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Tuga em Londres

A vida de uma Lisboeta recentemente Londrina.

Na casa nova e com Internet

E já está. Demorei a dar notícias por falta de Internet na nova casa, mas agora já voltei à ação. 

 

Já me mudei à 19 dias mas devo dizer que a casa ainda está longe de estar pronta. Ainda nunca me tinha mudado para uma casa que não tivesse mobilada e a experiência involve muitas noites a dormir num colchão no chão; dúvidas sobre que mobília comprar e afins. Ou seja, com falta de mobília, a minha sala ainda se encontra em estado de armazém. 

 

É engraçado e interessante tomar as decisões sobre o que comprar para decorar a casa, mas gostava que as coisas podessem avançar mais rapidamente. Este mês não calho a estar em Londres um fim-de-semana que seja, por isso não tenho tido oportunidade para parar e ir fazer compras e arrumações mais a sério. Como tal tenho feito coisas aos poucos e poucos após o trabalho.

 

Neste momento tenho a cozinha praticamente arranjada com alguns detalhes de decoração a faltar. Falta-me comprar um móvel e prateleiras para a casa de banho para poder ter mais arrumação; e no quarto já tenho a mobília mas ainda tenho que arranjar mais divisões no guarda-fato para aproveitar o espaço para ter mais arrumação. Na sala é que ainda só tenho o sofá. E finalmente ontem recebi a mesa e cadeiras para a varanda. Finalmente tenho uma mesa! Devo dizer que viver 2 semanas e meia a comer com o prato ao colo ou sentada no chão não é das coisas mais confortáveis.

 

Agora este fim-de-semana vou para Portugal. Já não vou desde o Natal porque andava a adiar devido à situação da casa mas já é tempo de uma visita. Estou ansiosa!

 

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Quadros que esperam ser pendurados um dia

 

1 Semana para a casa nova

E finalmente estou a chegar ao momento em que a ideia da  nova casa finalmente se vai poder concretizar. Estou a uma semana de fazer as mudanças, e este fim-de-semana comecei a tratar de empacotar as minhas coisas. Pensei que fosse arrumar quase tudo este fim-de-semana mas ainda longe disso. Demorou-me imenso tempo para começar, e uma vez que me decido que vou, por exemplo, arrumar tudo das prateleiras, quando essa tarefa acaba vem a dúvida sobre qual a melhor zona onde continuar. 

 

Entre tudo já tenho umas 9 caixas cheias, algumas malas, e ainda quase não toquei na minha roupa nem nas coisas da casa de banho e também ainda tenho algumas coisas da sala para arrumar. Parece que isto nunca mais acaba e já passei imensas horas em arrumações. Mas também tenho tido cuidado para tentar identificar as coisas de que não vou precisar para poder dar para uma loja de caridade ou levar para a próxima 'clothes swap' que costumo fazer com as minhas amigas. 

 

O engraçado é que quem me vai substituir no meu quarto atual vai ser uma rapariga também Portuguesa que ficou a saber que o meu quarto ía estar disponível a partir do blog e, calhou que os meus flatmates gostaram dela e que as nossas datas de mudança calharam certo. 

 

Neste momento estou a escrever do meu quarto a olhar para a janela e vem-me uma certa nostalgia porque adoro esta casa e este quarto. Gosto muito de olhar para as casas do outro lado da rua e ver a trepadeira que se estende sobre uma das paredes. Estou aqui a viver à 3 anos, anos esses que foram cheios de experiências e, o fato de viver nesta zona contribuiu imenso para que todas essas experiências podessem decorrer. Vou ter saudades de viver aqui, mas ao mesmo tempo estou muito entusiasmada com a ideia de viver sozinha. Acho que é bom sinal sentir esta nostalgia, mas mal posso esperar para ter o meu espaço sem o ter que partilhar.

 

Estas é a fase de empacotamento em que me encontro de momento:

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A preparação para o Passaport

E chegou isto:

 

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É o livro oficial para estudar para o teste 'A Vida no Reino Unido' que é necessário passar para poder efetuar uma aplicação para obter o Passaporte Britânico.

 

Eu bem sei que ainda nada está decidido e que, mesmo quando fôr efectuada a saída da União Europeia pelo menos os atuais residentes provenientes da União Europeia no Reino unido vão ser permitidos ficar. Mas mesmo assim, eu prefiro tirar a cidadania e evitar quaisquer outras burocracias futuras. 

 

Depois de já estar aqui a viver à 11 anos não me parece que fosse mesmo precisar de um livro que me ensinasse como é que é a Vida no Reino Unido, mas se vou fazer o teste, achei por bem comprar o livro nem que seja por curiosidade de ver o que têm lá escrito. 

 

Só é permitido fazer este teste a quem já esteja a viver à pelo menos 5 anos no Reino Unido por isso achei que até fosse aprender qualquer coisa com este livro e que não deveria ser tão básico assim, mas ao dar uma breve vista de olhos pelo livro, isto é o que encontro:

 

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"Os pubs são um elemento importante da vida social no Reino Unido..." A sério?! Ora que nunca tinha reparado nisso 

 

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"Muitas casas têm jardins e os Britânicos gosta de passar o seu tempo livre a cuidar dos jardins..." Bem, este livro está a demonstrar trazer um rio de conhecimento que nunca mais acaba!

Uff, quase que não dá para acreditar que efetivamente têm este tipo de artigos neste livro. Mas então. Já comecei a ler do início e contam um bocadinho da história do país também por isso, menos mal. Sempre traz algumas informações sobre as quais não conhecia antes. 

O que fazer em Londres em Julho 2016

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Ora um dos eventos importantes deste mês já sabemos qual vai ser - o jogo de Portugal contra a França na final do Europeu 2016. E para quem gosta de ténis, no mesmo dia decorre a final do torneio de Wimbledon. Mas não é só de desporto que tenho para falar neste post por isso em baixo ficam mais algumas ideias:

 

Keeping up with the Jones O que é? Pop up artístico imersivo em que o público é convidado a interagir com os vários elementos dos diferentes quartos incluíndo electrodomésticos gigantes e detergentes comestíveis. Quando? De 7 a 10 de Julho. Quanto? De £17.50-£52.50. Onde? Clerkenwell.

 

Sommerset House Summer Series O que é? Vários concertos ao ar-livre incluíndo Everything Everything, James Morrison, e Laura Mvula.  Quando? De 7 a 17 de Julho. Quanto? De £29.50-£35. Onde? Aldwich.

 

MoreinCommon PicNic contra o Brexit O que é? Uma manifestação pacífica sobre a forma de picnic para que quem está contra o Brexit se encontre, partilhe ideias, discuta possibilidades. Quando? 9 de Julho. Quanto? Gratuito. Onde? Green Park.

 

Lovebox O que é? Festival de música que conta com artistas como LCD SoundSystem, Major Lazer, Katy B, Mo e outros. Quando? 15 e 16 de Julho. Quanto? £54.50 na sexta ou £58.50 no sábado. Onde? Victoria Park.

 

Midsommarstang Pop Up Party  O que é? A marca de cidra Sueca Rekorderling está a organizar uma série de festas pop up com música, cidra, festa e ambiente Sueco de celebração ao verão em três locais ao longo do Regents Canal.  Quando? Até dia 24 de Julho. Quanto? £Gratuito. Onde? Até 14 de Julho na Paddington Basin; até 24 de Julho em Granary Square em Kings Cross; e até 24 de Julho no Queen Elizabeth Park em Stratford. Notem que não decorre todos os dias da semana. Ver o link para detalhes das datas em que o evento está a decorrer.

 

Festival de Verão de Alexandra Palace O que é? Este festival conta com música, silent disco, cinema outdoor, um escorrega insuflável de água gigantesco e muito mais num ambiente agradável para toda a família. Quando? 23 de Julho. Quanto? Entrada gratuita mas algumas actividades pagas. Onde? Alexandra Palace.

 

Hackney Wick on the Beach Contem com uma zona preenchida com areia, um mercado de produtos vintage e artesanato, DJs e muitos comes e bebes ao sol. É assim que esta festa na 'praia' de Hackney Wick promete ser um dos eventos do verão. Quando? 24 de Julho.  Quanto? Gratuito antes das 18h e £5 a partir daí. Onde? Hackney Wick.

 

Londres manifesta-se e os primeiros efeitos do referendo

Ontem eu, e mais uns milhares de pessoas fomos para Trafalgar Square manifestar contra o resultado do referendo Europeu - "Brexit No" - gritavam, com posters que indicavam "We  EU"; "Europe Forever" e outros tantos. As bandeiras Europeias encheram a praça, e o sentimento era de revolta e descontentamento pelos resultados. Quando a concentração dos manifestantes foi maior, as pessoas movimentaram-se aos milhares para a frente do Parlamento de forma a mostrar a sua indignação perante os políticos que governam o país. 

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Alguns dizem que não vale a pena ir a manifestações porque o governo já sabe que Londres está maioritariamente descontente com os resultados e que queríamos ficar na Europa, mas na minha opinião, se não houver barulho nas ruas, e consecutivas manifestações a apresentar descontentamento, os políticos poderão simplesmente deixar-se ir com os resultados da maioria dos votos por acreditar que as pessoas não se sentem tão contrariadas com o resultado. 

 

Para quem estiver interessado em juntar-se à próxima manifestação, vai haver uma outra marcha para o Parlamento em oposição do resultado, no sábado. 

 

Agora, para além dos resultados negativos que o referendo já trouxe para o país, tais como a queda do poder da Libra e instabilidade financeira, uma fator que nos afecta directamente e imediatamente aos Europeus e emigrantes de forma em geral que vivem no Reino Unido é o racismo que se tem apresentado brutalmente nas ruas. Tenho ouvido já imensas histórias e, sinceramente não tenho vontade nenhuma de sair de Londres para outras partes do país onde estas situações de racismo são ainda mais evidentes. 

 

Uma amiga minha que é Britânica, nascida aqui, de origem Asiática/oriental ante-ontem foi verbalmente atacada num autocarro em Londres por um homem que lhe gritou que os resultados já sairam e que ela devia ser deportada para de onde veio. 

 

Hoje apareceu no jornal a história de uma senhora Alemã que já está a viver em Chester, no norte de Inglaterra desde os anos 70, que ligou para uma estação de rádio a chorar a dizer que já não sai de casa à 3 dias com medo dos atos xonofóbicos na rua porque diz que já lhe deixaram um monte de fezes à porta de casa e gritaram que já era tempo de ela sair do país. 

 

Estamos numa situação horrível neste momento, em que a população pouco educada do reino Unido, que não são tão poucos assim, simplesmente acha que, o resultado do voto significa que a maioria do país apoia-os no descontentamento da quantidade de imigração existente no país e, como tal, sentem-se no direito de insultar os imigrantes ou todos que, de alguma forma, sejam diferentes do típico Britânico de pele branca. É terrível e, sinceramente não imaginei que chegassemos a estes termos. De qualquer forma, esse tipo de pessoas não representam de forma alguma os Britânicos que conheço e com quem convivo no dia-a-dia, por isso não quero apresentar isto como um estereótipo representativo do país. Há muitas pessoas cá que nunca tomariam esse tipo de atitudes, mas infelizmente, há também muitas pessoas que as tomam, e os seus atos, sendo tão ofensivos, sobresaem mais.  

 

Ainda estamos para saber o que vai exactamente acontecer com a situação política do país, mas a Angela Merkel já afirmou que, se o Reino Unido quizer continuar a ter acesso ao mercado livre Europeu, também vai ter que deixar que continue a existir livre abertura de movimentação de cidadãos Europeus para o Reino Unido. 

O fim de uma era - Reino Unido fecha as portas à UE

Mal posso acreditar. Chorei ao ler a notícia. O meu Whats App não pára com mensagens entre os meus grupos de amigos a prestar desgosto pela situação. A maior parte são Britânicos que vivem em Londres e, tal como indicado pela maioria dos votantes da zona de Londres, queriam que o Reino Unido ficasse na União Europeia. Alguns dos comentários são:

 

"Crazy. Just woke up, can't sleep. Sad, sad day."

 

"52% of my country men are complete idiots. I'm sorry..."

 

"Farage declaring Independence Day makes me sick in my stomach"

 

"I've been crying this morning. I feel ashamed of our country!!!"

 

"I think London should revolt and become a member of the EU on its own"

 

"I feel ashamed of being British"

 

"The realisation that my daughter will not know us being part of the EU and may know a world with Boris and Donald in power is dawning on me. Am I dreaming?"

 

O Primeiro-Ministro que, neste momento já anunciou que vai denunciar ao cargo disse que não vão haver mudanças imediatas para os Europeus a viver no Reino Unido. A grande maioria dos deputados, que estavam a favor do Sim vão fazer força para que o Reino Unido se mantenha na zona do mercado único que continuaria a permitir aos Europeus livre abertura de movimentos e trabalho no Reino Unido. Mas para já, são tudo estipulações, e ainda vamos ter que ver o que está para vir, as decisões a tomar e, como essas vão afectar todos aqueles que, como eu, são cidadãos Europeus, não Britânicos.

 

Uma coisa não tenho dúvida - o número de aplicações para o Passaporte Britânico vai aumentar significativamente, e a minha vai ser uma delas. Quem me dera que já a tivesse feito. Pergunto-me também se, esse volume de aplicações vai fazer com que seja ainda mais restritivo poder obtê-lo.  

 

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A saída da Europa está neste momento à frente

Acabei de chegar ao apartamento onde estou a ficar (neste momento estou num festival em Cannes) e, ao chegar, a primeira coisa que quiz fazer foi ligar o meu telemóvel para poder ver os resultados do referendum. Para a minha surpresa, o Não à Europa neste momento está na frente - com 50.5% dos votos contra os 49.5% de pessoas que pretendem continuar na UE. Os resultados ainda não são finais mas isto está a deixar-me nervosa. 

Vá lá Reino Unido - nāo posso querer acreditar que sejam assim tāo xenófobos (o principal argumento que governou a campanha do Não). Vocês não são assim. Não nos deitem esta chapada na cara. 

Uma visita ao passado

Hoje decidi dedicar-me a fazer uma tarefa que tenho andado a adiar à anos! Organizar a papelada que tenho andado a acumular ao longo de todos estes anos desde que estou a viver em Londres. E é impressionante a quantidade de coisas que tinha acumulado - eu guardava mesmo tudo! Tinha todos os extractos bancários mensais até o ano 2014. quando mudei para os extratos online. Tinha o bilhete de todas as minhas viagens de avião durante os primeiros anos que estive em Londres; as cartas dos médicos; papeladas legais que já não têm qualquer validade; todos os contratos de casas e trabalho, e tudo e tudo e tudo. 

 

Decidi que precisava de fazer uma boa limpeza e deitar fora toda a papelada que não viesse a ser necessária, e como tal, olhei para cada papel um a um. Demorou-me mais de 6 horas para rever e organizar tudo, mas enquanto o fiz, a vária papelada ía-me trazendo as mais diversas memórias do meu percurso ao longo destes anos. Deixou-me ficar muito nostálgica, mas por vezes, recordar pequenas coisas em que no dia-a-dia não pensamos, faz bem. Assim, decidi deixar ficar a papelada que traz à memória certos acontecimentos, e deitei fora apenas a papelada mais repetitiva ou que não tinha qualquer referência a um acontecimento específico. 

 

Ao fim das tais 6 horas, tinha dois sacos muito cheios de papelada (alguma dela que me custou um pouco deitar fora, mas teve que ser, porque senão, não conseguiria fazer a limpeza que queria) e as prateleiras mais vazias. Vale a pena, de vez em quando dar uma volta às nossas coisas. Agora ainda tenho mais duas caixas cheinhas, às quais também quero dar um tratamento antes de mudar de casa para não ter que levar tudo tanta coisa. Acho que essas caixas vão ser um pouco mais difíceis porque incluem exactamente coisinhas, objectos, anotamentos, etc., que tenham estado relacionadas com algum evento importante. Guardei-as porque queria ficar com uma recordação desses momentos, mas agora tenho as caixas mais que cheias e raramente lá vou rever as memórias por isso acho que também vão precisar de levar um corte. Talvez esse seja uma ocupação para o próximo fim-de-semana. 

 

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