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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Já tenho novo "geek"

E na quinta-feira lá realizei as duas entrevistas aos candidatos ao estágio.

Nunca tendo estado antes do lado do entrevistador finalmente consegui-me aperceber do que este lado pensa perante certas atitudes e respostas do entrevistado. Foi como um estalo de alerta que recebi. É que algumas coisas que os entrevistados disseram ou a forma como as disseram deram-me logo uma má impressão. Mas depois pensei - "espera lá. Eu já fiz isto. Oh, e fiz aquilo também. Oh, não!!!" Apenas então me consegui realmente aperceber dos erros que as pessoas cometem em entrevistas de emprego, que eu própria já fiz várias vezes, mas que nunca tinha pensado neles como algo errado. Alguns exemplos foram:

 

- Demorar demasiado tempo a responder a cada pergunta por dar informação excessiva e demasiado detalhada. -  Um dos casos estava relacionado com uma pergunta que tinha feito ao primeiro candidato relacionada com as fontes de onde vinham potenciais clientes para ele entrar na base da dados. Ao que ele respondeu que existiam imensas formas, "esta e aquela, e a outra, ah e de tal forma que caso fosse assim seria assado,..." já me tinha dado imensas fontes o que respondia perfeitamente à minha questão em que basicamente só me queria aperceber se eram diferentes fontes ou não. Então eu já ía começar a fazer a nova questão quando ele de repente se lembra de outras fontes ainda e demorou mais uns dois minutos a dizer "ah e havia também assim e assado e aquele outro,...". Resumindo, sejam sucintos por favor. Eu própria já fiz exactamente este tipo de erros, mas depois desta acho que aprendi a lição.

 

- Inventar trabalho. - Ao segundo candidato tinha-lhe perguntado se ele sabia o que era um sistema de CRM. Ele disse o significado da sigla, "Customer Relationship Management", mas pediu-me para lhe relembrar o que era exactamente. Depois de lhe ter explicado ele diz "ah sim, claro que já trabalhei com CRM, já foi há algum tempo daí não me ter ocurrido agora, mas de facto... e lá continuou explicando o que tinha feito com o CRM usando a mesma explicação que eu tinha acabado de lhe dar como exemplo de situações para uso do CRM. Resumindo, não inventem coisas que não tenham mesmo feito. Neste caso, eu não estava necessariamente à procura de alguém que já tivesse conhecimentos de CRM visto que é apenas um estágio logo é mais normal que a maioria das pessoas nunca tenham trabalhado com CRM antes. Mas o facto de que ele andou para lá inventar trabalho, o que deu perfeitamente para eu me aperceber de que ele estava mesmo a inventar dada a sua resposta, só deu mais uma imagem negativa dele. E aqui está mais um erro que eu própria também já cometi em entrevistas de emprego.

 

- Esconder informação no curriculum mas admitir que a escondeu durante a entrevista. - Ao primeiro candidato, quando eu lhe perguntei para me falar um pouco sobre si e sobre a sua experiência até agora, quando ele chega à parte em que fala sobre a sua experiência mais recente, diz-me que terminou este ano o MBA dele. Eu - "ah, um MBA? Espera lá, aqui não fala nada sobre um MBA neste CV. Este não é o teu CV?" Neste momento até fiquei embaraçada a pensar que tinha impresso o CV errado. Mas ele confirma que aquele é o CV dele e que propositadamente não colocou no CV que tinha um MBA porque os empregadores tendem a achar que ele tem demasiada experiência e não o aceitam por ser demasiado qualificado. Obviamente apesar dele achar que esse seria uma razão para não o contratarem deve ter tanto orgulho no seu MBA que não conseguiu evitar dizer que o tinha feito. Neste caso não foi problemático porque o estágio tinha explicitamente indicado que era não remunerado, por isso só se candidata quem quer. Se ele, com o seu MBA, não tem problemas de estar alguns meses num estágio não remunerado, eu também não tenho quaisquer problemas que ele lá esteja. Além disso, eu bem sei a frustração que é candidatar-me para um emprego que queria muito ter por várias razões apesar de ser uma posição inferior do que a que tinha naquele momento, e de como me senti mal por ter sido rejeitada por ser demasiado qualificada. Por isso, claro que esse não ía ser um factor negativo da minha apreciação do candidato neste caso. Mas de qualquer forma, acho que outros empregadores não íam achar muito positivo que ele tivesse mentido no CV. O que essa atitude demonstra ao empregador é que, se o candidato mente no CV pode mentir noutras ocasiões. Resumo, se mentirem no CV, ou porque querem esconder um emprego não relevante ou algo do género, ao menos mantenham-se fiéis ao que está escrito no CV e não apareçam com "surpresas" no momento da entrevista.

 

- Nervosismo. - Este é um factor difícil de ultrapassar mas de facto dá sempre aquela impressão negativa de fraqueza da pessoa. Tanto um como o outro demonstraram nervosismo durante quase toda a entrevista. E apenas se estavam a candidatar a um estágio não remunerado! Se a voz deles já tremelicava quando respondiam a questões numa entrevista para um estágio nem quero pensar como ficam numa entrevista para um emprego. Este é um factor que aprendi a grande custo que dependia da forma como eu encarava a entrevista. Principalmente nas entrevistas para empresas em que eu queria mesmo muito trabalhar, estava sempre muito nervosa. A minha voz tremelicava, eu sabia que a minha voz estava a tremelicar, mas não conseguia parar. Extremamente frustrante! O problema é que depois não passava a segundas fases de entrevista. Lembro-me particularmente da última vez em que estive numa entrevista de uma empresa em que absolutamente adorava trabalhar. Consegui passar à segunda entrevista, mas nessa segunda entrevista eu estava mesmo muito nervosa. Acabaram por me dizer que eu era demasiado qualificada, mas fiquei tão desanimada com a falha que a partir daí a minha forma de ver entrevistas mudou radicalmente e comecei a pensar "OK vou ter esta entrevista. Se passar, passei, se não passar não é o fim do mundo. Nenhuma vai ser numa empresa tão boa quanto aquela que eu perdi, por isso já não há a mínima razão para ficar nervosa para mais nenhuma entrevista. Qualquer entrevistador não deixa de ser uma pessoa normal quanto eu, por isso é só imaginar que estou a ter uma conversa de café com o entrevistador e vou-me sentir mais à vontade". E a partir daí já não estava quase nada nervosa nas entrevistas e nas restantes que fiz passei sempre para segunda e terceira fases, e comecei a ter ofertas de emprego. Naquelas em que não fiquei os entrevistadores começaram-me a dar razões válidas a nível da experiência pelas quais eu não fiquei. Fez mesmo efeito o facto de já não estar nervosa nas entrevistas. É que assim, com o facto de se estar descontraída não só me consegui focar mais nas respostas que dava mas isso transmite a ideia de ser uma pessoa com personalidade forte. Definitivamente o facto de se estar nervoso ou não não demonstra se a pessoa vai ser ou não capaz de fazer o trabalho, mas é aquela primeira impressão que conta na entrevista e o entrevistador não tem mais nada em que se basear senão o momento de entrevista e eventuais referências ou portfólio que a pessoa tenha, mas sem dúvida que a entrevista é uma parte fulcral na decisão final por isso vale a pena perderem tempo com exercícios mentais para tentarem evitar os nervosismos.

 

Quanto à minha escolha, decidi-me pelo primeiro candidato mesmo que, apesar dos nervosismos, das mentiras no curriculum e das longas respostas, efectivamente pareceu ser um "geek" daqueles que não vai precisar de muito tempo de treino para perceber o que tem que ser feito. Para ser sincera o facto do MBA dele deixou-me assim um bocadinho de pé atrás, até porque ele até tem ar de ser ou da minha idade ou um pouco mais velho, daí ser uma situação um pouco estranha ao tê-lo como estagiário, mas sinceramente acredito que é o candidato ideal para o que é necessário fazer por isso foi ele mesmo e nem precisei sequer considerar convidar outras pessoas para entrevista. Começa já na segunda-feira.

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