratuito Onde? 150 galerias no Este de Londres  

 

Evento Social InterNations - Gold and White Party O que é? Evento organizado pelo InterNations com o objectivo de socialização para se conhecer pessoas novas. Este mês, o principal evento vai ser uma festa temática de 'Branco e Dourado' no reconhecido bar/discoteca Kensington Roof Gardens. Quando? Sexta, 7 de Agosto. Quanto? Grátis ou £10 dependendo do tipo de membro. Onde? Kensington Roof Gardens. Estação? Kensington High Street.

 

Visions O que é? Festival de música indie, electrónica, mellow, punk, craft beer, street food e tudo o que seja extremamente "arty" e "cool" a decorrer num só dia nos bares underground de Dalston e arredores. Quando? Sábado, 8 de Agosto. Quanto? £35. Onde? Vários bares, pubs e discotecas em Hackney.  

 

London South Korean Festival O que é? Apresentação de arte e cultura tradicional e contemporânea da Coreia do Sul. Quando? Domingo, 9 de Agosto. Quanto? Grátis Onde? Trafalgar Square.  Estação? Charing Cross ou leicester Square.

 

Exibição de Joana Vasconcelos: Material World O que é? A artista Portuguesa Joana Vasconcelos tem em exposição 40 peças do seu trabalho ao longo dos anos, incluíndo uma aranha côr-de-rosa gigantesca em Londres numa galeria numa das praças mais tradicionais e ricas de Londres - Berkeley Square em Mayfair. Quando? Até 28 de Agosto. Quanto? Grátis. Onde? 30, Berkeley Square. Estação? Green Park.

 

Notting Hill Carnival O que é? Todos sabemos o que é - o maior carnaval Europeu, com dezenas de zonas de festas de rua, milhares de pessoas e uma energia e animação incríveis. Quando? 30 e 31 de Agosto. Onde? Notting Hill. Estação? Várias. Ver site para horários porque nem todas estão abertas durante o carnaval.

 

BBC Proms  O que é? Festival de música clássica anual que é oferecido ao público a preços muito mais reduzidos do que o preço habitual de concertos clássicos.Quando? Até 12 de Setembro.Onde? Royal Albert Hall. Estação? Kensington High Street.